segunda-feira, 4 de junho de 2012

Dialógo inter-religioso: um campo diferente


            No ecumenismo estamos em busca da unidade na diversidade. Estamos unidos por princípios básicos do cristianismo e, principalmente, pela própria adesão a Jesus, que todos os cristãos reconhecem como Mestre, Filho de Deus, Salvador, parte da Trindade Santa, Caminho, Verdade e Vida. Queremos apresentar ao mundo um cristianismo mais atraente, não dilacerado por disputas internas. Queremos atender à prece de Jesus, que pediu que os seus fossem UM.

            Mas não convivemos só com cristãos, mesmo considerando a variedade de Igrejas e comunidades eclesiais à nossa volta. No Brasil encontramos membros de muitas religiões. Afinal, somos um povo formado do encontro entre europeus, indígenas e africanos. Migrantes trouxeram outras correntes religiosas. Nem ao menos temos que pensar só nas pessoas que nos estão próximas. O mundo globalizado nos mostra tradições religiosas diversas: vemos os muçulmanos na TV, sabemos de questões religiosas da Índia, da África, da China...  E aí uma questão passa pela cabeça dos catequizandos (e também pela nossa): Como ficam essas pessoas diante de Deus? O que será delas se vivem e morrem sem nunca ter ouvido falar de Jesus? O que nossa Igreja nos diz sobre isso?

            Há quem diga que cada religião tem seu caminho de salvação, outros acham que quem não pertence ao seu grupo está automaticamente longe de Deus e condenado. Nossa Igreja ensina que o único Salvador de todos é Cristo. Foi Ele que fez a grande demonstração do amor inesgotável de Deus, nele temos Deus nos amando tanto que veio viver como humano, capaz de entregar a vida, no meio de grandes sofrimentos, para nos mostrar como somos preciosos para o Criador. Essa “boa nova” é a melhor notícia que a humanidade já recebeu, a grande fonte de esperança: apesar de nossas falhas e pecados, Deus não desiste de nós e nos ama até as últimas consequências. Essa mensagem é tão essencial que somos chamados a comunicá-la aos que ainda não conhecem Jesus ou não o compreendem devidamente. O diálogo inter-religioso não apaga a missão. Conhecer Jesus é algo tão bom que não seria justo negar esse dom a quem ainda não o encontrou.

            Mas isso não se faz desvalorizando o que outras religiões têm construído nas pessoas e na história da humanidade. Muitos não sabem, mas a própria Igreja não nos autoriza a proclamar simplesmente a condenação inescapável dos que não são cristãos.
            Seria bom, por exemplo, que os catequistas conhecessem, entre outros, o documento Diálogo e Anúncio, escrito 25 anos depois do Concílio Vaticano II. Vamos nos referir a ele muitas vezes nessas nossas conversas. Hoje, gostaria de destacar apenas duas afirmações dessa orientação que nossa Igreja nos dá:

            É através da prática daquilo que é bom nas suas próprias tradições religiosas, e seguindo os ditames da sua consciência, que os membros de outras religiões respondem afirmativamente ao convite de Deus e recebem a salvação em Jesus Cristo, mesmo se não o reconhecem como salvador. (DA 29)
            Os cristãos que não têm apreço nem respeito pelos outros crentes e pelas suas tradições religiosas estão mal preparados para lhes anunciar o evangelho. (DA 73c)

            São declarações com graves implicações e que precisam ser bem entendidas para não gerar problemas. Mas indicam um caminho, uma pedagogia, uma compreensão da universalidade do amor do Deus Criador e da salvação que Cristo veio trazer.  Uma boa catequese deve estar preparada para equilibrar diálogo e missão, como pede o nosso documento.   

Therezinha Cruz

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