quarta-feira, 30 de maio de 2012

Santíssima Trindade


A prática cristã proclama a existência de Deus, que se manifesta de forma trina, como Pai, Filho e Espírito Santo. Na visão de um padre dos primeiros séculos do cristianismo, Tertuliano, Deus é três em grau, não em condição; em forma, não em substância; em aspecto, não em poder. A Trindade de Deus é uma realidade com profundo apoio nos textos bíblicos.

No universo da existência, dizemos que Deus é o Criador de tudo e de todos. Ele fez com o povo uma Aliança, um pacto de compromisso, entendido como missão. Isto acontece afirmando a unidade de Deus, proclamando a não existência de outros deuses. Deus é um, e não único em relação à existência de outros deuses.

Ao criar o ser humano, Deus já se revela como comunidade, porque fez isto à sua imagem e semelhança. Ele cria a coletividade das pessoas como reflexo de sua existência. As criaturas humanas são chamadas a ser como Deus, como comunidade, no respeito às diferenças, que deve contribuir para a unidade.

Ao enviar os apóstolos em missão, Jesus revela a trindade de Deus mandando batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ao dizer: “Quem me vê, vê o Pai. Eu e o Pai somos um!” (Jo 14, 9-10), está afirmando que na Trindade Divina existe uma perfeita unidade.
Toda criatura humana é chamada a participar do mistério da trindade de Deus, nos dizeres do apóstolo Paulo: “todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8, 14). Com isto tornamo-nos filhos adotivos, herdeiros de Deus e impulsionados a viver na liberdade criativa da Trindade, comprometidos com a causa da unidade de todos.

Cabe a cada pessoa fazer sua inserção no dinamismo da Trindade, vendo nos diferentes uma força unificadora e criadora de um mundo novo. Isto acontece na experiência comunitária solidificada na solidariedade, no amor e na comunhão. Tudo deve criar em nós o desejo de construir uma sociedade justa, igualitária e à semelhança da Trindade.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Congresso Teológico: 20 Anos do Catecismo da Igreja Católica e Ano da Fé


“Ao serviço do crer e do evangelizar” (Bento XVI, Porta Fidei, 12).

Brasília-DF, 23 de maio de 2012
DF - Nº 0462/12

Senhores Bispos, Presbíteros e Diáconos,
Agentes de Pastoral,
Formadores nos Seminários, Professores e Estudantes,

Por meio da carta Porta Fidei, o Papa Bento XVI proclamou o Ano da Fé para o período de 11 de outubro de 2012 a 24 de novembro de 2013. Na data que marca o início do Ano da Fé, comemora-se 50 anos da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II e 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica. Nessa ocasião estará sendo realizada a 13ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, cujo tema é: A nova evangelização para a transmissão da fé cristã.

O Ano da Fé tem por objetivo intensificar a reflexão sobre a fé, sua celebração e testemunho, aumentando a alegria de crer e o compromisso de evangelizar (cf. PF, 9). “É precisamente nesta linha que o Ano da Fé deverá exprimir um esforço generalizado em prol da redescoberta e do estudo dos conteúdos fundamentais da fé, que têm no Catecismo da Igreja Católica a sua síntese sistemática e orgânica” (PF, 11).

Com o objetivo de prestar um serviço à Igreja no Brasil, em vista da vivência frutuosa do Ano da Fé, três Comissões Episcopais Pastorais da CNBB estão organizando conjuntamente um Congresso sobre os 20 anos do Catecismo da Igreja Católica e o Ano da Fé, que será realizado na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), em Curitiba, de 07 a 09 de setembro próximo.

Um grupo expressivo de teólogos e teólogas brasileiros assessorará o Congresso, cabendo um destaque especial para a participação de Dom Luis Francisco Ladaria, Arcebispo Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, que fará três conferências. O programa completo pode ser visto na página da CNBB: www.cnbb.org.br.

A participação é aberta a todos os interessados na temática. São especialmente convidados os agentes de pastoral ligados às três Comissões Episcopais Pastorais promotoras: para a Doutrina da Fé, para a Animação Bíblico-Catequética, para a Cultura e a Educação. Incentiva-se também a participação de bispos, presbíteros, diáconos, formadores nos seminários, seminaristas e estudantes de teologia.

As orientações práticas em vista da participação são as seguintes:

Inscrições: no site da CNBB, até o dia 19 de agosto de 2012. A inscrição gera um boleto que precisa ser pago dentro do prazo de 05 dias, enquanto isso, a inscrição permanece em fila de espera, sendo efetivada mediante o pagamento do boleto. Após o quinto dia, é necessário gerar novo boleto. Observação: No momento em que o número total de vagas for preenchido, as inscrições que estiverem na fila de espera serão automaticamente canceladas. 

Temas: nas três manhãs, as conferências serão realizadas em um auditório que funcionará como plenário do Congresso. Nas tardes dos dias 07 e 08, haverá quatro blocos temáticos, com duas conferências em cada um deles em cada tarde e tempo para intervenções e questionamentos. No ato da inscrição, cada participante precisa escolher de qual bloco temático deseja participar.

Hospedagem: a coordenação indica alguns hotéis com tarifas diferenciadas, com os quais estabeleceu convênio. Os links para contato com esses hotéis estarão disponíveis na mesma página da internet em que se faz a inscrição. O acerto é feito pelos participantes diretamente com o hotel escolhido.

Alimentação: para facilitar as atividades, foram feitos convênios com os restaurantes mais próximos à PUCPR para o almoço nos três dias do Congresso. Os custos da alimentação, porém, não estão incluídos na inscrição, devendo ser pagos pelos participantes diretamente aos restaurantes.

