sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Oração: uma força no caminho ecumênico

 O Concílio Vaticano II define a oração como “alma de todo o movimento ecumênico.” Na encíclica Ut Unum Sint (21), João Paulo II relembra a força que nos vem da oração: A oração comum dos cristãos convida o próprio Cristo a visitar a comunidade dos que lhe rezam: “Pois onde estiverem reunidos, em meu nome, dois ou três, eu estou no meio deles”. (Mt 18,23)

De fato, a oração tem um papel importante na busca da unidade, por muitos motivos: a unidade virá por ação do Espírito Santo, a oração educa o nosso coração e gera compromisso, a oração une as pessoas porque elas percebem que estão se dirigindo ao mesmo Deus que quer bem a todos.

Em se tratando de ecumenismo, podemos recorrer à oração em muitas situações e de modos diferentes. Temos, por exemplo:

- Tempos já consagrados, como a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. A catequese e a Pastoral de Conjunto deveriam aproveitar bem esse tempo, divulgando o tema de cada ano e fazendo o possível para celebrar junto com outras Igrejas.

- Oração pessoal, em que cada um reza pela unidade cristã , mas também pede pelos amigos de outras Igrejas ou até agradece a Deus por coisas boas que eles realizaram.

- Oração dos católicos, em grupo, pela causa da unidade. Em alguns lugares e situações, é muito difícil ter a companhia de fiéis de outras Igrejas, mas sempre é possível educar o coração dos católicos para um objetivo que a nossa Igreja recomenda tanto.

- Celebrações de datas cívicas, formaturas, movimentos populares, em que pessoas de diferentes Igrejas se unem numa alegria ou num trabalho comum.

- Atendimento a doentes, encarcerados ou outros irmãos necessitados, que precisam de ajuda e devem ter a sua identidade religiosa respeitada.

- Orações em família, ou com grupo de vizinhos, onde houver diversidade de denominações cristãs.

Em todos os casos, a oração se dirige a Deus mas, ao mesmo tempo, compromete aquele que ora. Seria muito estranho pedir alguma coisa ao Pai e depois insistir em atitudes que prejudicassem a realização daquilo que estamos pedindo. Aí também a catequese deveria mostrar como temos que ser colaboradores de Deus, instrumentos a serviço do projeto do Reino. Seria bom igualmente lembrar que rezamos pela unidade em nossas missas, quando pedimos: “Senhor Jesus Cristo, que dissestes aos vossos apóstolos: Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz, não olheis os nossos pecados, mas a fé da vossa Igreja e dai-lhe, segundo o vosso desejo, a paz e a unidade...”

Cremos que a plena unidade, pedida por Jesus quando orou por seus discípulos, há de vir, mas não sabemos como nem quando. Esse é um motivo a mais para colocarmos a caminhada ecumênica diante de Deus nas nossas orações. Ele é que vai nos indicar como devemos trilhar esse caminho. Conversando com Deus, vamos ficando mais preparados para construir a paz e para amar melhor os filhos e filhas desse mesmo Pai. A catequese é educação da fé e, como tal, é também educação para a fraternidade, o diálogo, a descoberta de tudo de bom que o Senhor já realizou mesmo fora das fronteiras visíveis da nossa Igreja. 

Therezinha Cruz

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Valor do essencial



Tudo que ajuda no aumento da qualidade da vida das pessoas e no crescimento do verdadeiro bem, é aceitável. Mas nem tudo é essencial e não consegue atingir o mais profundo do ser humano. No Plano de Deus, o mais importante é o amor, fundamentado na Palavra, causando autêntica libertação.

É importante a prática de normas, de estatutos para o interesse comum, mas longe de qualquer tipo de legalismo com privilégios particulares, excluindo o bem coletivo. Na verdade, é do coração de cada pessoa que vem a escolha para fazer o bem ou o mal. A referência determinante seja a Palavra de Deus.

