quinta-feira, 3 de maio de 2012

Conhecer os interlocutores da catequese


Acreditamos que o grande desafio que temos enfrentado nos últimos tempos, nos encontros de catequese, é o de conhecermos as pessoas a quem vamos transmitir uma mensagem, catequizar. A catequese tem cada vez mais ampliado os seus interlocutores, por isso, precisamos pensar em uma catequese do ventre materno à pessoa idosa. Durante muito tempo, a catequese se limitou à infância. E, mesmo assim, no horizonte da preparação imediata da Primeira Eucaristia, numa linha quase exclusivamente doutrinária. O papel dos pais e da comunidade, apesar de certo esforço para uma visão mais ampla da catequese infantil, é ainda muito restrito. Não se percebeu suficientemente que uma das tarefas essenciais dos pais e da comunidade eclesial é criar ambiente e apoio para que a criança, o adolescente e o jovem caminhem para a maturidade na fé. (CR 131)

        A catequese deve ser compreendida como processo ou itinerário, caminho que uma pessoa percorre ao longo da sua vida, de sua história, “Tal processo procurará unir fé e vida; dimensão pessoal e dimensão comunitária; instrução doutrinária e educação integral; conversão a Deus e atuação transformadora da realidade; celebração dos mistérios e caminhada com o povo” (CR nº29). Para que uma pessoa, seja ela criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso, possa amadurecer na fé, é preciso que o conteúdo, a mensagem catequética seja adaptada ao desenvolvimento psicológico em que esta pessoa vive. No processo ou itinerário de iniciação a pessoa é envolvida inteiramente em todas as esferas e dimensões do ser. O fracasso ou falta de perseverança no caminho da fé se deve, muitas vezes, à falta deste envolvimento total dos iniciandos. Se isso é verdade para crianças e jovens, muito mais o é para os adultos. (Estudos da CNBB, Iniciação à vida cristã, n.75)

        Precisamos pensar a catequese como um itinerário no qual, nas diferentes idades, o anúncio de Jesus Cristo e a conversão de vida aconteçam de forma efetiva. Para isto precisamos pensar em um itinerário que seja adequado e personalizado. A catequese, por muito tempo, aconteceu de forma desintegrada, pensando em formar maior número de fieis para participar dos sacramentos. Por isso, hoje, mais do nunca, afirmamos que precisamos de uma catequese de iniciação à vida cristã. É necessária “a incorporação do candidato, mediante os três sacramentos da iniciação, no mistério de Cristo, morto e ressuscitado, e na comunidade da Igreja, sacramento de salvação, de tal modo que o iniciado, profundamente transformado e introduzido na nova condição de vida, morra para o pecado e comece uma nova existência de plena realização. Essa inserção e transformação radical, realizada dentro do âmbito de fé da comunidade eclesial, em que o cristão vive e dá sua resposta de fé, exige, por isso mesmo, um processo gradual ou um itinerário catequético que o ajude a amadurecer na fé” (Estudos da CNBB, Iniciação à vida cristã, n.68)

        Ter clareza de que o ser humano é uma condição sem a qual não se pode, de modo algum, tê-lo como “matéria” de trabalho.

        A questão é: como é possível evangelizar uma pessoa sem conhecê-la adequada e profundamente? O que a pessoa é em seu ser? Como se dá a fé na constituição de cada pessoa? Como poderemos educar a fé dos nossos catequizandos?

        Estas questões pertinentes nos interpelam a pensar sobre a necessidade de penetrar no mais íntimo de cada pessoa que vem ao nosso encontro, em busca da catequese, às vezes somente para os sacramentos e, em outros casos, em busca de um processo de iniciação na fé. Em nossas comunidades precisamos criar itinerários, percorrer o caminho da evangelização juntos, pois já não são mais destinatários, e sim interlocutores, uma vez que interagem no processo da catequese. Nossas Igrejas particulares, em todo o Brasil, ao longo de mais de quinhentos anos, de muitas formas têm convidado e conduzido ao caminho de Jesus. Sabem que o itinerário da iniciação cristã inclui sempre “o anúncio da Palavra, o acolhimento do Evangelho, que implica a conversão, a profissão de fé, o Batismo, a efusão do Espírito Santo, o acesso à comunhão eucarística.” (Catecismo 1229). Contudo, nossas dioceses têm consciência de que muitos dos itinerários oferecidos aos não batizados são fragmentados. “Sabem também que, entre os batizados de várias idades, mesmo entre os que participam da comunidade e dos movimentos, há carência de itinerários de introdução e amadurecimento na fé.” (Estudos da CNBB, Iniciação à vida cristã, n.78)

        Na tentativa de responder aos desafios atuais quanto à vida dos nossos interlocutores na catequese, à luz do Diretório Nacional de Catequese, apresentamos a catequese conforme as idades que contempla a vida e o caminho de fé dos idosos, adultos, jovens, adolescentes e crianças dentro de sua dimensão humana e de fé.

        Portanto, iluminados pelo nosso Diretório Nacional de Catequese afirmamos que a catequese conforme as idades é uma exigência essencial para a comunidade cristã. Leva em conta os aspectos, tanto antropológicos e psicológicos como teológicos, para cada uma das idades. É necessário integrar as diversas etapas do caminho de fé. Esta integração possibilita uma catequese que ajuda cada um a crescer na fé, à medida que vai crescendo em outras dimensões da sua maturidade humana e tendo novos questionamentos existenciais. (DNC, n. 180).

Pe. Eduardo Calandro
Pe. Jordélio Siles Ledo

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