segunda-feira, 30 de abril de 2012

Devemos lançar um novo olhar sobre a catequese...


Quando decidimos implantar a catequese em estilo catecumenal em nossa paróquia, a primeira atitude foi investir em formações para o catequista. Uma das primeiras foi com Padre Antonio Francisco Lelo. Lembro-me como se fosse hoje de suas palavras dizendo que, o tema da “iniciação cristã” precisa ser um tema que vamos crescendo aos pouquinhos, que vamos pegando uma pedrinha aqui, outra ali,  assim vamos construindo algo novo e isso exigirá um esforço  pessoal de cada catequista.

Pois é mais fácil aprendermos algo quando é totalmente novo, quando começamos do zero, quando a gente entra sabendo nada, então tudo o que entra é novidade. Mas com o tema da “iniciação”  é diferente, pois já temos  algumas informações, uma caminhada, já temos os nossos vícios, mas que precisamos lançar um novo olhar sobre nossa catequese para podermos enxergar as novidades que o processo nos apresenta.

Não se trata de descartar tudo o que já fazemos, mas melhorar, ajustar, adequar algumas coisinhas.

Carregamos vários vícios. Um deles é fazer a ligação de catequese de iniciação àqueles que vão receber a primeira eucaristia, fomos formados nessa mentalidade fragmentada dos sacramentos e isso foi passado aos nossos pais. Com isso, uma grande porcentagem  de nossos catequizandos recebem a primeira eucaristia e não perseveram na catequese, não concluem sua iniciação à vida cristã, ficando esse buraco, esse vazio, enchendo nossa comunidade de meios cristãos, de pessoas com uma fé imatura, infantil,  de pessoas que ficam em cima do muro ou que vão onde o vento sopra. 

Olha só a caminhada que já temos! A nossa catequese recebeu um grande sopro com a catequese renovada que foi aprovada em 1983, deixando de ser uma catequese doutrinária apenas, passando a ser um processo muito mais interativo na vida do catequizando, da realidade social com a Palavra de Deus. Quem já não ouviu falar sobre a chamada interação FÉ E VIDA.  O método ver, julgar, agir e celebrar ajudou a fazer a leitura, a Bíblia passa a ser o livro mais importante na catequese, a inserção do catequizando na vida da comunidade foi muito mais valorizada.

O processo catequético tornou-se um fator  de unidade na Igreja. Em 2006 surge o Diretório Nacional da catequese que todos os catequistas conhecem e também o Documento de Aparecida, eles chegam sem perder nada do que já tínhamos, vem tratar da iniciação cristã tomando com base o modelo do catecumenato, priorizando a catequese com adultos, mas que podemos muito bem adaptar às outras etapas. Vem reforçar pra nós que a iniciação cristã consiste na recepção e na vivência dos três sacramentos, Batismo, Crisma e Eucaristia.

Talvez pelo fato de não termos conhecimento através da leitura desses documentos que a Igreja nos apresenta prontinhos, achamos que a catequese irá sofrer uma grande mudança. Nada será colocado goela abaixo, a Igreja nos PROPÕE caminhos que foram esquecidos e que na atual realidade de nossa catequese devemos retomar a partir do que já temos. Nada será descartado e sim melhorado.

Eu, como catequista,  estou achando uma maravilha todo esse movimento envolvendo  a catequese. E de verdade, acho que essa moda da Iniciação à Vida Cristã, não vai passar.

Imaculada Cintra - Catequista de IVC

sábado, 28 de abril de 2012

Iniciação à Vida Cristã, tema da 3ª Semana Brasileira de Catequese


Durante o Ano Catequético Nacional, em 2009, toda a Igreja no Brasil foi convidada a refletir sobre o tema “Catequese, caminho para o discipulado”. O Texto-Base despertou o interesse pela mística que deve estar por traz de todo trabalho catequético ao desenvolver o lema “Nosso coração arde quando Ele fala, explica as Escrituras e parte o pão”, a partir do Evangelho de Lucas 24,13-35, que relata a experiência dos “Discípulos de Emaús”. 

Foram muitas as iniciativas celebrativas e formativas em todo o País, sempre tendo o tema do discipulado como ponto marcante da reflexão catequética. Penso que, por causa disso, muita gente achou meio fora de lugar que a 3ª Semana Brasileira de Catequese (3SBC) se dedicasse a refletir um tema desconhecido, ou pelo menos aparentemente secundário, como o da Iniciação à Vida Cristã.

Posso até estar enganado, mas provavelmente muitos dos quase 500 catequistas que estavam presentes em Itaicí, no início do mês de outubro daquele ano, não tinham uma ideia muito clara sobre o que realmente iriam conversar naqueles dias... Com certeza a expectativa de todos era grande! O que se queria era entender o significado dessa proposta para poder encaminhar a sua realização. 

Mesmo já tendo passado alguns anos, eu percebo que esta é ainda hoje a situação que encontramos quando falamos sobre esse tema: há grande expectativa em querer que a iniciação à vida cristã aconteça, mas ainda é pouco o entendimento sobre a sua proposta. Tenho a impressão que em vários lugares se continua fazendo as mesmas coisas de antes, com pequenos e necessários ajustes, e se fica achando que já está sendo implantado o processo previsto. 

Mas, voltemos à 3SBC! Sem dúvida ela foi um importante marco na história recente da Catequese no Brasil, justamente por ter colocado na pauta das reflexões e de nossas atenções especiais o tão importante tema da Iniciação à Vida Cristã. Isso não aconteceu por acaso, afinal essa temática é o desdobramento natural de toda a reflexão anterior que já destacava a necessidade de se trabalhar seriamente com a catequese com adultos. De fato, em 2001, a 2ª Semana Brasileira de Catequese teve por tema Com adultos, catequese adulta, e o significativo lema “Crescer rumo à maturidade em Cristo (Ef 4,13)”.