Investimento: a participação no evento terá o custo de R$ 100,00 reais.
Certificação: a PUCPR fornecerá certificado de extensão universitária aos que optarem por recebê-lo. Seu custo é de R$ 10,00, que é acrescentado automaticamente no boleto, ao ser selecionada a opção no ato de inscrição. Observações: pede-se muita atenção para o preenchimento correto do nome, pois constará no certificado do modo como for digitado pelo participante. Não é possível solicitar esse certificado depois de efetivada a inscrição.

Agradecemos a sua cordial atenção e pedimos um especial empenho na divulgação do Congresso, aguardando a oportunidade de encontrá-los durante sua realização, quando poderemos partilhar momentos importantes de convivência fraterna, reflexão, celebração.

Dom Sérgio da Rocha
Arcebispo de Brasília – DF
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé

Dom Jacinto Bergmann
Arcebispo de Pelotas – RS
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética

Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães 
Bispo Auxiliar de Belo Horizonte- MG
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral
para a Cultura e a Educação

Planejamento anual de Catequese Paroquial


"Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã."
Victor Hugo

Uma das características de pessoas que gostam de planejamento é a criatividade, mas também a de sonhador. Sonhar, acreditar, insistir, persistir...
Permitam-me partilhar o meu sonho para um Planejamento Anual de Catequese Paroquial, seguindo as etapas e características de um projeto.
(O que!) O início do projeto seria com uma Assembleia Paroquial de Catequese onde os catequistas colheriam as Declarações de Expectativas do público alvo.
(Quando!) Poderia programar o evento para o início do ano, ou seja, no recesso de janeiro.
(Quem!) Convidaríamos os pais dos candidatos aos sacramentos, os coordenadores de movimentos, pastorais e grupos, as crianças, jovens e adultos que receberam os sacramentos no ano anterior (representações) com seus pais, a secretária paroquial, o diácono e o pároco. Tudo isso faz parte de outro sonho, o da pastoral de conjunto ou pastoral orgânica.
(Como!) O evento poderia acontecer em um final de semana, ou em quatro noites durante a semana. No primeiro momento, seria apresentado pelo coordenador paroquial de catequese o relatório anual das atividades, destacando as dimensões catequéticas trabalhadas ao longo do ano, estatísticas com indicadores de quantos foram catequizados. Quantas pessoas, contando as famílias foram beneficiadas (eficiência), quantos catequizados se engajaram como militantes na Igreja (eficácia). Poderia apresentar, também, os fatos relevantes, apresentação dos catequistas, encontros realizados com pais, padrinhos, introdutores, formação de catequistas, reuniões com o pároco, encontros com a coordenação diocesana, provincial e regional.
(Que bom!) Ainda nesse primeiro momento, os grupos, exceto os catequistas, poderiam contribuir classificando apenas o que foi bom no ano catequético passado. Os catequistas presentes não deveriam discutir ou contestar as opiniões apresentadas. Dessa forma encerraria o primeiro momento da Assembleia.
(Que pena!) No segundo momento, as contribuições seriam para o que não deveria ter acontecido ou que deixou de acontecer. (Que tal!) Esse seria o momento da “Tempestade de ideias”, a hora de ouvir os sonhos, as expectativas de todos. Também nesse momento os catequistas não tentariam explicar ou justificar nada, concluindo a segunda etapa.
Já o terceiro momento, seria exclusivo para os catequistas com a assessoria do pároco, para trabalhar todo material colhido das expectativas e ideias de todos. A partir das contribuições, alinhados com as orientações da Igreja particular, seria elaborado o Projeto Catequético com metas e prioridades estabelecidas dentro da realidade paroquial.
O quarto e último momento seria a apresentação em plenário, da Programação Anual de Catequese, e a consolidação da agenda, contemplando as reuniões com os pais, padrinhos, introdutores, formação para os catequistas, apresentação dos movimentos e pastorais para os crismandos, reuniões trimestrais de avaliação do planejado com o pároco, e os momentos celebrativos da inscrição dos nomes, entrega do símbolo cristão, conforme o método catecumenal.
Eu acredito que dessa forma estaríamos desenvolvendo uma catequese voltada para os anseios da nossa Igreja, em parceria com as famílias, movimentos e pastorais de nossas comunidades. Ou seria apenas um sonho?
Atenção: no próximo texto, apresentarei uma sugestão de Planejamento Anual de Catequese para: 1ª comunhão Eucarística para crianças. Até lá!

“Deus não nos exige que tenhamos sucesso; ele só exige que você tente. ”
Madre Teresa de Calcutá

Sds,
Luiz Carlos Ramos – Catequista – Bacharel em Teologia 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Formação de Catequistas 1


“O fruto da evangelização e catequese é o fazer discípulos: acolher a Palavra, aceitar Deus na própria vida, como dom da fé” (DNC, 34).

O seguidor de Jesus Cristo tem consciência de que anunciar o Evangelho é de vital importância para tornar conhecida a Boa Nova do Reino de Deus. O catequista, educador da fé, tem a oportunidade e o dever de aprofundar a catequese na missão evangelizadora da Igreja, primando pela sua formação.

Nossa catequese hoje é vista sob o olhar do dinamismo evangelizador da Igreja, tendo presente a conferência de Aparecida e antevendo desde já o próximo sínodo, que acontecerá em outubro e convida a Igreja a refletir sobre o problema da transmissão da fé hoje. Também as Diretrizes Gerais da CNBB (2011-2015) e todo o trabalho missionário realizado na Igreja do Brasil. Neste sentido, necessitamos com urgência fazer com que a nossa catequese seja sempre mais missionária e preocupada com a formação dos seus discípulos.

