quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O EXEMPLO DE JESUS NO MINISTÉRIO DA COORDENAÇÃO – IV

“Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um
coloque à disposição dos outros o dom que recebeu” (1Pd 4,10).

Mergulhando no jeito de ser de Jesus, podemos descobrir uma melhor maneira para coordenar a catequese na comunidade. Nesse sentido, o MINISTÉRIO DA COORDENAÇÃO reveste-se de uma mística, de uma espiritualidade, de uma missão. Coordenar é integrar, animar, avaliar, revisar, celebrar, incentivar a caminhada da catequese. A coordenação é uma “co-operação”, uma ação em conjunto, de co-responsabilidade conforme os diversos ministérios. Jesus é a fonte inspiradora na arte de coordenar. Ele não assumiu a missão sozinho. Fez-se cercar de um grupo (cf Mc 3, 13-19; Jo 1, 35-51). Com ele vai criando sua comunidade. Em Jesus, o ministério da coordenação e animação caracteriza-se pelo amor às pessoas e pelos vínculos de caridade e amizade. Ele conquista confiança e delega responsabilidades. (DNC 314)
O ministério da coordenação é o serviço que mantém  viva a caminhada da catequese em sintonia com as opções diocesanas, paroquiais e segundo as exigências de uma catequese renovada. E o coordenador encontra seu modelo, sua inspiração e a fonte de graça para exercer seu ministério na Pessoa de Jesus.
 Sabemos que Jesus Cristo não quis assumir sua missão sozinho. Fez-se cercar do grupo dos doze (Mc 3,13). Com eles vai criando sua comunidade. Os Evangelhos nos mostram que várias atitudes de Jesus caracterizam-se por um amor cordial e concreto pelas pessoas.  Vejamos algumas situações:

a) Jesus conhece as pessoas e as aceita como são. Parte daquilo que são os discípulos e não daquilo que deveriam ser para conduzir cada um a um crescimento cada vez mais profundo  (Jo 20, 27;  Lc 22, 61;  Lc 24, 13-35).

 b) Jesus exerce sua autoridade com caridade.  É aquele que serve ( Jo 13, 1-20). “Eu não vim para ser servido, mas para servir” (Mc 10, 45). Para Jesus, todos têm uma caminhada a fazer, uma conversão a realizar, uma esperança a construir. A grande norma do grupo é o mandamento do amor.

- Jesus exerce sua "função” de líder, prestando o serviço "lava pés" aos discípulos. Mesmo sendo o Filho de Deus, coloca-se a serviço dos discípulos, seus seguidores.

- Com autoridade e zelo, Jesus convence Pedro a deixar lavar seus pés. Muitas vezes precisamos, em nome do ministério catequético, assumir posições de líderes, mas que agem acima de tudo com ternura e compaixão.

- O "lava pés" é modelo de atitudes para qualquer líder, principalmente para nós catequistas, pois nos ensina a criar laços de amizade, (lavar os pés uns dos outros); laços de humildade (serviço, ministério)...

 c) Jesus situa-se dentro da comunidade e a dirige com amor.  A presença de Jesus é viva no meio da comunidade, ensina a partilhar e ser solidário em tudo (Jo 6, 1-15). Na missão de coordenar como ministério precisamos celebrar a partilha, colocando nossos dons em comum.  Somos desafiados a colocar nossos dons a serviço de todos, necessitamos nos tornar mais sensíveis para perceber a necessidade do outro, e sempre estar atento a uma atitude constante de generosidade.

 d)  Jesus fala da necessidade de sua paixão e convida seus discípulos a partilhar  sua Cruz vivida e assumida na fé e na esperança, porque passando por ela constrói-se o Reino (Lc 9, 22-26).  Assumir a postura de Jesus, amando o que é difícil e tomando as críticas como crescimento; ao assumir a minha cruz de cada dia estou assumindo a vida de Cristo, na caminhada da catequese.   
Além de declarar que aceitamos Jesus como nosso modelo para o seguimento e acima de tudo para animar e coordenar a partir do seu jeito, enfrentamos muitas vezes aqueles que não querem o novo. Sabemos que toda novidade pode nos trazer inseguranças e medos, mas quem se coloca na “estrada” de Jesus não deve temer ao novo e nem muito menos aos desafios do caminho, pois ele nos diz: “Eis que eu estou com vocês todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20b).

e)  Jesus criou uma comunidade para a Missão. A comunidade é um caminho de crescente fraternidade e abertura para a missão. O apóstolo Paulo nos alerta (Rm 12, 9-21) para que tenhamos os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, isto é, que a nossa missão de coordenadores não seja uma forma de vanglória e nem um fardo nos ombros dos outros, mas que seja uma continuidade da missão de Jesus Cristo na edificação do Reino. Para isto é preciso ser fiel à palavra do Senhor, ser fervoroso ao falar de Jesus, ser apaixonados por Jesus, participar da vida do outro, sem ser indiferente; ao tomar decisões, sempre refletir junto ao grupo, nunca sozinho; enquanto coordenador, dar oportunidades para que o catequista possa crescer no amor fraterno, ser carinhoso uns com os outros, sintonizar-se com o Espírito Santo de Deus e se deixar conduzir, não pensar que sabe tudo e sempre se esforçar para viver em paz e harmonia com todos. 

Pe. Eduardo Calandro
Pe. Jordélio Siles Ledo, css

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