quinta-feira, 26 de julho de 2012

17º. Domingo do Tempo Comum – B


A comida é um dado antropológico rico, pois obviamente ninguém vive sem alimento. Não só apenas no cristianismo a comida assume um significado religioso, como podemos perceber desde as religiões primitivas. Quando queremos festejar algo, nós de fato comer-moramos, alegramo-nos ao partilhar farta comida, geralmente um bom churrasco, ou um jantar mais requintado. Até mesmo as grandes decisões são feitas à mesa.

É neste contexto de importância do alimento que se inserem as leituras deste domingo. Jesus deu de comer e Eliseu partilhou o pão das primícias da colheita com o povo.
O gesto de alimentar significa que Deus se preocupa com as nossas necessidades, com nossas fomes: fome de pão, fome de liberdade, fome de dignidade, fome de realização plena, fome de sentido para a vida, fome de amor, fome de paz... Deus não é alheio às nossas necessidades, e sempre se oferece como dom, como presente. A atitude de Jesus é uma expressão clara do amor e da bondade de um Deus atento às necessidades do seu Povo. Ao longo do caminho, Deus vai ao nosso lado, atento aos nossos dramas e misérias. De nossa parte, resta-nos abrir o coração ao seu amor e acolher a sua graça. Este é o maior milagre.

Jesus é o novo Moisés que alimenta o povo, não mais com o maná – o pão perecível. O contexto do deserto e da Páscoa nos lembra do Êxodo. Jesus é aquele que liberta o seu povo, e o conduz para a verdadeira Terra Prometida – seu Reino de amor. Somente o alimento dele não perece.

Filipe não acreditou na proposta de Jesus.  É a atitude comodista, daquele que cruza os braços e não quer se comprometer. Filipe representa, pois, a ação humana que é inclinada a desanimar, duvidando da ação poderosa de Deus. Somos tentados a dizer: “deixe que se virem!” Essa não é a solução cristã, pois somos indagados a confiar no Senhor e a nos comprometer com as necessidades dos nossos irmãos.

Para o milagre, Jesus se utiliza de poucos dons trazidos por um menino – cinco pães e dois peixes. É sinal de que Deus não resolve tudo milagrosamente, sem nossa colaboração, de um modo cômodo. Um menino traz os pães: a infância é o início de tudo, é a pureza, a humildade, o sinal da dependência... É o convite ao despojamento e à confiança incondicional. É preciso ser como a criança para se ter vez no Reino de Deus.

Jesus não quer que o milagre crie uma massa alienada e interesseira: “Quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte” Na sequencia do discurso do Pão da vida (Jo 6) percebemos claramente que Jesus não quer pessoas que só vão buscar do milagre. Elevar Jesus como Rei pode ser uma desculpa para se acomodar, para ter uma religião que espera que tudo caia do Céu. A verdadeira confiança no Senhor não espera apenas as benesses oferecidas por Deus.

Jesus também nos convida à comunhão. O gesto de alimentar evoca a partilha, que se faz na comunhão. São Paulo deixa claro que temos o mesmo Deus. Como Povo de Deus, na fonte de unidade que é a Trindade, caminha na mesma direção, com os mesmo sentimentos, na mesma graça, esperando o mesmo fim, trabalhando para o mesmo objetivo. O segredo resume-se em três palavras: humildade, mansidão e paciência – tudo no amor.

Alimentemo-nos do Pão da Vida, do Pão da vida eterna oferecido gratuitamente. Hoje Ele nós dá deste pão e não cessa de partir e oferecer entre nós.

Pe. Roberto Nentwig

Um comentário:

  1. EXCELENTES COLOCAÇÕES ENTRE O ANTIGO E O NOVO. PRECISAMOS NOS ALIMENTAR DA PALAVRA PARA AMAR E SERMOS AMADOS.
    OBRIGADO POR TER A FELICIDADE DE LER ESTA HOMILIA QUE MUITO NOS ENSINA A VIVER COMO JESUS DESEJA.

    ResponderExcluir

Querido leitor, caso não tenha uma conta google escolha a opção anônimo e deixe seu nome no final do comentário.

Loading...

Cadastre seu email e receba nossas novidades:

Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética

MAPA DE VISITAS