Na visão da Sagrada Escritura, deve sair do coração humano todo tipo de “imundície e malícia” que degrada a sua dignidade. Somente a docilidade aos ensinamentos da Palavra revelada poderá proporcionar vida e solidariedade para com quem passa por dificuldades, e criar ambiente capaz de condicionar vida fraterna.

O grande sonho de todos é que haja liberdade e paz. Isto deve ser garantido pelas leis, evitando que aconteçam atos injustos e desentendimento entre as pessoas. Não podemos fugir do essencial, cujo centro é a defesa e a promoção da vida e sua dignidade. O grande entrave para isto passa pela capacidade que as pessoas têm para burlar as leis em causa própria.

Vivemos na cultura dos interesses individuais, gerando um sistema que oprime o povo, porque não corresponde ao ideal de uma sociedade realmente justa. E podemos dizer que uma grande nação se faz pela promoção da justiça social. Nestas condições, todas as pessoas conseguem viver bem e aí as leis são essenciais e devem ser respeitadas.

Numa realidade injusta, o Estado se arma de muitos “espiões”, de fiscais e cobradores de impostos, porque a distribuição não é fraterna. Há atrelamento com um sistema de leis que mais oprime e exclui do que liberta as pessoas. Leis que nem sempre condizem com o que está inscrito no coração das pessoas. Diga-se que o Brasil é campeão na cobrança de impostos.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

O EXEMPLO DE JESUS NO MINISTÉRIO DA COORDENAÇÃO – IV

“Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um
coloque à disposição dos outros o dom que recebeu” (1Pd 4,10).

Mergulhando no jeito de ser de Jesus, podemos descobrir uma melhor maneira para coordenar a catequese na comunidade. Nesse sentido, o MINISTÉRIO DA COORDENAÇÃO reveste-se de uma mística, de uma espiritualidade, de uma missão. Coordenar é integrar, animar, avaliar, revisar, celebrar, incentivar a caminhada da catequese. A coordenação é uma “co-operação”, uma ação em conjunto, de co-responsabilidade conforme os diversos ministérios. Jesus é a fonte inspiradora na arte de coordenar. Ele não assumiu a missão sozinho. Fez-se cercar de um grupo (cf Mc 3, 13-19; Jo 1, 35-51). Com ele vai criando sua comunidade. Em Jesus, o ministério da coordenação e animação caracteriza-se pelo amor às pessoas e pelos vínculos de caridade e amizade. Ele conquista confiança e delega responsabilidades. (DNC 314)
O ministério da coordenação é o serviço que mantém  viva a caminhada da catequese em sintonia com as opções diocesanas, paroquiais e segundo as exigências de uma catequese renovada. E o coordenador encontra seu modelo, sua inspiração e a fonte de graça para exercer seu ministério na Pessoa de Jesus.
 Sabemos que Jesus Cristo não quis assumir sua missão sozinho. Fez-se cercar do grupo dos doze (Mc 3,13). Com eles vai criando sua comunidade. Os Evangelhos nos mostram que várias atitudes de Jesus caracterizam-se por um amor cordial e concreto pelas pessoas.  Vejamos algumas situações:

a) Jesus conhece as pessoas e as aceita como são. Parte daquilo que são os discípulos e não daquilo que deveriam ser para conduzir cada um a um crescimento cada vez mais profundo  (Jo 20, 27;  Lc 22, 61;  Lc 24, 13-35).

 b) Jesus exerce sua autoridade com caridade.  É aquele que serve ( Jo 13, 1-20). “Eu não vim para ser servido, mas para servir” (Mc 10, 45). Para Jesus, todos têm uma caminhada a fazer, uma conversão a realizar, uma esperança a construir. A grande norma do grupo é o mandamento do amor.

- Jesus exerce sua "função” de líder, prestando o serviço "lava pés" aos discípulos. Mesmo sendo o Filho de Deus, coloca-se a serviço dos discípulos, seus seguidores.

