sábado, 29 de setembro de 2012

Tem início o 1º Simpósio de Animação Bíblico da Pastoral


Teve início na noite de ontem no Regional Sul 1 - São Paulo o 1º Simpósio de Animação Bíblico da Pastoral. Veja na integra a saudação de Dom Vilson.

Quero saudar a todos os irmãos e irmãs, presbíteros, religiosas/os, diáconos, leigos/as, seminaristas, assessores/as vindos a este Simpósio de Animação Bíblica da Pastoral, organizado e articulado pela Comissão de Bíblia e Catequese do nosso querido Regional Sul 1 da CNBB, de 28 a 30 de setembro de 2012, na grande metrópole de São Paulo.

Em nosso Brasil, com grande criatividade, multiplicaram-se experiências de serviço missionário sustentadas pela Palavra. Muitas comunidades conservaram-se vivas e dinâmicas alimentadas somente pela Palavra. O Espírito Santo sustentou toda esta vitalidade. O que se propõe a seguir são linhas de ação orientadas a um novo passo: a animação bíblica de toda a pastoral.

Primeiramente é preciso reconhecer que os interlocutores da ação pastoral são sujeitos e não somente destinatários. De fato, não recebem a Palavra para guardá-la para si mesmos, mas para anunciá-la (cf. Is 50,4). Como recorda o Senhor: “O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados” (Mt 10,27). Sendo assim, interlocutores da animação bíblica da pastoral são todos os membros do Povo de Deus: os leigos, enquanto presença da Palavra de Deus em forma de “fermento na massa”; os consagrados enquanto presença da Palavra de Deus na vivência dos conselhos evangélicos; os ministros ordenados enquanto presença da Palavra de Deus no exercício do tríplice múnus de ensinar, santificar e governar. Todos os membros do Povo de Deus, no entanto, são chamados a dar testemunho de acolhida e vivência da Palavra.

Para acontecer uma animação bíblica da pastoral indicamos que se crie alguns espaços importantes tais como: Comissões, com uma organização funcional, que ofereçam uma rede de serviços e ajudas práticas, facilitando a efetiva animação bíblica da pastoral; Equipes de assessoria da animação bíblica da pastoral; e Formação bíblica permanente (no tempo), sistemática (no currículo) e profunda (nos conteúdos) para assessores e multiplicadores da animação bíblica da pastoral.
 No Eixo da Formação: a animação bíblica da pastoral, enquanto Caminho de Conhecimento e Interpretação da Palavra, encontra na catequese seu espaço vivencial, pois “a atividade catequética implica sempre abeirar-se das Escrituras na fé e na Tradição da Igreja, de modo que aquelas palavras sejam sentidas vivas, como Cristo está vivo hoje, onde duas ou três pessoas se reúnem em seu nome (cf. Mt 18,20). A catequese deve comunicar com vitalidade a História da Salvação e os conteúdos da fé da Igreja, para que cada fiel reconheça que sua vida pessoal pertence àquela história”.[1]
 No Eixo da oração: A animação bíblica da pastoral, enquanto Caminho de Oração com a Palavra e Comunhão, encontra na liturgia seu lugar privilegiado, em que Deus continua hoje a se comunicar com seu povo que escuta e responde. Cada ação litúrgica, por sua própria natureza, está impregnada da Sagrada Escritura. Nela “a Palavra de Deus é celebrada como palavra atual e viva”.[2]
 No eixo do anúncio: A animação bíblica da pastoral, enquanto Caminho de Evangelização e Proclamação da Palavra, nos impulsiona à caridade (cf. 2 Cor 5,14). “A missão da Igreja não pode ser considerada como realidade facultativa ou suplementar da vida eclesial. (...) É a própria Palavra que nos impele para os irmãos: é a Palavra que ilumina, purifica, converte; nós somos apenas servidores. Por isso, é necessário descobrir cada vez mais a urgência e a beleza de anunciar a Palavra para a vinda do Reino de Deus. (...) Não se trata de anunciar uma palavra anestesiante, mas desinstaladora que chama à conversão, que torna acessível o encontro com Ele, através do qual floresce uma humanidade nova”.[3]

No início deste nosso Simpósio recordaria que o Sínodo sobre a Palavra e a Verbum Domini constituem um novo Pentecostes para a Igreja. Que assim aconteça, também, com a acolhida e a prática deste Documento. Nossos bispos nos exortam para que estas linhas de ação influam eficazmente na vida e na missão da Igreja, particularmente na Catequese, na Liturgia e no Testemunho da caridade, contribuindo, assim, para a vivência profunda da Fé, pois sabemos que a “Igreja funda-se sobre a Palavra de Deus, nasce e vive dela”.[4]

Somos, na verdade, consagrados e enviados para anunciar a todos a Palavra que é Cristo. Tendo-a escutado, respondamos “com a obediência da fé” (cf. Rm 1,5; 16,26) e “o ouvido do coração”,[5] a fim de que as nossas palavras, opções e atitudes “sejam cada vez mais uma transparência, um anúncio e um testemunho do Evangelho”,[6] e vivamos por Ele (cf. 1Jo 4,9).

Temos uma Boa Nova para anunciar ao mundo de hoje: a Palavra de Deus, Jesus Cristo, que está presente entre nós. Ele é mensagem de salvação e de vida. Com São Paulo, não queremos saber nem pregar outra coisa, a não ser Jesus Cristo, para nós sabedoria e poder de Deus (cf. 1Cor 2,2).

Que a intercessão de Maria, modelo de quem viveu a plena obediência da fé e escutou com o ouvido do coração. Ela é o ícone perfeito da fé bíblica, da escuta e do acolhimento generoso e disponível à vontade do Senhor. “A sua fé obediente face à iniciativa de Deus plasma cada instante da sua vida. Virgem à escuta, vive em plena sintonia com a Palavra divina”.[7] Ela teve a vida totalmente modelada pela Palavra.

Que este 1º. Simpósio de animação Bíblica da Pastoral, que declaro aberto nesta noite do dia 28 de setembro de 2012, traga a todos nós, participantes deste evento, luzes de Deus, no sentido de abraçarmos ainda mais a Palavra de Deus em nossa vida e em nossas comunidades espalhadas em nossas dioceses e em nosso Regional. Bom Simpósio e felicidades a todos e todas.
Dom Vilson Dias de Oliveira, DC
Bispo Referencial da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética – CNBB/Sul 1

[1] VD 74.
[2] VD 52.
[3] VD 93 (cf. 90-98).
[4] Cf. VD 3.
[5] RB Prólogo,1.
[6] Cf. PDV 26.
[7] VD 27.

