quinta-feira, 7 de junho de 2012

10º. Domingo do Tempo Comum – B


A narrativa do Gênesis, na primeira leitura, não quer nos falar apenas do primeiro pecado, mas da realidade do pecado em si mesma. O autor bíblico projeta para o passado a experiência de infidelidade do Povo de Israel. Trata-se, portanto, de uma “profecia às avessas”. É preciso ter em conta o gênero literário dos primeiros capítulos do Gênesis. Esses capítulos não são relatos históricos, mas também não são pura mitologia. Não se reproduz pura e simplesmente um mito do passado, mas utiliza-se uma roupa mitológica para resolver um problema da vida humana (origem da vida, da morte, do pecado...), o que é próprio da literatura sapiencial.

Adão é o nome dado ao primeiro ser humano que pecou. Quando isso aconteceu? Não sabemos, e nem importa. Podemos dizer que na linha evolutiva do ser humano está um membro da espécie que é capaz de um ato livre (livre arbítrio) e este pecou. O Gênesis nos revela que um dia o ser humano pecou, rompendo a amizade com Deus, e que a humanidade toda é solidária no pecado. O ser humano abusou da sua liberdade e buscou atingir o seu fim sem Deus. O fruto proibido simboliza o conhecimento do que é bem e do que é mal. Esse poder é exclusivo de Deus. Quando o ser humano deseja usurpar esse privilégio divino, desejando sua plena autonomia moral, cai no orgulho, na autossuficiência – eis o pecado. Depois, vem a consequência: Adão e Eva “reconheceram que estavam nus”: significa a vergonha diante do reconhecimento da própria fraqueza. Portanto, o convite da Palavra de Deus é para que não desejemos viver por nossos próprios esquemas e desejos, que não desejemos ser deuses de si mesmos. Uma vida sem Deus é uma vida fracassada. 

No Evangelho, de algum modo, vemos também o ser humano contrário ao projeto de Deus. O interessante é que se trata de uma oposição da família de Jesus. Os primos, parentes próximos e até a própria mãe de Jesus não o queriam na missão. Consideravam que sua vida de pregador itinerante era uma consequência de um estado de demência. É interessante observar este fato: Jesus foi incompreendido por todos - pelas autoridades e por sua própria família. Não era alguém visto com bons olhos, foi confrontado e humilhado. Mesmo assim, não desistiu de sua missão. Quantas vezes deixamos que a opinião alheia nos derrube e dite as regras de nossas ações?!

Jesus não era contrário a sua família. Certamente foi um excelente filho, cuidando de sua mãe depois da morte de José. Mas aqui, mostra-se avesso ao desejo dos familiares em retê-lo. O que Jesus deixa claro é que ele inaugura uma nova família que não se define pelos laços sanguíneos. O que importa agora é a família universal, na qual se incluem todos os que fazem a vontade de Deus. Para que esta família do Reino se estabeleça é preciso relativizar até mesmo os laços de família.

É importante que se diga que Jesus não faz pouco caso de sua mãe. Se houve uma mulher que fez a vontade de Deus esta foi Maria de Nazaré. Ela que meditava a Palavra em seu coração foi a primeira a dar o sim ao projeto de Deus no Novo Testamento: “Faça-se em mim conforme a tua Palavra!” Que Maria nos ajude a vivermos nesta família de Jesus, realizando a vontade de Deus e sendo irmão e irmã de Jesus, o Senhor.

Pe. Roberto Nentwig

5 comentários:

  1. Olá Pe Roberto...
    Lendo sua explicação desse relato bíblico, sobre a origem do pecado,(muito bom, por sinal) me vi pensando nas muitas catequeses que são dadas sobre o Genesis, êxodo... E fico me perguntando como está chegando aos ouvidos de nossos catequizandos esses relatos. A maioria de nossos catequistas não tiveram uma formação bíblica, e por isso passam de forma distorcida, ao pé da letra, tal como leem tais relatos... E essa bola de neve vai crescendo, pois são nossos cristãos sendo formados...Venho através desse espaço, pedir em nome de todos os catequistas, uma formação bíblica sobre Genesis e êxodo.
    Vejo que isso amadureceria em muito nossos catequistas que por aqui passam.
    Grande abraço!

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  2. Olá Pe Roberto...
    Lendo sua explicação desse relato bíblico, sobre a origem do pecado,(muito bom, por sinal) me vi pensando nas muitas catequeses que são dadas sobre o Genesis, êxodo... E fico me perguntando como está chegando aos ouvidos de nossos catequizandos esses relatos. A maioria de nossos catequistas não tiveram uma formação bíblica, e por isso passam de forma distorcida, ao pé da letra, tal como leem tais relatos... E essa bola de neve vai crescendo, pois são nossos cristãos sendo formados...Venho através desse espaço, pedir em nome de todos os catequistas, uma formação bíblica sobre Genesis e êxodo.
    Vejo que isso amadureceria em muito nossos catequistas que por aqui passam.
    Grande abraço!

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  3. Boa Homilia, vou inspirar-me nela para a celebração com as crianças neste Domingo!

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  4. Pe Roberto graças pela homilia é de grande ajuda para meditação, gostaria de relatar o texto que li e relata o fato de sempre acusar os outro e não assumir a culpa pelo nossos atos no caso de Adão cupando a mulher e a mesma culpando a serpete.
    Reginaldo Santos

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  5. Oi Pe Roberto graças pelo texto, é muito belo e nos ajuda a meditação. Como no texto que relata que sempre cupamos outros da nossas faltas como no caso de Adão que passa para Eva e passa para serpente.

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