- Com autoridade e zelo, Jesus convence Pedro a deixar lavar seus pés. Muitas vezes precisamos, em nome do ministério catequético, assumir posições de líderes, mas que agem acima de tudo com ternura e compaixão.

- O "lava pés" é modelo de atitudes para qualquer líder, principalmente para nós catequistas, pois nos ensina a criar laços de amizade, (lavar os pés uns dos outros); laços de humildade (serviço, ministério)...

 c) Jesus situa-se dentro da comunidade e a dirige com amor.  A presença de Jesus é viva no meio da comunidade, ensina a partilhar e ser solidário em tudo (Jo 6, 1-15). Na missão de coordenar como ministério precisamos celebrar a partilha, colocando nossos dons em comum.  Somos desafiados a colocar nossos dons a serviço de todos, necessitamos nos tornar mais sensíveis para perceber a necessidade do outro, e sempre estar atento a uma atitude constante de generosidade.

 d)  Jesus fala da necessidade de sua paixão e convida seus discípulos a partilhar  sua Cruz vivida e assumida na fé e na esperança, porque passando por ela constrói-se o Reino (Lc 9, 22-26).  Assumir a postura de Jesus, amando o que é difícil e tomando as críticas como crescimento; ao assumir a minha cruz de cada dia estou assumindo a vida de Cristo, na caminhada da catequese.   
Além de declarar que aceitamos Jesus como nosso modelo para o seguimento e acima de tudo para animar e coordenar a partir do seu jeito, enfrentamos muitas vezes aqueles que não querem o novo. Sabemos que toda novidade pode nos trazer inseguranças e medos, mas quem se coloca na “estrada” de Jesus não deve temer ao novo e nem muito menos aos desafios do caminho, pois ele nos diz: “Eis que eu estou com vocês todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20b).

e)  Jesus criou uma comunidade para a Missão. A comunidade é um caminho de crescente fraternidade e abertura para a missão. O apóstolo Paulo nos alerta (Rm 12, 9-21) para que tenhamos os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, isto é, que a nossa missão de coordenadores não seja uma forma de vanglória e nem um fardo nos ombros dos outros, mas que seja uma continuidade da missão de Jesus Cristo na edificação do Reino. Para isto é preciso ser fiel à palavra do Senhor, ser fervoroso ao falar de Jesus, ser apaixonados por Jesus, participar da vida do outro, sem ser indiferente; ao tomar decisões, sempre refletir junto ao grupo, nunca sozinho; enquanto coordenador, dar oportunidades para que o catequista possa crescer no amor fraterno, ser carinhoso uns com os outros, sintonizar-se com o Espírito Santo de Deus e se deixar conduzir, não pensar que sabe tudo e sempre se esforçar para viver em paz e harmonia com todos. 

Pe. Eduardo Calandro
Pe. Jordélio Siles Ledo, css

22º. Domingo do Tempo Comum – B



A 1ª leitura está inserida em um contexto difícil para o Povo de Israel. O texto do Deuteronômio foi escrito quando o povo estava na Babilônia, destituído de sua terra, desolado, resumido a um pequeno resto. A Palavra procura dar sentido a este povo sofrido, exortando para a fidelidade à lei: “Nós temos a lei de Deus”; mas adverte: “nada acrescenteis, nada tireis” (Dt 4,2).

Nos momentos de exílio, podemos ter a tentação de desanimar e desistir. A pior das tentações é aquela que nos faz não ver mais sentido no projeto de Deus para a nossa vida. É sempre mais fácil perseverar nos momentos de consolação, não na desolação.

A 2ª. leitura segue no convite à vivência da Palavra: “Todavia, sede praticantes da Palavra e não meros ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Com efeito, a religião pura e sem mancha diante do Pai, é esta: assistir os órfãos e as viúvas em suas tribulações e não se deixar contaminar pelo mundo”(Tg 1,22.27). O Evangelho é ainda mais incisivo: “Este povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos. Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens” (Mc 7,6-8).