Fonte: Regional Sul 1: http://catequeseregsul1.blogspot.com.br/

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O que já temos em comum


Todos nós já ouvimos falar daquela situação em que, diante de um copo com água pela metade, algumas pessoas dizem que se trata de um copo meio cheio e outras reclamam que é um copo meio vazio. Isso é uma espécie de mini parábola, que costumamos usar para mostrar como alguns estão sempre prontos a ver uma questão de forma positiva enquanto outros só conseguem ver o lado negativo. Isso acontece muito nos relacionamentos humanos. Todos nós temos defeitos e qualidades. Mas há pessoas que tendem a ver e destacar só os defeitos e outras que buscam em primeiro lugar as qualidades. É claro que as que enxergam as qualidades costumam ser mais felizes e ter mais amigos.

Ver algo de bom no outro desperta nele um desejo de reciprocidade. Por exemplo; uma vez eu estava na fila do banco e uma senhora que estava na minha frente me olhou e disse que achava muito bonito o brinco que eu estava usando; imediatamente olhei bem para ela e procurei algo bom para elogiar também; gostei dos óculos que ela usava e disse que era um modele muito bonito, e aí começou uma conversa amigável que fez o tempo passar mais depressa e de modo mais agradável enquanto nós duas esperávamos o atendimento.

No diálogo ecumênico, essa disposição de ver em primeiro lugar o que a outra Igreja tem de positivo é um excelente começo de relacionamento, que produz um clima favorável e leva o outro lado a um desejo de retribuir a gentileza. Para isso não temos que ser fingidos (eu de fato gostei dos óculos da senhora que estava na fila!) porque só com sinceridade a coisa funciona direito. 

A esse respeito nossa Igreja tem reafirmado em várias situações que “os bens presentes nos outros cristãos podem contribuir para a edificação dos católicos” (Ut Unum Sint 48). Mas em primeiro lugar destacamos os ‘bens” que temos em comum como, por exemplo: a maior parte da Bíblia, o amor ao evangelho, muitas doutrinas que todos herdaram do tempo antes da Reforma, o interesse em obras de misericórdia, uma ética baseada na lei de Deus... 

E a catequese poderia falar bem dos irmãos de outras Igrejas? Isso não seria arriscado, contraproducente? Temos que apresentar lealmente a fé vivida por esses irmãos. Isso já estava na Exortação Apostólica Catechesi Tradendae, de João Paulo II: “... é sobremaneira importante fazer uma apresentação correta e leal de outras Igrejas e comunidades eclesiais, das quais o Espírito de Cristo não recusa servir-se como de meios de salvação; e entre os elementos e os bens tomados em conjunto, com que a Igreja se edifica e é vivificada, alguns e até muitos e muito importantes podem existir fora dos limites visíveis da Igreja Católica.”(CT 32)

Poderíamos então destacar dois bons motivos para que a catequese não tenha receio de reconhecer o que há de bom nos irmãos de outras Igrejas: a) é isso que a nossa Igreja manda fazer e aí ela demonstra ter grandeza e maturidade; b) esse tipo de atitude prepara melhor os nossos catequizandos para o diálogo já que, sabendo ver o melhor do outro, correm menos risco de entrar em brigas desgastantes.

Quando , em todas as Igrejas, todos tiverem esse tipo de atitude estaremos dando aos que não creem um impactante testemunho do amor capaz de curar muitos tipos de feridas.     

Therezinha Cruz

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O DIRETÓRIO NACIONAL DA CATEQUESE E AS ORIENTAÇÕES DAS FUNÇÕES.- VII


“Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um
coloque à disposição dos outros o dom que recebeu” (1Pd 4,10).
Os leigos na catequese 

Os fiéis leigos têm missão importante como batizados e crismados. Eles têm uma sensibilidade especial para encarnar os “valores do Reino” na vida concreta, a partir de sua inserção no mundo do trabalho, da família, das profissões, da política, da cultura... especialmente entre os afastados ou em ambientes onde outros agentes da Igreja não estão habitualmente presentes. Eles podem ouvir quem não se sente Igreja, percebendo por que cada pessoa se afastou, descobrindo o que os de fora gostariam de encontrar na Igreja, quais as expectativas das pessoas que ainda não cativamos. Essa percepção ajudaria a encontrar caminhos de evangelização e catequese. (DNC 241) 

Religiosas e Religiosos na Catequese

A Igreja convoca para a atividade catequética as pessoas de Vida Consagrada e deseja que “as comunidades religiosas consagrem o máximo das suas capacidades e de suas potencialidades à obra específica da catequese” (CT 65; cf CDC 778), pois o testemunho dos religiosos, unido ao testemunho dos leigos, mostra a face única da Igreja que é sinal do Reino de Deus. Convida também os religiosos desde a formação inicial a participarem da formação, organização e animação catequética em sintonia com o Plano de Pastoral e orientações da diocese. A presença alegre, disponível e entusiasta de religiosos na catequese aviva a comunidade e anima os catequistas (DNC 246).

O Pároco na catequese 

  É responsabilidade dos presbíteros e dos diáconos, mas principalmente dos párocos (cf cân. 519; DNC 250):

a) entusiasmar-se pela catequese para que os catequistas se sintam valorizados;
b) acompanhar a catequese em clima de diálogo com a coordenação, dando estímulo à formação permanente dos catequistas e acompanhando as famílias;
c) estimular e apoiar a vocação catequética, ajudando os catequistas a realizarem esse ministério com amor e fidelidade;
d) suscitar na comunidade o senso de responsabilidade para com a catequese;
e) estar atento à qualidade da mensagem, à metodologia, ao crescimento na leitura bíblica, à dimensão antropológica da catequese, ao comprometimento da catequese com a transformação da realidade social;
f) integrar a catequese no projeto de evangelização, em estreita ligação com a liturgia e o compromisso social;
g) assegurar a integração da catequese nos planos diocesanos;
h) zelar para que as orientações pastorais e catequéticas em nível diocesano sejam levadas a efeito;
i) favorecer financeiramente a formação de catequistas e outros gastos da catequese;
j) incentivar a presença de homens no ministério da catequese.

O Bispo na Catequese

João Paulo II, falando aos Bispos, afirma que a preocupação de promover uma Catequese ativa e eficaz deve levá-los a assumir em suas dioceses, de acordo com os planos da Conferência Episcopal, a superior direção da catequese, rodeando-se de colaboradores competentes e merecedores de confiança (Cf. CT 63). O Diretório dos Bispos (Apostolorum Sucessores) de 2004 dedica o parágrafo III do capítulo V (Munus Docendi) ao tema do Bispo, como “primeiro responsável da catequese” (nºs 127 a 136). Afirma que “o Bispo tem a função principal, junto com a pregação, de promover uma catequese ativa e eficaz” (nº 128; DNC 249). 

