sexta-feira, 8 de junho de 2012

Palavra revelada


Na Dei Verbum, um dos documentos dogmáticos do Concílio Vaticano II, aparece a palavra “revelação” como sendo a realidade do diálogo que acontece entre Deus e o seu povo. Na visão conciliar, a iniciativa é sempre daquele que fala, a iniciativa é de Deus, vindo ao encontro da criatura, que tinha se distanciado do Criador.

Mas é um diálogo que supõe e espera receptividade. Não basta somente Deus falar. Suas palavras devem ser acolhidas pelas pessoas, tendo relevância na vida comunitária. Com isto, o diálogo não se restringe apenas entre Deus e o povo, mas também entre as pessoas em sua convivência localizada.

A compreensão da Palavra de Deus não é fruto apenas de uma intuição da pessoa. Ela existe para ser formalizada no encontro com Deus em Jesus Cristo, porque Ele é a Palavra eterna que se fez carne e veio habitar entre as pessoas, no contexto do mundo criado.

O distanciamento que temos de Deus é fruto do pecado. Mas Deus não se distancia de sua criatura. Seu gesto revelador se baseia no amor, dirigindo-se às pessoas como a amigos para reatar a comunhão perdida. Sendo assim, podemos dizer que Deus se dá a conhecer no diálogo.

Antes da Palavra escrita já havia a iniciativa divina, certamente difícil de ser percebida. Com a Palavra já formalizada na Sagrada Escritura, o caminho de encontro e diálogo tornou-se muito mais evidente e possível. Há sempre um anseio, até natural, de ambas as partes, de serem amados.

Na verdade, a Palavra tem força transformadora e consegue conduzir as pessoas para o caminho da salvação. Mas tem que ser escutada de coração acolhedor e aberto ao Deus que fala. Ela é Palavra e ação divina, que diz e faz e consegue apresentar-se como viva e eficaz.
A Palavra de Deus é eterna, que nos leva à comunhão com o Pai, possibilitando nossa participação em sua vida. É a íntima ligação com a vida trinitária, ocasionando vida fraterna. A realização plena de tudo isto acontece quando pertencemos a uma comunidade de vida na Igreja.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

Um comentário:

  1. Existem duas formas de destruir a misericórdia: eliminando o pecado e eliminando o perdão. Estas são precisamente as duas atitudes mais comuns nos dias que correm. Numa enorme quantidade de situações não se vê nada de mal. Naquelas em que se vê, não há desculpa possível. As acções do próximo ou são indiferentes ou intoleráveis. O que nunca são é censuradas e perdoadas. O que nunca se faz é combinar o repúdio do pecado com a compaixão pelo pecador.

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