Há uma grande distância entre aquilo que se fala e aquilo que se vive. De fato, os discursos não certificam nossas reais intenções e valores. Quando o assunto é religião, os discursos são muito abundantes. Fala-se muito, escreve-se muito, canta-se muito... E o quanto se vive? A resposta sobre a autenticidade de nossa fé depende de um profundo exame de consciência. E como falamos de exílio, acima: são nestes momentos de contrariedades que se manifesta com mais facilidade a nossa verdade.

O farisaísmo condenado por Jesus está na esteira das exterioridades. Nossa instituição não está imune de tais aparências: as vestes próprias e impróprias, os jarros, os ritos, o modo correto de comungar e de rezar... Há também o risco dos acréscimos à lei. Quando o secundário rouba a cena, obviamente o principal fica de lado. E o secundário costuma ser mediação, não fim em si mesmo. Os ritos e leis devem nos conduzir à prática do amor e à abertura à beleza do Reino de Deus. Se não cumprem o seu papel ou se tais exterioridades e normas ocupam o lugar do próprio Deus, é preciso rever a prática religiosa.

É o que sai da boca do homem que o torna impuro: imoralidades, roubos, adultérios, ambições... No dia do Juízo, quando toda a verdade for revelada, Jesus não nos perguntará quantas vezes jejuamos, ou quantas vezes rezamos o terço. Não nos perguntará quantas vezes lemos a Bíblia, quais eram as nossas devoções particulares ou quantas vezes comungamos. Ele nos perguntará o quanto amamos, porque é o amor a medida da lei.

Pe. Roberto Nentwig 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Regional Norte 1 realiza Congresso de Animação Bíblica da Pastoral



Desde a noite de sexta feira, 24 de agosto, cerca de 450 agentes de pastoral estão reunidos no auditório da Faculdade Salesiana Dom Bosco, em Manaus (AM), onde aconteceu o 1º Seminário de Animação Bíblica da Pastoral. Este evento foi um desdobramento do Seminário Nacional acontecido em Goiânia, no ano passado, e segue a reflexão que vem sendo realizada na Igreja do Brasil, inclusive os aportes da última Assembleia Geral dos Bispos da CNBB.

Participaram do Seminário representantes das diversas Igrejas locais entre bispos, presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas e um expressivo número de leigos e leigas dentre os quais uma grande maioria de catequistas. A presidência do Regional Norte 1 da CNBB (Norte do Amazonas e Roraima) acompanharam o desdobramento do Seminário, que contou com a presença de dom Roque Paloschi, bispo de Roraima e presidente do Regional e dom Mário Antônio, bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus e vice-presidente.


Após a abertura do Seminário, na tarde de sexta feira, as irmãs Nilda Reinehr e Sandra Ede, assessoras locais, ajudaram os participantes a perceber a Palavra de Deus perpassando a história dos povos, numa empolgante releitura da caminhada do povo do Primeiro Testamento. Na manhã de sábado, a primeira Conferência foi conduzida por dom Jacinto Bergman, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética da CNBB que apresentou a caminhada da Animação Bíblica da Pastoral.

O Seminário seguiu até à tarde do domingo, 26, que continuou aprofundando a identidade da Animação Bíblica da Pastoral, indicando pistas de ação e luzes para este trabalho, além da experiência da Leitura Orante.

Proposta de um Planejamento para a Primeira Comunhão Eucarística de crianças e adolescente


Com uma caminhada de mais de quinze anos na catequese do meu estado Alagoas, e a participação em congressos noutros estados, tendo a oportunidade e o privilégio de beber da melhor fonte de conhecimento que é a convivência direta com catequizandos, catequistas, pais, presbíteros, bispos, diáconos e religiosas da área, penso que obtive uma expertise que me capacita a indicar um Planejamento eficiente e eficaz para a Primeira Comunhão Eucarística de crianças e adolescentes no hoje da nossa história.

