quinta-feira, 5 de julho de 2012

14º. Domingo do Tempo Comum – B

As leituras deste domingo nos mostram que Ezequiel e mesmo Jesus não foram aceitos. Sim, o próprio Filho de Deus foi rejeitado em sua terra, pelos seus vizinhos e até mesmo pelos seus parentes. Os profetas não são escutados, são motivos de zombaria, são perseguidos e até mortos. Ou porque não se acredita naqueles que são muito próximos, ou porque a palavra é dura, uma verdade que dilacera a alma. Não precisamos ir muito longe para encontrar profetas (apesar de sua escassez). Certamente, não muito distante de nós há alguém que grita com sua palavra ou com seu silêncio. Porém, ainda é mais fácil se render ao que causa menos incômodo.

A reflexão deste domingo gira em torno da escolha e da rejeição. E por que escolhemos certas coisas e outras não? Nós fazemos opções e nos dedicamos pelo que escolhemos. São escolhas certas, e também não tão certas... Por que somos capazes de não escolher o Cristo e seus profetas, para aceitar outras vozes que ecoam ao nosso redor? Certamente o mal nos engana muitas vezes.

Um caminho para melhorar nossas escolhas seria fugir de nossos egos, tentar evitar as escolhas evidentemente más. Mas há outro caminho mais interessante: procurar aplicar energia no que realmente tem valor. Colocar energia no bem, ao invés de gastá-la evitando o mal. As opções concretas da nossa vida, aquilo que escolhemos e daquilo que rejeitamos dependem do nosso desejo. O que mexe com o centro volitivo de nosso ser, o que é feito por paixão tem mais chance de dar certo, enquanto que as coisas que não mexem com o nosso desejo ficam pelo caminho.

Precisamos, portanto, encontrar onde está o nosso desejo e aplica-lo bem. Precisamos mudar a energia de direção, de vez em quando. Enquanto vivermos a experiência de São Paulo, que queria fazer o bem e não conseguia, enquanto formos como os galileus que rejeitaram o filho do carpinteiro, precisamos pensar sobre o nosso desejo. A voz do homem velho ainda fala em nós.

São Paulo tinha paixão, tinha desejo. Desejava a Deus e brigava pelas suas convicções. Mas em certos momentos, não suportava suas dores, suas cruzes. Então ele pedia: “Senhor, tira o meu sofrimento!” E Deus respondia “Basta-te a minha graça!” E São Paulo entendia que seu desejo ainda não estava totalmente direcionado para o Senhor, compreendia que era um homem fraco. Mas na sua fraqueza se manifestava a força de Deus. E veja que ele clamou por três vezes. E quem vai dizer que São Paulo não tinha fé para alcançar uma graça?! E, certamente, alcançou a graça, segundo o desígnio de Deus.

Na nossa fraqueza, no nosso pecado, no nosso desejo ainda tão egoísta, na nossa rejeição pelo verdadeiro Deus, na nossa dor, na nossa cruz, no nosso medo se manifesta a força de Deus. Por isso, aceitemos nossas fraquezas, não a ignoremos. As sombras são em certa medida o que nos faz ver a luz. Tenhamos consciência de nossos desejos, pois isso nos faz humano. Mas tenhamos a certeza de que na fraqueza humana está a força daquele que se fez fraqueza por nós. Tornou-se fraco para, na nossa fraqueza, fazer-nos fortes.

Pe. Roberto Nentwig

Um comentário:

  1. Receber as reflexões do Pe Roberto é sempre motivo de alegria e orgulho, pois ele sabiamente leva o Evangelho para a vida cotidiana das pessoas, trazendo como ponto de equilíbrio,as pessoas que seguiram Jesus com virtude, fé, coragem e esperança.
    Que Deus continue abençoando sua caminhada Pe Roberto e que o Espírito Santo de Deus ilumine sempre seu caminho.
    Abraços
    Saúde e Paz!
    Elisabet Ristow Nascimento

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