terça-feira, 7 de agosto de 2012

Ajudando famílias com diversidade religiosa


Quando eu era criança, sabia que existiam cristãos de outras Igrejas, mas não os via de perto. Era mais fácil, por exemplo, ter um vizinho espírita (ou um católico que freqüentava um centro espírita) do que ter ao lado um colega batista, presbiteriano ou algo parecido. Hoje eles estão mais presentes. Entramos no táxi e pode ser que o motorista esteja ouvindo um programa evangélico, vamos a uma loja e é possível que, no modo de falar de uma das vendedoras, percebamos sua filiação evangélica. A televisão está cheia de pregadores de Igrejas novas. Nesse cenário, é muito provável que, nas famílias de nossos catequizandos, haja parentes com outras identidades cristãs. 

Diante disso, o que vamos fazer? Alguns acham que precisam preparar os catequizandos para enfrentar esses “opositores”. Não é isso, porém, que nos pedem o bom senso e a própria doutrina da Igreja. Temos, sim, que preparar os catequizandos para compreender, saber explicar e viver com amor as características de sua identidade católica. Se eles convivem com pessoas de outra Igreja (e será difícil que isso não aconteça) devem estar firmes no seu jeito católico de viver a fé, para poder explicar com tranqüilidade, sem medo e sem postura defensiva, por que têm determinadas atitudes, modos de celebrar, e em que consiste a Tradição da sua Igreja. Mas isso não pode ser feito como preparação para a guerra, precisa ser trabalhado em clima de diálogo, com o devido respeito pelas convicções alheias. Boa orientação pode nos vir das palavras de Pedro: “...estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que a pedir. Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência...” (1 Pe 3, 15-16) Isso inclui saber ouvir e reconhecer o amor que o outro irmão cristão dedica a Jesus, perceber como ele sinceramente quer viver como discípulo do nosso mesmo Mestre. Também precisamos cuidar das palavras que usamos para falar dos outros cristãos, de modo a explicar as diferenças sem esquecer as semelhanças e sem desmerecer a boa intenção com que cada um busca seguir o que aprendeu na sua comunidade religiosa.

Alguém poderá dizer: mas isso não representa um risco de assimilação do nosso catequizando pelo outro grupo? Creio que a preparação para a guerra traz um risco ainda maior. Alguém que ouve falar mal do outro e descobre que ele não é tão mau quanto lhe disseram está muito mais vulnerável do que o que se prepara para o diálogo. Além disso, uma demonstração de boa vontade também gera um sentimento menos belicoso no outro. É difícil brigar e ofender quando o outro nos trata bem. Além disso, esse tipo de diálogo é exatamente o que a nossa Igreja nos pede; estaríamos sendo menos católicos se fizéssemos algo diferente. Também precisamos pensar no bem que isso pode fazer às famílias em questão, que precisam cultivar afeto, respeito mútuo e merecem a paz de saber que aquele seu ente querido também está servindo a Jesus.

Temos uma Pastoral da Família. Em algumas comunidades isso se estende até a uma Pastoral dedicada aos casais de segunda união. Penso que está na hora de começarmos a pensar em encontros pastorais de famílias que têm membros com outras denominações cristãs e casais de casamento misto. Participo há muitos anos de um grupo assim e posso testemunhar que isso tem sido fonte de muita alegria, amizade e fortalecimento na fé. 

Therezinha Cruz

Um comentário:

  1. Therezinha fiquei muito contente ao ler seu artigo, concordo plenamente, afinal como vc mesma diz a Igreja nos ensina isso. Precisamos esclarecer o real sentido do ecumenismo para nossas crianças e jovens!
    Com sua permissão levarei seu artigo para o blog da minha paróquia. Paz de Cristo!

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