Esse empenho episcopal na promoção da catequese implica em:

a) assegurar efetiva prioridade de uma catequese ativa e eficaz na Diocese, com atenção especial na cidade;
b) suscitar e alimentar uma verdadeira paixão pela catequese;
c) incentivar a devida preparação dos catequistas, abrangendo: método, conteúdo, pedagogia e linguagem;
d) acompanhar e atualizar a qualidade dos textos utilizados na catequese;
e) organizar um projeto global de catequese na Diocese, integrado no conjunto da pastoral;
f) assegurar meios, instrumentos e recursos financeiros;
g) despertar o ministério catequético;
h) zelar pela formação catequética dos presbíteros, tanto nos seminários como na formação permanente.

Pe. Eduardo Calandro
Pe. Jordélio Siles Ledo, css 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Regional Norte 2: Encontro dos Lectionautas – Macapá



O encontro dos Lectionautas em Macapá aconteceu nos dias 21 a 23 de setembro no Centro diocesano de Pastorais, contou com a participação de muitos jovens provenientes da Pastoral da Juventude, Movimento de Cursilho, Renovação Carismática Católica, Comunidade Shalon e Juventude Missionária.

O encontro foi uma oportunidade para os jovens entenderem melhor o que é a Leitura Orante da Bíblia, passando da teoria para a prática, algo que chamou bastante atenção dos jovens que fizeram essa bonita experiência.

Tudo foi de grande importância para os participantes do encontro, principalmente fazer passo a passo, buscando entender cada um, para poder entrar profundamente na dinâmica da Leitura Orante da Palavra de Deus.

Os dias de encontro ajudaram a exercitar um jeito bonito de rezar com a Palavra de Deus, os momentos de leitura orante tanto em grupo quanto individual foram pontos essenciais para os jovens rezarem e partilharem as descobertas que fizeram, as luzes e graças que obtiveram a partir da leitura, meditação, oração e contemplação da Palavra de Deus.

Para todos o encontro foi muito positivo, e os levou a amar mais a Palavra de Deus e o desejo de partilhar com os outros essa belíssima experiência vivida durante esse fim de semana.

Agradecemos as assessoras: Marcia Cerneiro (SBB), Ir. Eugênia Lloris Aguado e Maria Cecília Rover (CNBB)  que estiveram conosco e nos ajudaram a entender esse método tão importante de rezar a partir da Bíblia.

Os dons de Deus


Dia 30 de setembro fazemos memória do patrono da bíblia, São Jerônimo, um dos tradutores dos textos bíblicos, do original para o latim, formando a bíblia chamada de “Vulgata”. É a Palavra de Deus como sendo o grande dom, um caminho revelador da identidade de Deus, em Jesus Cristo. Aí encontramos a indicação dos dons divinos concedidos à pessoa humana.
Toda pessoa, além do dom da vida, é marcada pela presença da bondade de Deus, com habilidades para o bem de todos. Dons que não podem ser privatizados por práticas egoístas. Os bens materiais são dons de Deus e devem ser administrados de forma a propiciar vida digna para todas as pessoas. Deus pedirá conta de quem administra com injustiça.

Na administração dos dons, a prática deve ser de liberdade, evitando um poder centralizado, sem organização e função social e sem a participação da comunidade. Muitos administradores temem ser diminuídos em sua autoridade e, às vezes, são envolvidos por ciúmes, prejudicando o destino dos bens por causa de atos infantis.

A administração dos bens públicos pode revelar um alto grau de imaturidade e despreparo dos seus administradores. E eles são escolhidos através do nosso voto no dia das eleições. Mas não seria o nosso voto um ato de imaturidade, porque não escolhemos quem tem mais condição, preparo e dignidade para o cargo? Ainda é tampo para refletir sobre isto.

O poder do administrador não pode ser apenas para sua projeção social. Não devemos concordar com o “mau agir”, com a conduta errada, a cobiça, a inveja e a ambição. É necessário extirpar todo tipo de administração que vai contra os princípios do Evangelho, porque as consequências são desastrosas para o povo.

Os dons de Deus não podem ser acumulados em poucas mãos. A injustiça social é uma grande ofensa ao Criador. A riqueza centralizada provoca insensibilidade e exploração das pessoas. Onde domina a injustiça e a desonestidade, temos como fruto a violência e a morte. É um desvio de destino dos bens de Deus.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

Bispos de Caicó e Mossoró se envolvem em acidente no interior de Pernambuco‏


Bispo referencial da Comissão Regional para a Animação Bíblico-Catequética, Dom Mariano Manzana e o Bispo Diocesano de Caicó, Dom Manoel Delson Pedreira sofreu um acidente automobilístico no estado de Pernambuco. Voltavam da celebração dos 50 anos da Diocese de Palmares.

Os bispos estavam no carro de Dom Delson, conduzido por um motorista, quando outro veículo que trafegava em sentido contrário invadiu a contramão, provocando o acidente.

A colisão aconteceu perto do município pernambucano de Catende. Dom Delson e Mariano Manzana que estavam dormindo na hora da batida, sofreram ferimentos leves e passam bem. Eles foram transferidos para um hospital em Caruaru, onde passaram por exames.

Segundo a assessoria da Diocese de Santa Luzia, Dom Mariano Manzana teria quebrado o pulso e sofrido um corte embaixo do olho, precisando de sete pontos. O bispo de Mossoró passou por uma tomografia, que seria apresentada na manhã de hoje aos médicos.

Fonte: CAC Maceio

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Concílio Vaticano II (2) – A Lumen Gentium


1. “O que é Igreja?” Uma das ousadias dos 2.156 membros do Concílio foi levantar a questão: o que é Igreja? Parecia lógico que um Concílio nunca se colocaria este tipo de pergunta, inda mais sobre uma Igreja com quase dois mil anos de existência e segura de si. Os debates e escritos, muitos e conflitivos, se multiplicaram e foram fecundos, dando origem à Constituição Dogmática “Lumen Gentium” (Sobre a Igreja), aprovado em 21 de novembro de 1964, com 2.151 votos a favor e apenas 05 contra. Finalmente esclarecia-se oficialmente a origem, a razão de ser, a constituição e a missão da Igreja. 

2. Uma revolução na Igreja. A “Lumen Gentium” é uma verdadeira revolução quanto ao modo de ser, viver, agir, organizar e compreender a Igreja. Basta dizer, por exemplo, que, de um modelo de Igreja como sociedade perfeita, piramidal, com a hierarquia (Papa, Cardeais, Bispos, Padres, Diáconos) sendo considerada “a Igreja”, passa-se a uma Igreja Povo de Deus, com uma pluralidade de imagens, complementares entre si e orientadas pela perspectiva do mistério da Comunidade Perfeita, a Santíssima Trindade, e da missão, a mesma de Jesus, a salvação da humanidade. E esta revolução trouxe suas consequências para todos os aspectos constitutivos e históricos da Igreja e de como, na prática, ela se organiza e age. É, portanto, uma graça de Deus poder ler, estudar, comentar e aplicar, hoje, os 08 capítulos da Lumen Gentium e, confrontá-los com o que atualmente entendemos e vivemos como Igreja. 