Estou esperançoso e animado com o método catecumenal, e acredito em sua eficácia para que as nossas crianças, adolescentes e suas famílias conheçam, amem e sirvam a Jesus com alegria, seguindo os passos e confiantes na Igreja instituída pelo próprio Cristo. 

Nessa primeira etapa, apresento uma proposta de Planejamento, sendo que a seguir, na segunda etapa, apresentarei o Detalhamento e a Programação.

“O Planejamento constitui condição imprescindível para o bom uso e a maximização de tempo, por organizar, previamente, todos os processos necessários ao bom desempenho”. FREIRE mons. Nereudo Henrique e CARDOSO Edivaldo de Paiva, Fundamentos da Gestão Eclesial, Petrópolis, RJ, editora Vozes, 2012.

PLANEJAMENTO (fonte de pesquisa: Uma proposta de catecumenato com o RICA simplificado, Pe. Lúcio Zorzi, 2. Ed. – São Paulo: Paulinas, 2009.

1ª Etapa: Pré-catecumenato:

  • Acolhimento
  • 1ª Evangelização
  • Conversão a um estilo cristão de vida
  • Costume de rezar e invocar a Deus
Nessa etapa, após os quatro ou seis encontros iniciais, programar o 1º momento celebrativo: Rito de instituição dos catecúmenos ou inscrição do nome.

2ª Etapa: Catecumenato:
  • Tempo, suficientemente longo para uma esmerada catequese;
  • Para uma progressiva mudança de mentalidade e dos costumes;
  • Para uma integração na comunidade cristã e a participação nas assembleias litúrgicas.
  • A comunidade cristã acompanha seus catecúmenos com a oração, os ritos e o testemunho.
Após a 2ª etapa, programar o 2º momento celebrativo com o Ritual da entrega do Símbolo Apostólico.  

3ª etapa: Purificação, iluminação e Mistagogia:
  • Trabalhar a catequese sacramental;
  • Exercícios espirituais no período da quaresma;
  • Participação ativa dos catequizandos com os pais no tríduo pascal;
  • Período pascal. È tempo de aprofundamento no mistério cristão.
Após a 3ª etapa, dentro da oitava de páscoa, ou no período pascal, programar o 2º momento celebrativo com o Ritual da entrega da Oração do Senhor. 

4ª Etapa: Momentos finais da preparação:
  • Nessa etapa, até o dia da 1ª Com. Eucarística, os pais ou responsáveis devem participar;
  • Apresentação dos movimentos da comunidade para os catequizandos e pais.;
  • Preparação adequada para o sacramento da penitência;
  • Retiro de espiritualidade para os catequizandos e os pais.
O último momento celebrativo, antes da 1ª Comunhão Eucarística, será o Ritual da entrega do Mandamento do Amor.

No próximo artigo, vamos detalhar cada etapa, sugerindo também uma programação. Para os temas propostos, indicarei algumas publicações para subsídios dos catequistas. Até lá, e que o Senhor seja sempre nossa alegria e nossa força.

Luiz Carlos Ramos
Catequista – Bacharel em Teologia

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A plena comunhão que ainda não temos

 Na encíclica Ut Unum Sint, o documento mais contundente sobre ecumenismo, o papa João Paulo II nos diz: “Com efeito, os elementos de santificação e de verdade presentes nas outras Comunidades cristãs, em grau variável de uma para outra, constituem a base objetiva da comunhão, ainda imperfeita, que existe entre elas e a Igreja Católica.” UUS 11   O papa fala de uma “comunhão imperfeita”, ou seja, reconhece que há elementos que favorecem a comunhão mas que também há ainda entraves para a vivência de uma comunhão perfeita, não há o que chamamos “comunhão plena”. Há ainda dificuldades que temos esperança de ver a superar no futuro.

Pelo Batismo, quando há reconhecimento mútuo da validade, essa comunhão começa a se manifestar. Quando uma Igreja reconhece que o Batismo da outra é válido, não dá mais para dizer que os que assim foram batizados não são verdadeiros cristãos. Nossa Igreja reconhece a validade do Batismo em muitas outras (para maior esclarecimento, pode ser consultado o nosso Código de Direito Canônico). Valores são reconhecidos por nós em outras Igrejas: boas obras, amor à Escritura, testemunhos de santidade e outros.

