sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Um exemplo de cooperação


     A catequese, como educação da fé, é também uma educação para viver a responsabilidade de construir um mundo melhor. O compromisso com o evangelho inclui a disposição de se colocar a serviço como instrumento dedicado a promover a vida de acordo com o projeto de Deus. Isso é particularmente relevante no trabalho a ser feito com adolescentes e jovens porque eles precisam de um ideal que dê direção a sua vida e que os faça perceber que têm valor como colaboradores do futuro que Deus deseja para seus filhos e filhas. Nessa perspectiva, há tarefas que são grandiosas demais e que exigem uma colaboração mais ampla dentro da grande família humana.  

Uma dessas tarefas é o cuidado com o planeta. É algo que já estava implícito na narração simbólica de Gn 2: O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e guardar. O planeta, que é a casa de todos, deve ser cuidado por todos e  isso é algo em que todas as religiões podem se empenhar. 

Um passo significativo nessa direção foi dado dentro da Cúpula dos Povos, um evento paralelo à Rio + 20. Ali houve a Coalisão Ecumênica e Inter-religiosa “Religiões por Direitos” em que aconteceu um debate em que líderes de várias religiões se uniram a uma iniciativa da CNBB e de Religiões pela Paz para discutir a relação entre as religiões e as questões ambientais. Dessa reflexão conjunta brotou um documento, a Carta das Religiões e o Cuidado da Terra. O documento foi assinado por lideranças da Igreja Católica, do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), do Conselho Latino-americano de Igrejas (CLAI), da Federação Israelita do Rio de Janeiro, da Sociedade Beneficente Muçulmana, do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-brasileiras, de Religiões pela Paz e da Universidade Espiritual Mundial Brahma  Kumaris.

            Os compromissos aí assumidos se estruturaram em torno de sete objetivos:

a)     Apresentar ao mundo o sentido da vida humana;
b)  Promover a educação e a prática do respeito mútuo, do diálogo, da convivência pacífica e da cooperação entre diferentes povos, culturas e religiões;
c)      Explicitar mais e melhor o que já possuímos em comum;
d)     Discernir juntos os valores que constroem a paz no mundo;
e) Viver a compaixão com os mais necessitados, empobrecidos e excluídos da sociedade;
f)       Promover o valor e o cuidado da criação;
g)  Afirmar elementos de uma ética comum que seja capaz de orientar atitudes e comportamentos de paz e de justiça.   

 A partir desses objetivos, foram estabelecidos compromissos em relação a posturas e trabalhos que as religiões sentem necessidade de desenvolver juntas para o bem da humanidade como um todo. É bonito ver como, em vez das guerras religiosas que marcaram tão desastrosamente a história humana, conseguimos chegar a uma compreensão melhor da força da cooperação e do diálogo para a construção de um mundo melhor. No final da Carta das Religiões, os representantes das denominações religiosas envolvidas fazem uma solicitação para que  se reconheça algo muito importante: “os imperativos morais das nossas tradições, convicções e crenças, bem como nossos esforços de diálogo e cooperação inter-religiosa são imprescindíveis para alcançarmos o desenvolvimento sustentável de toda a humanidade”.

Religiões são forças muito poderosas. Elas mexem com a consciência das pessoas e são capazes de mobilizar multidões de voluntários profundamente empenhados em realizar boas obras. Se elas se unirem num trabalho para o bem comum, em vez de ficar gastando energia em disputas que desperdiçam energias e ainda prejudicam a imagem de cada tradição religiosa, a humanidade tem muito a ganhar. A catequese pode ajudar a compreender a importância dessa colaboração, educando para o diálogo inter-religioso e para as conseqüências da responsabilidade de vivermos todos na grande casa planetária criada por Deus. Afinal, quando a Bíblia nos diz que descendemos todos de um único casal, ela não quer discutir com a ciência, mas quer nos comunicar que pertencemos todos à mesma grande família.

Therezinha Cruz

Um comentário:

  1. Os artigos da Therezinha Cruz sempre valem a pena. Excelentes para a reflexão pessoal ou grupal, para a catequese e o Ensino Religioso. Parabéns, e muito obrigado! Wolfgang Gruen

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