3.  Os oito capítulos da Lumen Gentium. Capítulo 1: O mistério da Igreja coloca,  numa densa síntese, os fundamentos bíblicos e teológicos da Igreja; Cap. 2: O Povo de Deus: a partir da revelação bíblica, da igualdade batismal de todos os cristãos e da missão que os fiéis recebem de Deus, a primazia não está na hierarquia da Igreja mas no Corpo Eclesial como um todo e como Povo de Deus; Cap. 3: A Constituição hierárquica da Igreja e, em especial, do Episcopado: é para servir a Deus e o seu Povo santo que existem o Papa, os Cardeais, os Bispos, os Presbíteros e os Diáconos. E neste capitulo é explicitada a missão de cada um deles; Cap. 4: Os Leigos: pela primeira vez um Concílio trata com tanta ênfase sobre a dignidade e a missão dos leigos e leigas na Igreja (vocação, missão, relação entre hierarquia e leigos, os leigos vivificadores do mundo); Cap. 5: A vocação de todos à santidade na Igreja: existe um chamado universal à santidade; Jesus é mestre e modelo de santidade; a santidade de todos os estados de vida; a caridade, o martírio e os Conselhos Evangélicos; Cap. 6: Os Religiosos:  O que é Vida Religiosa na Igreja, as pessoas consagradas a serviço de Deus, o testemunho de vida, Regras de Vida, relação com a hierarquia, Vida Religiosa a serviço do mundo; perseverança e santidade. Cap. 7: A índole escatológica da Igreja peregrina e a sua união com a Igreja celeste. Como será a Igreja na Plenitude dos Tempos, isto é, na Eternidade; a união aqui na terra entre a Igreja que peregrina neste mundo e a Igreja que já está no Céu, expressões desta união; unidade no amor e na liturgia; Cap. 8: A bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, no mistério de Deus e da Igreja; trata-se de um maravilhoso ensinamento oficial da Igreja sobre Maria Santíssima na História da Salvação e na vida da Igreja

Irmão Nery fsc – irnery@yahoo.com.br

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Unidade nas primeiras comunidades


Quando preparamos celebrações ecumênicas, buscamos textos bíblicos que ajudem a refletir sobre o que se espera de uma comunidade de cristãos. São muitos os textos que inspirariam esse tipo de reflexão, começando, é claro, com o pedido de Jesus para que os seus discípulos fossem UM. Mas sempre me impressionam as perguntas: Por que o cristianismo cresceu? Por que aquelas pequenas comunidades, sem poder , sem organização ainda bem definida, se espalharam tanto? O que fazia alguém, naqueles primeiros tempos, querer ser cristão, apesar dos eventuais riscos que isso podia representar?

É claro que a mensagem do magnífico amor de Deus, demonstrado em Jesus, era o grande fundamento que sustentava as comunidades. Mas, lendo direitinho a Bíblia, vemos que  havia uma necessidade básica de fazer do próprio grupo cristão um sinal concreto e visível desse amor. Temos, por exemplo, quase no início de Atos dos Apóstolos, uma descrição do que fazia a comunidade atraente: “Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e possuíam tudo em comum (...) Perseverantes e bem unidos, freqüentavam diariamente o templo, partiam o pão pelas casas e tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração (...) E, cada dia, o senhor acrescentava a seu número mais pessoas que seriam salvas.  Cf At 2, 44-47  Dá para imaginar o clima de comunidades assim e a gente bem que gostaria de estar lá, no meio deles. 

Havia diferenças, é claro, mas a unidade cobria tudo e Paulo diz: “não há mais judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, pois todos vós sois um só em Cristo. (Gl 3,28) Ele não quer dizer que cada um perdeu sua identidade, mas quer acentuar que agora a diversidade não é elemento de separação, mas contribui para enriquecer a unidade.

E essa unidade fraterna é tão importante para o sucesso da pregação que ele não se cansa de recomendar: Completai a minha alegria, deixando-vos guiar pelos mesmos propósitos e pelo mesmo amor, em harmonia buscando a unidade. Fl 2,3  

Tudo isso era fundamental para a expansão do cristianismo. A comunidade tinha que ser um sinal de amor fraterno entre grupos bem diferentes. Hoje, nossos documentos ressaltam de novo que a comunidade é a grande catequista. É ela que confirma (ou não) o amor evangélico que anunciamos. Para os que já são cristãos, isso é um motivador da perseverança. Na verdade, entre os que abandonam uma comunidade de fé, muito poucos o fazem por divergência doutrinal. O motivo mais comum é o fato de alguém não se sentir bem na comunidade.

Para os que ainda não são cristãos, porém, o panorama é mais amplo: eles não vêem só esta ou aquela comunidade. Se vêem a Igreja dividida, com denominações que se agridem em competição, fica muito mais difícil crer naquilo que os cristãos anunciam. Se houver respeito e colaboração fraterna, todas as denominações envolvidas estarão mostrando a força de um amor maior e serão mais convincentes na sua pregação.  Esse seria um grande motivo para a catequese educar para uma espiritualidade ecumênica. Afinal, o ecumenismo sincero e bem vivido é uma proclamação da prioridade do amor a Jesus, o grande sinal que queremos comunicar ao mundo.
 
Therezinha Cruz

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

25º. Domingo do Tempo Comum – B


O Evangelho de Marcos apresenta uma lógica muito clara sobre a missão de Jesus. Na primeira metade do Evangelho, o Messias realiza milagres, o que impressiona os seus apóstolos e a multidão; sua atividade é mais populista, o que atrai o povo. De repente, Jesus toma uma nova atitude: anuncia que deve ir para Jerusalém, para enfrentar a cruz. Acontece, então, uma reviravolta no modo de proceder do Mestre, que agora irá dirigir sua pregação aos discípulos, a multidão não mais se evidencia. Segue o seu caminho para Jerusalém, mostrando aos seus discípulos o verdadeiro significado de seu messianismo.

Os discípulos passam a não compreender as palavras de Jesus. Na verdade, a não compreensão é uma decepção, uma incongruência entre o ensinamento de Jesus e as expectativas dos discípulos. Certamente esperavam o messias da glória, do milagre, das facilidades, do Reino imposto pela força, dos privilégios. Jesus, por sua vez, mostra-se um professor insistente, repetindo três vezes a lição. Já testemunhamos a primeira lição dada a Pedro, ao tentar impedir que Jesus fizesse o seu caminho da cruz. Neste domingo, uma nova predição da paixão e uma nova missão sobre o sentido do seu Reino é dada.