Com uma dinâmica marcadamente celebrativa, os muitos temas propostos para o estudo e reflexão durante a 3SBC foram desenvolvidos através da metodologia do ver, iluminar e agir. Assim, partiu-se da constatação que a realidade de hoje exige um novo agir evangelizador; buscou-se na Palavra de Deus e na Igreja Primitiva a iluminação sobre o que deve ser feito, tanto a partir da ação de Jesus Cristo, quanto das primeiras Comunidades Cristãs; e constatou-se a necessidade de formar evangelizadores capacitados nessa nova dinâmica iniciática e que estejam totalmente integrados no grande contexto comunitário-pastoral.


Apesar da maioria dos participantes da 3SBC serem catequistas, ficou muito claro para todos que o Processo de Iniciação à Vida Cristã é algo muito mais amplo que a catequese e envolve a Comunidade toda. Sozinho o catequista conseguirá fazer muito pouco, pois esse processo supõe vários momentos a serem realizados pelas mais variadas forças vivas da comunidade: num primeiro momento deve-se preparar e animar o candidato a participar da catequese; durante o período da catequese, o entrosamento com a Comunidade é fundamental; enfim espera-se que o cristão já iniciado continue inserido na vida comunitária e crescendo na fé através da formação permanente.


Um importante subsídio foi elaborado para que toda a riqueza desse evento possa ser visualizada e consultada por todos. Trata-se do livro 3ª Semana Brasileira de Catequese. Iniciação à Vida Cristã, publicado pela Edições CNBB no início de 2010. Nele encontramos todos os temas apresentados durante aqueles dias, vários outros textos significativos e um belíssimo DVD com um breve histórico e a síntese de todas as conferências e oficinas realizadas durante a 3SBC. Você já tem o seu? Consulte o site da Edições CNBB (www.edicoescnbb.com.br) e veja como adquiri-lo.


Pe. Luís Gonzaga Bolinelli – Doutrinário

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Temos o direito a uma formação bíblica...


Falamos sobre tanta coisa que envolve a catequese, métodos, material, ausência dos pais, planejamentos, mudança de mentalidade, mudança de época,  banalização dos sacramentos... Mas, o nosso desafio maior está na formação do catequista. Já falei sobre isso várias vezes e isso me dá uma certa melancolia.  Fico meio revoltada mesmo. Porque a maioria dos catequistas e comigo não foi diferente, começamos na catequese sem nenhuma formação bíblica. Primeiro deveríamos ser preparados, assim como Jesus fez com seus discípulos. Formou, depois os enviou.

Será que existe em algum lugar desse mundo alguma paróquia com a preocupação de primeiro formar seus futuros catequistas e só depois confiar a ele essa missão tão exigente, tão importante como a de FORMAR CRISTÃOS.

Me preocupo com a formação básica dos catequistas, principalmente sobre os relatos do Antigo Testamento. Quando o catequista busca, se prepara, corre atrás, ainda está bom. E quando não? 

Eu tenho um grito pra fazer:
PRECISAMOS E TEMOS O DIREITO A UMA FORMAÇÃO BÍBLICA.
ANTES DE EXIGIR, OFEREÇA...
NINGUÉM DÁ AQUILO QUE NÃO TEM...
Quantos anos um vocacionado tem que estudar antes de  se tornar um sacerdote?
E o catequista?

A redação do Catecismo e a sua relação com o diretório geral para a catequese


Como vimos anteriormente o Catecismo da Igreja Católica  foi fruto do Pontificado de João Paulo II, também como resposta a várias solicitações a respeito de um texto oficial que expusesse ordenadamente o conjunto da doutrina católica. 

Tratando-se de expor a doutrina católica em seu aspecto mais teológico e de conteúdo, esse colossal trabalho de redação do Catecismo foi entregue ao organismo da Sé Apostólica, intitulada Congregação para a Doutrina da Fé. Por outro lado, o organismo que cuida propriamente da dimensão pedagógica da transmissão da fé, ou seja, da catequese, que é a Congregação para o Clero, também tomou parte, porém em segundo plano. 

Essa Congregação para o Clero realizou outro trabalho importante trabalho ao redigir e publicar um texto quase tão importante quanto o Catecismo, que é o Diretório Geral para a Catequese (1997). Esse documento traça linhas seguras, claras e muito atualizadas sobre a missão da catequese, que é fundamentalmente, transmitir a mensagem do Evangelho aos fiéis cristãos, conforme as várias idades e situações, Na verdade, o Catecismo da Igreja Católica e o Diretório Geral para a Catequese se completam mutuamente: mas este foi redigido em função daquele. Esse Diretório entre tantas outras coisas, acentua também a importância do Catecismo, sua natureza e finalidade, sua relação com a Bíblia e a Tradição. “ O Catecismo e o Diretório são dois instrumentos distintos e complementares, a serviço da ação catequizadora da Igreja”.

Voltando ao Catecismo, para elaborá-lo, trabalho de grande envergadura, o Papa recorreu ao seu auxiliar imediato e grande teólogo  Card.  Joseph Ratzinger; na época ele era o encarregado da Congregação para a Doutrina da Fé, e há sete anos atrás foi eleito como nosso Papa. Foi ele quem presidiu a comissão central que discutiu, decidiu os rumos do futuro Catecismo, aprovou sua redação final e  o publicou. Dessa comissão participaram vários bispos e teólogos sistemáticos, não porém catequetas (especialistas na comunicação da fé), embora tenham sido consultados. O principal deles, após o Card. Ratzinger, foi o Card. Christoph Schönborn, arcebispo de Viena que presidiu e  orientou a comissão de redação do Catecismo.