A realidade das pessoas é marcada por grandes interrogações e sempre procuramos o sentido da vida. Muitas perguntas existenciais que ouvimos no quotidiano são um ponto de partida a ser levado em conta por aqueles que trabalham na animação bíblica e na catequese. A busca de Deus na história da humanidade se enraíza nas perguntas que as pessoas fazem quando se inquietam sobre a vida, o mundo (DAp, 37). A fé cristã nos faz reconhecer um propósito na existência: não somos frutos do acaso, fazemos parte de uma história que se desenrola sob o olhar amoroso de Deus Salvador.

Há vários meios pelos quais Deus continua hoje a se manifestar às pessoas; a catequese é um ambiente propício para este encontro. A Catequese atualiza a revelação acontecida no passado. O catequista experimenta a Palavra de Deus em sua boca, na medida em que, servindo-se da Sagrada Escritura e dos ensinamentos da Igreja, vivendo e testemunhando sua fé dentro da comunidade, transmite para seus irmãos esta profunda experiência de Deus.

O catequista é um discípulo missionário, pois faz ecoar a Palavra de Deus na comunidade, tornando-a compreensível. Ao mesmo tempo procura testemunhar o que ele mesmo anuncia.
Toda a ação da Igreja é evangelizadora: tudo o que a Igreja é e faz anuncia Jesus ao mundo. A catequese coloca-se numa perspectiva evangelizadora, mostrando um grande amor pelo anúncio e testemunho do Evangelho.

A Igreja “existe para evangelizar”, isto é, para anunciar a Boa Notícia do Reino, proclamado e realizado em Jesus Cristo (cf. EN 14): é sua graça e vocação própria. O centro do primeiro anúncio é a pessoa de Jesus, proclamando o Reino como uma nova e definitiva intervenção de Deus que salva com um poder superior àquele que utilizou na criação do mundo. Esta salvação “é o grande dom de Deus, libertação de tudo aquilo que oprime a pessoa humana, sobretudo do pecado e do Maligno, na alegria de conhecer a Deus e ser por Ele conhecido, de O ver e se entregar a Ele” (EN 9).

Sendo o anúncio de Jesus Cristo o primeiro momento da ação evangelizadora, a catequese é o seu segundo e importante momento, dando-lhe continuidade. Sua finalidade é aprofundar e amadurecer a fé, educando o convertido e incorporando-o à comunidade cristã. A catequese sempre supõe a evangelização. Por sua vez, à catequese segue-se o terceiro momento: a ação pastoral para os fiéis já iniciados à fé, no seio da comunidade cristã (cf. DGC 49) através da formação continuada ou permanente.  

Contudo, toda catequese e ação evangelizadora devem estar impregnadas do ardor missionário, visando à adesão sempre mais plena a Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida. Toda atividade eclesial, de modo especial a catequese, deve traduzir a paixão e a mística missionária que animavam os primeiros cristãos. A catequese exige conversão interior e contínuo retorno ao núcleo do Evangelho, ou seja, ao mistério de Jesus Cristo em sua Páscoa, vivida e celebrada continuamente na Liturgia. Sem isso, ela deixa de produzir os frutos desejados. Toda e qualquer ação da Igreja deve incluir a retomada sempre mais profunda e abrangente do encontro e seguimento de Jesus Cristo (cf. DAp, 29) e o compromisso com o seu projeto missionário.

As novas Diretrizes Gerais (2011-2015) afirmam que “o estado permanente de missão só é possível a partir de uma efetiva iniciação à vida cristã” (DGAE, 39). Por isso, nos últimos anos, tem-se insistido na iniciação à vida cristã, procurando de fato favorecer no catequizando um verdadeiro encontro pessoal com Jesus Cristo. Em nossa formação continuada de catequistas, não podemos esquecer a urgência de uma verdadeira iniciação cristã em nossas comunidades.

Pe Jânison de Sá Santos - Doutor em Sagrada Teologia, com ênfase em Catequese e Pastoral Juvenil e membro do Grupo de Reflexão Bíblico-Catequética (GREBICAT) CNBB. 



Os tempos são outros...


Existem em alguns lugares do Brasil, iniciativas lindas, experiências riquíssimas no processo de Iniciação à Vida Cristã, usando do método catecumenal. O interessante  é que  cada um vai descobrindo a melhor maneira de se colocar em prática, adequando à sua realidade. Todos, porém, com o mesmo objetivo: FORMAR CRISTÃOS.
 
Portanto, o que  partilho aqui,  não são regras, normas, mas,  luzes! E a luz ilumina o caminho, mas não é o caminho. Mesmo porque, no processo catecumenal, não existe um caminho pronto, mas, pistas. De posse dessas pistas, luzes, começamos nosso itinerário, sujeito a erros, tropeços. O importante é ter a coragem e ousadia de dar o pontapé inicial.

A nossa catequese sempre caminhou e não podemos dizer que a maneira com que fazíamos era errada. Todos nós devemos avaliar essa caminhada, tirando dela coisas positivas, o que não podemos é parar no tempo, pois tudo evolui.

