domingo, 13 de maio de 2012

SOU CATÓLICO VIVO MINHA FÉ – Uma síntese brasileira de doutrina


            Após falar um pouco do Catecismo da Igreja Católica, que iremos comentar no espaço do nosso Blog, falamos também de seus principais complementos: o Diretório Geral da Catequese (1977) e o Compêndio do Catecismo (2005). Estamos agora acenando  a dois outros textos, que poderíamos chamar de satélites do grande Catecismo. São eles: o opúsculo Sou Católico: vivo a minha fé e o YouCat, chamado também Catecismo Jovem da Igreja Católica
            Vamos hoje tratar do texto da Comissão para a Doutrina da Fé da CNBB intitulado: Sou católico: vivo minha fé. Foi lançado em 07 de maio de 2007, durante a 45a. Assembleia Geral da CNBB. A Igreja na América Latina estava às vésperas da abertura da V Conferência Geral da CELAM em Aparecida (SP)  e o Brasil recebia a breve visita do Papa Bento XVI, ou seja: era um momento de intensa vida eclesial.
            O versículo bíblico que lhe serve de inspiração, e colocado como referência  antes mesmo do título, é a conhecida passagem da 1ª. Epístola de Pedro: “Estai sempre prontos para dar razão da vossa esperança” (3, 15b). Sua finalidade declarada é, pois, oferecer aos nossos fiéis subsídios para conhecerem melhor os fundamentos da fé e da vida cristã católica.
            Ele tem uma relação íntima com o Catecismo da Igreja Católica. De fato, diz Dom Geraldo Lyrio Rocha (então presidente da CNBB), na apresentação da 3ª. edição de 2007: “Por se tratar de um breve compêndio, o texto remete necessariamente ao Catecismo da Igreja Católica e demais documentos do Magistério”.
            Ele é carregado de uma característica doutrinal e intelectual da fé. Comentando isso, Dom Waldir Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte e presidente da Comissão para a Doutrina que redigiu o texto,  acentuou também seus frutos para a vivência concreta da fé: “nós precisamos como Igreja dar a todos os católicos a oportunidade de melhor conhecer a sua fé, um conhecimento que supõe as verdades da fé, a doutrina que define essa fé, não apenas enquanto apropriação racional, intelectual, mas enquanto um conhecimento que venha produzir nas pessoas uma vivência coerente da fé professada”.
            Tendo nascido dentro do clima da V Conferência de Aparecida, o texto manifesta a preocupação de fazer de todos os católicos, verdadeiros discípulos e missionários de Jesus Cristo, tema da própria V Conferência. Sua redação durou três anos e, a partir da 2ª. edição, houve correções e aperfeiçoamentos, com relação à primeira edição. Foi também submetido à apreciação da Congregação da Doutrina da Fé, um dos grandes departamentos do Vaticano que, como diz o nome, cuida da reta expressão e manifestação da fé.
            O opúsculo tem várias edições e vários formatos, inclusive como livro de bolso. Todas elas trazem ilustrações muito boas, criativas e adaptadas ao texto. Conforme se diz na última capa de uma das edições, trata-se de “um subsídio destinado a ajudar os católicos e todas as pessoas interessadas, a conhecerem melhor os fundamentos da fé e da vida cristã. O texto traz exposições breves e essenciais sobre aquilo que os católicos creem, como rezam e como são chamados a viver, em conformidade com sua dignidade de cristãos e membros da Igreja”.
O texto trata dos seguintes temas:
·         o “ser católico” e sua identidade (Introdução);
·         a revelação divina (cap. I);
·         a nossa fé em Jesus Cristo (verdade sobre Jesus Cristo, a Igreja e o ser humano: cap. II);
·         a celebração do Mistério de Cristo (liturgia, sacramentos, vida cristã sacramental: cap. III);
·         a vida nova em Cristo (elementos de moral cristã: cap. IV);
·         esclarecimento sobre alguns pontos da fé católica (são 25 temas: cap. V);
·         e, por fim, a oração do católico (2 fórmulas de profissão de fé e 25 fórmulas de orações tradicionais, inclusive os mistérios do Rosário (terço) em sua nova forma: cap. VI).
Conclui com boas indicações para a leitura orante da Bíblia e algumas referências para aprofundamento dos temas. Essas referências consistem em citações que remetem aos documentos da Igreja a respeito dos vários temas tratados (documentos do Concílio Vaticano II, Encíclicas Papais, Código do Direito Canônico e, sobretudo do Catecismo da Igreja Católica).
Esse pequeno opúsculo, publicado como subsídio, não tem a pretensão de ser um “catecismo da CNBB”, já que o texto se concentra substancialmente na questão doutrinal, que é um dos tantos aspectos da educação da fé, ou catequese. Deve-se dizer também que a Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética, encarregada da catequese, dentro da CNBB, não foi envolvida na sua elaboração que esteve totalmente a cargo da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé e seus assessores. Já se foi o tempo em que por “catequese” se entendia apenas o conhecimento doutrinal. A Comissão encarregada da dimensão catequética foi apenas informada, numa de suas reuniões, de algumas diretrizes deste livro, através de uma assessora da Comissão de Doutrina, ainda nos inícios do trabalho redacional.
Esse texto tem um leve caráter apologético, isso é, de defesa da fé. De fato, o capítulo quinto é composto de 25 questões que respondem aos “ataques” que pessoas, fora da Igreja Católica (particularmente protestantes) fazem aos católicos. Portanto, tem a finalidade também de capacitar os católicos a responderem às dificuldades, dúvidas e objeções contra a nossa fé.
A apresentação do próprio texto e a Introdução do subsidio colocam-no claramente no grande quadro da evangelização, dentro do projeto “queremos ver Jesus, caminho, verdade e vida”.  Insiste acertadamente na dimensão da “experiência cristã” e conclui dizendo: “esta experiência inclui clarividências advindas do conhecimento das verdades da fé, fomentando e fecundando este mergulho que proporciona a vida nova em Cristo, gerando discípulos e discípulas...”.
Esse texto  quer garantir, justamente, esse “conhecimento das verdades da fë” que é um dos aspectos importantes da catequese. De fato, a verdadeira catequese vai muito mais além: ela possui uma dimensão iniciática, catecumenal, como propõe o recente Diretório Nacional de Catequese; ela requer o envolvimento na vida da comunidade de fé e, sobretudo o mergulho nas celebrações da fé, isto é, na Liturgia e outros aspectos celebrativos e orantes do processo educativo da fé. Nesse sentido, esse subsídio da CNBB, trazendo também, em seu final, várias orações católicas tradicionais, torna-se também um bom subsídio para a catequese.

                                                           Pe. Luiz Alves de Lima, sdb, é doutor em Teologia Pastoral, catequeta, professor de teologia,  conferencistas, redator e editor da Revista de Catequese.

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