quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A importância da Comunidade


          Quando se tem claro que a catequese deve ser entendida como parte integrante do processo de Iniciação à Vida Cristã fica claro que se está falando de algo muito mais envolvente do que simplesmente preparar alguém para receber esse ou aquele sacramento. O que está em jogo não é somente a preparação para participar conscientemente  de um rito, mas conseguir levar a pessoa a viver de uma forma nova, totalmente em sintonia com as propostas de Jesus Cristo.

Com o tema “A catequese na renovação da pastoral orgânica”, Therezinha Cruz levou os participantes da 3ª Semana Brasileira de Catequese a fazerem uma profunda reflexão sobre onde se quer chegar com o trabalho catequético e quem é o responsável por ele.

Ninguém é uma ilha para viver e decidir a própria vida de forma isolada. Como a Therezinha nos lembrou, o próprio conjunto dos Evangelhos mostra que temos, além das exigências pessoais, também as comunitárias e as sociais e que, pelo fato dessas exigências se entrelaçarem, fica evidente que não é possível querer se fechar em nenhuma delas. Por isso, “a vida em comunidade é o espaço de alimentação que fortalece tanto o nível pessoal como o social. Dai se vê que precisamos de uma catequese aberta a essas três dimensões da vida e da ação de cada cristão. Elas não são terrenos separados. Cada uma que faltasse prejudicaria as outras duas”.

Infelizmente é fácil constatar que em muitas Comunidades a ação pastoral acaba acontecendo de forma solitária, quando deveria ser realizada em equipe. É evidente que “são muitos os ganhos em vários aspectos se, cada um com seu jeito e seu tipo de espiritualidade, todos estivessem interessados e, de certa forma envolvidos, nos projetos globais da comunidade”.

Uma catequese realmente preocupada com a vida cristã da pessoa, vai se esforçar em integrá-la na vida da Comunidade onde possa viver aquela comunhão que faz a Igreja acontecer em fidelidade ao Projeto do Reino de Deus. Tal comunhão, porém, não acontece de forma automática, mas deve ser construída a partir de vários fatores que precisam ser evidenciados e iniciados já no processo catequético. Dentre eles é necessário destacar:

a.    A valorização das pessoas na Comunidade: “Cada um é único, precioso e insubstituível na sua originalidade. É percebendo as múltiplas riquezas que Deus distribui a cada um que começamos a valorizar a magnitude que há no relacionamento humano, a riqueza da diversidade... Não dá para evangelizar se ignoramos os outros trabalhadores do Reino, se não nos conhecemos e não nos sentimos parte de um conjunto”.

b.   O planejamento das atividades, realizado em conjunto: “O verdadeiro planejamento participativo é uma escola que educa a comunidade para a pastoral orgânica. Pode dar mais trabalho no começo, mas é um caminho que vai se tornando cada vez mais produtivo”.

c.    O necessário aprofundamento bíblico para todos: “A Bíblia... trabalha o tema da ‘comunhão na missão’ tanto pelo método usado na sua composição como por seu conteúdo. Não é um livro uniforme, com um só ponto de vista; é obra feita em mutirão na qual a mensagem se comunica a partir da história de todo um povo... É um conjunto de visões – até bem diferentes – que devem ser compreendidas a partir de uma chave de leitura contextualizada para que se perceba de fato o que Deus está querendo comunicar. É diversificada nos estilos literários e não se preocupa só com aspecto da vida... Mas a Bíblia também valoriza explicitamente a ‘comunhão para a missão’; o povo é educado no seu conjunto para ser sinal da Aliança; Jesus não evangeliza sozinho; as comunidades do começo do cristianismo são o local de alimentação da fé”.

d.   A escuta produtiva da voz da Igreja: são muitos os documentos produzidos pela Igreja, dos quais a grande maioria acaba ficando desconhecido, apesar da riqueza que nos proporcionam para o conhecimento e vivência da fé cristã hoje.

Com certeza não é possível querer que o catequista sozinho consiga inserir a pessoa na Igreja tendo presente todos esses fatores indispensáveis para a verdadeira comunhão. A própria Therezinha lembrou que “já dizia em 1983 o nosso (documento) Catequese Renovada: ‘cada membro do corpo eclesial é responsável pelo bom andamento do todo, e o corpo sadio ajuda o crescimento de cada um. (...) Na comunidade eclesial todos têm a vocação comum de construí-la e de torná-la cada vez mais eficaz em sua missão libertadora e salvadora junto ao mundo’. (CR 256 e 257)”.

Portanto é necessário que os mais variados grupos, movimentos, pastorais, espiritualidades e visões de Igreja, que em muitas Comunidades acabam convivendo lado a lado, mas sem muito diálogo entre si, estejam dispostos a realizar um verdadeiro “ecumenismo interno”. É fundamental que todos queiram ser “um” com os outros, assim como Jesus pediu, sem ficar brigando para ver quem vai ser o maior no serviço ao Reino, mas alegres por fazerem parte da multidão de fiéis com um só coração e uma só alma (cf. At 4,32). Dessa forma, além de todo o esforço do catequista, a própria Comunidade estará sendo o ambiente propício para que aconteça uma verdadeira e eficaz iniciação à vida cristã de seus candidatos.

Conheça e aprofunde mais sobre esse tema no livro “3ª Semana Brasileira de Catequese. Iniciação à Vida Cristã”, publicado pela “Edições CNBB”, nas páginas 219-232. Consulte o site www.edicoescnbb.com.br e veja como adquirir este livro.


Pe. Luís Gonzaga Bolinelli – Doutrinário

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