As lições de Jesus são dadas em contraposição aos procedimentos dos discípulos. Se na primeira lição houve a chamada de atenção a Simão (o tentador que queria impedir os planos do Senhor), agora Jesus questiona os discípulos que desejam ser os maiores no Reino. O Mestre ensina que no Reino não existe privilégios. Faz uma reviravolta paradoxal: quem quiser ser o primeiro, que seja o último.

Em nossa sociedade parece ser necessário o reconhecimento por algum mérito: ser o mais bonito, o mais inteligente, o mais bem sucedido, o melhor funcionário. Por que é necessário ser o melhor? É necessário provar algo para alguém? Nossos limites nos levam aos fracassos, aos insucessos, o que não deve envergonhar ninguém. Somos humanos e limitados. 

Nossas ambições podem existir, mas devem ter limites. O limite é o reconhecimento pelo mero reconhecimento. O que fazemos de bom, além da busca de nossa autoestima, precisa ser consequência do desejo da construção gratuita do bem no mundo. Já a luta cega pelo primeiro lugar não tem espaço no Reino de Deus. O Evangelho questiona as nossas relações humanas, conduzindo-nos a sermos movidos pela misericórdia: reconhecer os fracos, os que parecem não tem ter nada a oferecer e a não oprimir pelo abuso da autoridade. 

Jesus coloca uma criança na roda e pede para que recebam. Hoje as crianças ocupam muitas vezes o centro da vida familiar, mas no tempo de Jesus, a criança era despreza, não tinha poder algum. A criança é, por isso, sinal da dependência, pois necessita dos pais para tudo. O Senhor nos ensina que para sermos grandes, devemos ter a humildade de nos deixar conduzir; deste modo, não são nossos egoísmos que devem nos conduzir, mas a luz do próprio Deus. Devemos ter a coragem de deixar o nosso orgulho de lado e reconhecermos que precisamos de Deus, que sozinhos não podemos fazer nada.

Na segunda leitura, o apóstolo Tiago fala sobre os pedidos egoístas. Na mesma linha do Evangelho, fica claro que não podemos ter a nossa disposição tudo o que desejamos. Consequentemente, não é possível pedir qualquer coisa a Deus, pois tudo o que pedirmos deve estar em consonância com a vontade do Pai. Deus sabe sobre nossas necessidades, além disso, não nos priva de todas as aflições. A melhor prece: “Senhor, faça-se a tua vontade, não a minha; coloco tudo em tuas mãos!”

Pe. Roberto Nentwig

ATRIBUIÇÕES DO MINISTÉRIO DA COORDENAÇÃO - VI


Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um
coloque à disposição dos outros o dom que recebeu” (1Pd 4,10).

Citamos aqui algumas dicas para o ministério de quem coordena. A coordenação deve: 
a) Ser organizada em todos os níveis de atuação, com aceitação e acompanhamento do responsável imediato: Comunidade Eclesial, Paróquia, Região, Diocese.
b) Em nível paroquial poderá ser desdobrada em coordenações específicas das diferentes faixas etárias: Pré-Catequese Infantil, Catequese com Crianças (a Catequese de Iniciação), Catequese de Perseverança, Catequese com Adolescentes, Catequese Especial, Catequese com Adultos, entre outras, desde que todas trabalhem de forma integrada e sob a orientação da Coordenação Geral e do Pároco.
c) Em todos os níveis de atuação, a coordenação da catequese deverá apresentar os requisitos fundamentais para o exercício de sua missão: formação condizente com sua tarefa, dinamismo, entusiasmo, espírito de comunhão e participação, humildade, testemunho de vida, espiritualidade, vivência sacramental, equilíbrio psicológico, capacidade de trabalhar em equipe, afetividade, espírito de fé e oração.

Estas orientações podem ser desdobradas em outras, para todos os níveis de coordenação catequética da paróquia:

·      elaborar, de maneira participativa, um pequeno projeto para a catequese, privilegiando o objetivo, o conteúdo e a metodologia;

·      repassar aos grupos interessados qualquer inovação, exigência ou mudança nos rumos da catequese;

·    participar das reuniões e demais eventos promovidos pela Paróquia, Região, Diocese, sempre que solicitado. A participação em atividades extra-paroquiais é fundamental para o crescimento da comunidade. Ter o hábito de preparar um pequeno relatório sobre a  realidade paroquial ou de outras questões pedidas pelas coordenações regionais ou diocesanas;

·    programar reuniões constantes com toda a equipe de coordenação para rezar, estudar e aprofundar a situação da Pastoral Catequética na comunidade;

·    avaliar frequentemente o processo de educação da fé na comunidade, por meio de visitas, encontros, assembleias. 

Pe. Eduardo Calandro
Pe. Jordélio Siles Ledo, css

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O ímpio e o justo


O ímpio tem uma lógica contra a vontade de Deus. Ele não se preocupa com o bem comum. Seu objetivo é satisfazer desejos egoístas, contrapõe-se ao modo de pensar e de proceder da pessoa justa, inclusive perseguindo-a em suas atividades. O justo teme a Deus e faz tudo respeitando os direitos e a justiça com as pessoas.

A inveja e as preocupações egoístas causam desordens e todo tipo de más ações na vida. É a prática dos injustos, dos hostis às leis e contrários aos princípios orientadores de Deus. Reina a prepotência, a afronta ao justo com calúnias, perseguições, podendo chegar até à morte. As consequências muitas vezes são drásticas.

Não é fácil a mudança de mentalidade de quem passou por um tipo de formação que marcou profundamente o seu modo de agir. Sendo na ambição pelo poder, uma mudança vai depender de exigências fortes. Pois, a ideologia dos poderosos é atraente. Com isto a prática do serviço ao outro é trocada por disputas egoístas.

Na visão cristã, seguindo as orientações de Jesus, podemos dizer com o Evangelho: “Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Mc 9, 35). Entre o ímpio e o justo existe uma grande distância, que só vai ser superada quando houver abandono do “ser maior”, tornando-se “servidor” das pessoas.

Devemos entender que a sabedoria vem do alto, vem de Deus como proposta justa para uma boa convivência e respeito entre as pessoas. As diferenças egoístas causam insatisfação, sofrimento, lutas, guerras, cobiças, insensatez etc. Como podemos sonhar com um mundo fraterno se existem atitudes injustas por todo lado!?