A catequese que fazíamos a  20, 15 anos atrás,  com algumas exceções, não acontecia o contato direto com as famílias. Era comum chegar no dia da Primeira Comunhão, ter pai/mãe que não conhecia o catequista e vice-versa. Tínhamos em mente que nossa missão era unicamente com os catequizandos. Enchíamos a lousa de “conteúdos”, as cadeiras colocadas em fila indiana, o catequista de pé, atrás de uma mesa. Fazíamos “avaliações”, chamada oral de orações e até colocávamos de castigo os “danadinhos”. Agíamos como  professora e muitas vezes, daquela, tipo “sargento”
 
Não tínhamos essa visão de que a catequese não é para se receber sacramentos. Eu, particularmente, tinha plena certeza de que essa era a meta da catequese. Como “catequista de Primeira Eucaristia”, achava que minha missão acabava com a celebração da Primeira Comunhão. Não estava preocupada  com uma catequese continuada, mesmo existindo a catequese de perseverança, muitos se perdiam pelo caminho, ficando só na Eucaristia. Não fazíamos essa ligação dos sacramentos de iniciação: Batismo, Eucaristia, Crisma (essa é a ordem que usamos hoje). Aliás, o termo  “Catequese de iniciação” se referia àqueles que se inscreveram para a catequese de “Eucaristia”. Assim, automaticamente reforçávamos que a catequese era pra se receber a Primeira Eucaristia.

Não sabíamos também que para uma pessoa ser considerada INICIADA NA FÉ,  era preciso muito mais que fazer uma “coleção” dos três sacramentos. (A propósito quando é que uma pessoa pode ser considerada iniciada na fé?)

Enfim, não tínhamos também em nossas mãos esse valioso meio de comunicação, a internet para nos orientar, ajudando em nossa formação.

Olhando pra trás, podemos entender aquela  frase: “Os tempos não são melhores, nem piores, os tempos são outros

Nos tempos atuais, temos uma proposta de catequese que leve o catequizando, o catecúmeno a fazer a opção por Jesus, depois de tê-lo conhecido. Esse Cristo  morto, ressuscitado, presente. Uma catequese casada com a liturgia, com ritos ricos em significados. Uma catequese onde o catequista  não dá “aulas”, mas é um instrumento que facilita o encontro dos seus catequizandos com o mistério divino, mistagógica, vivencial. Nossa meta é formar cristãos convictos e comprometidos com a causa do Reino.

Lendo isso, muitos podem pensar: “ Estamos  muito longe de ter em nossa paróquia essa catequese!”  O objetivo do blog, além de formações, espiritualidade, orientações, partilha, informações daquilo que a Igreja nos propõe, queremos motivar. Motivação nada mais é do que, dar motivos. Por exemplo: os tempos são outros, nem melhores, nem piores, mas  outros.

Desde o ANC (Ano Nacional de Catequese),em 2009,  o que mudou em sua paróquia?

Em sua paróquia, diocese, foi oferecido alguma formação sobre Iniciação à Vida Cristã, querigma,  o RICA , a Catequese em estilo catecumenal?

Qual a data onde são celebrados os sacramentos de Iniciação? No final do ano ou na Páscoa?

Os catequistas têm em mente que na catequese não existem: professores, alunos, aula?

Os pais,  foram conscientizados da importância de uma catequese continuada e sem quebras, e que seu filho(a) não está ali para receber esse ou aquele sacramento, mas para se tornar um cristão maduro e adulto na fé?

Existe um trabalho organizado para se trabalhar/evangelizar os pais?

Existe na sua paróquia uma estrutura para acolher aqueles que acabaram de fazer a Primeira Eucaristia?

Toda caminhada, mesmo a mais longa, começa pelo primeiro passo. Quando alguém partilha comigo suas conquistas, fico muito feliz.

“Li sobre a experiência de visitas nas famílias, achei interessante, passei à coordenadora da catequese e decidimos que iríamos pegar o nome e telefone das crianças e que faríamos as visitas nas casas. Mas, chegando  lá, o que falar, como vou abordar as famílias?”

“Uma coisa conseguimos: mudar o calendário de nossa catequese para celebrar a 1ª Eucaristia durante a Páscoa”

Avante exército de Deus! Podemos muito, basta acreditarmos! Quem acredita, muda o que faz!

Imaculada Cintra

sábado, 26 de maio de 2012

Leitura Orante para o dia de Pentecostes

Leitura Orante: Um exercício 
                         
                                                       Atos 2,1-12


  1Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam reunidos no mesmo lugar. 2De repente, veio do céu um ruído como de um vento forte que encheu toda a casa em que se encontravam.  3Então apareceram línguas como de fogo que se repartiam e pousaram sobre cada um deles.  4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme  o Espírito lhes concedia expressar-se.
  5Residiam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações que há debaixo do céu. 6Quando ouviram o ruído, reuniu-se a multidão e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua.  7Cheios de espanto e de  admiração, diziam: “Esse homens que estão falando não são todos galileus? 8Como é que nós os escutamos na nossa língua de origem?  9Nós, que somos partas, da medos, e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia,  10da Frígia, da Panfília, do Egito e da parte Líbia próxima de Cirene, e os romanos aqui residentes, judeus e prosélitos,cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciando as maravilhas de Deus em nossa própria língua! 
  12Todos estavam pasmados e perplexos, e diziam uns aos outros: “Que significa isso?” 


 1º passo: LEITURA

O que o texto diz? O que não diz abertamente? Quais as palavras que estão repetidas? Quem são os personagens e qual a reação deles? O que fazem e o que sentem?   

Algumas dicas para ler profundamente o texto
Neste Domingo, com toda a Igreja, celebramos a Festa de Pentecostes. Com esta celebração encerra-se o Tempo Pascal. O envio do Espírito Santo sobre os seguidores de Jesus encerra este tempo rico e abre espaço para a ação do Espírito na comunidade, na Igreja.
Podemos distinguir duas partes em At 2,1-12
Versículos 1-4: a vinda do Espírito Santo sobre os seguidores de Jesus.
Versículos 5-12: a reação dos presentes ante a vinda do Espírito Santo sobre os seguidores de Jesus.

