quarta-feira, 18 de abril de 2012

Objetivos e funcionamento do Concílio Vaticano II


1. Os grandes objetivos do Concílio: Ao convocar o Concílio Vaticano II, o Papa João XXIII tinha em mente que seu objetivo seria “aggiornare la Chiesa”, atualizar, ajudar a Igreja ser mais conforme ao que Jesus Cristo dela quer e a estar inserida no contexto do mundo contemporâneo cumprindo, da melhor maneira possível, sua missão de evangelizar. Aos poucos ele explicitou este objetivo:

- renovar a Igreja em si mesma a partir do Evangelho
- revigorar a vida de fé, a vida moral e apostólica de todos os membros da Igreja.
- tornar a fé católica mais expressiva no coração do mundo contemporâneo.
- estudar as mudanças culturais do mundo moderno à luz da Revelação Divina
- realizar profunda renovação das estruturas organizativas da Igreja e de suas mediações operacionais para melhor atuar em benefício de seus membros (liturgia, leitura da Palavra de Deus, Formação dos presbíteros, organização renovada das Dioceses e Paróquias, renovação da vida consagrada, adaptação da disciplina esclesiástica às necessidades e oportunidades de nosso tempo...); e também renovar a Igreja em favor de sua ação externa na evangelização e transformação do mundo (conhecer o mundo de hoje não para condená-lo, mas com ele dialogar e com ele e nele atuar de modo eficaz em prol da felicidade do ser humano).

2. Um gigantesco trabalho. Para cumprir os grandes objetivos do Concílio seus organizadores tiveram que reajustar todo o plano de trabalho proposto. Os documentos previamente elaborados destinavam-se a facilitar o diálogo e as votações e não exigir um tempo longo aos membros do Concílio (os padres conciliares). Mas o inesperado aconteceu. Todos os documentos prontos foram rejeitados. Os padres conciliares, mais de 2.500, queriam produzir o pensamento conciliar. Foi um gesto corajoso, resultado de leituras diferentes das grandes propostas do Papa, com ênfase na atenção às origens da Igreja, à realidade do mundo em mudança e ao futuro. Esta mudança de rumo exigiu outros processos metodológicos, outra organização do Concílio, com nova escolha dos temas, nova formação de grupos de estudo e nova proposta de prazos. A tarefa prioritária consistia agora em um reestudo sobre a própria razão de ser da Igreja, de seu funcionamento na história e de sua missão no mundo em constante mudança. Este estudo implicou uma volta às Sagradas Escrituras, à pessoa, mensagem e missão de Jesus, à Igreja primitiva e aos grandes dogmas que configuraram os elementos fundamentais da fé cristã, assim como da organização da Igreja e de sua compreensão da missão. Mas a tarefa do Concílio exigiu-lhe, também, um debruçar-se amplo, corajoso e, com abertura de espírito, sobre a realidade do mundo contemporâneo.

3. Organização do Concílio. Definiu-se que haveria quatro grandes sessões conciliares e que entre as mesmas haveria um intenso trabalho de leitura e produção do pensamento conciliar, com um acordo sobre o encerramento dos trabalhos em 1965. A língua oficial seria o latim. Esta primeira sessão do Concílio, iniciada em 08 de outubro de 1962, definiu os temas a serem apresentados nas diversas sessões conciliares para debate final e votação e foram organizados os grupos de trabalhos segundo cada tema. Os instrumentos de trabalho seriam enviados a todos os membros do Concílio para receber contribuições. Um ponto a destacar é a representatividade da Igreja, pois os participantes do Concílio procediam de todas as partes do mundo e ainda havia convidados de outras igrejas cristãs e das grandes religiões, demonstração óbvia de grandes mudanças internas na Igreja, no próprio ato de convocar e organizar o Concílio.


Irmão Nery fsc
irnery@yahoo.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Querido leitor, caso não tenha uma conta google escolha a opção anônimo e deixe seu nome no final do comentário.

Loading...

Cadastre seu email e receba nossas novidades:

Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética

MAPA DE VISITAS