sexta-feira, 27 de abril de 2012

Ser ecumênico para ser fiel a nossa Igreja

Às vezes ouvimos alguém dizer: Sou católico, mas sou ecumênico. Certamente é muito melhor do que dizer: Não sou ecumênico porque sou católico. Mas ambas as afirmações mostram um desconhecimento da doutrina da Igreja porque o certo seria dizer: Sou católico e por isso sou ecumênico. Ecumenismo faz parte da doutrina mais oficial da nossa Igreja. Não é algo que alguém faria “por fora” da identidade católica, como uma espécie de excêntrica opção pessoal. Apesar disso, quando vou fazer algum trabalho sobre ecumenismo, sempre levo comigo os documentos da Igreja, devidamente sublinhados, com as páginas das indicações mais importantes destacadas com marcador porque sei que há uma grande probabilidade de encontrar alguém que ache que estou apresentando apenas minha opinião pessoal, na contramão do que a Igreja pede. E, se quisermos mudar isso, temos que contar com o trabalho de uma catequese que não esqueça esse aspecto da fisionomia da nossa Igreja.

Na encíclica Ut Unum Sint, o papa João Paulo II afirmou: “O ecumenismo, o movimento a favor da unidade dos cristãos, não é só uma espécie de “apêndice”, que vem se juntar à atividade tradicional da Igreja. Pelo contrário, pertence organicamente à sua vida e ação, devendo, por conseguinte, permeá-la no seu todo e ser como o fruto de uma árvore que cresce sadia e viçosa até alcançar seu pleno desenvolvimento. (UUS 20)

Mais adiante, na mesma encíclica, podemos ler: “O ecumenismo não é apenas uma questão interna das Comunidades cristãs, mas diz respeito ao amor que Deus, em Cristo Jesus, destina ao conjunto da humanidade, e obstaculizar esse amor é uma ofensa a ele e ao seu desígnio de reunir todos em Cristo.” (UUS 99)   

Como se vê pela força desses textos, ecumenismo não é opcional, é obrigatório para quem se considera católico. A catequese, que educa para a formação dessa identidade católica, não pode fazer de conta que esse assunto não existe. Mas essas não são as nossas únicas declarações sobre a questão ecumênica. João Paulo II disse que o ecumenismo tem que “permear a Igreja no seu todo”. Coerentemente, muitos outros documentos, especialmente os que tratam de missão, incluem considerações ecumênicas na orientação que oferecem aos católicos. 

Portanto, queridos companheiros catequistas, a Igreja conta conosco para que essa identidade católica não se apresente mutilada por falta de uma dimensão ecumênica na educação da fé. Ela está nos pedindo algo a mais, logo a nós todos que já nos dedicamos tanto a nossa missão eclesial?  Talvez... e isso nem seria justo se nós não fôssemos os primeiros a sermos beneficiados com essa inclusão. Mas essa visão ecumênica faz bem ao nosso coração, amplia a nossa compreensão de um Deus que é de todos, de uma missão cristã que precisa ser valorizada onde quer que ela se desenvolva, e nos faz descobrir novos parceiros bem interessantes na caminhada.

É claro que a inclusão do ecumenismo vai exigir alguns conhecimentos a mais, e    vamos tentar ir partilhando aqui um pouco do que nossa Igreja tem aprendido e ensinado ao propor esse tipo de caminho. Vocês também podem contar o que acontece nesse imenso Brasil, na comunidade  ou mesmo na família e no meio dos amigos, como progresso ou obstáculo à busca da unidade dos cristãos. Aprender coisas novas é um dos aspectos mais emocionantes da aventura de viver; abrir novos horizontes é um jeito bem interessante de crescer . Isso é algo que tenho experimentado nesses últimos dezoito anos de colaboração mais intensa com a proposta ecumênica da nossa Igreja. Ser ecumênico faz parte do ser católico. Vamos proclamar juntos esse grande sinal de maturidade da nossa Igreja?

Therezinha Cruz

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Querido leitor, caso não tenha uma conta google escolha a opção anônimo e deixe seu nome no final do comentário.

Loading...

Cadastre seu email e receba nossas novidades:

Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética

MAPA DE VISITAS