quinta-feira, 30 de agosto de 2012

22º. Domingo do Tempo Comum – B



A 1ª leitura está inserida em um contexto difícil para o Povo de Israel. O texto do Deuteronômio foi escrito quando o povo estava na Babilônia, destituído de sua terra, desolado, resumido a um pequeno resto. A Palavra procura dar sentido a este povo sofrido, exortando para a fidelidade à lei: “Nós temos a lei de Deus”; mas adverte: “nada acrescenteis, nada tireis” (Dt 4,2).

Nos momentos de exílio, podemos ter a tentação de desanimar e desistir. A pior das tentações é aquela que nos faz não ver mais sentido no projeto de Deus para a nossa vida. É sempre mais fácil perseverar nos momentos de consolação, não na desolação.

A 2ª. leitura segue no convite à vivência da Palavra: “Todavia, sede praticantes da Palavra e não meros ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Com efeito, a religião pura e sem mancha diante do Pai, é esta: assistir os órfãos e as viúvas em suas tribulações e não se deixar contaminar pelo mundo”(Tg 1,22.27). O Evangelho é ainda mais incisivo: “Este povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos. Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens” (Mc 7,6-8).

Há uma grande distância entre aquilo que se fala e aquilo que se vive. De fato, os discursos não certificam nossas reais intenções e valores. Quando o assunto é religião, os discursos são muito abundantes. Fala-se muito, escreve-se muito, canta-se muito... E o quanto se vive? A resposta sobre a autenticidade de nossa fé depende de um profundo exame de consciência. E como falamos de exílio, acima: são nestes momentos de contrariedades que se manifesta com mais facilidade a nossa verdade.

O farisaísmo condenado por Jesus está na esteira das exterioridades. Nossa instituição não está imune de tais aparências: as vestes próprias e impróprias, os jarros, os ritos, o modo correto de comungar e de rezar... Há também o risco dos acréscimos à lei. Quando o secundário rouba a cena, obviamente o principal fica de lado. E o secundário costuma ser mediação, não fim em si mesmo. Os ritos e leis devem nos conduzir à prática do amor e à abertura à beleza do Reino de Deus. Se não cumprem o seu papel ou se tais exterioridades e normas ocupam o lugar do próprio Deus, é preciso rever a prática religiosa.

É o que sai da boca do homem que o torna impuro: imoralidades, roubos, adultérios, ambições... No dia do Juízo, quando toda a verdade for revelada, Jesus não nos perguntará quantas vezes jejuamos, ou quantas vezes rezamos o terço. Não nos perguntará quantas vezes lemos a Bíblia, quais eram as nossas devoções particulares ou quantas vezes comungamos. Ele nos perguntará o quanto amamos, porque é o amor a medida da lei.

Pe. Roberto Nentwig 

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