terça-feira, 3 de abril de 2012

Que procurais? Rabi, onde moras? Vinde e Vede!


É sempre uma alegria poder compartilhar numa rede interativa de formação e informação como esta. A Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética vem primando e acentuando cada vez mais, estes espaços criativos de comunicação. Sejamos, de fato, verdadeiros servidores e comunicadores da Palavra. Neste quadro de diálogo e reflexão, convido você, querido CATEQUISTA, a ler e refletir alguns Textos Bíblicos, onde acentuam o ENCONTRO e o DIÁLOGO como referenciais marcantes para o despertar da fé. 

O Ano da Fé será para todos nós, uma oportunidade de buscar, na Palavra de Deus, as razões pelas quais professamos nossa fé. Também, nesta mesma linha de compreensão vem o novo Sínodo dos bispos, convocados pelo Papa Bento XVI, para este ano (2012), ao falar da Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã nos alerta que “o contexto no qual nos encontramos pede, às Igrejas locais, um novo impulso, um novo ato de fé ... Num momento em que a escolha da fé e do seguimento de Cristo é menos fácil e pouco compreensível e, até por vezes, contrastada e combatida, aumenta a responsabilidade da comunidade e dos cristãos de serem testemunhas e arautos do Evangelho, como o fez Jesus Cristo (Cf. Sínodo dos Bispos, XIII Assembleia Geral Ordinária para a Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã. Lineamenta, 2011, no 16).

A catequese é o espaço do aprofundamento e vivência da fé. Todavia, o crescimento da fé é um processo iniciático e permanente. Perpassa o caminho da conversão, da interiorização progressiva de atitude de fé, e conduz para maturidade da fé, em dinamismo sempre aberto para o ideal do adulto na fé. 
O primeiro texto que vamos refletir nesta coluna é do evangelista São João capítulo 1, 35-51, a narrativa assim chamada “Os Primeiros Discípulos”. O texto acentua, de forma gradativa, o processo da descoberta da fé num encontro dialogal. O estar com o Mestre, ir e ver, permanecer com Ele, num processo dialogal, é o primeiro passo para a descoberta da fé. 

Passos da Descoberta da Fé segundo a narrativa de São João (1, 35-51)

1. Testemunho da fé: A primeira informação na perícope é de que o catequista João Batista, aquele que recebeu a missão de preparar o caminho para a vinda de Jesus (Jo 1, 19-34; Mc, 3, 1-12; Lc 3, 3-18; Mt 3, 1-12), é o que dá testemunho sobre quem é Jesus e O aponta para os demais: Aí está o cordeiro de Deus. É esta frase de João Batista que abrira os olhos e os corações dos dois discípulos de João. O curioso é que eles tomam a iniciativa, sem esperar que Jesus os chame. Eles entram no caminho onde suas vidas serão mudadas e passam a ser testemunhas para muitos outros. Apontar caminhos é missão do catequista. No texto, a vocação catequética é despertada a partir do testemunho do profeta. Despertar o gosto e a alegria de ser catequistas em outros novos catequistas. 

2. Busca e procura: O seguir Jesus ou ser catequista, nasce de uma busca, de um desejo. O que estais procurando? Nos momentos decisivos de nossas vidas estamos sempre repetindo esta pergunta central: “O que estou procurando?”O que estamos procurando?. Responder a esta pergunta num momento de “mudanças de épocas” não é fácil. Leva tempo e revisão de vida. Pois, quem deseja ser discípulo missionário do Mestre, há que aprender a colocar-se na dinâmica do caminho. Chamar Jesus Cristo de Mestre é aceitar todos os riscos da caminhada. 

3. Desejo de conhecer: Mestre onde moras? Vinde e vede! Os discípulos têm o desejo de conhecer o Mestre. Eles querem criar laços de fraternura com Jesus, por isso perguntam: Rabi, onde moras?. Eles querem permanecer com o Mestre. Foram, viram onde Ele morava e permaneceram com Ele aquele dia (Jo 1,39): O texto nos aponta para um precioso itinerário iniciático. Recordar a experiência do chamado à vocação de catequista nos situa no cerne da experiência do chamado de Deus e das condições necessárias para segui-lo e conduzir a Ele outros que constantemente solicitam de nós: Queremos ver Jesus (Jo 12,21). Interessante observar que o verbo permanecer é típico da comunidade joanina. Ele aparece no evangelho desde o capítulo 1, e no capitulo 15 alcança seu auge. Aquele que permanece em mim e eu nele produz muitos frutos, diz Jesus (Jo 15, 5). O permanecer em Jesus possibilita o amadurecimento da fé e o cultivo da espiritualidade, no seu amor e de amar os outros com o próprio amor de Jesus. Neste sentido, a fé para a comunidade joanina é um processo dinâmico, como o veremos em outras narrativas deste evangelho. A descoberta e a experiência da fé na comunidade joanina, é modelo para nossa catequese iniciática que tanto almejamos no hoje de nossa história. Ou seja, é necessário hoje refazer o processo da fé, passar de uma fé infantil para uma fé madura. Isso requer, dos catequistas, a dinâmica relacional. 

4. Encontrar e Seguir: Encontramos o Messias... Aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas... Procuraram e encontraram alguém que os convenceu e seduziu. Resolveram caminhar na vida ao lado dele. Que significa seguir e professar a Fé em Jesus? Vamos concentrar nossa atenção na descoberta vocacional de Natanael. Veja, ele estava embaixo da figueira, talvez meditando e rezando a Bíblia, conforme o costume de muitos judeus. Estar em contado com a Palavra de Deus é um bom começo para o despertar da fé. Como é que Jesus viu Natanael? Jesus lhe promete que verá coisas maiores. Quais, por exemplo? No v. 51, Jesus passa do tu para o vós. Por que será? Acontece também a nós percebermos coisas cada vez maiores à medida que seguimos a Jesus? Não seria esse um dos primeiros passos para o despertar da fé? No entanto, isto só será  possível na convivência com Jesus. Se querem saber onde Ele mora, precisam ir e ver. Ele está onde veio morar (cf. Jo 1,14), isto é, entre nós, no meio do  seu povo. Daí a necessidade não só da informação, mas da experiência pessoal. 

5. O testemunho fala mais do que as palavras: João resume em poucos traços o início do processo e maturação da fé: há um testemunho que nos convence e é convite a levarmos a sério a procura por algo mais, por uma experiência de intimidade com a Palavra, com Jesus. As circunstâncias podem ser diversas: na mesmice ou no esmagamento do dia a dia; em momentos fortes de dor ou de alegria, de temores ou de esperanças; no empenho por uma sociedade diferente; no círculo bíblico, grupo de oração, sindicato ou associação; em momentos de silêncio interior e de prece, na comunidade que celebra ou em casa. Aí, resolvemos permanecer com Jesus. Crer nele, aderir a seu projeto, é a decisão básica de nossa vida. A seu tempo, o permanecer com se tornará permanecer em Jesus, como ainda veremos. O Senhor passará a ser nosso ponto de referência, o centro de nossos projetos. O texto não é só relato de uma caminhada pessoal.  Resume como a comunidade joanina começou em sua disposição para o crer, permanecer, seguir, professar a fé e testemunhar. Em nossa catequese, testemunhamos o Cristo que professamos e anunciamos? 

Ir. Maria Aparecida Barboza, 
Religiosa Consagrada da Congregação 
das Irmãs do Imaculado Coração de Maria.

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