sexta-feira, 6 de julho de 2012

Perdoar e ser perdoado


         No episódio do apedrejamento da mulher adúltera, Jesus achou um modo original de defendê-la. Ele disse: Aquele que não tiver pecado atire a primeira pedra. E não sobrou um com pedra na mão... A frase de Jesus é tão sábia que passou para a linguagem comum, sendo usada até por pessoas que nem tem religião. É que falhas existem em todos os grupos e pessoas e quem reconhece seus erros está em melhores condições de compreender o próximo.

            Isso vale também para as relações ecumênicas. Às vezes encontro pessoas que se recusam a ouvir falar de ecumenismo porque já vivenciaram algum episódio em que se sentiram rejeitadas, ofendidas por cristãos de outras Igrejas. Mas será que eles também não poderiam dizer o mesmo de muitos de nós? E por causa disso vamos continuar pondo lenha nessa fogueira e contrariando o pedido de Jesus e a orientação da nossa própria Igreja?

            Há quem ache que pedir perdão é algo humilhante, que seria se reconhecer como alguém que tem menos valor. Mas, como Jesus bem percebeu no caso da mulher adúltera,  todos temos falhas; então, saber reconhecê-las é, ao contrário, um sinal de maturidade e de grandeza de coração.

            Por isso a nossa Igreja, sem medo e consciente do seu próprio valor, é capaz de fazer uma declaração assim:

            Das culpas, também contra a unidade, vale o testemunho de São João: “Se dissermos que não temos pecado, fazemo-lo de mentiroso e sua palavra não está em nós” (1 Jo 1,10). Por isso pedimos humildemente perdão aos irmãos separados, assim como também perdoamos aos que nos têm ofendido. (Unitatis Redintegratio 7)

            O mesmo texto diz que “sem a conversão interior do coração não há verdadeiro ecumenismo.”  UR 7

            Por que Jesus faz tanta questão de nos ensinar a prática do perdão? Ele manda perdoar setenta vezes sete, dar a outra face, caminhar uma milha a mais com o outro. Será que ele quer nos transformar em covardes vítimas de todo tipo de abuso? Ou ele está nos convidando para uma coragem maior ainda, capaz de desarmar com grandeza quem pensou em nos ofender?  A maior vitória possível numa guerra é conseguir que não haja guerra! Isso funciona em todos os campos das relações humanas. Não há vitória maior do que, sinceramente, sem outras intenções ocultas, transformar o inimigo em amigo, porque aí, além de os dois lados serem vitoriosos, cria-se um clima de fraterno relacionamento que vai beneficiar mais gente.

            Em tempos como hoje, em que, por exemplo, o bullying corre solto nas escolas e os jovens são pressionados a ter prazer ofendendo outros, trabalhar na catequese a beleza do perdão mútuo entre cristãos e Igrejas que se separaram e construíram sua identidade no confronto é trabalho capaz de produzir muitos efeitos colaterais benéficos. É uma educação para a paz, para a valorização da amizade, para o crescimento imenso que vem de saber perdoar e ter coragem de pedir perdão.

            A situação que as Igrejas vivem hoje é consequência de uma história de séculos vividos com outra mentalidade. Agora temos condições de transformar esse caminho, mas é preciso construir novos mapas para essa estrada e, para isso, a catequese é um instrumento indispensável.    

Therezinha Cruz

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