quarta-feira, 13 de junho de 2012

11º. Domingo do Tempo Comum – B


Jesus veio por causa de um mundo novo que começa a ser preparado aqui e será pleno no final dos tempos. Este mundo novo depende de uma maneira nova de ver as coisas e de se relacionar com as pessoas. O nome deste mundo é Reino de Deus. Jesus não só trouxe esta novidade, mas toda a prática e as palavras dele levaram as pessoas a ter fé no Reino e a se alegrar com a sua chegada. Quem se encontra com Jesus passa a ver o mundo com esperança. 

Vivemos entre o mistério da iniqüidade e o mistério da presença do Reino. Quando o mistério da iniqüidade ganha visibilidade, parece que o Reino é uma utopia (no sentido etimológico = um auge que não se alcança). Vemos o terrorismo, a violência, o crime, a corrupção, o egoísmo, a inveja... Presenciamos a força do pecado, a falta de compreensão, os limites das pessoas que, por sua vez, não correspondem as nossas expectativas. Experimentamos os dramas da vida: a solidão, a carência, a angústia... Às vezes, não parece razoável acreditar que tudo pode dar certo.

As parábolas de Jesus apontam para uma esperança que se contrapõe aos desânimos humanos. O Evangelho nos diz que o Reino começa pequeno, humilde... Depois cresce e se torna uma árvore frondosa. Mesmo que não haja evidências para acreditar nele, ele está presente. Para se acolher esta realidade é necessário o olhar da fé.

O Reino de Deus é uma iniciativa divina: é Deus que age no silêncio da noite, no tumulto do dia a dia ou nas adversidades da história para que o Reino aconteça. Não adianta forçar o tempo ou os resultados, pois é Deus que dirige a marcha da história e fará com que o Reino seja pleno. É uma graça, um dom. Ele é o dono da história que, mais do que em nossas mãos, está nas mãos divinas. Por isso, não nos desesperemos, pois o dono da história sabe o que faz com ela. 

Acreditar no Reino também significa participar dele. Há no Evangelho um convite implícito para se comprometer em torná-lo cada vez mais presente no mundo, deixando-nos guiar pelo impulso do Espírito Santo. Tudo o que podemos realizar de bom neste mundo é uma semente do Reino plantada. Nossas renúncias, nossas atitudes de gratuidade, nosso compromisso com a justiça e a paz, nossas atitudes de compaixão para com o próximo, nosso anúncio explícito do amor de Deus, nossas atividades pastorais... Tudo isso é uma centelha de vida colhida para a eternidade. Até mesmo as iniciativas que aparentemente são insignificantes carregam dentro de si um mistério de salvação, um pequeno embrião do Reino.

Cada gesto de amor fará sentido no juízo final, quando compareceremos de cara limpa diante do Senhor (2ª. Leitura). Então, Deus irá nos colocar diante de toda história do mundo, apresentando-nos as conseqüências dos atos individuais dentro de uma complexa trama de relações na qual se construiu o tempo. “Essa manifestação não torna público, como poderia parecer, o que era privado. Não. Mostra a profunda vinculação que cada pessoa possui com o todo. Ninguém é uma ilha. Uma comunhão profunda e mística nos une a tudo, pela raiz da vida, do átomo material aos seres espirituais. Nosso bem e nosso mal, a partir do núcleo pessoal e responsável, se comunicaram com a globalidade da criação” (Leonardo Boff).

O plano de Deus é o reverso da realidade que se apresenta – esta cheia de ambigüidades. Somente no fim da história Deus revelará tudo o que ficou obscuro. Quando pudermos ver Deus face a face (1Cor 13,12), Ele mostrará com clareza a maldade do mundo e a bondade infinita do seu plano de amor. O juízo de Deus manifesta que a história tem sentido, pois haverá um desfecho final repleto da gratuidade que enche tudo de beleza. Então surgirá a plenitude do Reino de amor, misericórdia, festa, alegria, shalom. Vem, Senhor Jesus!

Pe Roberto Nentwig

3 comentários:

  1. Benção de Deus... Parabéns pelas palavras, que o Espírito Santo continue agindo em Ti e o seja abundantemente derramado o amor de Cristo em sua vida!

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  2. Amém. Que bom quando podemos ser instrumentos para que a palavra de Deus seja conhecida e amada!
    Pe. Roberto

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  3. Amém. A Palavra de Deus cada vez mais conhecida e amada!

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