sexta-feira, 10 de agosto de 2012

19º. Domingo do Tempo Comum – B


A segunda leitura (1Rs 19,1-8) nos traz uma parte da história de Elias. A vida deste profeta é muito interessante e cheia de lições. Sua ida para o monte Horeb tem dois significados. Primeiramente, é uma fuga, pois Jezabel, a rainha, queria matá-lo, depois do episódio com os profetas de Baal; mas o êxodo para o Horeb também representa uma busca espiritual: Elias procura o seu encontro com o Senhor no mesmo local em que Moisés havia tido sua experiência transcendente.

Lembremos que Elias estava no fundo do poço. Em nome da verdade, enfrentou o rei Acab e sua esposa, condenou a idolatria e os pecados do reino. Em troca ganhou a perseguição e a ausência de sua terra. No texto deste domingo, o profeta encontra-se em fuga, perdido, sozinho e sem saber o que fazer. No meio do seu caminho de desterro no deserto, Elias quase sucumbiu. Pediu que Deus lhe tirasse a vida. É interessante perceber que um dos grandes profetas da Bíblia e, portanto, um homem santo, chegou a um momento de dor, de desespero e reclamou para Deus, pedindo o fim de sua vida. A vida dos santos não pode ser idealizada, pois não é uma ausência de sofrimentos. O mais importante, porém, é que no meio do caminho, Deus não o abandonou. O Senhor veio até o profeta por um anjo que ofereceu o pão e disse: “Levanta-te e come, tens ainda um longo caminho a percorrer”.

Alguns momentos de nossa vida se assemelham a esta experiência de Elias. Nossa vida carrega momentos de dor, de vazio, de angústia. Existem momentos em que não vemos mais sentido em continuar, então fugimos ou buscamos o encontro desesperado com Deus. Também o nosso grito de desabafo exagerado nem sempre é inadequado, pois Deus está disposto a escutar o nosso lamento. Tempos de êxodo e vazio são oportunidades para ouvir a voz do Senhor que nos alimenta. Não nos dá uma comida mágica que resolve a dor, mas um alimento que procura nos saciar verdadeiramente, um alimento que nos fortalece para continuar caminhando – o pão da sua Palavra e da Eucaristia. Deus não nos quer prostrados na estrada, sem reação; Por isso, Ele nos diz: “Coragem levanta-te, come, pois tens um longo caminho a percorrer”. Deus nos quer caminhando, como peregrinos; sustenta-nos para seguir adiante. 

Para percorrer a estrada devemos reconhecer Jesus como o messias, deixando de lado nossas resistências.  No Evangelho, os judeus que ouviram o discurso do Pão da Vida, murmuraram e não aceitaram que um pobre filho de carpinteiro pudesse descer do Céu. Negaram, portanto, a humanidade de Deus em Cristo Jesus. Os interlocutores se consideravam sábios na procura de Deus, mas não puderam contemplar o modo simples e concreto de Deus se rebaixar e vir até nós com seus gestos e palavras simples e tão humanas: sua ternura, seu perdão, sua pobreza, sua acolhida, sua vida... Hoje podemos tomar muitas atitudes diante do Senhor: a indiferença, a recusa, a murmuração, a adesão hipócrita, a aceitação de ideias superficiais sobre a religião, ou a decisão firme de seguir o seu caminho. Também nós, como os judeus, somos livres em nossas escolhas.

Jesus também nos ensina que não podemos confiar apenas em nossas forças: “Ninguém pode vir a mim se o Pai não o atrair”. Não significa uma escolha divina arbitrária, pois Deus não exclui ninguém. O que está em jogo é a necessidade de nossa abertura para o Pai, o abandono da autossuficiência. Sem a graça, sem reconhecer o primado do Senhor em nossas vidas, o caminho não será apenas difícil, como também sem sentido. O caminho não está pronto, mas se faz caminhando: “Caminhante não existe caminho, faz-se o caminho ao andar” (Anibal Machado). Estamos dispostos a partir quais peregrinos?

Pe Roberto Nentwig

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