terça-feira, 22 de maio de 2012

Buscando uma inspiração na Igreja Primitiva

Durante a 3ª Semana Brasileira de Catequese o Pe. Luiz Alves Lima desenvolveu o tema sobre “A Iniciação Cristã ontem e hoje – história e documentação atual”. E, com a sua característica precisão terminológica, foi logo deixando claro que quando se fala de “Iniciação Cristã” se deve entender “todo o processo pelo qual alguém é incorporado ao mistério de Jesus Cristo”. Processo esse, que a Igreja sempre realizou, de uma maneira ou outra, ao longo de toda a sua história.

Quem olha a Igreja hoje normalmente nem imagina as grandes dificuldades que teve que enfrentar, principalmente nos primeiros séculos de sua existência, ao tentar responder ao urgente problema do ingresso dos novos membros nas suas comunidades. As pessoas não eram cristãs e nem vinham de famílias cristãs, por isso era necessário elaborar um processo através do qual os novos membros fossem sendo iniciados aos mistérios e à vida de fé da comunidade. Por isso, inspirando-se em antigas práticas adotadas por outras correntes religiosas, os primeiros cristãos elaboraram um processo de iniciação no sentido mais profundo e rico e que, já no século II recebeu o nome de catecumenato.

O Pe. Lima nos lembra que esse processo “Tinha como objetivo o aprofundamento da fé, como adesão a Jesus Cristo e a tudo o que ele revela; tudo isso como consequência do anúncio central do Evangelho, o kergima. Era o caminho ordinário para conduzir os adultos (e não crianças!) aos mistérios divinos, à plena conversão, à profissão de fé e à participação na comunidade; portanto o modelo daquilo que nós gostaríamos que fosse hoje a catequese.”

Naquela época havia uma grande sintonia entre catequese, liturgia e comunidade, por isso o catecumenato “era constituído de uma série de ensinamentos (catequese), um conjunto de práticas litúrgico-rituais (imposição das mãos, assinalações, exorcismos, entregas, etc.) e sobretudo um exercício (tirocínio) de vida cristã e prática evangélica. Todo o processo era feito no âmbito da comunidade que participava intensamente, sobretudo através do catequista ou instrutor, do padrinho, dos escrutínios e dos ministros (bispos e sacerdotes), tudo culminando numa única celebração dos mistérios cristãos fundamentais (batismo, crisma e eucaristia), durante a Vigília Pascal”.

Apesar de se difundir rapidamente por todas as Igrejas e ter atingido seu período áureo entre os séculos III e IV, o catecumenato começa a definhar e quase desaparece no século VI. Uma grande consequência, fácil de perceber nos dias de hoje, é que a catequese e a liturgia foram se distanciando e tomando rumos diferentes. Assim a catequese foi adquirindo cada vez mais características doutrinais e sendo orientada quase sempre às crianças.

Durante a Idade Média prevaleceu a cristandade e, apesar do total desconhecimento teórico e prático da iniciação cristã e do catecumenato, vivia-se o chamado catecumenato social onde a própria comunidade cristã, a cultura maciçamente católica e até a mesma sociedade realizavam o papel iniciação à fé.

Nos dias de hoje, vale destacar que vários documentos do Concílio Vaticano II (1962-1965) fazem referência à iniciação cristã e à recuperação do catecumenato na vida da Igreja. Por isso, na linha da reforma pós-conciliar dos livros litúrgicos, o “Ritual de Iniciação Cristã de Adultos” (RICA) se apresenta como um sério e profundo processo de preparação de adultos para os sacramentos da iniciação cristã, seguindo o modelo do catecumenato realizado nas primitivas comunidades cristãs.

Que fique bem claro para todos: o RICA é um livro litúrgico e não um manual catequético, mas deve integrar todo o processo catequético. De fato ele propõe um itinerário progressivo de evangelização, catequese e mistagogia, além de trazer reflexões teológicas, critérios pastorais e material litúrgico. Nele estão descritos os tempos e as etapas do catecumenato com seus ritos, orações e celebrações.

Pe. Lima cita ainda muitos outros documentos, textos, eventos e experiências que falam, incentivam ou mesmo vivenciam o estilo catecumenal de iniciação à vida cristã. Assim percebemos que a realidade desafiadora de hoje encontra uma proposta de ação evangelizadora justamente na não menos desafiadora realidade enfrentada pelos cristãos das primeiras comunidades cristãs.

Leia todo esse tema no livro “3ª Semana Brasileira de Catequese. Iniciação à Vida Cristã”, publicado pela “Edições CNBB”, nas páginas 57-114. Consulte o site www.edicoescnbb.com.br e veja como adquirir este livro.

Pe. Luís Gonzaga Bolinelli – Doutrinário

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Querido leitor, caso não tenha uma conta google escolha a opção anônimo e deixe seu nome no final do comentário.

Loading...

Cadastre seu email e receba nossas novidades:

Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética

MAPA DE VISITAS