sexta-feira, 4 de maio de 2012

O que não é ecumenismo


A palavra ecumenismo passou para a linguagem comum, sem muita consideração com o significado específico que a nossa Igreja dá a esse termo. Fala-se em ecumenismo de modo amplo, como algo que uniria todas as idéias, de todos os grupos, uma grande mistura, um sincretismo global. Não é a isso que nossa Igreja se refere quando propõe o ecumenismo como parte de sua doutrina.

Em primeiro lugar, teríamos que perceber que, na fala oficial da nossa Igreja, há uma diferença entre ecumenismo e diálogo inter-religioso. Ambos são campos de trabalho importantes, mas cada um tem suas características próprias. O ecumenismo se refere às relações entre cristãos de Igrejas diferentes. Não são “religiões” diferentes, a religião é a mesma, são todos cristãos. Diferentes são as Igrejas (ou as chamadas comunidades eclesiais) a que uns e outros pertencem.  Referir-se a um irmão cristão como alguém que tem outra religião já seria um embaraço no diálogo ecumênico. Mas misturar ecumenismo com diálogo inter-religioso também não é a proposta da Igreja.

Para prosseguir com segurança no caminho do ecumenismo, haveria algumas idéias a serem esclarecidas. Por exemplo, ecumenismo não é:

Mistura de tudo num novo cristianismo: isso seria acrescentar mais uma divisão, como se estivéssemos criando uma nova Igreja, com perda de identidade para todos.

Disfarce para uma Igreja dominar a outra: esse é um grande receio que alguns irmãos têm. Uma vez, depois de incentivar a prática do ecumenismo num encontro, alguém me perguntou: _ Agora, falando sério, me diga: tratando assim tão bem os crentes de outras Igrejas, sendo tão simpática com eles, quantos você já converteu para a nossa Igreja? Fiquei muito decepcionada. Isso me mostrou que a pessoa não tinha entendido nada do que eu estava tentando explicar. Qualquer intenção menos sincera nesse trabalho atrapalha a caminhada em vez de ajudar.

Algo que afasta a pessoa da sua própria Igreja: entro no diálogo como católica (e só assim estou preparada para tanto) e saio com minha identidade católica reforçada porque é em nome da minha Igreja que estou falando, é como representante dessa Igreja que me apresento ao outro. O mesmo vale para o outro lado do diálogo: cada cristão de outra Igreja deve ter uma identidade firme para me ajudar a conhecer melhor o seu modo de ser cristão.
Fazer todos concordarem em tudo: O objetivo é compreender, dialogar... e poder discordar sem transformar isso em rejeição e desvalorização do outro.

Fingir que as diferenças não existem: isso tornaria hipócrita a conversa; queremos compreender as diferenças, não ignorá-las.

Desvalorizar as normas de cada Igreja: cada um deve cumprir seus deveres com a sua comunidade; se isso não for feito, o ecumenismo ganhará opositores porque será visto como uma ameaça à identidade dos envolvidos. Por exemplo: geralmente é melhor não organizar atividades ecumênicas no domingo, que é dia de cada um celebrar na sua Igreja.

Deixar de lado o espírito crítico diante de qualquer grupo cristão: ser ecumênico não é ser ingênuo diante do que não for honesto, de que estiver em contradição com a ética e os valores evangélicos. Mas, nesse caso, sempre é bom lembrar que não podemos desvalorizar um grupo inteiro porque algumas pessoas dentro deles fazem coisas erradas. Afinal, sabemos há joio no meio do trigo, mas também pode haver trigo no meio do joio.

  Pensemos: como, na catequese, viveremos uma espiritualidade que também é ecumênica, sem cair nessas falhas?

Therezinha M L da Cruz

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