quinta-feira, 10 de maio de 2012

6º. Domingo do Tempo Pascal – B


“Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. Quem não ama, não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor” (1Jo 4,7-8). A segunda leitura e o Evangelho nos recomenda o amor. Não há outro elemento que melhor caracterize nossa religião: amar é o que dá sentido à fé. E o que é o amor? O amor está muito próximo de nós: está na mãe que cuida de seu filho pequeno, não permitindo que nada de mal lhe aconteça; está no heroísmo de um pai de família que sai de madrugada para garantir o sustento a sua família; está nos casais que se entregam verdadeiramente; está no testemunho de um professor de escola pública que faz o seu melhor porque acredita que seu empenho pode fazer a diferença na vida de crianças e jovens; o amor está na Igreja, no ardor dos catequistas, das agentes da Pastoral da Criança... Certamente estava muito presente em Teresa de Calcutá e em Helder Câmara. Graças a Deus, a história não é apenas construída por atos de desamor.

Isso tudo, porque Deus nos ama. Ele nos amou primeiro: “Deus enviou seu Filho ao mundo para que tenhamos vida por meio dele”. O Senhor nos ensina que amar é tomar a iniciativa, sair de si mesmo e promover a vida. Sempre que há iniciativas que vencem o egoísmo, gerando atitudes que geram a vida das pessoas, há amor. 

Foi o amor que movimentou a Igreja para ir em direção dos pagãos, quando Pedro foi até a casa de Cornélio para batizá-lo. Isso significava algo inovador na comunidade dos cristãos, pois logo após a Ressurreição e o Pentecostes, apenas os judeus receberam o batismo, enquanto que agora também um pagão é candidato a mesma graça. Inicialmente Cefas não queria dar o passo em direção aos não judeus, até mesmo foi censurado por Paulo por seu fechamento em relação aos pagãos. Se a Igreja não fosse perseguida, se estas questões não fossem discutidas, ainda o Cristianismo estaria em Jerusalém, fechada no gueto dos judeus. Estaria no fechamento do desamor.

Pedro foi até Cornélio e fez um grande discurso. Falou tanto que o Espírito Santo veio e “fez a sua parte” antes dele. Pedro tinha claras resistências para batizar um pagão. Quando vê que o Espírito se manifestou antes dele, afirmou que também este homem deveria ser batizado. Demorou entender que “Deus não faz distinção de pessoas”. Hoje, é muito comum constituirmos o grupo dos salvos, dos redimidos, dos santos, dos merecedores dos sacramentos. Esquecemos, como Pedro, de que somos seguidores do Mestre Jesus, que acolheu a todos: que curou a filha da Sírio Fenícia (estrangeira, pagã), que exaltou a fé do Centurião, que trouxe a água viva para a Samaritana de seis maridos, que comia com os publicanos e pecadores... O Senhor Jesus nos deixou um legado de abertura a todos, sem exclusões.

Todos têm acesso a graça de Deus. Depois da ressurreição, a Igreja tem uma missão: trazer o dom da participação do mistério pascal. Diferente de alguns cultos e filosofias antigas, que relegavam a salvação a um grupo de eleitos, o cristianismo é uma abertura da graça trazida por Jesus Cristo: todos têm acesso, pois a porta do Reino foi aberta.

Hoje também temos como no cristianismo primitivo, uma massa que não pertence a nossa Igreja, que não possui uma religião definida. Aproximadamente 10% dos batizados frequentem a Igreja. Muitos não veem às missas, não participam da comunidade, não leem a Bíblia e ignoram qualquer devoção. Há um grande grupo de evangélicos e de pessoas que praticam outra religião. Há quem os “demonize”. Mas, diante do mundo plural, nosso objetivo é ser sinal do Reino de Deus, o Reino vindouro, o Reino do amor, onde todos são irmãos e amigos do Senhor. Não estamos neste mundo para fazer proselitismo barato, a custa de encher nossas Igrejas ou aumentar o número dos inscritos no sistema do dízimo. Não atraímos pelos argumentos, mas “pela força da atração do amor”. Por isso, nossa maior tarefa é obedecer a voz do Senhor que nos convida a “permanecer no amor”. O mundo precisa de um áudio visual do amor de Deus. Nossa comunidade é este áudio visual? Somos testemunhas do amor ou de uma verdade impositiva e escravizante?

E se o Espírito chegou antes de Pedro, trazendo o dom enquanto o primeiro papa ficava no discurso, o mesmo pode estar ainda acontecendo. Enquanto ficamos em nossas divagações sobre a pastoral e as leis eclesiásticas, o Espírito continua se antecipando e chegando aos corações das pessoas de boa vontade: aos que trabalham pela justiça e no interior daqueles que amam mesmo não sendo declaradamente seguidores do Cristo ou de missa dominical. Continua o Espírito agindo, mesmo que por vezes encoberto diante do mistério da iniquidade. Continua agindo nas religiões, nas associações, nos grupos populares, na ciência, na vida de cada um que se abre por inspiração ao maior critério de salvação: “estava lá com fome, nu, prisioneiro e doente, e foste me visitar”. O Espírito está em toda parte; O Cristo em cada irmão; o Pai esperando que amemos e que o seu Reino venha. Vem, Senhor Jesus!

 Pe. Roberto Nentwig

Um comentário:

  1. gostei muito dessa reflexão, muito próxima da nossa realidade. parabéns pelo trabalho fique com Deus.

    ResponderExcluir

Querido leitor, caso não tenha uma conta google escolha a opção anônimo e deixe seu nome no final do comentário.

Loading...

Cadastre seu email e receba nossas novidades:

Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética

MAPA DE VISITAS