Um dos trabalhos dessa comissão de grandes redatores, foi produzir um texto que fosse poderoso instrumento para o urgente projeto da nova evangelização, preocupação central da Igreja hoje. Tiveram o cuidado de que no Catecismo, como texto oficial da Sé Apostólica para a catequese,  não refetisse  uma determinada teologia ou corrente teológica, mas que ele expressasse a doutrina comum, a “regra da fé” da Igreja Católica. Por outro lado, fizeram todo o esforço para que essa doutrina comum ou “regra da fé” estivesse plenamente atualizada com as conquistas da teologia e dos estudos bíblicos destes últimos ano, e sobretudo com o impulso renovador impresso na Igreja pelo Concílio Vaticano II.

Sobre isso, com clareza e profundidade, assim se expressou o nosso Papa Bento XVI, ainda Cardeal, durante um Congresso realizado em Roma para comemorar o décimo aniversário do Catecismo,em 2002: “Quem busca no Catecismo um novo sistema teológico ou novas hipóteses surpreendentes ficará decepcionado. Este tipo de atualidade não é a preocupação do Catecismo. O que ele oferece, bebendo na fonte da Sagrada Escritura e no rico conjunto da Tradição em suas múltiplas formas, como também se inspirando no Concílio Vaticano II, é sim uma visão orgânica da totalidade da fé católica, que é linda precisamente em sua totalidade e de uma beleza na qual brilha o esplendor da verdade. A atualidade do Catecismo é a atualidade da verdade novamente expressa e novamente pensada. Esta atualidade durará muito mais do que os murmúrios de seus críticos”.

Até agora falamos do Catecismo e do Diretório. Entretanto, é necessário falar ainda de um terceiro texto, relacionado com ambos. Trata-se do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, que, como diz o seu título, pretende ser uma síntese do grande Catecismo. Foi também um projeto do pontificado de João Paulo II, publicado em 2005, após sua morte. 

A esse respeito, sou testemunha do seguinte episódio: durante o Congresso Internacional de Catequese em Roma, em 2002, surgiram vozes pedindo que o Papa publicasse também um resumo do grande Catecismo, assim como na história dos catecismos, sempre houve o grande catecismo (para os mais adiantados no aprofundamento da fé) e o pequeno catecismo (para os iniciantes). Isso não era consenso do Congresso, mas desejo de um pequeno grupo, que expressava a vontade do Papa. E entre os que se opunham à ideia de um resumo do Catecismo estava também o Card. Ratzinger. Em conversas de corredor eu o ouvi dizer que no Catecismo da Igreja Católica a doutrina da fé já estava por demais resumida... e que não se fazia necessário, mais um resumo. Entretanto, a ideia foi para frente (os organizadores do Congresso a assumiram...) e uma das conclusões foi justamente o pedido de tal resumo oficial do Catecismo.

Imediatamente o Papa João Paulo II chamou o Card. Ratzinger e ordenou-lhe que organizasse uma comissão para cuidar da redação dessa síntese do Catecismo, que depois recebeu o nome de Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Portanto, ele é fruto da vontade férrea do Papa João Paulo II, como também fruto da obediência, cheia de humildade e nobreza, do Card. Ratzinger!

O curioso é que o Card. Ratzinger, como presidente da comissão que redigiu o Compêndio fez e assinou a sua Introdução e depois, já como Papa,  assinou o documento (Motu Proprio)  para sua aprovação e publicação.

Mas, sobre a natureza, o uso e as relações entre o Catecismo da Igreja Católica e seu Compêndio, falaremos noutra ocasião. Aliás, será necessário também nomear outras duas pequenas obras que giram igualmente ao redor do grande Catecismo: o YouCat, chamado também Catecismo Jovem da Igreja Católica, produzido na  Alemanha e Áustria sob a inspiração do Card. Christoph Schönborn e o opúsculo Sou Católico: vivo a minha fé, de autoria da Comissão de Doutrina da CNBB.

Sobre esses três textos, conversaremos na próxima semana.
     Pe. Luiz Alves de Lima, sdb, é doutor em Teologia Pastoral, catequeta, professor de teologia,  conferencistas, redator e editor da Revista de Catequese.

Ser ecumênico para ser fiel a nossa Igreja

Às vezes ouvimos alguém dizer: Sou católico, mas sou ecumênico. Certamente é muito melhor do que dizer: Não sou ecumênico porque sou católico. Mas ambas as afirmações mostram um desconhecimento da doutrina da Igreja porque o certo seria dizer: Sou católico e por isso sou ecumênico. Ecumenismo faz parte da doutrina mais oficial da nossa Igreja. Não é algo que alguém faria “por fora” da identidade católica, como uma espécie de excêntrica opção pessoal. Apesar disso, quando vou fazer algum trabalho sobre ecumenismo, sempre levo comigo os documentos da Igreja, devidamente sublinhados, com as páginas das indicações mais importantes destacadas com marcador porque sei que há uma grande probabilidade de encontrar alguém que ache que estou apresentando apenas minha opinião pessoal, na contramão do que a Igreja pede. E, se quisermos mudar isso, temos que contar com o trabalho de uma catequese que não esqueça esse aspecto da fisionomia da nossa Igreja.

