quinta-feira, 3 de maio de 2012

5º. Domingo da Páscoa – B


Um modo de interpretar a alegoria de Jesus no Evangelho é afirmar que a Videira é a comunidade, como nos diz o salmista: “arrancaste do Egisto esta videira, expulsastes as nações para plantá-la...” (Sl 79). Aqui o povo de Deus é comparado à videira. Assim, o primeiro modo de estarmos unidos a Cristo é vivermos na comunidade, pois lá acontece nosso encontro com o Senhor Ressuscitado. O cristianismo não é apenas uma experiência pessoal e intimista, de um Deus que se acolhe na individualidade; é sim a experiência de uma comunidade de irmãos e irmãs, que juntos caminham convocados pela Palavra de Deus. É o que percebemos na 1ª. Leitura: São Paulo se esforça para ser aceito e participar da comunidade; não basta para Paulo a experiência do caminho para Damasco sem a participação na comunidade de Jerusalém, da Cesaréia e de Tarso.

O Senhor permite que sejam realizadas algumas podas na comunidade. Se um ramo atrapalha mais do que ajuda, pode ser podado em benefício dos frutos que se deseja. Na lógica de Deus, não importa tanto a quantidade de ramos, mas sim a existência de ramos que realmente produzam frutos. Precisamos reconhecer que nossa Igreja está repleta de discursos, estruturas e pessoas, mas nem sempre isso é sinônimo de uma evangelização eficaz, ardorosa, conduzida pelo amor ao anúncio da Boa Nova de salvação. Os bispos em Aparecida nos convidam a tirar fora o que não favorece uma verdadeira evangelização.

Por outro lado, não podemos fazer o papel do agricultor que é o Pai. Só ele tem o poder e o direito de fazer as podas necessárias. Por vezes, queremos podar tudo, com os nossos critérios. Por vezes, desejamos interferir na comunidade do nosso modo, enquanto que o nosso papel é simplesmente procurar dar frutos, apesar das deficiências de alguns ramos. São Paulo, na 1ª. Leitura, não é bem aceito na comunidade. Pelos critérios humanos, o grande São Paulo não teria vez dentro da comunidade dos cristãos. Diante do fechamento da Igreja, Barnabé é sinal daquele que luta para que a comunidade não tenha preconceitos, mas seja aberta e acolhedora.

Só Deus pode podar. E em nossa vida, devemos estar abertos às podas. Deixar que deus vá tirando aquilo que não produz fruto, tornando-nos videiras mais firmes, mais vistosas.

Outra interpretação da alegoria toca o cultivo de nossa espiritualidade. Cada um de nós deve se manter-se unido a Cristo, zelando pelo diálogo aberto com o Senhor na oração, que gera a comunhão. É desta comunhão que se cria a “mística”, o motor que rege nossas ações e pauta nossos valores. Quando falta a intimidade com o Senhor, fica ausente a seiva que dá vida aos ramos. Consequentemente, os frutos desaparecem, ficando-se a mercê da poda. Por isso, se queremos fazer a diferença na sociedade, precisamos estar bem alicerçados. Não há outra seiva que será capaz de nos abastecer, somente aquela força que vem do coração da Trindade, o amor e a graça de Deus, doado pela Videira Verdadeira – Cristo Jesus. A missão dos ramos é dar frutos. São João nos alerta: Devemos viver e não só “ficar na conversa”. Os frutos devem ser visíveis. A 2ª. Leitura deixa claro que os frutos dependem do amor. 

Da Videira veio o vinho, o vinho se fez sangue. E o sangue partilhado nos anima para que tenhamos coragem de derramar a vida. A Eucaristia renova nossos ramos para que tenham novo vigor, pela força do Espírito.

Pe Roberto Nentwig

2 comentários:

  1. Como sempre, muito apropriadas as reflexões! Parabéns ao pe.Roberto e a ele nossa gratidão pela colaboração semanal.
    Pe. Vanildo

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  2. Elizabete Ap. Tiago Dias7 de maio de 2012 07:56

    Bom dia. Que bom poder receber palavras tão inspiradas como as suas pe. Roberto, rezo para que o Espirito Santo continue iluminando e conduzindo sua vida. Deus o abençõe.

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