sexta-feira, 1 de junho de 2012

ANTECIPAR A AURORA, ANUNCIAR A ESPERANÇA.


III Congresso Catequético Argentino - 24 a 27 de Maio de 2012

Estive participando, em Buenos Aires, Argentina, do III Congresso Catequético Argentino (III CCN), realizado de 24 a 27 de Maio de 2012, no Instituto São José dos Irmãos Maristas, em seu grande ginásio poliesportivo. e ao mesmo tempo na catedral de Morón (um dos grandes bairros de Buenos Aires) e nas dependências da Praça San Martin à sua frente.

Foi realmente um acontecimento memorável. Na Argentina se realizam Congressos Catequéticos a cada 25 anos; o primeiro foi em 1962, o segundo em 1987 e agora, em 2012, foi celebrado esse III CCN  (mais ou menos como nossas semanas brasileiras de catequese ou as semanas latino-americanas). Tal acontecimento foi grande só pelo número de participantes: mais de 1500 catequistas de todas as regiões da Argentina, inúmeros sacerdotes e religiosas/os, como também uma significativa participação de bispos ligados à pastoral catequética (cerca de 40). Se a esses números oficiais, se acrescentam os acompanhantes, também eles catequistas de Buenos Aires ou redondezas, atingimos quase que a cifra de três mil pessoas presentes na grande festa.

Para minimizar os custos do Congresso com hospedagem, cerca de 800 famílias, através de um grande mutirão, receberam em suas casas os congressistas, havendo por isso um deslocamento contínuo entre as casas de hospedagem e a sede das atividades congressistas. Eu mesmo fiquei hospedado na casa de uma família com cinco filhos homens, profundamente cristã, pertencentes a um dos tantos movimentos que surgiram ultimamente na Igreja: o Movimento da Palavra, fundado em 1975 e focado no uso intenso da Palavra de Deus na vida e no apostolado. Foi uma experiência riquíssima viver esses dias do Congresso nessa família tão acolhedora!

O enorme ginásio poliesportivo do colégio marista ficou repleto de uma multidão muito animada que cantava, dançava e, sobretudo, rezava, estudava e se aprofundava nos diversos temas do encontro. Nesse sentido, foi um congresso ruidosamente festivo, catequeticamente celebrativo e de muita animação e demonstração de unidade e de exuberância catequética. A Igreja argentina mostrou que sua pastoral catequética está viva, vibrante, vigorosa e com muita energia para continuar e aperfeiçoar o processo de evangelização, através da educação da fé.

O tema e o lema do Congresso foram elaborados poeticamente, como que mostrando o otimismo evangélico que perpassa todo discípulo de Jesus: "Antecipar a aurora, anunciar a esperança". Esta aurora dos novos tempos, que a catequese deseja sempre proclamar e testemunhar através do anúncio gozoso de Jesus e de seu Evangelho, foi cantado, declamado, dançado, coreografado em prosa, verso e principalmente através uma música contagiante, muito bem composta, executada e dirigida pelos excelentes animadores dos grandes e pequenos plenários. Ninguém ficava parado quando se entoavam os refrões do "hay fiesta" ou "anunciar la aurora..."

A parte visual do Congresso esteve também à altura do acontecimento: os desenhos, pinturas, cartazes, imagens, símbolos, espalhados por todo lado, ou nas vestes dos congressistas, eram como que uma nova linguagem, muito comunicativa, com a qual se deseja atuar na nova evangelização. Também uma tecnologia bastante avançada e informatizada estava a serviço da intensa comunicação que atingia a todos diretamente, como o som nítido e intenso das poderosas caixas acústicas ou o imenso telão cujas imagens eram formadas por leds, de altíssima definição e de intensa claridade, que enchiam os olhos de todos, facilitando a visão dos mínimos detalhes captados por uma gigantesca girafa (câmara rotativa de longo alcance), cujas lentes e microfones tudo captava.

O Congresso foi organizado pela Junta Catequística Nacional tendo à frente o dinâmico diretor nacional de catequese, Pe. Osvaldo Piñero Napoli. Na verdade, a realização do Congresso no final do mês de Maio foi apenas o final de um grande processo iniciado já há muito tempo nas paróquias, dioceses e nas 8 regiões em que está dividida a Igreja argentina. Assim, todos os assuntos foram anteriormente estudados nas bases, isto é, entre catequistas paroquiais, coordenadores diocesanos e em assembleias regionais. Tal atividade pré-congresso, na verdade foi o trabalho principal; durante o Congresso, apenas foram escolhidas e aprofundadas as principais questões, sintetizadas e apresentadas ao final como propostas. Por sua vez, tais conclusões finais do Congresso retornam às bases (paróquias, dioceses, regionais) para que ali sejam vividas e colocadas em prática. Importância fundamental foi o Seminário Nacional de Catequese (Senac) que o Instituto Superior de Catequese (ISCA) organizou em setembro de 2011 em vista desse Congresso.

Houve apenas três pequenas palestras, pronunciadas pelo Arcebispo Dom Celso Morga Iruzubieta, Secretario da Congregação para o Clero, organismo da Cúria Romana que cuida da catequese em nível mundial. Ele veio especialmente de Roma para tais palestras. Na primeira delas, ele acentuou a tarefa perene da catequese na evangelização e a importância fundamental do Mistério Pascal, crido, celebrado e vivido na catequese.  Na segunda e terceira desenvolveu o tema da identidade da catequese e sobretudo a necessidade, para os dias de hoje, de uma catequese a serviço da Iniciação Cristã. Esse último ponto se fundamenta nessas razões: retornar às origens (catecumenato), catequese comunitária e fundamentada na Palavra de Deus e na Liturgia, catequese que responde ao sentido da vida e, finalmente, catequese que reforça a dimensão missionária, característica essencial da Igreja hoje.

A Diocese de Morón (que está na grande Buenos Aires) foi escolhida como sede do III CCN porque seu primeiro Bispo, o salesiano Dom Miguel Raspanti, não só organizou e orientou o I Congresso de 1962, há 50 anos, mas também porque foi o grande incentivador e promotor da catequese na Argentina. De um modo especial seu nome está ligado à catequese com portadores de deficiência; há naquela diocese um Instituto especializado na formação de catequista nessa área, que leva o seu nome. Ao final do Congresso uma placa comemorativa foi inaugurada na grande praça na frente da Catedral, em sua homenagem.

Sobre as conclusões desse III CCN poderemos falar em outra ocasião. Por ora, basta acentuar que esse congresso, além de ser um ponto de chegada de uma longa preparação, representa também um ponto de partida para uma maior e melhor qualificação da educação da fé dos discípulos de Jesus nesse grande país sul-americano. E, sem dúvida nenhuma, ficará como marco histórico da catequese argentina no início de século XXI.

 Pe. Luiz Alves de Lima, sdb, é doutor em Teologia Pastoral, catequeta, professor de teologia,  conferencistas, redator e editor da Revista de Catequese.

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