quinta-feira, 23 de agosto de 2012

História dos Concílio Vaticano II (3)


1. O 21° Concílio Ecumênico aconteceu no Estado do Vaticano, há 50 anos, entre 1962 e 1965, e recebeu a denominação de Concílio Vaticano II. O Papa João XXIII (que antes se chamava Cardeal Ângelo Roncalli) havia sido eleito Papa em 28 de outubro de 1958, sucedendo ao Papa Pio XII. Quatro meses depois, ciente da defasagem da Igreja em relação à evolução do mundo, anunciou a 25 de janeiro de 1959, a possibilidade da realização de um Concílio. Houve resistências e apoios. Depois de muito diálogo ele convocou o Concílio, no dia de Pentecostes, 17 de maio de 1959, encaminhou os preparativos e, depois, iniciou, a 11 de outubro de 1962, o grande evento, que foi concluído, em 1965, por seu sucessor, o Paulo VI (antes Cardeal João Batista Montini). Roma abrigou durante as sessões conciliares mais de 2.451 participantes, eleitos pelas Conferencias Episcopais de todo o mundo, convidados especiais especialistas em Bíblia, teologia, pastoral, filosofia, história, política e ciências.

2. A graça de lá estar. Tive o privilégio de estar na Praça de São Pedro, como estudante na Universidade Lateranense, nos meus 20 anos de idade, vendo emocionado e em prece, aquela imensa multidão de `padres´ e `peritos conciliares` em procissão, passando pelo meio do povo. Depois lá da janela dos aposentos do Papa, aconteceu uma memorável saudação de João XXIII a Roma e ao mundo, para sintonizar a todos com aquele grande evento, que se tornou o maior acontecimento da Igreja no século XX.

3. “Aggirornare la chiesa”. O Papa João XXIII, para expressar o objetivo do Concílio Vaticano II, recorreu à expressão italiana “aggiornare la Chiesa”, isto é, trazer a Igreja para o mundo de hoje, adaptá-la, inseri-la na atualidade. Não se tratava de condenar erros, se bem que algumas lideranças queriam um “anátema sit” para o comunismo e os comunistas. O Papa da Bondade, não queria condenação alguma, mas uma Igreja mais fiel a Jesus e ao mundo de hoje, uma Igreja a serviço de um mundo justo, fraterno, solidário, melhor, e buscando respostas eficazes aos grandes desafios e oportunidades do mundo moderno. No final da primeira sessão foi preciso tomar a decisão de mais sessões, de modo que o Concílio durou até seu encerramento no dia 8 de dezembro de 1965. Os participantes levavam muito trabalho para casa e voltavam a Roma, para longas sessões de trabalho, busca de consenso e votações.

4. A novidade do Concílio Vaticano II. Em comparação com os 20 Concílios Ecumênicos anteriores, o Vaticano II decidiu ser um Concílio eminentemente pastoral, dando à Igreja um novo modo de olhar, sentir, perceber: a) o mundo (como Igreja solidária); b) os outros cristãos como (Igreja em atitude ecumênica); c) as outras religiões (como Igreja em atitude de diálogo); c) a si mesma, como Igreja Povo de Deus, servidora do mundo e da humanidade. O Concílio deu um grande impulso à renovação da vida interna da própria Igreja (em todos os aspectos) e no seu modo de lidar com as realidades deste mundo, a ciência, a política, os governos, priorizando a busca da felicidade do ser humano, de todo e qualquer ser humano, sobretudo, os pobres, os feridos em sua dignidade, os excluídos sociais.

5. Próximos artigos. Destacaremos, nos próximos artigos, a mensagem central dos textos conciliares, com ênfase na Constituição Dogmática sobre a Igreja (Lumen Gentium), na Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo (Gaudium et Spes), na Constituição Dogmática sobre a Palavra de Deus (Dei Verbum) e na Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia (Sacrossanctum Concilium).

Irmão Nery fsc – irnery@yahoo.com.br

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