Na encíclica Ut Unum Sint, o papa João Paulo II afirmou: “O ecumenismo, o movimento a favor da unidade dos cristãos, não é só uma espécie de “apêndice”, que vem se juntar à atividade tradicional da Igreja. Pelo contrário, pertence organicamente à sua vida e ação, devendo, por conseguinte, permeá-la no seu todo e ser como o fruto de uma árvore que cresce sadia e viçosa até alcançar seu pleno desenvolvimento. (UUS 20)

Mais adiante, na mesma encíclica, podemos ler: “O ecumenismo não é apenas uma questão interna das Comunidades cristãs, mas diz respeito ao amor que Deus, em Cristo Jesus, destina ao conjunto da humanidade, e obstaculizar esse amor é uma ofensa a ele e ao seu desígnio de reunir todos em Cristo.” (UUS 99)   

Como se vê pela força desses textos, ecumenismo não é opcional, é obrigatório para quem se considera católico. A catequese, que educa para a formação dessa identidade católica, não pode fazer de conta que esse assunto não existe. Mas essas não são as nossas únicas declarações sobre a questão ecumênica. João Paulo II disse que o ecumenismo tem que “permear a Igreja no seu todo”. Coerentemente, muitos outros documentos, especialmente os que tratam de missão, incluem considerações ecumênicas na orientação que oferecem aos católicos. 

Portanto, queridos companheiros catequistas, a Igreja conta conosco para que essa identidade católica não se apresente mutilada por falta de uma dimensão ecumênica na educação da fé. Ela está nos pedindo algo a mais, logo a nós todos que já nos dedicamos tanto a nossa missão eclesial?  Talvez... e isso nem seria justo se nós não fôssemos os primeiros a sermos beneficiados com essa inclusão. Mas essa visão ecumênica faz bem ao nosso coração, amplia a nossa compreensão de um Deus que é de todos, de uma missão cristã que precisa ser valorizada onde quer que ela se desenvolva, e nos faz descobrir novos parceiros bem interessantes na caminhada.

É claro que a inclusão do ecumenismo vai exigir alguns conhecimentos a mais, e    vamos tentar ir partilhando aqui um pouco do que nossa Igreja tem aprendido e ensinado ao propor esse tipo de caminho. Vocês também podem contar o que acontece nesse imenso Brasil, na comunidade  ou mesmo na família e no meio dos amigos, como progresso ou obstáculo à busca da unidade dos cristãos. Aprender coisas novas é um dos aspectos mais emocionantes da aventura de viver; abrir novos horizontes é um jeito bem interessante de crescer . Isso é algo que tenho experimentado nesses últimos dezoito anos de colaboração mais intensa com a proposta ecumênica da nossa Igreja. Ser ecumênico faz parte do ser católico. Vamos proclamar juntos esse grande sinal de maturidade da nossa Igreja?

Therezinha Cruz

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Planejamento

Fazer mais com menos, administrando bem os prazos e os custos.

Segundo a experiência de Ricardo Vargas, um grande especialista em Planejamento e membro do Project Management  Institute, a arte de planejar deve seguir uma sequencia lógica, respondendo as questões fundamentais: para onde vamos? Como chegar lá? Qual o alvo? O que quero colher? O projeto não é algo infinito, ele tem Inicio, Meio e Fim, sendo que o planejador ou líder do projeto, para alcançar o resultado desejado, deve conhecer e respeitar suas restrições: Custos, Prazos, Qualidade, Recursos, que são sempre limitados.

Para Norberto Odebrecht, empresário da construção civil, petroquímicas, etc., em seu livro Sobreviver, Crescer e Perpetuar, o planejamento precisa ser orientado ao mesmo tempo para a eficácia, isto é, para determinar o que é certo; e para a eficiência, isto é, para fazer bem o que é o certo, com o propósito de manter sempre a eficiência a serviço da eficácia.

Quem de vós, querendo fazer uma construção, antes não se senta para calcular os gastos que são necessários, a fim de ver se tem com que acabá-la? (Lc 14,28).

Ou qual é o rei que, estando para guerrear com outro rei, não se senta primeiro para considerar se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? (Lc 14,31).

O Planejamento começa pela declaração de Escopo (Especificação do limite dentro do qual os recursos podem ser utilizados). O escopo deve responder as primeiras perguntas: O que? Para onde vamos? O que queremos fazer? Qual o meu alvo? Após o escopo consolidado, inicia-se a segunda parte com o detalhamento das atividades (como, quem, quando, quanto). Essas duas primeiras partes acontecem antes do evento. Iniciado o evento, a terceira etapa é o acompanhamento e as medições para conferir o planejado x realizado. Um detalhe importante é que, não se deve iniciar o projeto com pendências das etapas anteriores, pois o risco de comprometer os resultados (prazo e custo) seria elevado. Na quarta etapa, vem os registros (históricos), que são muito importantes para o planejamento dos próximos eventos ou para eventos similares.

Penso que seria muito bom nos próximos artigos, exercitarmos cada etapa de planejamento, e poderíamos simular um projeto. Apresento três opções, sendo que a eleita pelos nossos internautas será o nosso laboratório para os ensaios de planejamento. 

1. Programação Anual de Catequese. 
2. Assembleia paroquial.
3. Congresso diocesano de catequese.

Vamos votar na enquete que está no canto superior da barra lateral à direita até 05 de maio 2012, e os próximos artigos de planejamento estarão voltados para o projeto eleito.


