quinta-feira, 21 de junho de 2012

Natividade de São João Batista


O nascimento de João Batista merece uma festa especial no calendário litúrgico, pois este personagem é o elo entre o Antigo e o Novo Testamento. O maior de todos os nascidos de mulher é o menor no Reino dos Céus, apenas uma “voz que clama no deserto”. O profeta que preparou o caminho do Senhor manifestou sempre a sua humildade: “Estando para terminar a sua missão, João declarou: ‘Eu não sou aquele que pensais que eu seja! Mas vede: depois de mim vem aquele, do qual nem mereço desamarrar as sandálias’” (At 13, 22-26).
João nasce em um contexto de adversidade, muito próprio nos textos da Bíblia. Deus costuma se manifestar onde menos se espera, por meio de pessoas simples e sem relevância. João Batista nasceu de uma mulher estéril, de idade avançada e, portanto, humilhada por não ser mãe. Também Zacarias não vivia menor humilhação: um homem velho e sem ninguém para dar o seu nome, sem um filho para lhe garantir a descendência. O modo de Deus proceder na história nos ensina que não devemos confiar na aparente grandeza do mundo: na fraqueza, na humildade e na pequenez a ação de Deus desabrocha.

Deus gosta de transformar a esterilidade em fecundidade para mostrar o seu amor e o seu poder. Manifesta o Senhor que não podemos jamais perder a esperança e nem acreditar demasiadamente nas forças humanas. A secura no ventre de Izabel é o lugar da aridez humana que espera ser fecundada pela graça de Deus. Como nos diz o Salmista, Deus transforma a aridez em fonte de vida: "Felizes os que em vós têm sua força, e se decidem a partir quais peregrinos. Quando passam pelo vale da aridez, o transformam numa fonte borbulhante, pois a chuva o vestirá com suas bênçãos. Caminharão com um ardor sempre crescente e hão de ver o Deus dos deuses em Sião" (Sl 84, 6-8).

Zacarias é sacerdote do templo. Junto de sua velha esposa representa a antiga lei e o culto que certamente carregavam a esterilidade, pois não davam frutos de conversão e vida. Jesus, precedido por João Batista, produzirá nova fecundidade ao trazer a nova lei, a graça, a misericórdia, o Reino de Deus. A frieza de Israel não impediu que Deus realizasse o seu plano de amor. Não podemos deixar que as estruturas surgidas depois do kairós inaugurado por Jesus se transformem em instrumentos estéreis que não produzem vida. Pensemos em nossas paróquias, ministérios e pastorais. Façamos a revisão de nossa vida e vejamos onde está falta de fecundidade que precisa ser restaurada pela graça divina.

A mudez de Zacarias é causada pela incredulidade. Diante da falta de fé em Deus, resta-nos calar e deixar que Deus fale. Ao ser perguntado sobre o nome do menino, só lhe restou escrever: “Zacarias pediu uma tabuinha, e escreveu: ‘João é o seu nome’. E todos ficaram admirados” (Lc 1, 59-63). João significa "Deus é cheio de graça", "agraciado por Deus" ou mesmo "a graça e misericórdia de Deus". Diante de nossa miséria, de nossa aridez, esterilidade e mudez, resta-nos, mais do que qualquer coisa, a graça misericordiosa de Deus que nunca nos abandona. Então faremos coro com as palavras proféticas que romperam o silêncio da Antiga Aliança: “Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou!”

Pe Roberto Nentwig

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