quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O MINISTÉRIO DA COORDENAÇÃO - V

“Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um
coloque à disposição dos outros o dom que recebeu” (1Pd 4,10).

Hoje, o que mais ouvimos dos catequistas que estão na coordenação da animação Bíblico-catequética da sua comunidade, é a reclamação sobre a dificuldade para coordenar e animar o grupo de catequistas. Por isso, é necessário que estejamos atentos a este novo tempo que estamos vivendo. O documento de Aparecida fala de um novo perfil de ser humano nestes novos tempos, nos apresenta uma mudança de época que traz consigo algumas incertezas e inseguranças. É bom olharmos para a história e buscarmos perceber que tipo de ser humano estamos tendo em nossa época.

Nestes novos tempos percebemos um fenômeno mundial novo sobre o exercício da autoridade, pois este sofreu algumas mudanças radicais muito grandes. Percebemos o modelo que passou de um procedimento de prescrição de deveres, normas, tarefas ou práticas para um procedimento de mais liberdade e de escolhas, de buscas, de tentativas, onde as pessoas podem por si mesmas determinarem os valores o tipo de ser humano que querem ser e o modo de integrar-se na sociedade.

A partir destas mudanças, temos um ser humano que pode caminhar por si só, contudo, aparecem as incertezas pela multiplicidade de caminhos, dificuldades no discernimento que geram inseguranças, surgem as dúvidas, ausências e falta de horizontes. Aqui surge o papel do coordenador e o seu exercício como ministério de quem coordena. 

O Ministério da Coordenação é o serviço que suscita e integra, por meio de ações concretas,  as forças vivas da catequese: pároco, catequistas, pais, catequizandos e as outras  pastorais.
 Exercer este ministério, não é decidir tudo, caminhar sozinho, ser o dono da verdade, mas é aquele que, junto com outro, descobre caminhos. Exercer o ministério da coordenação na catequese é gerar vida e criar relações fraternas. É promover o crescimento da pessoa, abrindo espaço para o diálogo, a partilha de vida, a ajuda aos que necessitam de presença, de incentivo e de compreensão. Esse ministério se alimenta na fonte de espiritualidade que decorre do seguimento de Jesus Cristo. Não é uma função, mas uma missão que brota da vocação batismal de servir, de animar, de coordenar. Pela coordenação, o projeto de catequese avança, cria relações fraternas, promove a pessoa humana, a justiça e a solidariedade. A coordenação deve ser missionária, inserida na comunidade, formadora de atitudes evangélicas, comprometida com a caminhada da catequese e com as linhas orientadoras da diocese (DNC 316).

O ministério da coordenação deve ser exercido como quem acompanha, ou seja, o/a catequista coordenador deve ser presença, pois acompanhar, para nós, dever ser entendido como um modo de localizar-se diante do outro, é um processo de estar junto ao outro. É a postura de estar com o outro. O coordenador é aquele que ajuda o grupo de catequista a crescer nas dimensões humana e espiritual. É fundamental no processo do crescimento e desenvolvimento humano a figura do outro que nos acompanha. A pessoa madura necessita de orientação como estímulo daquilo que foi produzido e do que deve cuidar. A partilha determina a profundidade da vida.

Este ministério deve ser exercido com alegria, como uma fonte de espiritualidade, como um serviço em prol do Reino: animando os catequistas, abrindo novos horizontes, atualizando-se continuamente, estando em sintonia com as orientações diocesanas, criando um clima de acolhida,  partilha e confiança. Desse modo, a Catequese surge como luz na comunidade.

Existem diversas maneiras de exercer a coordenação. Dentre elas destacamos as seguintes: Coordenação centralizadora – sobressai a função. O coordenador não divide tarefas. Não confia totalmente no grupo. Normalmente uma coordenação centralizada é autoritária, por vezes distante da caminhada da catequese e dos reais problemas dos catequistas, dos catequizandos, dos pais e da comunidade cristã. Numa coordenação centralizadora, com facilidade surgem os descontentamentos, as divisões, os subgrupos, o desânimo e as desistências.

Coordenação fraterna, democrática – caracteriza-se pelo serviço, pela animação, pela distribuição das tarefas, pela confiança nos catequistas, pelo amor aos pais dos catequizandos, pela vivência comunitária, pela preocupação com a formação dos catequistas, pelo relacionamento humano, afetivo, carinhoso, alegre, mesmo nos erros e nas tensões. Esse modelo de coordenação acolhe as sugestões, aceita com humildade as críticas, aponta sempre uma  luz nas horas de tensões. Acima de tudo, elabora um projeto catequético-participativo capaz de gerar um processo de educação da fé na comunidade.

Características do serviço da coordenação (DNC, n.318)

a)    assumir este ministério como uma missão que brota de uma experiência de vida cristã comunitária;

b)    entender o significado do serviço de coordenação e suas atribuições;

c)    suscitar vida entre as pessoas, cultivando um relacionamento humano, fraterno e afetivo;

d)    perceber a realidade sócio-econômica-política-eclesial e cultural que envolve as pessoas e as comunidades. Não há uma coordenação neutra: ela está situada num contexto sócio-cultural em nível local, nacional, mundial;

e)    assumir as exigências da coordenação como um serviço em benefício do crescimento das pessoas e da comunidade. Este serviço expressa a experiência de partilha, de descentralização, da missão realizada em equipe, de relações fraternas, sinalizadoras de um novo modo de viver que brota do Evangelho;

f)    criar uma rede de comunicação entre as diversas instâncias: comunidade, paróquia, diocese, regional e nacional;

g)    adotar a metodologia do aprender a fazer fazendo, tendo presentes objetivos claros e ações concretas a serem desenvolvidas;

h)    ter capacidade para perceber que as pessoas têm saber, capacidades, valores, criatividade e intuições que contribuem para o exercício da coordenação;

i)     desenvolver qualidades necessárias para um trabalho em equipe: capacidade de escutar, de aprender, de dialogar; reconhecer os valores do grupo; proporcionar o crescimento da consciência crítica, da participação e do compromisso; expressar solidariedade nas dificuldades e nas alegrias; ter um espírito organizativo;

j)    saber lidar com desencontros, problemas humanos e situações de conflito com calma, num clima de diálogo, caridade e ajuda mútua;

k)    perceber a realidade e a estrutura da graça, mais do que a eficiência e o ativismo;

l)    buscar e partilhar conhecimento atualizado sobre planejamento participativo;

m)    integrar-se com as demais pastorais (pastoral orgânica).

Pe. Eduardo Calandro
Pe. Jordélio Siles Ledo, css

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