Luiz Carlos Ramos da Silva
Catequista – Bacharel em Teologia
Professor no curso de profissional habilitado em planejamento industrial

O bom pastor


Na Palavra de Deus encontramos a expressão “Bom Pastor”, fazendo referência a Jesus Cristo. Mas Jesus não é apenas um pastor com qualificado de “bom”. Ele é também verdadeiro, autêntico e totalmente preocupado com a vida e a dignidade de suas ovelhas. Ele ultrapassa o nível da bondade, doando sua vida pelos seus.

Olhando para a figura do Bom Pastor, de Jesus Cristo, devemos olhar para a figura de cada autoridade, para aquelas constituídas no serviço do povo. Servir é um dom, é querer o bem e a prosperidade de quem é servido, superando todo tipo de atitude egoísta, de exploração e desempenho no poder de agir.

Estamos em ano eleitoral outra vez. Está na hora de trabalhar para identificar quem tem atitudes de bom pastor, de serviço e de doação, desinteressada, para com as pessoas mais sofridas. A decisão está nas mãos dos eleitores, de escolher, com o voto consciente, quem realmente vai respeitar e agir em benefício do bem comum e do povo.
Sofremos o peso da corrupção e do descaso para com as pessoas menos favorecidas. Os pobres são sugados no momento do voto. São comprados com dinheiro e com promessas utópicas e esquecidos pela gestão pública. É por isto que não podemos agir como cegos e sem liberdade, vendendo nossa capacidade de decidir.

Jesus Cristo é o pastor que veio trazer vida plena para todos, diferente daqueles que veem para roubar, sacrificar e destruir as pessoas. Está aí o grande contraste entre o falso e o verdadeiro pastor. O falso é mercenário, que cuida só dos seus próprios interesses. O verdadeiro pastor se sacrifica para o bem das ovelhas.

É interessante observar que a má autoridade tem medo do povo e não trabalha, com determinação, para que ele seja organizado e deixa que ele continue ignorante para não ter força de ação, fica sempre de longe e não se envolve. A boa autoridade é aquela que convive e sente as dificuldades do povo e trabalha para o seu bem.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo eleito de Uberaba.

Nota

A Diocese de São José do Rio Preto convida a todos para participarem de uma missa em ação de graças que será celebrada no dia 27 de abril, (amanhã) às 20h, na igreja Sé Catedral de São José pelos 6 anos de Ministério Episcopal de dom Paulo Mendes Peixoto frente à Diocese de Rio Preto e o envio dele para a Arquidiocese de Uberaba (MG). Dom Paulo toma posse em Uberaba no dia 1º de maio, às 10h.





4º. Domingo da Páscoa – B

O pastor é uma imagem muito forte na Bíblia, pois ele resume tudo aquilo que deve ser um líder. Os reis, os sacerdotes e os profetas (figuras fortes do Antigo Testamento) deveriam se inspirar nesta figura: cuidar do seu rebanho, não deixar as ovelhas se extraviarem, curar as feridas, proteger, dar comida, gastar a vida por elas... Esta é a imagem do Novo Testamento que manifesta o que deve ser o líder.

No Evangelho deste domingo, temos duas figuras antagônicas (o bom pastor e o mercenário) e as ovelhas. E cada um de nós assume uma destas figuras antagônicas.

Um padre, um coordenador, um catequista, um pai ou uma mãe assumem a função de pastores. Todas as lideranças devem seguir o modelo de pastor que é o Cristo. O segredo é desejar o bem das ovelhas, pastoreando-as: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas” (Jo 10,11). Santo Agostinho alerta que existem pastores que se apascentam a si mesmos. Aquele que pastoreia precisa sair de si mesmo, sair do egoísmo, e procurar a sua alegria na felicidade da ovelha.

O mercenário não se preocupa com as ovelhas, mas consigo mesmo. Não pastoreia as ovelhas, mas pastoreia a si mesmo. É preciso estar alerta para verificar se estamos sendo verdadeiros pastores, ou se nos comportamos como o mercenário. Devemos cuidar para não nos apegarmos às nossas funções, impedindo que outros tenham o seu espaço ou que façam diferente e que tragam novas ideias. Por vezes, existem os que não querem sair do comodismo e, por isso, tomam posse dos cargos, até mesmo na Igreja, por muitos e muitos anos. O mercenário é a imagem daquele que se aproveita das circunstâncias, que usurpa de sua oposição. 
O terceiro personagem desta alegoria é a ovelha. Todos assumimos também a função de ovelhas. Por isso, devemos reconhecer quem é o nosso pastor e escutar a sua voz, deixar-se guiar. Uma ovelha teimosa ou autossuficiente vai tomar o seu próprio caminho, distancia-se do rebanho; ou irá influenciar de modo negativo as outras ovelhas.

Jesus diz que existem ovelhas que não são deste redil. Aqui se expressa o caráter missionário da Igreja, convidada a ser uma Igreja Samaritana, pois não se limita ao anuncio da Boa Nova apenas às pessoas que participam de nossas comunidades. Toda a humanidade pode entrar no redil do Cristo, e mesmo que não entre pelas portas tradicionais (os sacramentos e a participação da comunidade) também poderão receber nossa dedicação. Não são alvos da conversão proselitista, mas são caminhos para que os cristãos testemunhem a alegria de viver a Boa Nova do Senhor Ressuscitado.

A segunda leitura nos fala que somos um rebanho de irmãos, filhos do mesmo Pai. Somos um rebanho que, embora já se alegre com esta graça, peregrina até que se manifeste a grandeza do que seremos. Então, seremos semelhantes a Ele, ou seja, ressuscitados e portadores de vida plena. Por enquanto, caminhamos seguindo o Bom Pastor, encontrando mercenários, decepcionando-nos com as ovelhas, reconhecendo-nos insuficientes. Muitas vezes somos tentados a desistir de lutar, mas a esperança da eternidade nos anima a edificarmos a vida no mundo, sem nos deixarmos abater, até que vejamos o Senhor tal como ele é (1Jo 3,2).

