quarta-feira, 4 de abril de 2012

Paixão do Senhor


Quem nunca se perguntou sobre o sofrimento no mundo? Por que pessoas morrem de fome, vítimas da guerra e da violência? Por que algumas crianças morrem doentes? Por que existem tantos sofrimentos sem razão?

É comum a incompreensão sobre a dor: “Sou fiel a Deus, procuro fazer o meu melhor, mas agora estou sofrendo. Por quê?” A resposta mais adequada é: “Por que Ele?” Por que o homem mais santo do mundo foi crucificado? Por que o próprio Deus, que só fez o bem às pessoas, foi condenado a morte por aqueles que entendiam de Escritura, de lei de Deus...? Por que Ele não desceu da cruz?

Cristo morreu porque quis assumir a nossa vida, mesmo na dor. Por que também Ele está no mundo imperfeito e limitado onde cabe a dor, o sangue, a lágrima. Não queremos a dor, mas esquecemos de que não somos deuses, somos humanos, e mesmo um Deus humano, morreu. Vivemos no mundo ainda limitado que geme e chora, esperando o dia de sua redenção. Não estamos ainda na plenitude do Reino, ainda nos resta a contingência da vida. O Senhor assumiu a realidade de dor que é inerente à experiência humana.

Cristo morreu para ser solidário com todos que sofrem. Ele não é um sacerdote incapaz de se compadecer de nossa dor, mas experimentado no sofrimento, pode oferecer consolo e cura a todos que sofrem (2ª. Leitura). Deus não tira toda dor do mundo por mágica, mas assume a dor do mundo, mostrando-nos que é parte da existência e que ele pode sofrer conosco: nossa tristeza, nossa doença, nossa angústia e nossa morte. Na vigília pascal veremos que o sofrimento não é a última palavra da existência, pois a vida será a última palavra.

Cristo morreu como consequência de sua opção pelo Reino do Pai. Não é inteligente desejar o sofrimento. Temer lutar contra o sofrimento sinal de fraqueza. Mas, sofrer as consequências de uma opção de vida (pela verdade, justiça, pelo bem dos seres humanos, por sua família) é assumir uma dor redentora. Jesus, que não era masoquista, aceitou a vontade do Pai (Faça-se a tua vontade!): não aceitou morrer por morrer, mas aceitou não fugir diante de suas opções: amar a todos, oferecer-se por todos, proclamar a verdade sem medo das consequências. O resultado foi sua morte: um dom que deu tudo, até a última gota. Uma dor do extremo abandono...

Diante da cruz, há muitas atitudes... Os sacerdotes e mestres da lei o condenaram, o povo foi omisso, as mulheres choraram, os discípulos fugiram com medo, Pilatos lavou as mãos, Dimas pediu perdão, o outro ladrão zombou, o soldado jogou uma lança... Hoje cada um de nós tem uma atitude diante de Jesus: resignação, tristeza, identificação, pena, amor...

E estamos nós aqui diante do mistério da cruz... Vamos sair do nosso lugar, vamos olhar e beijar Aquele que nos amou e nos ama. Pilatos também o olhou, Judas também o beijou. E agora é nossa vez. O que você vê quando dirige o seu olhar para aquele que traspassaram? E o que significará mais este beijo na imagem daquele que derramou o sangue por todos nós?

Pe Roberto Nentwig
Assessor da Pastoral catequética da Arquidiocese de Curitiba e Vice-reitor do Seminário Teológico Rainha dos Apóstolos

Um comentário:

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