sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O que já temos em comum


Todos nós já ouvimos falar daquela situação em que, diante de um copo com água pela metade, algumas pessoas dizem que se trata de um copo meio cheio e outras reclamam que é um copo meio vazio. Isso é uma espécie de mini parábola, que costumamos usar para mostrar como alguns estão sempre prontos a ver uma questão de forma positiva enquanto outros só conseguem ver o lado negativo. Isso acontece muito nos relacionamentos humanos. Todos nós temos defeitos e qualidades. Mas há pessoas que tendem a ver e destacar só os defeitos e outras que buscam em primeiro lugar as qualidades. É claro que as que enxergam as qualidades costumam ser mais felizes e ter mais amigos.

Ver algo de bom no outro desperta nele um desejo de reciprocidade. Por exemplo; uma vez eu estava na fila do banco e uma senhora que estava na minha frente me olhou e disse que achava muito bonito o brinco que eu estava usando; imediatamente olhei bem para ela e procurei algo bom para elogiar também; gostei dos óculos que ela usava e disse que era um modele muito bonito, e aí começou uma conversa amigável que fez o tempo passar mais depressa e de modo mais agradável enquanto nós duas esperávamos o atendimento.

No diálogo ecumênico, essa disposição de ver em primeiro lugar o que a outra Igreja tem de positivo é um excelente começo de relacionamento, que produz um clima favorável e leva o outro lado a um desejo de retribuir a gentileza. Para isso não temos que ser fingidos (eu de fato gostei dos óculos da senhora que estava na fila!) porque só com sinceridade a coisa funciona direito. 

A esse respeito nossa Igreja tem reafirmado em várias situações que “os bens presentes nos outros cristãos podem contribuir para a edificação dos católicos” (Ut Unum Sint 48). Mas em primeiro lugar destacamos os ‘bens” que temos em comum como, por exemplo: a maior parte da Bíblia, o amor ao evangelho, muitas doutrinas que todos herdaram do tempo antes da Reforma, o interesse em obras de misericórdia, uma ética baseada na lei de Deus... 

E a catequese poderia falar bem dos irmãos de outras Igrejas? Isso não seria arriscado, contraproducente? Temos que apresentar lealmente a fé vivida por esses irmãos. Isso já estava na Exortação Apostólica Catechesi Tradendae, de João Paulo II: “... é sobremaneira importante fazer uma apresentação correta e leal de outras Igrejas e comunidades eclesiais, das quais o Espírito de Cristo não recusa servir-se como de meios de salvação; e entre os elementos e os bens tomados em conjunto, com que a Igreja se edifica e é vivificada, alguns e até muitos e muito importantes podem existir fora dos limites visíveis da Igreja Católica.”(CT 32)

Poderíamos então destacar dois bons motivos para que a catequese não tenha receio de reconhecer o que há de bom nos irmãos de outras Igrejas: a) é isso que a nossa Igreja manda fazer e aí ela demonstra ter grandeza e maturidade; b) esse tipo de atitude prepara melhor os nossos catequizandos para o diálogo já que, sabendo ver o melhor do outro, correm menos risco de entrar em brigas desgastantes.

Quando , em todas as Igrejas, todos tiverem esse tipo de atitude estaremos dando aos que não creem um impactante testemunho do amor capaz de curar muitos tipos de feridas.     

Therezinha Cruz

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