Pe Roberto Nentwig

terça-feira, 24 de abril de 2012

Bispo referencial da Animação Bíblico-Catequética NE2 Dom Mariano Manzana faz a Homilia da Missa da 50ª Assembleia Geral da CNBB


Neste dia 24 de abril, por ocasião da 50ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), onde reune mais de 300 pastores de todo o país, nosso querido Bispo Diocesano celebrou a Missa em sufrágio dos bispos já falecidos.

A Celebração foi transmitida por canais católicos diretamente do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, São Paulo. Abaixo, podemos acompanhar a homilia proferida pelo Senhor Bispo:


Dom Mariano Manzana lembrou o nome de bispos já falecidos, dentre eles D. José Freire, que foi seu antecessor no pastoreio desta Diocese e que, por motivos de saúde, tornou-se Bispo Emérito, vindo a falecer na madrugada do dia 10 de janeiro deste ano.



Fonte: http://catequesemossoro.blogspot.com.br/

Comissão Bíblico-Catequética apresenta seus projetos na Assembléia Geral


A Comissão teve no dia 23 de abril, oportunidade de apresentar para a Assembléia alguns dos seus projetos pensados para estes próximos anos (Veja slides). Fazendo parte dessa apresentação o Rev. Dr. Erní Walter Seibert – secretário de Comunicação e Ação Social da Sociedade Bíblica do Brasil - falou da parceria com a CNBB na realização do Projeto Lectionautas e ofereceu a todos os bispos, assessores, representantes de organismos presentes a “Bíblia Sagrada – Método Lectio Divina. Esta Bíblia fará parte do ‘kit Lectionautas’ que é oferecido aos jovens que participam da Capacitação para a Leitura Orante.

50ª ASSEMBLEIA GERAL DOS BISPOS DO BRASIL


No dia 19 de abril, os mais de 300 bispos reunidos em Aparecida – SP na Assembleia Geral dos Bispos do Brasil começaram a debater o tema central. Tema este que tinha sido apresentado em 2010, pois, em 2008 aconteceu o Sínodo dos Bispos sobre esse assunto.  A exortação Pós Sinodal não ficou pronta a tempo de ser refletido na Assembleia daquele ano. O tema foi remetido para 2011, mas foi ano de eleição na CNBB e não houve tempo hábil para as discussões. Por isso foi retomado este ano para que seja apresentado e votado pela assembleia.

Como se dá este processo? A Presidência nomeia uma comissão que elabora o texto. Pronta a primeira versão, o texto é  enviado a cada bispo para leitura e possíveis sugestões. Durante a assembleia o texto é apresentado aos bispos que farão um primeiro estudo em grupos. Após o relatório dos grupos a comissão retoma o texto procurando enriquecê-lo com as contribuições vindas dos grupos.

Novamente o texto é apresentado à assembleia para votação, item por item, com possibilidades de novas emendas. Acolhidas as emendas, com uma última reformulação do texto matriz o texto será apresentado para aprovação final.

 Visto que o tema  “Discípulos e Servidores da Palavra de Deus na Missão da Igreja”  está profundamente ligado ao trabalho da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética, a mesma está bastante envolvida na elaboração do tema, inclusive, tendo como presidente, D. Jacinto Bergmann.

Temos certeza que este documento ajudará ainda mais a dinamização e a concretização da Animação Bíblica de toda Pastoral em nosso país.

Maria Cecília Rover
Assessora da Comissão Episcopal Pastoral
para a Animação Bíblico-catequética

Uma espiritualidade Bíblica


Estamos aqui em Aparecida em plena Assembleia dos Bispos do Brasil. O tema central que se reflete nesta 50ª Assembleia é: “A Palavra de Deus na Vida e Missão da Igreja”. Sabemos que esta temática emerge de um longo processo que fez a Igreja toda recolocar a Palavra de Deus no centro de sua ação evangelizadora. Neste caminho a pastoral catequética, foi, sem dúvida, um espaço privilegiado no sentido de colocar a Bíblia como o Livro por excelência de toda catequese(DNC).

Esta centralidade da Palavra de Deus, que tem na Bíblia uma de suas principais fontes, já foi assimilada em grande parte de nossas comunidades. Acontece, porém, que não basta aderir a este desejo da Igreja, expresso em diversos documentos recentes, nem é suficiente oferecer intensa formação bíblica, embora isto tudo seja muito importante. O que é fundamental, porém, é trabalharmos em nós uma profunda mística bíblica, sem a qual é muito difícil compartilhar esta experiência com nossos interlocutores na catequese.

Alguém pode perguntar: como se cultiva esta mística ou espiritualidade bíblica? Haverá muitos caminhos, vejo como essencial, porém, tornar carne e sangue em nós aquilo que apreendemos pela leitura da Bíblia. Exemplificando:

1 – A leitura e estudo dos  relatos da Criação, despertam em nós a fé no Deus Criador, mas  é preciso transformar este saber e esta fé em um compromisso concreto de defesa da Obra Criadora que hoje corre sério risco  de ser degradada e até destruída. A sensibilidade por todos os seres criados, mas especialmente pelos mais agredidos, machucados em sua dignidade ou descartados será o principal testemunho da(o) catequista.

2 – A experiência do Povo de Deus com seus diversos êxodos (do Egito, da Babilônia, etc) deve produzir em nós um compromisso com os êxodos de tantos grupos humanos de hoje. E também criar em nós a consciência de nossa condição de peregrinos que não tem aqui sua morada definitiva, por isso não se prendem às realidades passageiras, mas ajudam transformar estas para que sirvam a todos os caminhantes na sua busca de vida plena.

