domingo, 1 de abril de 2012

Catequese, um instrumento indispensável.


Nos cinqüenta anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II, a Igreja, nas suas declarações oficiais, tem feito avanços significativos em relação ao ecumenismo e ao diálogo inter religioso. Além dos documentos especialmente dedicados ao assunto, o tema aparece em outros textos, como parte da pastoral de conjunto que precisa ser desenvolvida entre nós. Vários acordos foram assinados, Igrejas entraram oficialmente em diálogo e muita cooperação, antes impensável, está acontecendo nesse terreno. Encontros do papa com líderes de outras tradições religiosas têm sido noticiados ao longo desses anos, dando uma imagem bonita de diálogo e respeito mútuo. Porém, ainda não é um assunto para o qual a comunidade católica em geral tenha sido adequadamente educada. Nessa situação, poderíamos adaptar ao ecumenismo o apelo que  Paulo faz a respeito da própria evangelização, na carta aos Romanos: “Como crerão naquele que não ouviram? E como ouvirão, se ninguém o proclamar? E como proclamarão se não houver enviados? Assim é que está escrito: Quão bem-vindos os pés dos que anunciam boas novas!”Rm 10,14-15. De fato, muitos são os católicos que não sabem o que a Igreja diz sobre ecumenismo porque essa “boa nova” não lhes foi anunciada, porque não lhes foi dado ouvir o que a Igreja tem dito e realizado nessa direção. Estão faltando muitos dos “bem-vindos pés” dos mensageiros desse aspecto da orientação eclesial. 

            Os primeiros e mais essenciais anunciadores dessa notícia teriam que ser os catequistas, desde os primeiros passos na educação da fé. O que não passa pela catequese não deita raízes na vida da Igreja e na consciência do nosso povo católico. O ecumenismo, então, teria que estar presente na catequese, de duas maneiras: como conteúdo explícito (para que os católicos saibam o que sua Igreja lhes pede nesse campo) e como dimensão que vai perpassar outros temas (para que nenhum assunto seja tratado de forma anti ecumênica).  Sobre isso queremos conversar neste blog. Propomos reflexão sobre a importância desse tema, sobre o que nos está sendo pedido pelos documentos da Igreja e pelas próprias necessidades do mundo em que vivemos. Queremos trocar idéias sobre o que pode alimentar uma espiritualidade ecumênica e sobre os variados recursos que podemos usar para incluir devidamente essa dimensão na catequese. Partilharemos sentimentos, experiências, alegrias e inquietações em relação a esse terreno.

            É um assunto delicado. Exige revisão de posturas, capacidade de diálogo, firmeza da própria identidade religiosa de cada um, conhecimento tanto do que ainda nos divide como de tudo aquilo que já nos une. Vamos ter que ouvir o outro, contemplar com alegria o bem que é feito fora das nossas fronteiras e saber comunicar quem somos de uma forma fraterna e acolhedora. Além do ecumenismo (que acontece entre cristãos de Igrejas diferentes), temos também o diálogo inter religioso, que é feito com outras religiões. Cada uma dessas tarefas tem sua história, suas conquistas e seus problemas. Então vamos ter que tomar cuidado também com a linguagem que usamos em cada caso, para não ferir sentimentos, nem fazer misturas que não respeitam a identidade de cada um dos envolvidos no diálogo.

            Espero que vocês gostem da aventura de enveredar por essa estrada. Há muitos anos venho fazendo esse caminho e nele tenho encontrado alegrias, oportunidades de crescimento e de testemunhar muito amor também por essa nossa Igreja que nos convida ao diálogo e à reconciliação.  Vamos juntos?

Thereza Motta Lima da Cruz

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