Mas permanece um entrave no que refere à Eucaristia. O Concílio Vaticano II se expressa assim: 

Embora falte às Comunidades eclesiais de nós separadas a unidade plena conosco proveniente do Batismo e embora creiamos que elas não tenham conservado a genuína e íntegra substância do Mistério Eucarístico, sobretudo por causa da falta do sacramento da Ordem, contudo, quando na Santa Ceia fazem a memória da morte e ressurreição do Senhor, elas confessam ser significada a vida na comunhão de Cristo e esperam seu glorioso advento. UR 22
 
Ou seja, as Igrejas da Reforma cumprem o que Jesus pediu: fazem seriamente a memória da Santa Ceia. O problema está noutro sacramento: falta uma ordenação sacerdotal que nossa Igreja considerasse válida. Por isso, embora em circunstâncias bem especiais membros dessas Igrejas possam às vezes receber a comunhão em nossa missa, a recíproca não funciona: um católico não pode receber a comunhão na Santa Ceia de uma outra Igreja se nela nossa Igreja não reconhecer como válida a ordenação do ministro.

Isso tem sido motivo de dor entre cristãos de Igrejas diferentes que já aprenderam a se valorizar como irmãos de fé. Tem causado também embaraços em certas celebrações.  Um dia, um bispo anglicano que atuava no CONIC participou de um encontro ecumênico em que os participantes compreenderam bem esse problema e decidiram celebrar a Ceia sem a inter comunhão: quando o celebrante era anglicano, os católicos recebiam uma bênção mas não comungavam e, quando o celebrante era católico, o mesmo se aplicava aos anglicanos. Perguntei a esse bispo o que ele achava desse procedimento e ele me deu uma resposta muito interessante: “Os cristãos precisam aprender a sentir a dor da separação para nunca deixarem de trabalhar pela plena unidade”.  Ele via essa dor como algo que não nos deixava esquecer  que havia ali algo que precisava ser curado. Nesse sentido, as dores são positivas. Se uma doença bem grave não produzir dor, o paciente não busca remédio e acaba pior.

A dor em questão também não foi motivo para os participantes daquele encontro violarem as regras estabelecidas pelas duas Igrejas. Ecumenismo se faz buscando caminhos que vão nascer do diálogo. Reconhecer as barreiras que ainda existem é uma motivação para conversar melhor sobre elas, buscar soluções com seriedade, para que um dia a tão desejada “comunhão plena” seja uma realidade oficialmente reconhecida e alegremente vivida.

Therezinha Cruz

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

História dos Concílio Vaticano II (3)


1. O 21° Concílio Ecumênico aconteceu no Estado do Vaticano, há 50 anos, entre 1962 e 1965, e recebeu a denominação de Concílio Vaticano II. O Papa João XXIII (que antes se chamava Cardeal Ângelo Roncalli) havia sido eleito Papa em 28 de outubro de 1958, sucedendo ao Papa Pio XII. Quatro meses depois, ciente da defasagem da Igreja em relação à evolução do mundo, anunciou a 25 de janeiro de 1959, a possibilidade da realização de um Concílio. Houve resistências e apoios. Depois de muito diálogo ele convocou o Concílio, no dia de Pentecostes, 17 de maio de 1959, encaminhou os preparativos e, depois, iniciou, a 11 de outubro de 1962, o grande evento, que foi concluído, em 1965, por seu sucessor, o Paulo VI (antes Cardeal João Batista Montini). Roma abrigou durante as sessões conciliares mais de 2.451 participantes, eleitos pelas Conferencias Episcopais de todo o mundo, convidados especiais especialistas em Bíblia, teologia, pastoral, filosofia, história, política e ciências.