3 – A profecia, espalhada por toda Bíblia, mas especialmente explicitada por algumas figuras, os profetas, nos levará a integrar em nossa vida um espírito crítico, que reage contra tudo que desfigura o Projeto de Deus. Nos dará coragem também para anunciar caminhos novos de organização mais humana , justa e fraterna para que o Reino de Deus de fato se concretize no mundo.

Coloco apenas estes pequenos exemplos, que vem  do antigo testamento. Poderia tocar ainda em tantos pontos do novo, mas deixo isso para uma outra reflexão que abordará “uma espiritualidade encarnada” principalmente centrada nos evangelhos.

Acredito que os interlocutores em nossa catequese só se convencerão da preciosidade da Bíblia para suas vidas e se encantarão com ela, se a virem estampada em nossos rostos, gestos e projetos que ajudamos concretizar. Até mais!

Pe. Décio José Walker – Assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A catequese vista como “PROCESSO”

Esse texto que partilho com vocês é o resumo de uma formação em que participei algum tempo atrás. O público alvo eram “seminaristas”. Fiquei feliz ao ver que nossos futuros padres estão recebendo formações sobre: INICIAÇÃO CRISTÃ. (Aliás, esse é um assunto que podemos abordar noutra ocasião)

O palestrante inicia dizendo que algumas palavrinhas têm surgido e ficam dançando entre nós, em nossas pastorais:  a tal da INICIAÇÃO CRISTÃ, CATEQUESE ESTILO CATECUMENAL, LEITURA ORANTE OU LECTIO DIVINA, MISTAGOGIA, a dupla DISCÍPULOS E MISSIONÁRIOS que se fez presente no documento de Aparecida, nada mais, nada menos  que 116 vezes. Hoje, unidas não são mais uma dupla e sim DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS. Entre tantas verdades, disse que  a angustia de muitas paróquias e catequistas, é que muitas coisas ficam  nos discursos, na teoria, muito se fala, pouco se explica como colocar em prática.

Achei interessante, a relação que ele fez entre o documento da CATEQUESE RENOVADA, de 1983, destacando que foi o documento mais lido, o best seller da CNBB e o atual DIRETÓRIO NACIONAL DE CATEQUESE de 2007, ambos sem muitas mudanças, apenas alguns termos desaparecem devido à linguagem da época. Vejamos:

“A catequese é um processo de educação comunitária, permanente, progressiva, ordenada, orgânica e sistemática da fé. Sua finalidade é a maturidade da fé, num compromisso pessoal e comunitário de libertação integral, que deve acontecer já aqui e culminar na vida feliz’”(CR, n.318)

“A catequese é um processo formativo, sistemático, progressivo e permanente de educação da fé. Promove a iniciação à vida comunitária, à liturgia e ao compromisso pessoal e com o Evangelho” (DNC, n 233)

Para melhor entendermos a catequese como PROCESSO, ele usa de uma comparação bem simples. A dona de casa e o preparo do almoço. Fazer almoço pode parecer uma coisa simples e rotineira, mas na verdade é uma grande ação que envolve outras pequenas ações complementares. Primeiro, a pergunta dramática: O que fazer de almoço? Essa pergunta, já faz parte do processo, parte de um planejamento. Depois de resolvido, se pega panelas, bacias, facas, prepara o arroz, lava, prepara uma carne, cozinha o feijão, saladas, descasca os temperos, acende o fogo, coloca óleo/azeite, água, sal... Enfim, todo esse preparo para se chegar ao processo final: fazer o almoço.

O processo tem que ser inteligente, pensado, não pode ser um chute no escuro.

O processo catequético – QUEREMOS FORMAR CRISTÃOS e Nossa meta final é a vida eterna, o céu, mas pra se chegar até lá temos uma longa caminhada: a primeira evangelização (nem todos recebem a fé embrionária pela família), a catequese e todo seu processo de iniciação permanente, a comunidade/experiência cristã: doutrina-liturgia- oração- Bíblia- moral- ministérios- missão- consciência crítica- Vida eterna- comunhão trinitária.

Bem se vê que catequese é um processo de INICIAÇÃO/MATURAÇÃO. Se é processo envolve uma série de atividades diferenciadas. É um caminho de várias pistas e várias mãos. Caminhos esses que estamos conhecendo. As pistas para melhor trabalhar esse jeito do fazer catequético, vão aprendendo na medida em que se busca formação. Se perguntarmos: QUE TIPO DE CRISTÃOS ESTAMOS FORMANDO? Devemos também questionar: QUE TIPO DE CATEQUISTAS É NECESSÁRIO PARA OS DIAS DE HOJE? No mínimo catequistas preparados.

Não podemos ficar andando de carroça (a catequese), enquanto os carros sofisticados, com seus motores potentes (as coisas do mundo) passam voando por nós. Que tenhamos coragem, ousadia de aposentar nosso cavalo e comprar um fusquinha.

Tudo evolui numa velocidade assustadora e nossos catequizandos fazem parte dessa geração, portanto precisamos evoluir também, buscando nos formar para bem fazer nossa catequese.  Andar de carroça, jamais!! Podemos mais!