Na primeira parte (2,1-4) descreve-se como o Espírito Santo desce sobre os discípulos. Eles, como todos os judeus, estão em Jerusalém celebrando a festa judaica das Semanas ou também chamada Festa das Primícias ou Pentecostes que é uma das grandes festas do povo judeu. Era a festa dos agricultores, celebrada sete semanas após o início da colheita. Os judeus celebravam a ação de graças pelas primícias das colheitas; na época de Jesus, além disso, davam-se graças pelo dom da Lei e da Aliança do Sinai. A festa era celebrada somente no Templo de Jerusalém, com duração aparente de apenas um dia. No entanto, dela participava muita gente, inclusive vinda de muito longe. Esta festa era celebrada cinquenta dias depois Páscoa. A Páscoa era a festa dos pastores.

Com o tempo, a festa da Páscoa foi associada a um grande acontecimento da história do povo de Israel: passou a lembrar a saída da escravidão do Egito (Dt 16,1-8). E a festa de Pentecostes, tornou-se a festa da renovação da Aliança de Deus com o povo (Dt 16,9-12). 
E é aí, durante a festa de Pentecostes que os discípulos recebem o Espírito Santo. A forma visível de manifestação deste Espírito é variada. Por um lado, o ruído forte que vem do céu, como tormenta que ressoa em todo o ambiente; literalmente, fala-se de um “vento forte” ou de um “vento em forma de rajadas fortes”. Por outro lado, aparecem chamas de fogo que se detêm sobre cada um deles.

Na segunda parte do relato (2,5-12), descreve-se a reação dos que estão presentes na festa, o que, afinal, manifesta outra das ações do Espírito nos seguidores de Jesus. Falam línguas distintas. Apesar de serem todos da região da Galileia, os peregrinos judeus que vieram para a festa, escutam os discípulos falar das maravilhas de Deus no idioma de cada um. O texto nomeia 12 povos e três regiões diferentes, fazendo a  observação de que alguns são judeus de nascimento e outros se “converteram” depois. O Espírito permite que os discípulos comuniquem e deem a conhecer as maravilhas de Deus a todos através da “língua” de cada um, para que cada um possa compreender com clareza a mensagem de Deus. 

Perguntas para ajudar na leitura do texto

Que festa os judeus estão celebrando? 
O que comemoravam nesta de Pentecostes?
Onde se encontram os seguidores de Jesus?
O que se ouve? De onde vem? O que significa?
Que outra manifestação do Espírito se dá neste relato?
Do que enche o Espírito Santo os seguidores de Jesus?
Como os discípulos começam a falar ?
Quem lhes indica o que devem falar?
Quem estava em Jerusalém durante aquela festa? Por que estavam em Jerusalém?
Que fazem quando escutam o ruído na sala? Como reagem? Por que se admiram? O que dizem uns aos outros?
De onde provinham os que estavam admirados?
Quantos lugares são mencionados?
Que religião professam aqueles que vieram de lugares tão distantes?
Qual é o conteúdo do que dizem os discípulos do Senhor e que eles podem compreender em seu próprio idioma?



2º passo: MEDITAÇÃO

O que Deus fala para mim/para nós? Qual versículo me chamou mais a atenção? Qual apelo que Deus me faz? O que devo fazer? Esse texto me sugere alguma mudança de vida?    

Reúno-me com outros seguidores de Jesus para celebrar as principais festas de minha fé?
Como percebo, hoje, a ação do Espírito Santo em minha vida, na vida de meus irmãos, na vida da Igreja?
Como se manifesta o “vento forte” do Espírito Santo?
Sou dócil ao Espírito Santo para falar o que ele me indica?
Deixo-me surpreender pela ação do Espírito que atua na vida de outros irmãos?
Admira-me a ação do Espírito que sopra quando quer e como quer?
Deixo que a ação do Espírito me ensine a falar no “idioma”/linguagem das pessoas de nosso tempo e de nossa cultura, para que possam compreender a mensagem de Deus?
Animo-me a contar e a cantar as maravilhas de Deus a todos os meus irmãos? Ou sou “tímido” e retraído na hora de manifestar minha fé?



3º passo: ORAÇÃO

O que o texto me faz/nos faz dizer a Deus?

É hora de falar a Deus.
O que a festa de hoje me faz dizer a Deus?  Louve ao Senhor pelos dons que o Espírito Santo lhe concedeu, pela inspiração que te dá ao preparar e realizar seus encontros de catequese, de liturgia, etc. Ou suplique o Espírito Santo para situações em sua vida, na vida de sua família e de sua comunidade que você achar necessário. 
Para finalizar este momento poderá rezar:

Espírito de Deus, enviai dos céus um raio de luz! 
Vinde, Pai dos pobres, daí aços corações vossos sete dons.
Consolo que acalma, hóspede da alma, doce alívio, vem!
No labor descanso, na aflição remanso, no calor aragem!
Enchei, luz bendita, chama que crepita, o íntimo de nós!
Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele!
Ao sujo lavai, ao seco regai, curai o doente!
Dobrai o que é duro, guiai no escuro, o frio aquece!
Daí à vossa Igreja, que espera e deseja, vossos sete dons! 
Daí em prêmio ao forte uma santa morte, alegria eterna. Amém!


