quinta-feira, 23 de agosto de 2012

21º. Domingo do Tempo Comum – B


Quando Josué reuniu as tribos de Israel em Siquém e chamou os líderes para se apresentaram diante de Deus (1ª. Leitura), o juiz fez um resgate dos momentos em que Deus operou com sua mão forte na história de seu povo. Foi o Senhor que escolheu Abraão, acompanhou a vida dos patriarcas, libertou o povo da escravidão, deu sua lei, levou os seus filhos para a Terra Prometida e a deu por herança. Diante de uma história de fidelidade da parte Deus, Josué apela para uma escolha decisiva: “escolhei a quem desejais servir!”

A vida de todos nós é uma história humana-divina. Aos olhos da fé, cada momento de nossa existência não é um mero acaso ou fruto apenas de escolhas humanas. À luz do mistério de Deus, a história é permeada da providência divina; não se trata de um providencialismo, como se Deus fizesse intervenções em tudo, guiando cada passo da história, mas Deus age respeitando a liberdade humana e os limites deste mundo que passa. Como Josué, também cada um de nós pode olhar para a história pessoal e perceber os sinais de Deus, enxergando como Deus continua agindo nos laços que vão constituindo o tecido de nossa vida.

Mas não basta perceber os sinais de Deus em nossa história. O olhar de fé para nossa vida é apenas uma antessala do cômodo principal – a nossa decisão radical pelo Senhor. Hoje, as leituras nos colocam diante desta decisão: escolher a Deus ou voltar atrás; apraçar as consequências do discipulado ou ficar no meio do caminho.

Jesus, no Evangelho, pediu esta decisão aos seus interlocutores. Alguns murmuraram e consideraram duras as palavra de Jesus. Não parecia fácil aceitar que Ele era o Pão descido do Céu, aceitar sua Palavra, seu seguimento. O convite de Jesus é para uma mudança de valores, mudança de posturas; convida-nos a abandonar aquilo que atrapalha, seja no nível espiritual ou material, e segui-lo. Também nós como o povo em Siquém e como os ouvintes de Jesus, devemos dar uma resposta, pois não é possível ficar em cima do muro. Seremos capazes de abandonar os ídolos e as ideias que se configuram como falsas seguranças?

Deus respeita nossa liberdade. Ao perceber o abandono dos ouvintes, Jesus se dirige aos apóstolos e lhes pergunta: “E vós também quereis ir embora?” Pareceria mais natural que Jesus amenizasse o discurso e pedisse para que eles permanecessem. Mas bem diferente dos nossos esquemas, Jesus pede uma decisão firme, não se importando com a quantidade de sua plateia.

A quem nós queremos seguir? Os esquemas deste mundo dirigem-se para a falsidade, para a corrupção, para a busca egoísta... Escolher a Deus significa fazer uma decisão exigente pelo caminho da doação e da fraternidade. O Pão da vida, oferecido por Jesus, é mais do que um encontro intimista com Deus. Trata-se de uma acolhida da vida como dom e, consequentemente, abraçar a doação e a partilha. O Senhor que se partilha a si mesmo e nos convida a comer do Pão nos quer no mesmo caminho. A vida que não se esgota em si mesma, mas a vida como um sair de si e se realiza na abertura ao próximo, a comunidade, à sociedade. Aqui está a proposta do Senhor: a quem você quer servir?

Pe. Roberto Nentwig

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