sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ser ecumênico porque Jesus pediu


Uma das primeiras perguntas que nos fazem quando abordamos o ecumenismo é: por que deveríamos ser ecumênicos? Vamos conversar aqui sobre várias possíveis respostas a essa questão. Mas a primeira resposta, a mais decisiva, teria que ser: seremos ecumênicos porque temos que atender a um pedido importante de Jesus. Nada pode ser mais motivador do que isso. Nas  Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora  da Igreja no Brasil (2011-2015) , a CNBB começa a enunciar assim o grande objetivo geral: Evangelizar a partir de Jesus Cristo...  Evangelizamos, fazemos catequese, antes de mais nada, a partir do que esse insuperável Mestre ensinou, pediu, testemunhou. E isso vale para todas as Igrejas, nenhuma delas poderia achar estranha essa prioridade.

É por isso também que o primeiro lema de todo o movimento ecumênico, a frase básica que orienta tudo, é o que vemos Jesus pedindo ao Pai, no evangelho de João: “ Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste. ” Jo 17,21  

Gostaria de destacar dois elementos que nos vêm desse texto bíblico. O primeiro é a situação especial em que Jesus faz essa oração ao Pai. Ele está chegando ao final de sua caminhada de pregador do Reino, está à beira do desfecho doloroso da paixão. Então, podemos ver essa prece como uma espécie de testamento, de último legado, de recado final para os que continuarão a missão depois que Jesus voltar para o Pai. Pensemos no que acontece em situações assim. Quem deixa suas últimas vontades não se fixa em detalhes sem importância, vai ao essencial, ao que está muito marcado no seu coração. Assim, podemos entender que esse não é um pedido qualquer, é algo que o próprio Jesus quer deixar ao mundo como sinal de sua passagem pela terra, é um comportamento essencial através do qual ele quer que seus seguidores sejam identificados. E o que ele escolhe pedir nessa hora? Ele entrega ao Pai os seus discípulos, mas vai além: “Eu não rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela palavra deles (ou seja: por todos nós)” Jo 17,20. Estamos incluídos nessa prece. Como vamos responder a ela? Como vamos preparar outros para atender a esse pedido?  Dá para “esquecer” essa súplica e cuidar só do nosso jeito de ser Igreja?  È bom perceber que esse pedido vale tanto para o diálogo com cristãos de outras Igrejas como para o que gosto de chamar de “ecumenismo interno”, que seria a unidade na diversidade funcionando também dentro da nossa Igreja, sem pastorais e espiritualidades que funcionem como gavetas incomunicáveis.    

  O segundo elemento sobre o qual vale muito a pena refletir é o motivo que Jesus dá para esse pedido de unidade: seus seguidores precisam viver a unidade “para que o mundo creia”. Foi essa unidade que fez muitos acreditarem nas primeiras comunidades. O “vede como eles se amam” era um grande motivo de atração. Hoje, quando a catequese se depara com uma mudança de época, quando não é mais socialmente pressuposta uma identidade católica ou cristã, cada catequizando – de qualquer idade – precisa ser conquistado através de uma experiência gratificante, que apresente também uma boa imagem da Igreja. E que imagem passamos quando cristãos se enfrentam como competidores? Certa vez, uma pessoa que não era ligada à Igreja, vendo católicos e evangélicos falando mal uns dos outros, me fez o seguinte comentário: Parecem donos de supermercado disputando freguês... E aí eu me lembrei de uma frase dos meus livros de pedagogia: “quando João fala de Pedro, ficamos sabendo mais sobre o João do que sobre Pedro”. Quando uma Igreja fala mal da outra, não ficamos sabendo muito sobre a outra, mas ficamos com a nítida impressão de que essa Igreja que fala é um pouco antipática, não se mostra capaz de diálogo...  Então, nada de ter medo de ver o que outros cristãos têm de bom!  Juntos passamos uma imagem melhor de nós mesmos e de tudo o que Jesus ensinou.  E isso é ou não é um grande objetivo para a catequese?

Therezinha Cruz

2 comentários:

  1. Bom dia Therezinha. Permita-me externar: Não devemos esquecer que ter aproximação com outros cristãos de denominações diferentes, não significa abrirmos mão de nossa doutrina e interpretações teológicas católicas. Quanto a nossa unidade de Igreja: como contemporizar se muitos de nós criticam as Suas determinações;se desobedecem todas as normas desde o cumprimento das orientações liturgicas e, inclusive, adotando comportamentos que contrariam frontalmente os ensinamentos evangélicos e de nossa Santa Igreja? Paulo denunciou nosso primeiro Papa em público, para que não houvesse repetição do pecado da discriminação.Só queria fazer essa advertencia para que não ocorra, através de uma pretensa caridade, aceitação dos comportamentos deploráveis que estamos presenciando diariamente em nossos templos, nos quais, para não ferir "suscetibilidades", cometemos o pecado da omissão. Aprendí dentro de Nossa Igreja Santa Católica Apostólica Romana que sua missão é salvar almas, portanto,que seja depurada de seu corpo toda e qualquer atitude que venha a por em perigo este objetivo. Agora despeço-me com um grande amplexo fraternal. Salve Maria!

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  2. Prezado Jorge:

    Manter a doutrina católica é fundamental para se ter uma verdadeira identidade católica. Fazemos ecumenismo exatamente a partir dessa identidade. Quem não for um católico fiel e bem informado sobre a sua Igreja está despreparado para o diálogo ecumênico, onde, entre outras coisas, teria que dar aos outros uma informação correta e carregada de fidelidade em relação a essa instituição. Se o ecumenismo não fosse parte da doutrina católica não poderíamos incentivar a sua prática em nome da Igreja. Mas, como é a própria Igreja que nos chama a esse trabalho, é como católicos fiéis e plenos que nos envolvemos nessas tarefas. Não vamos concordar com tudo que os não católicos fazem, mas vamos compartilhar o que pode ser compartilhado e explicar as diferenças sem clima de guerra. Ao longo de nossas conversas neste blog vamos ver muitas situações em que o diálogo acontece, vamos tratar dos cuidados necessários no convívio com irmãos de outras Igrej as. É um caminho delicado, mas importante e essencial na realidade de hoje e no seguimento daquilo que a nossa própria Igreja nos pede. Acho válida a sua preocupação com os católicos que desconsideram a doutrina. Temos que ser bons católicos , sem sombra de dúvida.

    Um abraço

    Therezinha

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