 4º passo: CONTEMPLAÇÃO/AÇÃO
Como esse  texto ilumina o meu/nosso agir?  
Reflita, em silêncio, sobre o lugar que Espírito Santo ocupa em sua espiritualidade pessoal.
Assuma um compromisso pessoal...como resposta ao texto lido, meditado e orado. 





Dicas: Se fizer a leitura orante com um grupo, prepare bem o local com a Bíblia aberta, uma tocha ou vela acesa ou uma menorá (candelabro) onde colocará as sete velas; também poderá  escrever em tiras de papel (formato de línguas)  os sete dons... e outros símbolos que podem ajudar a interiorizar e rezar melhor! 


Maria Cecília Rover
Assessora da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética - CNBB

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Pentecostes


Festa da comunicação, da presença do Comunicador de Deus, presente no Espírito Santo. Com Ele, a Palavra de Deus tem dimensão globalizada. Palavra que atinge o mundo com força transformadora, provocando mudanças de atitudes. É como o caminho virtual da nova comunicação, passando pelas fibras óticas, chegando instantaneamente nos quatro cantos do mundo.

Pentecostes tem dimensão de solidariedade, cultura de paz, aglutinador, reunindo nele todos os povos para vivenciar a Páscoa do Filho de Deus. Aí está a fonte da salvação e da vida plena para todos. É a plenitude da comunicação do divino com o humano, possibilitando vida mais digna, fraterna e feliz.

Em Pentecostes se celebra a vinda do Espírito Santo, fato este narrado pela bíblia, quase como uma releitura do acontecido no Monte Sinai, quando Moisés recebe de Deus as Tábuas da Lei. Agora é um novo Sinai que acontece, é Deus vindo comunicar-se com seu povo para confirmá-lo na missão.

Falamos aqui sobre o início da ação da Igreja como evangelizadora e instrumento de vida para os que creem. Para isto ela usa a linguagem da comunicação apresentando as propostas do Reino de Deus. A presença do Espírito Santo é a força inspiradora dessa linguagem que atinge os corações.

A paz, o shalom em hebraico, tem o sentido de completar o valor justo, o vazio deixado pelo objeto tirado. Assim entendemos que ela, trazida pelo Espírito Santo, é a eterna harmonia com Deus, com as pessoas e com o universo. Isto deve ser o sonho de todas as pessoas que têm a marca da esperança de um mundo melhor.

Deus, em nossa vida, é a presença da paz e da esperança. Toda comunidade pascal é portadora de paz, sinal da ação do Espírito que faz passar da morte para a vida todo o universo. É uma mensagem que deve combater as forças do mal que fragilizam a dignidade humana. Para isto, o Espírito Santo vem ser a marca unificadora da diversidade na unidade, abrindo portas de vida nova para o mundo.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

Solenidade de Pentecostes


Nossa fé é Trinitária: cremos em um Deus em Três Pessoas, como celebraremos no próximo domingo na Solenidade da Santíssima Trindade. Os judeus têm Javé, os muçulmanos têm Alá. É como tivessem apenas Deus Pai – um Deus monolítico. As religiões têm mestres: Buda, Krishna... Nós temos a originalidade da Trindade, pois além do Pai, temos um Mestre que é o próprio Deus encarnado – Jesus Cristo. Temos, por fim, o Espírito Santo que atua na história e em nossas vidas, é Deus mesmo habitando os nossos corações.

Mas o Espírito Santo é ainda muito desconhecido e não devidamente nomeado. A piedade popular conserva a famosa Festa do Divino, representando o Espírito Santo como uma pomba branca. Mas, dificilmente nomeia a terceira pessoa da Trindade como “Espírito Santo”. O seu nome parece muitas vezes ausente e desconhecido. Ainda temos dificuldade para atribuirmos ao Espírito as suas ações. Quem faz as coisas, no dizer do povo, é Jesus, ou Deus, o Santo de devoção... Sua presença é mais enfatizada nos movimentos pentecostais, quando se fala de sua ação extraordinária: curas, milagres, êxtases... Ainda é necessária uma catequese mais profunda sobre o Espírito Santo, para que tenhamos consciência de que Ele age e está presente, como reconheceu a Igreja Primitiva depois de Pentecostes.

Hoje, no Evangelho, o Ressuscitado sopra o Espírito. O AT usa o termo Ruah para revelar o que o NT revela como uma pessoa divina: significa sopro, respiração, ar, vento. O Espírito, portanto, é o hálito de Deus, o sopro divino que nos move. Como o vento tem o seu dinamismo, como o ar nos faz viver, assim é o Espírito de Deus.

Quando paramos de respirar, depois de um breve período de tempo, sentimos o desconforto. Sem o ar, não temos vida. Do mesmo modo, sem o Espírito nada vive. Quando vemos um cadáver, vemos um corpo sem o sopro divino que o animava. Por outro lado, basta voltar os olhos para qualquer pessoa viva e veremos nela o ânimo do Espírito de Deus. Mesmo uma pessoa que faz maldades como um psicopata. Se ele vive, de algum modo lá existe um sopro de Deus, um sopro do amor que lhe dá a sua dignidade.

Somos muito acostumados a perceber a maldade do mundo. Deveríamos treinar o nosso olhar para perceber o sopro de Deus que age no mundo. Quando a Boa Nova é proclamada, quando celebramos os sacramentos, no casal que demonstra afeto, no sorriso de uma criança, nos sonhos que nos movem, em todos estes gestos de bondade está o Espírito de Deus. Quando há amor, lá está o Espírito Santo agindo. Se houve e há pessoas como uma Zilda Arns, uma Ir. Dulce e uma Madre Teresa é porque o Espírito continua agindo para que o amor aconteça. Graças ao Espírito, a nossa história não é apenas explicada pelo mistério da iniquidade. É também explicada por gestos de doação pelos pobres e doentes, é explicada por heroísmos que acontecem dentro dos lares, e por pessoas que consagram a sua vida para fazer o bem.

