quinta-feira, 26 de abril de 2012

4º. Domingo da Páscoa – B

O pastor é uma imagem muito forte na Bíblia, pois ele resume tudo aquilo que deve ser um líder. Os reis, os sacerdotes e os profetas (figuras fortes do Antigo Testamento) deveriam se inspirar nesta figura: cuidar do seu rebanho, não deixar as ovelhas se extraviarem, curar as feridas, proteger, dar comida, gastar a vida por elas... Esta é a imagem do Novo Testamento que manifesta o que deve ser o líder.

No Evangelho deste domingo, temos duas figuras antagônicas (o bom pastor e o mercenário) e as ovelhas. E cada um de nós assume uma destas figuras antagônicas.

Um padre, um coordenador, um catequista, um pai ou uma mãe assumem a função de pastores. Todas as lideranças devem seguir o modelo de pastor que é o Cristo. O segredo é desejar o bem das ovelhas, pastoreando-as: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas” (Jo 10,11). Santo Agostinho alerta que existem pastores que se apascentam a si mesmos. Aquele que pastoreia precisa sair de si mesmo, sair do egoísmo, e procurar a sua alegria na felicidade da ovelha.

O mercenário não se preocupa com as ovelhas, mas consigo mesmo. Não pastoreia as ovelhas, mas pastoreia a si mesmo. É preciso estar alerta para verificar se estamos sendo verdadeiros pastores, ou se nos comportamos como o mercenário. Devemos cuidar para não nos apegarmos às nossas funções, impedindo que outros tenham o seu espaço ou que façam diferente e que tragam novas ideias. Por vezes, existem os que não querem sair do comodismo e, por isso, tomam posse dos cargos, até mesmo na Igreja, por muitos e muitos anos. O mercenário é a imagem daquele que se aproveita das circunstâncias, que usurpa de sua oposição. 
O terceiro personagem desta alegoria é a ovelha. Todos assumimos também a função de ovelhas. Por isso, devemos reconhecer quem é o nosso pastor e escutar a sua voz, deixar-se guiar. Uma ovelha teimosa ou autossuficiente vai tomar o seu próprio caminho, distancia-se do rebanho; ou irá influenciar de modo negativo as outras ovelhas.

Jesus diz que existem ovelhas que não são deste redil. Aqui se expressa o caráter missionário da Igreja, convidada a ser uma Igreja Samaritana, pois não se limita ao anuncio da Boa Nova apenas às pessoas que participam de nossas comunidades. Toda a humanidade pode entrar no redil do Cristo, e mesmo que não entre pelas portas tradicionais (os sacramentos e a participação da comunidade) também poderão receber nossa dedicação. Não são alvos da conversão proselitista, mas são caminhos para que os cristãos testemunhem a alegria de viver a Boa Nova do Senhor Ressuscitado.

A segunda leitura nos fala que somos um rebanho de irmãos, filhos do mesmo Pai. Somos um rebanho que, embora já se alegre com esta graça, peregrina até que se manifeste a grandeza do que seremos. Então, seremos semelhantes a Ele, ou seja, ressuscitados e portadores de vida plena. Por enquanto, caminhamos seguindo o Bom Pastor, encontrando mercenários, decepcionando-nos com as ovelhas, reconhecendo-nos insuficientes. Muitas vezes somos tentados a desistir de lutar, mas a esperança da eternidade nos anima a edificarmos a vida no mundo, sem nos deixarmos abater, até que vejamos o Senhor tal como ele é (1Jo 3,2).

Pe Roberto Nentwig

Um comentário:

  1. Gostei muito das Homilias, leo com frequência ajudam a melhor entender e celebrar a Palavra e a Euacaristia Dominical!

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