domingo, 5 de agosto de 2012

18º. Domingo do Tempo Comum


O povo que havia presenciado a multiplicação dos pães foi atrás de Jesus. O que buscavam? Jesus interpreta o desejo que estava em seus corações: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes os sinais, mas porque comestes o pão e ficastes satisfeitos.” (Jo 6,26). A busca religiosa pode não ser autêntica. A autenticidade depende de um critério: buscamos o prodígio ou o sinal? Ir em direção do prodígio é o interesse pelo vislumbre da religião e pela saciez imediata operada de modo mágico, provedora de comida, saúde, bem estar... Não devemos buscar “os milagres de Deus, mas o Deus dos milagres”.

Para que Jesus nos dê o verdadeiro pão, precisamos passar do desejo do pão terreno, para o desejo do Pão do Céu, o Pão da Vida. A fé nasce do reconhecimento das obras de Jesus como sinal – este indica algo mais profundo, que vai além da fome material. Aponta para uma vida nova, que nasce da fé no doador dos dons que é o Senhor. Jesus procura nos mostrar que existe uma realidade mais sublime que pode ficar escondida, justificando o famoso dito: “Enquanto o sábio indica as estrelas, o tolo olha o dedo”.

Porém, cuidemos para que uma interpretação superficial não tome conta da nossa mente. Desejar o Pão do Céu não significa a busca de doutrinas sublimes, do brilho religioso, da divagação sobre as coisas da vida após morte. Ou seja, buscar o pão do Céu não é uma alienação em detrimento do pão que sacia a fome material. Pelo contrário, alimentar-se com o Pão do Céu e crer em Jesus transforma a nossa vida aqui e agora.

Corre-se o risco de um apego ao passado. Não é fácil mudar a mentalidade, mudar de residência, rumar para novos horizontes. O povo de Israel reclamou porque perdeu as seguranças do Egito e não tinha o que comer.  O povo do Evangelho pediu um sinal e preferiu o Jesus da multiplicação àquele que fazia um discurso um tanto mais exigente.

É preciso realizar um êxodo, uma saída, um deslocamento. O povo de Israel saiu do Egito e foi para o deserto, os ouvintes de Jesus atravessaram o lago. São Paulo nos fala na segunda leitura de outro tipo de deslocamento: deixar a antiga humanidade, renovando o espírito e a mentalidade. Esta humanidade recriada leva à procura da verdadeira imagem de Deus. Lembremos que Deus mesmo nos moldou e nos deu o seu Espírito. Esta argila continua sendo modelada, buscando ser verdadeira imagem e semelhança de quem a esculpiu? O que precisa ser feito desta argila, animada agora com o Espírito novo do Senhor? Que nova mentalidade devemos ter diante da vida? 

“Senhor, dá-nos sempre desse pão.” (Jo 6,34). O povo não entendia o que estava pedindo; pedia a comida material, como a samaritana pediu a água de poço. O Senhor, porém, oferece o verdadeiro pão: “quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim não terá mais sede”. Hoje, na mesa da Eucaristia nós podemos comer do Pão da Vida: Pão que não nos deixa sentir fome, que preenche a fome de Deus, a fome de sentido, a fome do coração. 

P. Roberto Nentwig

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