Quando Jesus sopra sobre os discípulos o seu Ruah, significa que eles são novas criaturas, surgindo uma nova criação: agora agimos não por nós mesmo, mas pelo sopro de Deus. Jesus quer que sua obra continue pela Igreja, e até mesmo fora dela. Ele deseja que seu Ruah sopre com muita força. Por isso, espera de cada um de nós uma abertura grande de coração, para que exista espaço para este vento agir.

Uma importante graça oferecida em Pentecostes é a unidade. A diversidade dos povos que se entendem nos Atos dos Apóstolos é sinal da unidade perdida em Babel, quando ninguém se comunicava, pois falavam línguas diversas. Animada pelo Espírito Santo, a Igreja congrega uma diversidade que fala a mesma língua – a língua do amor. É uma pena que presenciemos tanta confusão e desunião. Por vezes, em nossas comunidades, cada pessoa e pastoral falam uma língua diferente. O desejo do Espírito é a unidade. Quando esta não existe, falta o Espírito. O Espírito Santo congrega todos os povos, traz a consciência da universalidade da Igreja que não está restrita a nenhum povo ou cultura, pois o Espírito é uma oferta para todos os povos e raças, agindo também nas várias religiões. Que, por Ele, tenhamos o coração aberto para reconhecer sua presença e construamos Nele a unidade maculada pelo pecado.

Pe Roberto Nentwig

terça-feira, 22 de maio de 2012

O querigma precede a catequese

"O querigma é uma lacuna grave na Igreja: lacuna mental porque não se tem idéia clara sobre ele, e lacuna prática porque não se cumpre de forma sistemática, completa e a todos, como oferta ordinária das paróquias". (Pe Alfonso Navarro MSpSC - introdução caderno de estudo-exortação apostólica CATECHESI TRADENDAE - outubro de 1979).

Ainda hoje  o querigma continua sendo  uma lacuna em nossa Igreja. Sabemos através dos documentos e o de Aparecida é bem claro no número 289, quando diz: “sentimos a urgência de desenvolver em nossas comunidades um processo de Iniciação Cristã que comece pelo querigma e que, guiado pela Palavra de Deus, conduza a um encontro pessoal, cada vez maior, com Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito homem, experimentado como plenitude da humanidade e que leve à conversão, ao seguimento em uma comunidade eclesial e a um amadurecimento de fé na prática dos sacramentos, do serviço e da missão.”
Antes, no número 278 diz: “O querigma não é somente uma etapa, mas o fio condutor de um processo que culmina na maturidade do discípulo de Jesus Cristo. Sem o querigma, os demais aspectos desse processo estão condenados a esterilidade, sem corações verdadeiramente convertidos ao Senhor. Só a partir do querigma acontece a probalidade de uma iniciação cristã verdadeira. Por isso, a Igreja precisa tê-lo presente em todas as suas ações”

O autor do livro  ‘Evangelizar os Batizados’, José Prado Flores,  diz que: “Querigma deve preceder a catequese. Que  o querigma é o primeiro anuncio de Jesus e que a catequese é o ensino progressivo da fé. Se o querigma é a forte badalada do sino, a catequese é o eco da badalada. A catequese prolonga o anúncio querigmático. A catequese, para produzir fruto abundante que permaneça, deve estar em seu lugar: SEMPRE DEPOIS DO ANÚNCIO QUERIGMÁTICO.”

Na teoria, acho que isso já está claro pra nós. Mas, na prática, como abordar uma pessoa, como  anunciar Jesus? Seria ótimo se os catequistas fossem capacitados para “anunciar”, que aprendessem numa “escola para evangelizadores” os passos do querigma e em seguida praticassem através das visitas.

Abaixo, deixo umas pinceladas dos passos do querigma. Lembrando que  usei a apostila da escola de evangelizadores da Capelinha (minha paróquia) para fazer esse resumo dos passos do querigma.

PASSOS DO QUERIGMA

I - O AMOR DE DEUS

Deus te ama muito. Não importa o que tenha sido ou seja no presente: seus pecados, vícios ou defeitos. Te ama com suas qualidades e defeitos. Mesmo todo fracasso, problema e até pecado em sua vida são agora uma oportunidade para que você experimente seu amor, que é sempre fiel. Te ama não porque você é bom, mas porque Ele é bom. Não pelo você faz, mas pelo que você é: FILHO DELE.

ELE TE AMA INCONDICIONALMENTE, PORQUE É AMOR.

Ama a pessoa do pecador e odeia o pecado nele. (Nós odiamos o pecador com pecado e tudo, somos cheios de colocar imposições para amar).

“Os montes podem mudar de lugar, e as coisas podem abalar-se, mas o meu amor não mudará” (Is 54,10)

Objetivo desse passo: Que cada um experimente o amor pessoal e incondicional de Deus que é nosso Pai.

II - O PECADO

O que impede que em nosso mundo, se manifeste o amor de Deus e se realize seu plano de felicidade, paz e união, chama-se PECADO. Ele é a causa de todos os males. O pecado é esse impedimento que não nos permite experimentar o amor de Deus. Um passarinho não pode voar, se está atacado por uma corrente de aço ou por um delgado fio. Nós sabemos quem nos acorrenta. Assim, nós precisamos de alguém que desamarre o laço do pecado. Esse alguém é Jesus. O único pecado que não pode ser perdoado é o que não o reconhecemos. (Normalmente quando falamos do amor de Deus para as pessoas, automaticamente ela se reconhece pecador. “ Deus me ama tanto, eu não tenho feito isso, aquilo...”  No momento em que ele se reconhece pecador,  não vamos passar a mão na cabeça, mas vamos falar sobre aquele que nos liberta de todo pecado. O próprio visitado nos conduz ao terceiro passo do querigma: A SALVAÇÃO EM JESUS.)