Podemos nos orientar através de duas lógicas, a do ímpio, ou a do justo. Isto fica evidente no nosso modo normal de proceder. Sabemos da dificuldade de ser justo numa sociedade marcada por tantos sinais de corrupção, de injustiças e de morte. Aí não está o reino da sabedoria que vem do alto, não é o Espírito de Deus como fonte do bem.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Unidade na diversidade da Igreja


O apóstolo Paulo teve que lidar com as questões básicas da Igreja nascente, guiando as comunidades a partir da interpretação das orientações deixadas por Jesus. Ele precisou resolver problemas que ainda não existiam durante o curto tempo de pregação de Jesus. Tinha que detectar onde estavam as ameaças para o crescimento e o poder de persuasão das comunidades cristãs. Fez isso tão bem que conseguiu que do grupo de judeus seguidores do judeu Jesus viesse a se estruturar uma religião que se espalhou pelo mundo inteiro.

Uma das coisas que Paulo percebeu muito bem foi a necessidade da unidade na diversidade. Ele lidava com pessoas de origens, culturas, tendências e talentos diversos. Viajava de uma comunidade para outra e percebia que cada uma precisava ser atendida a partir de necessidades diferentes. Mas percebia também como era importante que todos se sentissem unidos por algo maior. 

 Paulo expressou magnificamente em 1 Cor 12, 12-27 como deveria funcionar o conjunto da Igreja. Foi aí que ele usou a imagem do corpo, que tem (e precisa ter) membros diferentes para funcionar direito. E dá exemplos bem concretos: Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? (...) O olho não pode dizer à mão: não preciso de ti. Nem a cabeça pode dizer aos pés:não preciso de vós.”  A catequese poderia trabalhar bem essa idéia, até dramatizando as possíveis conversas entre as partes do corpo, para mostrar que é bom ter órgãos com funções e capacidades diferentes. Mas é preciso que essas partes diversas tenham também uma unidade. Se um pé decidir que vai ao parque e outro insistir em ir para a escola, o corpo acaba não indo a parte alguma.

Essa reflexão estaria dirigida em primeiro lugar para a nossa própria pastoral de conjunto. Mas ela constrói um tipo especial de espiritualidade, que nos leva a valorizar o outro, não somente pelas afinidades que tivermos com ele, mas também pelas diferenças que vão poder ser complementares. Na verdade, uma comunidade de clones, todos iguaizinhos, além de ser monótona, seria muito pouco produtiva. Também uma comunidade de gente com talentos bem diferentes que vivesse em competição, cada um achando que só ele está certo e tem valor, seria um lugar de convívio insuportável e não seria capaz de atrair os de fora. No entanto, uma comunidade de gente amiga e colaboradora, que saiba aproveitar com alegria os diferentes talentos e estilos de cada um num trabalho com objetivos comuns, seria produtiva e despertaria em outros o desejo de participar. A catequese poderia montar dramatizações que evidenciassem esses três tipos de comunidade, levando os catequizandos a uma boa reflexão que mostraria também a importância da unidade na diversidade em outros campos da ação humana.

Essa idéia está na base da espiritualidade ecumênica. Ecumenismo é uma espiritualidade, antes mesmo de ser uma estratégia, uma prática, um conjunto de ações. Antes mesmo de propor um diálogo com irmãos de outras Igrejas, temos que contemplar o valor da diversidade que, inspirada pela unidade, promove uma cooperação mais construtiva.

Therezinha Cruz

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O MINISTÉRIO DA COORDENAÇÃO - V

“Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um
coloque à disposição dos outros o dom que recebeu” (1Pd 4,10).

Hoje, o que mais ouvimos dos catequistas que estão na coordenação da animação Bíblico-catequética da sua comunidade, é a reclamação sobre a dificuldade para coordenar e animar o grupo de catequistas. Por isso, é necessário que estejamos atentos a este novo tempo que estamos vivendo. O documento de Aparecida fala de um novo perfil de ser humano nestes novos tempos, nos apresenta uma mudança de época que traz consigo algumas incertezas e inseguranças. É bom olharmos para a história e buscarmos perceber que tipo de ser humano estamos tendo em nossa época.

Nestes novos tempos percebemos um fenômeno mundial novo sobre o exercício da autoridade, pois este sofreu algumas mudanças radicais muito grandes. Percebemos o modelo que passou de um procedimento de prescrição de deveres, normas, tarefas ou práticas para um procedimento de mais liberdade e de escolhas, de buscas, de tentativas, onde as pessoas podem por si mesmas determinarem os valores o tipo de ser humano que querem ser e o modo de integrar-se na sociedade.

A partir destas mudanças, temos um ser humano que pode caminhar por si só, contudo, aparecem as incertezas pela multiplicidade de caminhos, dificuldades no discernimento que geram inseguranças, surgem as dúvidas, ausências e falta de horizontes. Aqui surge o papel do coordenador e o seu exercício como ministério de quem coordena. 

O Ministério da Coordenação é o serviço que suscita e integra, por meio de ações concretas,  as forças vivas da catequese: pároco, catequistas, pais, catequizandos e as outras  pastorais.
 Exercer este ministério, não é decidir tudo, caminhar sozinho, ser o dono da verdade, mas é aquele que, junto com outro, descobre caminhos. Exercer o ministério da coordenação na catequese é gerar vida e criar relações fraternas. É promover o crescimento da pessoa, abrindo espaço para o diálogo, a partilha de vida, a ajuda aos que necessitam de presença, de incentivo e de compreensão. Esse ministério se alimenta na fonte de espiritualidade que decorre do seguimento de Jesus Cristo. Não é uma função, mas uma missão que brota da vocação batismal de servir, de animar, de coordenar. Pela coordenação, o projeto de catequese avança, cria relações fraternas, promove a pessoa humana, a justiça e a solidariedade. A coordenação deve ser missionária, inserida na comunidade, formadora de atitudes evangélicas, comprometida com a caminhada da catequese e com as linhas orientadoras da diocese (DNC 316).

O ministério da coordenação deve ser exercido como quem acompanha, ou seja, o/a catequista coordenador deve ser presença, pois acompanhar, para nós, dever ser entendido como um modo de localizar-se diante do outro, é um processo de estar junto ao outro. É a postura de estar com o outro. O coordenador é aquele que ajuda o grupo de catequista a crescer nas dimensões humana e espiritual. É fundamental no processo do crescimento e desenvolvimento humano a figura do outro que nos acompanha. A pessoa madura necessita de orientação como estímulo daquilo que foi produzido e do que deve cuidar. A partilha determina a profundidade da vida.

Este ministério deve ser exercido com alegria, como uma fonte de espiritualidade, como um serviço em prol do Reino: animando os catequistas, abrindo novos horizontes, atualizando-se continuamente, estando em sintonia com as orientações diocesanas, criando um clima de acolhida,  partilha e confiança. Desse modo, a Catequese surge como luz na comunidade.

