segunda-feira, 14 de maio de 2012

Passos da Lectio Divina


Como vimos em nossa última comunicação, para fazermos a Lectio Divina precisamos de preparação. Agora, sim, poderemos iniciar a nossa escalada:

1º passo: Trata-se da Leitura: ler lenta e atentamente o texto que já deve ter sido escolhido anteriormente.

 Esse passo é tão importante que deu nome ao próprio método: Lectio Divina. Alguns pensam que este é o passo mais simples. Não é verdade! Não se trata de simplesmente discorrer o olhar sobre as letras e nem de devorar palavras. A verdadeira leitura é a que nos leva ao entendimento e à compreensão do texto escrito. Mesmo que já tenhamos lido o texto muitas vezes e - quem sabe - até o sabemos de cor, devemos lê-lo como se fosse a primeira vez!  Dentro de nós tudo deve ser silêncio! Deus vai falar! Precisamos escutar!!! Nada pode atrapalhar o que o texto tem a dizer, por isso a necessidade de silêncio tanto interno quanto externo. Nada de preocupar-se em tirar alguma mensagem, algum ensinamento. Aqui nos perguntamos: o que o texto diz? O que não diz abertamente? Quais as palavras que estão repetidas? Quem são os personagens e qual a reação deles? O que fazem e o que sentem?   Precisamos entrar no texto, fazer parte da cena, tornar-nos atores, conversar com o texto e através dele, com o autor do texto. Ajuda muito, lermos o texto repetidas vezes até memorizarmos, até o texto fazer parte de nós mesmos;  sublinhar palavras ou expressões que chamam atenção, destacar os verbos. Depois de várias leituras pode-se até transcrever o texto.

2º passo: a Meditação. Meditar é dialogar, guardar, repetir, ruminar a Palavra, como diziam os antigos.

No segundo passo tratamos de descobrir o que Deus quer nos falar através do texto lido. Devemos nos perguntar: o que Deus fala para mim/para nós? Deus nos fala no silêncio e no silêncio escutamos a voz de Deus.  Perguntamos: Qual versículo me chamou mais a atenção? Qual apelo que Deus me faz? O que devo fazer? O que preciso mudar em minha vida? A Palavra é uma presença viva que vai se mostrando, iluminando, consolando, exortando, levando a uma mudança de vida e fazendo emergir novo sentido para a vida. Como aconteceu com os discípulos de Emaús, a Palavra vai revelando o sentido oculto dos fatos e dando novo rumo à caminhada. Devemos deixar que o sentido do texto penetre em nossa vida para colocarmos em prática a vontade de Deus. É o momento de atualizarmos o texto para a nossa realidade e descobrirmos o que Deus quer e espera de nós. É na meditação que muitas pessoas desanimam, pois elas têm medo de mudar de vida, de se comprometer.  E sempre que nos confrontarmos de verdade com a Palavra ela nos transforma. Ela exige mudanças, conversão.

3º passo: a Oração. Orar o texto e com o texto.

Na Leitura e na Meditação Deus falou conosco. Agora é o momento de nós falarmos a Deus. De respondermos a Ele que nos falou através da Palavra.  A pergunta aqui é: o que o texto me faz/nos faz dizer a Deus? Trata-se de comunicar, louvar, suplicar a partir do texto lido e meditado. É a hora de fazermos a oração como resposta ao apelo que a Palavra suscitou. Para isso é preciso que tenhamos uma atitude de admiração diante do que Deus nos falou; surgirão, assim, preces de agradecimento, de louvor, de arrependimento, de súplica. É preciso ser sincero, generoso, humilde. Falar com Deus como se fala com o melhor amigo/a. Estar convicto de sua generosidade, bondade e misericórdia infinita. Nossa leitura Orante se transforma numa deliciosa conversa com Deus.

4º passo: Contemplação/Ação. Ponto de chegada e novo começo

Após a leitura, a meditação e a oração, chegou o momento da contemplação. O momento de saborear a Palavra... ficar aí sem dizer nada... nenhuma palavra!  Não precisamos mais do texto. Ele já está gravado em nosso coração e na nossa mente. Nossa pergunta: como o texto ilumina o nosso agir?  E nesse silêncio o texto nos dirá o que fazer, como agir.  Não se trata de tirar conclusões práticas. Trata-se de enxergar, saborear e agir a partir do texto. Devemos deixar que a Palavra  ecoe dentro de nós com a sua eficácia e, como os discípulos de Emaús, deixar que a escuta da Palavra abra nossos olhos  e aqueça o nosso coração; que faça nascer um novo olhar para perceber a vida com o jeito de Deus. Tudo se renova numa profunda atitude de amor. A nova conduta que nasce da Palavra será uma atitude que nos levará a amar gratuitamente. Nessa intimidade com Deus sentir que ele me/nos convida para algo. Aceito o convite: vou com Ele! Minha comunidade precisa de mim!
               
Catequista! 

A prática pessoal da Leitura Orante vai qualificar seus  momentos comunitários, vai capacitar para a vida e o ministério que lhe foi confiado. Experimente a fazer regularmente a Leitura Orante e verá como sua vida, seus encontros e toda sua ação evangelizadora terá novo sabor, novos frutos aparecerão e mais feliz você será!  Aos poucos vá introduzindo esta prática com os seus catequizandos e perceberá avanços significativos na vida e ação dos mesmos! 

Maria Cecília Rover - Assessora Nacional da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética - CNBB

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