quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ascensão do Senhor


O Senhor Jesus apareceu aos seus discípulos durante 40 dias. O Ressuscitado já havia prevenido a comunidade nas palavras dirigidas à Madalena sobre sua nova maneira de estar presente: “Não me toque [não me detenha]”. Ou seja, não é possível impedir que o Filho retorne ao Pai. Portanto, a ascensão é uma espécie de rito de passagem, marca a transição para uma nova forma de ser presente, até que Ele volte outra vez.

As aparições do ressuscitado tem um sentido pedagógico. Os 40 dias são importantes para que os discípulos compreendam o mistério que terá a sua culminância em Pentecostes. Porém, a ressurreição não é um retorno à vida terrena e sim a entrada em uma vida plena. O modo do Senhor estar presente será agora garantido pelo seu Espírito, seu destino é estar “à direita de Deus Pai”.

Havia certamente nos discípulos uma acomodação à presença mais visível. Talvez, por isso, houve uma estupefação diante de sua ascensão, de modo que eles ficaram olhando para o céu: “Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu?” O questionamento dos anjos é uma chamada de atenção aos discípulos que agora precisam ir e anunciar a boa nova até os confins do mundo, não podendo apenas ficar olhando para cima.

Hoje existem grandes desafios para o anúncio do evangelho. A Igreja é vista como uma sonegadora da liberdade, diante da dificuldade de responder às perguntas surgidas a partir da mudança de costumes e do avanço da ciência. Como a confrontação e a abertura são fardos pesados, alguns cristãos preferem ficar olhando para o Céu, numa postura reacionária e verticalista que reforça a espera de respostas prontas, vindas de cima ou do passado. É mais fácil esperar que Deus faça tudo e que nossa religião se resuma a algumas práticas rituais do que dialogar com o mundo sedento da Palavra de Deus.

A ascensão marca o tempo da Igreja e do início da missão: “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura”. A Igreja é, por fé, a continuadora da presença do Senhor no mundo. Esta graça é realizada pelos sacramentos, pela Palavra, pelas obras... Precisamos crer que o Senhor não foi embora, mas está aqui conosco. Ele não nos abandonou. Devemos alimentar a certeza de que o Espírito atua e deseja o Reino, portanto, não nos deixará órfãos, perdidos, desalentados... Sua presença é a garantia de que a Boa Nova de vida e salvação sempre será a atual, independente dos questionamentos e barreiras dos tempos. Por isso tudo, não podemos nos dar ao luxo de ficar olhando para o Céu, esperando passivamente o retorno do Senhor.

Há por fim, um aspecto positivo do olhar para o Céu, pois o Céu é também parte integrante de nossa vida de fé. Na verdade, temos saudade de Deus. Desejamos a plenitude inscrita em nós. A vida não é plena aqui, mas nos prepara para algo muito maior. A vida em plenitude é uma esperança, uma consciência de que fomos chamados “a herança dos santos”, como afirma São Paulo na segunda leitura. Por vezes, desejamos que esta plenitude aconteça aqui e agora, pois a cultura pós-moderna nos acostumou ao imediatismo e ao presente. É preciso que tenhamos consciência de que a vida eterna começa aqui, mas neste mundo não teremos a completude tão almejada. A ascensão de Jesus é a manifestação de nossa ida ao Céu e de nossa ressurreição. Que esta solenidade alimente nosso desejo de eternidade. Amém!


Pe Roberto Nentwig

2 comentários:

  1. è nisso que cremos.É o que precisamos para a nossa caminhada;a esperança de uma vida plena.

    Célia

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  2. è nisso que cremos.È a esperança que temos de uma vida plena, com o Sr Jesus.
    Célia

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