Existem diversas maneiras de exercer a coordenação. Dentre elas destacamos as seguintes: Coordenação centralizadora – sobressai a função. O coordenador não divide tarefas. Não confia totalmente no grupo. Normalmente uma coordenação centralizada é autoritária, por vezes distante da caminhada da catequese e dos reais problemas dos catequistas, dos catequizandos, dos pais e da comunidade cristã. Numa coordenação centralizadora, com facilidade surgem os descontentamentos, as divisões, os subgrupos, o desânimo e as desistências.

Coordenação fraterna, democrática – caracteriza-se pelo serviço, pela animação, pela distribuição das tarefas, pela confiança nos catequistas, pelo amor aos pais dos catequizandos, pela vivência comunitária, pela preocupação com a formação dos catequistas, pelo relacionamento humano, afetivo, carinhoso, alegre, mesmo nos erros e nas tensões. Esse modelo de coordenação acolhe as sugestões, aceita com humildade as críticas, aponta sempre uma  luz nas horas de tensões. Acima de tudo, elabora um projeto catequético-participativo capaz de gerar um processo de educação da fé na comunidade.

Características do serviço da coordenação (DNC, n.318)

a)    assumir este ministério como uma missão que brota de uma experiência de vida cristã comunitária;

b)    entender o significado do serviço de coordenação e suas atribuições;

c)    suscitar vida entre as pessoas, cultivando um relacionamento humano, fraterno e afetivo;

d)    perceber a realidade sócio-econômica-política-eclesial e cultural que envolve as pessoas e as comunidades. Não há uma coordenação neutra: ela está situada num contexto sócio-cultural em nível local, nacional, mundial;

e)    assumir as exigências da coordenação como um serviço em benefício do crescimento das pessoas e da comunidade. Este serviço expressa a experiência de partilha, de descentralização, da missão realizada em equipe, de relações fraternas, sinalizadoras de um novo modo de viver que brota do Evangelho;

f)    criar uma rede de comunicação entre as diversas instâncias: comunidade, paróquia, diocese, regional e nacional;

g)    adotar a metodologia do aprender a fazer fazendo, tendo presentes objetivos claros e ações concretas a serem desenvolvidas;

h)    ter capacidade para perceber que as pessoas têm saber, capacidades, valores, criatividade e intuições que contribuem para o exercício da coordenação;

i)     desenvolver qualidades necessárias para um trabalho em equipe: capacidade de escutar, de aprender, de dialogar; reconhecer os valores do grupo; proporcionar o crescimento da consciência crítica, da participação e do compromisso; expressar solidariedade nas dificuldades e nas alegrias; ter um espírito organizativo;

j)    saber lidar com desencontros, problemas humanos e situações de conflito com calma, num clima de diálogo, caridade e ajuda mútua;

k)    perceber a realidade e a estrutura da graça, mais do que a eficiência e o ativismo;

l)    buscar e partilhar conhecimento atualizado sobre planejamento participativo;

m)    integrar-se com as demais pastorais (pastoral orgânica).

Pe. Eduardo Calandro
Pe. Jordélio Siles Ledo, css

Ambientação encontro sobre a Bíblia!



A ambientação num encontro é o primeiro impacto. Não estou aqui dando um encontro pronto sobre a Bíblia, pois isso é impossível, mesmo porque cada encontro é desenvolvido de  maneira única. Sendo assim, mesmo tendo em mãos um modelo, um esqueleto de encontro, nunca conseguiremos fazer igual. Porque se tem alguém que não é 'copião' é o Espírito Santo, Ele é sempre criativo. Por isso partilho algumas dicas sem sentimento de culpa de estar dando encontros prontos.

Só Deus cria do nada,  nós, quase sempre copiamos e damos nosso toque. Tem já algum tempo, recebi da Rosângela Tamaoki, de Londrina, esse coração com a Bíblia. Gostei, confeccionei o meu e nesse ano, dei um ar primaveril, colocando as flores de crepon, que já ensinei fazer aqui no blog. Se não viu, CLIQUE AQUI,  e veja meu tutorial( pra lá de ruim.)

Fiz as Bíblias com as caretinhas (que já são conhecidas aqui na blogosfera), para que refletissem qual Bíblia eles tem em casa. 
E olha, eles souberam definir, foram sinceros... A Bíblia que mais tem é a Bíblia suja e a desanima e esquecida (srrsrs).
Queriam levar as Bíblias pra casa. Fiz só pra expor, pois fazer 16 jogos, daria muito trabalho. Mas, to aqui pensando, podemos imprimir. Vou tentar!

Usei o papel camurça. Pra se ter uma idéia de tamanho, com uma folha fiz 04 Bíblias. Usei cartolina branca e colei camurça só na parte da frente! Dentro da Bíblia, de um lado, coloquei alguns ensinamentos básicos, tirado do Material de Dom Orani JoãoTempesta, conforme link abaixo:


Do outro lado, os dizeres de cada caretinha (Bíblia), por exemplo:

1ª Bíblia Triste : Sou a Bíblia triste, meu dono até que me lê, mas não interpreta corretamente minhas Palavras e não pratica meus ensinamentos.

2ª Bíblia Rasgada: Sou a Bíblia rasgada, dentro de mim estão escritas palavras doce como o mel, mas meu dono muito desligado, me deixa em qualquer lugar e nas mãos de quem não tem cuidado!

3ª Bíblia Suja:  sou a Bíblia Suja, sou colocada na estante como objeto de decoração. Fico lá no mesmo lugar, sempre aberta na mesma página, no mesmo salmo, pegando poeira. Ninguém me tira dali para ler e meditar  meu conteúdo! 

4ª Bíblia desanimada e esquecida: Sou a Bíblia esquecida e desanimada. Meu dono não me usa, não me leva para o grupo de oração, para os encontros de catequese... Às vezes até me leva, mas depois não me procura mais. Fico lá no canto até a próxima semana. Se esquece que sou a fonte inspiradora, luz que ilumina, Palavra que conforta, Pão que alimenta!

5ª Bíblia Feliz: sou a Bíblia Feliz, sirvo sempre que sou desejada. Meu dono me carrega com orgulho, Me lê, acredita em minhas Palavras, pois sabe que sou para os cristãos a espada.

Minha intenção com esse encontro foi de conscientizar da importância  da Palavra de Deus na vida deles, na família, no lar e levá-los a perceber qual Bíblia eles tem em casa. E eles perceberam. Achei interessante que quando cheguei na Bíblia desanimada, um catequizando gritou: "Imaculada, é essa minha Bíblia, é essa!"  

