quinta-feira, 20 de setembro de 2012

25º. Domingo do Tempo Comum – B


O Evangelho de Marcos apresenta uma lógica muito clara sobre a missão de Jesus. Na primeira metade do Evangelho, o Messias realiza milagres, o que impressiona os seus apóstolos e a multidão; sua atividade é mais populista, o que atrai o povo. De repente, Jesus toma uma nova atitude: anuncia que deve ir para Jerusalém, para enfrentar a cruz. Acontece, então, uma reviravolta no modo de proceder do Mestre, que agora irá dirigir sua pregação aos discípulos, a multidão não mais se evidencia. Segue o seu caminho para Jerusalém, mostrando aos seus discípulos o verdadeiro significado de seu messianismo.

Os discípulos passam a não compreender as palavras de Jesus. Na verdade, a não compreensão é uma decepção, uma incongruência entre o ensinamento de Jesus e as expectativas dos discípulos. Certamente esperavam o messias da glória, do milagre, das facilidades, do Reino imposto pela força, dos privilégios. Jesus, por sua vez, mostra-se um professor insistente, repetindo três vezes a lição. Já testemunhamos a primeira lição dada a Pedro, ao tentar impedir que Jesus fizesse o seu caminho da cruz. Neste domingo, uma nova predição da paixão e uma nova missão sobre o sentido do seu Reino é dada.

As lições de Jesus são dadas em contraposição aos procedimentos dos discípulos. Se na primeira lição houve a chamada de atenção a Simão (o tentador que queria impedir os planos do Senhor), agora Jesus questiona os discípulos que desejam ser os maiores no Reino. O Mestre ensina que no Reino não existe privilégios. Faz uma reviravolta paradoxal: quem quiser ser o primeiro, que seja o último.

Em nossa sociedade parece ser necessário o reconhecimento por algum mérito: ser o mais bonito, o mais inteligente, o mais bem sucedido, o melhor funcionário. Por que é necessário ser o melhor? É necessário provar algo para alguém? Nossos limites nos levam aos fracassos, aos insucessos, o que não deve envergonhar ninguém. Somos humanos e limitados. 

Nossas ambições podem existir, mas devem ter limites. O limite é o reconhecimento pelo mero reconhecimento. O que fazemos de bom, além da busca de nossa autoestima, precisa ser consequência do desejo da construção gratuita do bem no mundo. Já a luta cega pelo primeiro lugar não tem espaço no Reino de Deus. O Evangelho questiona as nossas relações humanas, conduzindo-nos a sermos movidos pela misericórdia: reconhecer os fracos, os que parecem não tem ter nada a oferecer e a não oprimir pelo abuso da autoridade. 

Jesus coloca uma criança na roda e pede para que recebam. Hoje as crianças ocupam muitas vezes o centro da vida familiar, mas no tempo de Jesus, a criança era despreza, não tinha poder algum. A criança é, por isso, sinal da dependência, pois necessita dos pais para tudo. O Senhor nos ensina que para sermos grandes, devemos ter a humildade de nos deixar conduzir; deste modo, não são nossos egoísmos que devem nos conduzir, mas a luz do próprio Deus. Devemos ter a coragem de deixar o nosso orgulho de lado e reconhecermos que precisamos de Deus, que sozinhos não podemos fazer nada.

Na segunda leitura, o apóstolo Tiago fala sobre os pedidos egoístas. Na mesma linha do Evangelho, fica claro que não podemos ter a nossa disposição tudo o que desejamos. Consequentemente, não é possível pedir qualquer coisa a Deus, pois tudo o que pedirmos deve estar em consonância com a vontade do Pai. Deus sabe sobre nossas necessidades, além disso, não nos priva de todas as aflições. A melhor prece: “Senhor, faça-se a tua vontade, não a minha; coloco tudo em tuas mãos!”

Pe. Roberto Nentwig

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