quarta-feira, 23 de maio de 2012

Solenidade de Pentecostes


Nossa fé é Trinitária: cremos em um Deus em Três Pessoas, como celebraremos no próximo domingo na Solenidade da Santíssima Trindade. Os judeus têm Javé, os muçulmanos têm Alá. É como tivessem apenas Deus Pai – um Deus monolítico. As religiões têm mestres: Buda, Krishna... Nós temos a originalidade da Trindade, pois além do Pai, temos um Mestre que é o próprio Deus encarnado – Jesus Cristo. Temos, por fim, o Espírito Santo que atua na história e em nossas vidas, é Deus mesmo habitando os nossos corações.

Mas o Espírito Santo é ainda muito desconhecido e não devidamente nomeado. A piedade popular conserva a famosa Festa do Divino, representando o Espírito Santo como uma pomba branca. Mas, dificilmente nomeia a terceira pessoa da Trindade como “Espírito Santo”. O seu nome parece muitas vezes ausente e desconhecido. Ainda temos dificuldade para atribuirmos ao Espírito as suas ações. Quem faz as coisas, no dizer do povo, é Jesus, ou Deus, o Santo de devoção... Sua presença é mais enfatizada nos movimentos pentecostais, quando se fala de sua ação extraordinária: curas, milagres, êxtases... Ainda é necessária uma catequese mais profunda sobre o Espírito Santo, para que tenhamos consciência de que Ele age e está presente, como reconheceu a Igreja Primitiva depois de Pentecostes.

Hoje, no Evangelho, o Ressuscitado sopra o Espírito. O AT usa o termo Ruah para revelar o que o NT revela como uma pessoa divina: significa sopro, respiração, ar, vento. O Espírito, portanto, é o hálito de Deus, o sopro divino que nos move. Como o vento tem o seu dinamismo, como o ar nos faz viver, assim é o Espírito de Deus.

Quando paramos de respirar, depois de um breve período de tempo, sentimos o desconforto. Sem o ar, não temos vida. Do mesmo modo, sem o Espírito nada vive. Quando vemos um cadáver, vemos um corpo sem o sopro divino que o animava. Por outro lado, basta voltar os olhos para qualquer pessoa viva e veremos nela o ânimo do Espírito de Deus. Mesmo uma pessoa que faz maldades como um psicopata. Se ele vive, de algum modo lá existe um sopro de Deus, um sopro do amor que lhe dá a sua dignidade.

Somos muito acostumados a perceber a maldade do mundo. Deveríamos treinar o nosso olhar para perceber o sopro de Deus que age no mundo. Quando a Boa Nova é proclamada, quando celebramos os sacramentos, no casal que demonstra afeto, no sorriso de uma criança, nos sonhos que nos movem, em todos estes gestos de bondade está o Espírito de Deus. Quando há amor, lá está o Espírito Santo agindo. Se houve e há pessoas como uma Zilda Arns, uma Ir. Dulce e uma Madre Teresa é porque o Espírito continua agindo para que o amor aconteça. Graças ao Espírito, a nossa história não é apenas explicada pelo mistério da iniquidade. É também explicada por gestos de doação pelos pobres e doentes, é explicada por heroísmos que acontecem dentro dos lares, e por pessoas que consagram a sua vida para fazer o bem.

Quando Jesus sopra sobre os discípulos o seu Ruah, significa que eles são novas criaturas, surgindo uma nova criação: agora agimos não por nós mesmo, mas pelo sopro de Deus. Jesus quer que sua obra continue pela Igreja, e até mesmo fora dela. Ele deseja que seu Ruah sopre com muita força. Por isso, espera de cada um de nós uma abertura grande de coração, para que exista espaço para este vento agir.

Uma importante graça oferecida em Pentecostes é a unidade. A diversidade dos povos que se entendem nos Atos dos Apóstolos é sinal da unidade perdida em Babel, quando ninguém se comunicava, pois falavam línguas diversas. Animada pelo Espírito Santo, a Igreja congrega uma diversidade que fala a mesma língua – a língua do amor. É uma pena que presenciemos tanta confusão e desunião. Por vezes, em nossas comunidades, cada pessoa e pastoral falam uma língua diferente. O desejo do Espírito é a unidade. Quando esta não existe, falta o Espírito. O Espírito Santo congrega todos os povos, traz a consciência da universalidade da Igreja que não está restrita a nenhum povo ou cultura, pois o Espírito é uma oferta para todos os povos e raças, agindo também nas várias religiões. Que, por Ele, tenhamos o coração aberto para reconhecer sua presença e construamos Nele a unidade maculada pelo pecado.

Pe Roberto Nentwig

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