Quando chegou a vez da Bíblia Feliz, fizeram um resumo, usando aquilo que foi comentado em todas as outras, inclusive dizendo que a Bíblia Feliz é quando a interpretamos corretamente. Em se tratando de crianças de 10 , 11 anos, fiquei muito feliz.

Ia me esquecendo, iniciamos cantando o tão conhecido refrão: "A Bíblia é a Palavra de Deus, semeada no meio do povo, que cresceu, cresceu e nos transformou, ensinando-nos a viver um mundo novo!" Enquanto cantávamos, ia se passando a Bíblia de mão em mão, até que chegasse ao coração. Lemos o Salmo 119 : "É eterna , Senhor, a tua palavra. Quero ouvir os teus preceitos. Nunca mais quero esquecê-los. Tua Palavra é uma luz que ilumina o meu caminho. Sou pequeno, mas não quero esquecer teus mandamentos. Sinto-me feliz ao ouvir tua Palavra. É um imenso tesouro para mim."
O coração, pra mostrar que a Bíblia não um livro comum, é um livro sagrado e suas Palavras tem que estar dentro do nosso coração e nos transformar numa pessoa melhor. Caso contrário será apenas um objeto de decoração, até mesmo um amuleto.


Outra dica, como  ainda não temos ambão em nossas salas de catequese, coloquei uma cadeira em cima da mesa. Esse é meu ambão. O importante, é que eles observam tudo e sabem que  isso é pra se dar destaque à Palavra de Deus.
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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

24º. Domingo do Tempo Comum – B


“Quem dizem os homens que eu sou?” (Mc 8,27). O que diríamos como resposta? Quem é Jesus para cada um dos católicos que participam de nossas Igrejas? Quem é Ele para os demais cristãos e para quem nem vive a fé? Certamente há muitas respostas, no entanto nem todas coerentes com a proposta do Evangelho. É preciso, pois, purificar nossa imagem sobre Jesus, deixando de lado qualquer perfil que se distancie daquele homem de Nazaré, plenamente humano e portador de uma proposta desconcertante que mira a vida de plenitude.
Quando Pedro tomou a palavra para responder à pergunta de Jesus em nome da comunidade dos discípulos, o apóstolo acertou em sua definição: de fato, Jesus é o Messias, o enviado do Pai. Porém, não bastam boas definições, pois a fé é bem mais do que teorias. O que havia no coração de Pedro era uma imagem de um messias político que traria um reino meramente humano. Pedro e os discípulos esperavam ser servidos em um reino de privilégios que se estabeleceria perante a opressão romana. Pedro e os demais queriam o reino no qual eles seriam reis.

Jesus anunciou um reino empolgante, mas no decurso de sua missão, deixou bem claro que o seu Reino não era euforia e nem um messianismo político. Seu projeto passava pela cruz, o que o fez anunciar o Reino como um dom de si mesmo. Sua liberdade nasce, portanto, do desprendimento: foi livre da riqueza, livre dos outros, livre de si mesmo, despojado da própria vida. Sendo livre, foi realmente libertador. Sendo livre, Jesus fez a sua opção fundamental pelo Reino de Deus, abraçando o desejo do coração do Pai.

Por isso, depois da resposta de Pedro, Jesus fez um anúncio explícito de sua paixão (Mc 8,31-33). Sua intenção era exatamente purificar a imagem que Pedro fazia do ser Messias. Na segunda parte do Evangelho de Marcos, veremos sempre Jesus tentando mostrar o verdadeiro significado do messianismo. Porém, os discípulos, mostram-se desconcertados e não acolhem com facilidade a proposta do Mestre. No diálogo com Pedro, vemos claramente um pedido para que Jesus não siga o seu intento, por isso foi repreendido: “Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo. Jesus voltou-se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: ‘Vai para longe de mim, Satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens’” (Mc 8,32-33).

Também corremos o risco de cair na mesma tentação de Pedro e dos discípulos. Podemos também nos considerar bem próximos de Jesus, mas não abraçar a sua mais genuína proposta. Podemos também buscar na religião nossos próprios interesses. Somos tentados a ter um Jesus sem Cruz e um Reino egoísta repleto de privilégios. Os autênticos seguidores de Jesus Cristo devem aprender a lição da renúncia. Quem não põe limites em sua vida, quem não é capaz de sofrer para amar, quem não se dispõe a doar algo de si mesmo não poderia ter o título de cristão. Não podemos ser pedras de tropeço ou tentadores que se arrogam no direito de questionar o próprio Deus.

A verdade é que, como os discípulos, também nós nos encontramos na estrada de um aprendizado contínuo, que nos faz crescer na compreensão do Reinado de Deus e numa vida que vai aos poucos se amoldando às exigências da fé. Uma fé que se mostra com as obras, sendo elas nada mais do que gestos de amor.

Pe. Roberto Nentwig

Ser porta-voz



Estamos num momento significativo na história da sociedade. Teremos que votar novamente, colocando em prática nosso direito de cidadãos brasileiros. Com isto vamos escolher todos os nossos próximos representantes no poder executivo e legislativo dos diversos municípios. Cada eleito vai agir como nosso porta-voz e em nome do povo de seu município.

É hora de pensar em duas palavras decisivas: fé e fidelidade. Isto significa autenticidade, fato que não tem sido levado em conta em nosso país. Muitos políticos não são tementes a Deus, mas infiéis, carreiristas e não se colocam a serviço do bem comum. O povo sofre com isto e acaba assistindo atitudes de desonestidade.

O poder, verdadeiramente constituído, vem de Deus, mas isto passa pela ação livre dos eleitores. Significa que a autoridade escolhida não tem real poder se foi eleita por quem não tenha agido, na hora de votar, com plena liberdade. Comprar e vender o voto não significa liberdade plena, não é ato totalmente divino e não é voto com nobreza e consciência madura.

Todo candidato, nas eleições, procura se apresentar bem, com boa aparência e propósitos muito firmados. Mas acontece que há uma mentalidade de triunfo e muito individualista. Ela esconde interesses que não são os do povo. É como falar de fé sem obras, aparências que tentam convencer, mas privilegiam interesses próprios ou de grupos particulares.

Na verdade, ser porta-voz é ser luz para o povo. Isto é diferente de ser opressor, que tira a esperança e a alegria das pessoas. Por outro lado, o povo quase não acompanha e nem é resistente diante das atitudes dos políticos eleitos. É cômodo ser passivo porque agir supõe coragem e enfrentamento.

Não podemos ser cristãos apenas de bons sentimentos e intenções, porque a fé exige fidelidade e compromisso bem definidos, principalmente nos momentos decisivos da sociedade. Não basta confessar a fé, como o fez Pedro diante de Cristo. Temos que enfrentar as diversidades e maldades que impedem a realização do bem. É um caminho de cruz, de maturidade e coragem.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.
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