sexta-feira, 20 de abril de 2012

Ser ecumênico porque o mundo precisa de paz


O objetivo das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2011-2015) começa  dizendo que temos que “evangelizar a partir de Jesus Cristo” e termina indicando para onde isso nos conduz: “para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo.”
           
 Vida, paz , justiça, harmonia são características do projeto de Deus. As cenas bíblicas que ilustram esse projeto falam de felicidade: o paraíso inicial era um lugar livre de dores; a profecia de Isaías 65 fala de um novo céu e nova terra com gosto de festa, sem choro, sem gemidos, com lobo e cordeiro pastando juntos; o final da história, em Apocalipse 21, mostra o projeto realizado na Nova Jerusalém, onde toda lágrima será enxugada, onde Deus vai morar no meio dos homens, numa cidade de portas sempre abertas para todos os povos, onde não há mais necessidade de templos porque o próprio Deus é o grande templo para todos.
            
A catequese precisa apresentar uma imagem de Deus compatível com esse magnífico projeto. Deus quer os seres humanos, sua obra mais amada, vivendo em paz num clima de felicidade. A grande vitória de Deus não é jogar gente no inferno, é a humanidade feliz, vivendo em paz. Não há paz sem justiça, fraternidade, mútua compreensão, solidariedade, valorização do outro, trabalho conjunto para o bem comum. 
            
Mas, tanto a história do mundo no passado como as notícias do jornal no presente nos apresentam cenários bem diferentes: são guerras, declaradas ou  disfarçadas, competições de mercado que desconsideram valores humanos,  preconceitos que geram separação e desprezo do outro, falsos pretextos para ataques de variados tipos.  Uma das grandes funções da catequese é motivar os catequizandos para a construção de um mundo diferente, como operários e colaboradores do grande projeto de Deus. Trata-se muito mais de ter um ideal de vida do que de saber simplesmente doutrinas.

Num mundo como o nosso, temos a possibilidade de construir um exército diferente, construtor de paz, voltado para o bem do outro (seja ele quem for) e capaz de agir na gratuidade, sem interesses escondidos. Isso requer um tipo muito especial de educação, onde se faz leitura da realidade, se apresentam testemunhos de caminhos que já estão sendo abertos e se cultiva uma espiritualidade marcada por respeito à alteridade, combinado com reconhecimento da unidade da família humana. Aliás, vivência de gratuidade, alteridade e unidade são também propostas presentes nas nossas atuais Diretrizes para a Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Diante disso, o ecumenismo e o diálogo inter religioso têm uma contribuição muito especial a oferecer. Seria até meio ridículo querer educar para a promoção da paz  se ao mesmo tempo se alimenta a divisão entre os próprios cristãos e não se respeitam outras religiões. Mas se superamos as divisões e caminhamos para o diálogo maduro e fraterno, estaremos mostrando na prática como é que se constrói paz. A partir de alguma reflexão ecumênica, a catequese pode mostrar como é importante saber ouvir sem preconceito e como é muito mais sábio transformar o diferente em parceiro em vez de excluí-lo simplesmente. Temos um mundo inteiro para transformar. Não seria um bom começo buscar entender o diferente e valorizar os dons que ele também pode oferecer no desempenho dessa tarefa tão imensa?

Therezinha Cruz

Um comentário:

  1. Sempre sonhei com esse modelo de vivencia, a partir do ecumenismo, pois cremos num mesmo Deus, e a minha religião como as demais buscam o reino de Deus, portanto temos um bem comum, e precisamos unir nossos "bens", para vencer o mau. Pois o mau está unido, e nós enquanto fiés estamos divididos.

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