Objetivo: Cada um deve ser convencido (não acusado) do pecado, de que é necessário da salvação. Dar-se conta de que nenhum homem pode tirar o pecado, que é causa de todos os males.

III – SALVAÇÃO EM JESUS

Deus nos ama, mas o pecado nos impede de experimentar esse amor. O amor, por si só não pode salvar. Quando não havia qualquer esperança de solução para o problema mais grave do homem, então brilhou uma luz nas trevas. Deus cumpriu sua promessa de salvação.

“Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho único, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele” (Jo 3,16-17)

Nenhuma condenação pesa sobre nós. Nossos pecados foram perdoados graças ao sangue de Cristo, que o pediu a seu pai quando estava pendurado na Cruz. “Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem”.

Portanto, podemos nos aproximar de Deus, pelos méritos de Cristo. Deus não só perdoa, como esquece, perdoa para sempre. Quer dizer, não se recorda nunca mais de nossos pecados perdoados. Contamos com a força de Deus para vencer o pecado, e este perdeu já todo o seu poder de influência sobre nós.

Objetivo: Apresentar Jesus morto, ressuscitado e glorificado como única solução para o mundo e cada indivíduo. Proclamar que já fomos salvos pelo seu sangue.

IV – FÉ E CONVERSÃO

Se Jesus já nos salvou, porque então não experimentamos todos os frutos da salvação em nossa vida e em nosso mundo. O que nos falta, é aceitarmos e recebermos o que Jesus já conquistou para nós.

“Que devemos fazer para viver a vida de Jesus?” perguntou aquela multidão a Pedro na gloriosa manhã de Pentecostes. Toda aquela gente havia dado conta de que os apóstolos, juntamente com Maria, viviam a vida humana de tal forma que entusiasmavam os outros a querer viver também do mesmo modo. A resposta de Pedro foi simples: Creiam em Jesus, convertam-se de seus pecados, e então poderão viver a vida do filho de Deus ressuscitado. Fé e conversão constituem a única coisa de que nós necessitamos para viver a vida de Deus trazida por Jesus.

Quando cremos em Jesus, de verdade, nós subimos á cruz com Ele, morrendo a tudo aquilo que não nos deixa viver. Esse tipo de fé nos permite ver o invisível e esperar toda a esperança, já que tudo é possível ao que crê.

A mais concreta forma como se manifesta a fé é mediante a conversão.

Objetivo: Ter um encontro pessoal com Jesus Salvador pela fé e pela conversão.

V – O ESPÍRITO SANTO DE DEUS

Não muitos dias depois de sua ressurreição, Jesus, cheio do Espírito Santo, cumpriu sua promessa: enviou do céu a torrente do Espírito sobre seus discípulos que estavam em oração com sua Mãe Maria. O Espírito Santo lhes revelou quem era Jesus e lhes mostrou a verdadeira dimensão salvífica para  qual o Pai O havia enviado, ensinou-lhes o profundo significado das palavras do Mestre. A efusão do Espírito mudou seus corações de pedra em corações de carne; deu-lhes o mesmo coração de Jesus. Começaram a ter o mesmo sentimentos, interesses e critérios de Cristo. Desde então, Cristo vivia neles pela presença do seu Espírito.

A promessa do Espírito Santo é para todos. Cada um recebe de acordo com sua possibilidade e capacidade de recepção. Quanto mais aberto e necessitado se esteja, mais se receberá.

Objetivo: Apresentar o Espírito Santo que, ao mudar nosso coração, nos capacita para viver a Vida Nova e convencer-nos de que a experiência de Pentecostes é oferecida também a cada um de nós hoje.

VI – A COMUNIDADE
A nova vida trazida por Jesus Cristo não pode ser vivida à margem dos demais. Tem de ser partilhada com os outros irmãos na fé aberta a todo homem. Por essa razão, a comunidade cristã não é opcional para o cristão, mas sim, a única maneira de se ser cristão completamente.

A comunidade não é uma estrutura, mas um ambiente de fé onde se faz efetiva e palpável a salvação de Jesus. Não consiste necessariamente em viver juntos, mas, sim, em viver unidos pelo vínculo do amor e por um objetivo comum: viver o Evangelho. Não está composta de santos e perfeitos, mas de pessoas que estão decididas a seguir em frente no seu processo de conversão.

Objetivo: Mostrar que só em comunidade poderemos crescer e perseverar na vida do Espírito.

Trocando em miúdos, o querigma é essa concatenação dos  seguintes passos, que não precisa ser necessariamente ser nessa ordem. Muitas vezes, o evangelizando conduz o evangelizador. Eu sempre gosto de começar usando a passagem bíblica, Isaias 43, 1-5. Não há quem resista a tamanha declaração de amor.

DEUS TE AMA, com amor incondicional, mas teu PECADO te impede de sentir esse amor. Entretanto, Ele já te perdoou e LIBERTOU pela morte e ressurreição de Cristo Jesus. A única coisa que você deve fazer é crer, ter  e CONVERTER-SE a fim de receber seu amor, que é o ESPÍRITO SANTO e possa viver na família de Deus, fazendo parte da COMUNIDADE.

Imaculada Cintra

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