2. A graça de lá estar. Tive o privilégio de estar na Praça de São Pedro, como estudante na Universidade Lateranense, nos meus 20 anos de idade, vendo emocionado e em prece, aquela imensa multidão de `padres´ e `peritos conciliares` em procissão, passando pelo meio do povo. Depois lá da janela dos aposentos do Papa, aconteceu uma memorável saudação de João XXIII a Roma e ao mundo, para sintonizar a todos com aquele grande evento, que se tornou o maior acontecimento da Igreja no século XX.

3. “Aggirornare la chiesa”. O Papa João XXIII, para expressar o objetivo do Concílio Vaticano II, recorreu à expressão italiana “aggiornare la Chiesa”, isto é, trazer a Igreja para o mundo de hoje, adaptá-la, inseri-la na atualidade. Não se tratava de condenar erros, se bem que algumas lideranças queriam um “anátema sit” para o comunismo e os comunistas. O Papa da Bondade, não queria condenação alguma, mas uma Igreja mais fiel a Jesus e ao mundo de hoje, uma Igreja a serviço de um mundo justo, fraterno, solidário, melhor, e buscando respostas eficazes aos grandes desafios e oportunidades do mundo moderno. No final da primeira sessão foi preciso tomar a decisão de mais sessões, de modo que o Concílio durou até seu encerramento no dia 8 de dezembro de 1965. Os participantes levavam muito trabalho para casa e voltavam a Roma, para longas sessões de trabalho, busca de consenso e votações.

4. A novidade do Concílio Vaticano II. Em comparação com os 20 Concílios Ecumênicos anteriores, o Vaticano II decidiu ser um Concílio eminentemente pastoral, dando à Igreja um novo modo de olhar, sentir, perceber: a) o mundo (como Igreja solidária); b) os outros cristãos como (Igreja em atitude ecumênica); c) as outras religiões (como Igreja em atitude de diálogo); c) a si mesma, como Igreja Povo de Deus, servidora do mundo e da humanidade. O Concílio deu um grande impulso à renovação da vida interna da própria Igreja (em todos os aspectos) e no seu modo de lidar com as realidades deste mundo, a ciência, a política, os governos, priorizando a busca da felicidade do ser humano, de todo e qualquer ser humano, sobretudo, os pobres, os feridos em sua dignidade, os excluídos sociais.

5. Próximos artigos. Destacaremos, nos próximos artigos, a mensagem central dos textos conciliares, com ênfase na Constituição Dogmática sobre a Igreja (Lumen Gentium), na Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo (Gaudium et Spes), na Constituição Dogmática sobre a Palavra de Deus (Dei Verbum) e na Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia (Sacrossanctum Concilium).

Irmão Nery fsc – irnery@yahoo.com.br

Querido catequista! Querida Catequista!


“Conhecer Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DAp 29).

PARABÉNS a você que, com sua vida e seu trabalho catequético, torna conhecida a pessoa mais importante de nossas vidas: Jesus Cristo!
Que Deus abençoe você e lhe conceda as graças necessárias para continuar com alegria e fidelidade o seu trabalho em prol do Reino.

OBRIGADA por você ter se cadastrado! Isso facilitará a nossa comunicação!
Na força da Palavra que é viva e eficaz, nosso grande abraço.

Comissão Episcopal Pastoral para a 
Animação Bíblico-catequética.


Veja algumas curiosidades:

1ª      catequista cadastrada: DINEIA ALMEIDA RIBEIRO,de Manaus – AM
1000ª  catequista cadastrada: LORECI NPOSEBON DALMINA, de Tapejara - RS
5000ª  catequista cadastrada: MONICA BERGOZA, de Caxias do Sul, RS
10000ª catequista cadastrado: THIAGO WILIAN C. DE QUEIROZ, Brasília-DF
12546ª catequista cadastrada: Cândida Raimundo Monteiro, de Novo
          Hamburgo – RS (isso até dia 22 de agosto de 2012, às 15h20min).
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