quarta-feira, 11 de abril de 2012

2º Domingo de Páscoa


A Carta de João nos faz um convite: “crer que Jesus nasceu de Deus”. A fé é um dom e também uma jornada. Ao longo da nossa vida, esta graça será aprimorada. Muitas vezes, cairemos na noite escura da fé quando Deus parece estar longe. Mesmo vendo os sinais da vitória do Senhor, podemos às vezes perceber apenas o sepulcro vazio como o fez Maria Madalena ao chegar diante dos panos de linho jogados no chão. O desafio da vida de fé é deixar-se provar, é acreditar diante da aparente derrota, é ter a coragem de ousar crer de um modo diferente. Não que devamos abraçar novas verdades, mas crer nas mesmas verdades com espírito renovado e com nova visão. Nossa relação com Deus amadurece com o passar de nossos anos.

Tomé quis as provas. Não ousou acreditar sem colocar os dedos nas chagas. Hoje é tão difícil falar de realidades que não podem ser vistas ou comprovadas pela razão científica. Ainda hoje procuramos provas: milagres, fatos extraordinários, declarações científicas sobre o sudário... Nossa relação com Deus não pode depender de nada disso. A fé é um salto no escuro, é uma ousadia que nos faz merecer uma bem- aventurança: “Felizes os que acreditam sem terem visto!”

Tomé é o símbolo da comunidade que não viu o Jesus histórico, nem o Cristo ressuscitado. Talvez houvesse disputas entre aqueles que foram testemunhas da vida de Jesus e aqueles que entraram na comunidade muito tempo depois. Por isso, há uma grande preocupação da pregação apostólica em mostrar que o que estava sendo anunciado não era um fato do passado, mas que o Cristo continuava vivo e realizando sinais (primeira leitura) e que todos poderiam fazer a mesma experiência dos apóstolos. Assim, há um significado especial na única bem aventurança do Evangelho de João que proclama a felicidade dos que são capazes de ver a presença do Ressuscitado na Palavra que é proclamada, no Pão e Vinho consagrados, na comunidade reunida.

Tomé não estava com a comunidade. Isto é significativo, pois só se pode fazer a experiência do Ressuscitado estando na comunidade. Os Atos dos Apóstolos nos testemunha que a comunidade cristã, pela obra do Espírito, fazia acontecer a presença do Ressuscitado: testemunhava, anunciava, curava, vivia a caridade, a partilha. A comunidade é mediadora dos sinais da ressurreição. Nela o Senhor está presente.

O presidente da celebração convoca: “O senhor esteja convosco!” A comunidade responde: “Ele está no meio de nós!” Ele realmente está em nosso meio. Cada um de nós pode fazer a experiência do primeiro dia da semana: receber o Espírito e o perdão dos pecados, o shalom do Cristo, pode celebrar e alimentar a vida com os dons eucarísticos e com a Palavra. 

Pe Roberto Nentwig

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