segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Concílio Vaticano II (2) – A Lumen Gentium


1. “O que é Igreja?” Uma das ousadias dos 2.156 membros do Concílio foi levantar a questão: o que é Igreja? Parecia lógico que um Concílio nunca se colocaria este tipo de pergunta, inda mais sobre uma Igreja com quase dois mil anos de existência e segura de si. Os debates e escritos, muitos e conflitivos, se multiplicaram e foram fecundos, dando origem à Constituição Dogmática “Lumen Gentium” (Sobre a Igreja), aprovado em 21 de novembro de 1964, com 2.151 votos a favor e apenas 05 contra. Finalmente esclarecia-se oficialmente a origem, a razão de ser, a constituição e a missão da Igreja. 

2. Uma revolução na Igreja. A “Lumen Gentium” é uma verdadeira revolução quanto ao modo de ser, viver, agir, organizar e compreender a Igreja. Basta dizer, por exemplo, que, de um modelo de Igreja como sociedade perfeita, piramidal, com a hierarquia (Papa, Cardeais, Bispos, Padres, Diáconos) sendo considerada “a Igreja”, passa-se a uma Igreja Povo de Deus, com uma pluralidade de imagens, complementares entre si e orientadas pela perspectiva do mistério da Comunidade Perfeita, a Santíssima Trindade, e da missão, a mesma de Jesus, a salvação da humanidade. E esta revolução trouxe suas consequências para todos os aspectos constitutivos e históricos da Igreja e de como, na prática, ela se organiza e age. É, portanto, uma graça de Deus poder ler, estudar, comentar e aplicar, hoje, os 08 capítulos da Lumen Gentium e, confrontá-los com o que atualmente entendemos e vivemos como Igreja. 

3.  Os oito capítulos da Lumen Gentium. Capítulo 1: O mistério da Igreja coloca,  numa densa síntese, os fundamentos bíblicos e teológicos da Igreja; Cap. 2: O Povo de Deus: a partir da revelação bíblica, da igualdade batismal de todos os cristãos e da missão que os fiéis recebem de Deus, a primazia não está na hierarquia da Igreja mas no Corpo Eclesial como um todo e como Povo de Deus; Cap. 3: A Constituição hierárquica da Igreja e, em especial, do Episcopado: é para servir a Deus e o seu Povo santo que existem o Papa, os Cardeais, os Bispos, os Presbíteros e os Diáconos. E neste capitulo é explicitada a missão de cada um deles; Cap. 4: Os Leigos: pela primeira vez um Concílio trata com tanta ênfase sobre a dignidade e a missão dos leigos e leigas na Igreja (vocação, missão, relação entre hierarquia e leigos, os leigos vivificadores do mundo); Cap. 5: A vocação de todos à santidade na Igreja: existe um chamado universal à santidade; Jesus é mestre e modelo de santidade; a santidade de todos os estados de vida; a caridade, o martírio e os Conselhos Evangélicos; Cap. 6: Os Religiosos:  O que é Vida Religiosa na Igreja, as pessoas consagradas a serviço de Deus, o testemunho de vida, Regras de Vida, relação com a hierarquia, Vida Religiosa a serviço do mundo; perseverança e santidade. Cap. 7: A índole escatológica da Igreja peregrina e a sua união com a Igreja celeste. Como será a Igreja na Plenitude dos Tempos, isto é, na Eternidade; a união aqui na terra entre a Igreja que peregrina neste mundo e a Igreja que já está no Céu, expressões desta união; unidade no amor e na liturgia; Cap. 8: A bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, no mistério de Deus e da Igreja; trata-se de um maravilhoso ensinamento oficial da Igreja sobre Maria Santíssima na História da Salvação e na vida da Igreja

Irmão Nery fsc – irnery@yahoo.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Querido leitor, caso não tenha uma conta google escolha a opção anônimo e deixe seu nome no final do comentário.

Loading...

Cadastre seu email e receba nossas novidades:

Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética

MAPA DE VISITAS