quarta-feira, 12 de setembro de 2012

24º. Domingo do Tempo Comum – B


“Quem dizem os homens que eu sou?” (Mc 8,27). O que diríamos como resposta? Quem é Jesus para cada um dos católicos que participam de nossas Igrejas? Quem é Ele para os demais cristãos e para quem nem vive a fé? Certamente há muitas respostas, no entanto nem todas coerentes com a proposta do Evangelho. É preciso, pois, purificar nossa imagem sobre Jesus, deixando de lado qualquer perfil que se distancie daquele homem de Nazaré, plenamente humano e portador de uma proposta desconcertante que mira a vida de plenitude.
Quando Pedro tomou a palavra para responder à pergunta de Jesus em nome da comunidade dos discípulos, o apóstolo acertou em sua definição: de fato, Jesus é o Messias, o enviado do Pai. Porém, não bastam boas definições, pois a fé é bem mais do que teorias. O que havia no coração de Pedro era uma imagem de um messias político que traria um reino meramente humano. Pedro e os discípulos esperavam ser servidos em um reino de privilégios que se estabeleceria perante a opressão romana. Pedro e os demais queriam o reino no qual eles seriam reis.

Jesus anunciou um reino empolgante, mas no decurso de sua missão, deixou bem claro que o seu Reino não era euforia e nem um messianismo político. Seu projeto passava pela cruz, o que o fez anunciar o Reino como um dom de si mesmo. Sua liberdade nasce, portanto, do desprendimento: foi livre da riqueza, livre dos outros, livre de si mesmo, despojado da própria vida. Sendo livre, foi realmente libertador. Sendo livre, Jesus fez a sua opção fundamental pelo Reino de Deus, abraçando o desejo do coração do Pai.

Por isso, depois da resposta de Pedro, Jesus fez um anúncio explícito de sua paixão (Mc 8,31-33). Sua intenção era exatamente purificar a imagem que Pedro fazia do ser Messias. Na segunda parte do Evangelho de Marcos, veremos sempre Jesus tentando mostrar o verdadeiro significado do messianismo. Porém, os discípulos, mostram-se desconcertados e não acolhem com facilidade a proposta do Mestre. No diálogo com Pedro, vemos claramente um pedido para que Jesus não siga o seu intento, por isso foi repreendido: “Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo. Jesus voltou-se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: ‘Vai para longe de mim, Satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens’” (Mc 8,32-33).

Também corremos o risco de cair na mesma tentação de Pedro e dos discípulos. Podemos também nos considerar bem próximos de Jesus, mas não abraçar a sua mais genuína proposta. Podemos também buscar na religião nossos próprios interesses. Somos tentados a ter um Jesus sem Cruz e um Reino egoísta repleto de privilégios. Os autênticos seguidores de Jesus Cristo devem aprender a lição da renúncia. Quem não põe limites em sua vida, quem não é capaz de sofrer para amar, quem não se dispõe a doar algo de si mesmo não poderia ter o título de cristão. Não podemos ser pedras de tropeço ou tentadores que se arrogam no direito de questionar o próprio Deus.

A verdade é que, como os discípulos, também nós nos encontramos na estrada de um aprendizado contínuo, que nos faz crescer na compreensão do Reinado de Deus e numa vida que vai aos poucos se amoldando às exigências da fé. Uma fé que se mostra com as obras, sendo elas nada mais do que gestos de amor.

Pe. Roberto Nentwig

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