quarta-feira, 4 de abril de 2012

Domingo de Páscoa


Tudo é silêncio, escuridão, tristeza, medo, saudade. Imagino os olhos de tristeza da Madalena, sua saudade... Maria Madalena vai passear, vai ao sepulcro para ungir o corpo do Mestre. Ela testemunha o silêncio da manhã. O início do Evangelho do domingo de Páscoa nos traz a imobilidade, a quietude.

De repente, tudo muda. Acontece um susto: a pedra foi retirada do sepulcro. Então, começa o movimento... Maria sai correndo para anunciar: “Tiraram a pedra do sepulcro!” Pedro sai correndo para ver, o discípulo amado também, porém é mais rápido. A vitória de Cristo nos põe em movimento. Os discípulos de Jesus correm, a nossa vida cristã é uma corrida. Deve, no entanto, ser uma corrida com destino, uma correria para alcançar as coisas do alto, uma corrida para alcançar o prêmio eterno. Não podemos permitir que seja uma correria sem razão, sem rumo, um correr por correr.

Pedro correu, mas de que adiantou? Correu, satisfez a sua curiosidade, mas não acreditou, ao que parece. A discípula amada correu, mas correu por amor, ela queria encontrar o mestre, ela queria dar carinho, ela se preocupou com sua ausência, pois o amava verdadeiramente. O discípulo amado, ao correr, foi tocado e acreditou. Assim devemos ser nós: Hoje vamos sair correndo para o amor, correndo para a felicidade, correndo abastecidos com a graça que vem da Ressurreição do Senhor.

Na Páscoa não há só movimento, mas vida. O cenário muda. Com Cristo renasce a esperança, a alegria, a vida nova. Não há mais tristeza, desespero, medo... Deus quer mudar tudo isto na nossa vida, Deus quer retirar o que oprime, o que destrói, quer dar a vida nova. Não vamos sair mortos, pois Jesus venceu a morte.

Tocados pelo exemplo de Maria Madalena devemos ser anunciadores. Precisamos anunciar mais do que preceitos, mais do que regras que oprimem, mais do que doutrinas complicadas, mais do que algo pesado, mais do que condenações. Somos anunciadores da vitória de Deus. Pedro e os apóstolos anunciaram o querigma: Jesus de Nazaré, ungido pelo Espírito, andou fazendo o bem, curando a todos. Morreu e ressuscitou. Manifestou-se a nós, para que testemunhemos este acontecimento. Somos agora os que atualizam esta graça: o Deus vivo, verdadeiro e vencedor continua agindo e vencendo o mal, até o fim dos tempos.

Somos anunciadores pelo testemunho de nossas vidas. Quando morremos paras as coisas de baixo e buscamos as coisas do alto. Então o nosso testemunho trará a conversão de outros, não pela imposição, mas pela “atração do amor”.

“Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória.” (Cl 3,4). Nossa esperança não é só para esta vida. Sonhamos com a nossa ressurreição, com a vida plena. Devemos desejar o Céu, desejar habitar na presença de Deus. Foi para isto que Ele, o Cristo, veio ao mundo: para que vivamos com Ele na glória, na vida plena. Sua última palavra na história humana será uma palavra de vitória e vida. Nele está a nossa vitória, pois Ele está vivo, ressuscitou dos mortos. Aleluia!

Pe Roberto Nentwig
Assessor da Pastoral catequética da Arquidiocese de Curitiba e Vice-reitor do Seminário Teológico Rainha dos Apóstolos

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