sexta-feira, 29 de junho de 2012

Aprender com o outro sem medo


            Andamos pelo mundo aprendendo uns com os outros. Gonzaguinha tem uma canção (Caminhos do Coração) que diz: “... toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas...”  Pensadores famosos disseram coisas semelhantes. Por exemplo: “Cada pessoa que encontro é superior a mim em algum aspecto sobre o qual eu aprendo algo.” (Ralph Waldo Emerson) ou “Não só precisamos realmente entender-nos uns aos outros, como precisamos uns dos outros para entender a nós mesmos” (Gandhi). A vida de fato seria muito pobre sem a diversidade de temperamentos, idéias, espiritualidades, talentos, pontos de vista. É claro que não vamos aprender tudo o que os outros fazem, dizem, sentem. Muitas vezes é sábio simplesmente dizer: Não! Não quero ser parecido com essa pessoa! Mas ninguém tem (nem seria bom que tivesse) uma personalidade totalmente livre de influências alheias.

            Não é diferente no terreno religioso. Nosso cristianismo deve muito ao judaísmo, no qual estão suas raízes. Uma religião pode ter orações, modos de desenvolver a espiritualidade que possam ser edificantes para outros grupos. Entre cristãos de Igrejas diferentes, esse intercâmbio poderia ser ainda mais produtivo e menos arriscado porque já há uma boa base comum.

            Nossa Igreja não tem medo dessa possibilidade de um aprendizado mútuo entre cristãos de Igrejas diferentes, feito naturalmente com discernimento e sem intenções de dominação. Por isso, o documento Unitatis Redintegratio, do Concílio Vaticano II, nos diz: “... é necessário que os católicos reconheçam com alegria e com a devida estima os bens verdadeiramente cristãos provenientes do patrimônio comum existente entre os irmãos separados. Reconhecer as riquezas de Cristo e as obras virtuosas na vida de quem dá testemunho de Cristo até, às vezes, o derramamento de sangue, é justo e salutar: Deus é sempre admirável em suas obras. Nem se deve desprezar a obra da graça do Espírito Santo nos irmãos separados, que pode contribuir muito para a nossa edificação.” UR 4

            Mas, é claro que só estão bem preparados para essa aprendizagem mútua os que estão firmes na sua identidade fé. Muito úteis são os encontros em que uns captam coisas boas dos outros e os católicos continuam católicos, metodistas continuam metodistas, batistas continuam batistas... e assim por diante. Sem intenções de proselitismo, a aprendizagem é tranqüila. E até pode ajudar muito na formação específica de cada parte envolvida porque, para apresentar ao outro o melhor da sua Igreja, cada um sente que deve conhecer muito bem a instituição que representa no diálogo.

            Músicas, estilos de acolhimento, orações, biografias de cristãos exemplares, métodos de ensino são algumas das coisas que as Igrejas deveriam poder partilhar sem medo. Mas só quem está preparado e seguro vai entrar nesse diálogo sem sentir necessidade de estar o tempo todo se defendendo do que o outro tem a oferecer. 

Therezinha Cruz

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