domingo, 1 de abril de 2012

Vamos conversar sobre Iniciação à Vida Cristã?


De uns tempos para cá, principalmente o pessoal da catequese, apareceu como a “novidade” de uma tal “iniciação à vida cristã”. Mas será que isso é mesmo invenção deles e que é tão novidade assim? Afinal, até nas atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) os nossos Bispos afirmam que a iniciação à vida cristã é uma urgência a ser assumida por toda a Igreja para bem conseguirmos realizar nossa missão de evangelizar.

O assunto parece novidade porque a grande maioria dos que participam hoje da Igreja passou tanto pelo processo iniciatório como pelos sacramentos da iniciação sem nem se darem conta do que estavam vivenciando. De fato, aqueles que já têm uma certa idade ainda se lembram da época em que a família e a sociedade em geral eram marcadas por um modo cristão de ver e encarar o mundo. Parecia até que todos eram católicos. Bem, pelo menos a grande maioria era batizada! A religião ia sendo aprendida pela criança, tanto na família como na própria sociedade. Era assim que, mesmo sem perceber, as pessoas iam sendo iniciadas na vida cristã. Depois, quando já estava na hora de fazer a 1ª Comunhão, ia-se para a catequese para aprofundar muitas daquelas coisas que já se tinham aprendido em casa e em vários ambientes que frequentava.

Mas, graças a Deus, o tempo não para, não é mesmo? E é fácil constatar que aquele tempo já passou! Agora, mais do que buscar refúgio no saudosismo, temos que ter a consciência de estarmos vivendo uma verdadeira “mudança de época”. Em relação há poucos anos atrás, hoje nós nos encontramos diante de mudanças radicais que estão afetando profundamente o significado da vida e que vão modificando o modo como a gente deve encará-la. Muitas vezes nos sentimos até meio perdidos, sem nem saber mais quais critérios podem ser usados para captar, compreender e julgar o que se apresenta diante de nós.

Entre outras coisas, hoje nos encontramos num mundo marcado por uma grande variedade de escolhas e isso acontece até mesmo no campo religioso. A maioria das famílias e a sociedade em geral deixaram de ser referências seguras para a fé cristã. Aos jovens e adultos de hoje, são oferecidas, de forma atraente e convicta, as mais variadas oportunidades de escolha tanto no campo da fé, como nos mais diferentes setores da vida. Assim, a nós, católicos, resta constatarmos algo que tínhamos esquecido: ninguém nasce cristão! Na realidade, para ser um autêntico seguidor de Jesus Cristo, primeiro é necessário conhecê-lo e, depois, fazer uma opção consciente pela sua proposta de vida!

Portanto, mais do que censurar os dias de hoje, marcados por tanto individualismo e relativismo, temos que saber ver a atual “mudança de época” como uma grande oportunidade da Igreja de poder evangelizar com mais qualidade e entusiasmo. Precisamos aproveitar esse tempo de graça e fazer acontecer essa urgência da ação evangelizadora, que é a realização de um processo consistente de Iniciação à Vida Cristã.

Por esses e outros motivos, acho que ainda temos muito para conversar sobre esse assunto...

Pe. Luís Gonzaga Bolinelli – Doutrinário

2 comentários:

  1. Graças a Deus que estamos vivendo uma mudança de época. Isto, leva a nós católicos a uma mudança de comprtamento e de visão de mundo, nos faz olhar a realidade com o olhar de Deus; nos faz beber da fonte da experiência das primeiras comunidades e resgatar a essência do cristianismo.

    Otomilton

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  2. Olá!
    Na (re)Iniciação cristã reside a esperança de uma Igreja adulta na fé, que conheça e viva de fato sua identidade de discípula missionária de Jesus e sujeito da construção contínua do Reino.
    Parabéns pelos textos!
    Pe. Vanildo de Paiva

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