Por Imaculada Cintra - Catequista de IVC

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Fontes do Catecismo da Igreja Católica

  Anteriormente vimos a origem e natureza do Catecismo [1]. Hoje vamos quais são suas fontes inspiradoras. Esta abordagem ilustra e ilumina melhor a natureza e a finalidade do Catecismo como um dos grandes instrumentos da educação da fé.
            Sendo um texto que procura aprofundar o conteúdo da fé cristã católica, o Catecismo tem, como referências principais, as grandes fontes do cristianismo. Na verdade, a fonte é uma só: a Palavra de Deus, tomada em seu sentido amplo, como ensina a constituição Dei Verbum: “ Deus se revelou através de palavras e acontecimentos intimamente unidos” (DV 2). Palavras: aquilo que sai da boca para comunicar nosso pensamento e sentimentos. Acontecimentos ou fatos: é tudo aquilo que vai além da palavra falada, do discurso, do ensino... são as ações concretas que confirmam e dão autoridade à palavra falada.
            Nesse binômio, Palavra é tudo aquilo que os profetas (desde Abraão até o último dos Apóstolos) pronunciaram, ensinaram, pregaram... e depois, tudo aquilo que a Igreja ensinou e ficou, ao longo dos séculos, como riqueza de sua doutrina. Por outro lado os acontecimentos, são os fatos concretos que Deus realizou na história da salvação e continua realizando na nossa vida, e que a Bíblia chama de  “maravilhas”. Hoje, tais acontecimentos, fatos ou maravilhas de Deus são as ações da Igreja, sobretudo os sacramentos.
            A Palavra por excelência que o Pai nos enviou para comunicar-nos seu amor é Jesus Cristo, ele mesmo palavra e acontecimento, a Quem o Novo Testamento chama de o Verbo de Deus (verbo significa palavra). Por isso ele é o centro e a finalidade de toda a catequese. Diz o Bem-aventurado João Paulo II: “Ao apresentar a doutrina católica de modo genuíno e sistemático,  o Catecismo reconduz todos os conteúdos da catequese ao seu centro vital, que é a pessoa de Cristo Senhor”.
            A doutrina da Igreja ensina que essa única Palavra de Deus, além da pessoa divina do nosso Salvador, possui muitas outras expressões, que se tornam, todas elas, fontes da catequese e consequentemente do Catecismo. Ou seja:
a)   As Sagradas Escrituras: Palavra de Deus inspirada, transmitida de geração em geração e fixada nos livros sagrados. Veneramos e temos em altíssima consideração, em primeiro lugar, essa palavra escrita, lida pessoalmente e em comunidade, venerada, proclamada e ouvida nas celebrações. O Catecismo é uma contínua transmissão e aprofundamento dessa Palavra Bíblica. Contrariamente ao Catecismo de Trento que evocava sempre os textos bíblicos para dar autoridade ou comprovar uma doutrina apresentada, o Catecismo da Igreja Católica parte dos próprios textos bíblicos para, em seguida, deles deduzir a doutrina professada. Portanto, é um uso muito mais profundo e significativo! Assim, a Bíblia é o primeiro e principal texto de catequese! E o Catecismo está impregnado de Bíblia!
b)  A Sagrada Liturgia: é outra fonte riquíssima da expressão da fé à qual continuamente o Catecismo se refere. Um sentença da teologia assim diz: lex orandi, lex credendii Numa tradução livre, significa: cremos conforme rezamos e rezamos conforme cremos. De fato, a educação da fé sempre buscou na Liturgia o seu alimento substancioso. É o que chamamos de dimensão mistagógica da catequese: a participação frutuosa nas celebrações nos coloca mais facilmente em contato com as realidades divinas que professamos. O Catecismo se inspira muito na Liturgia, tanto ocidental como oriental.
c)   A Sagrada Tradição: com o término da revelação bíblica (ou com o ponto final no Apocalipse), Deus não deixou de nos falar. Temos, nos textos sagrados, a revelação fundante; no entanto, através dos séculos a revelação divina prossegue; Deus se manifesta através de tudo aquilo que a Igreja, como Corpo de Cristo no mundo e em obediência ao seu mandato, vai refletindo, aprofundando, adaptando a expressão da fé aos vários momentos históricos, conservando e aumentando a riqueza da fé.
            Deus se manifesta pelo sentido da fé (sensus fidei) do Povo de Deus. O Magistério da Igreja tem o dever de guiar a Igreja na audição dessa Palavra de Deus que se manifesta nesses sentido da fé do Povo de Deus. Faz parte desse Magistério os que receberam o carisma de orientar a Igreja à luz da Palavra de Deus, nossos pastores, tendo à frente o Papa com todo o episcopado.
            Tudo isso recebe o nome de Tradição eclesial, e é composta pela vida dos santos, a doutrina dos Concílios, o ensinamento dos mestres da fé, sobretudo o magistério eclesial, a riqueza da Liturgia, a vivência religiosa do povo com suas expressões (religiosidade popular).
            Nesse aspecto também, o Catecismo é muito rico. Ele expõe não só aquilo que chamamos de doutrina da fé, mas também é perpassado continuamente pelo testemunho dos Santos, dos Padres da Igreja (grandes escritores do início do cristianismo), dos mestres da fé (teólogos e escritores) e dos textos mais expressivos da piedade cristã.
            No seu conjunto, o Catecismo representa a Tradição da Igreja, tanto ocidental como oriental, ou seja, seu patrimônio doutrinal inspirado nas fontes da fé, adquirido ao longo dos séculos, testemunhado pela vida do povo cristão e confirmado pela autoridade do autêntico Magistério.
            Podemos concluir com João Paulo II: “como exposição completa e integral da verdade católica, tanto doutrinal como dos costumes, válidos sempre e para todos, o Catecismo, com seus conteúdos essenciais e fundamentais, permite conhecer e aprofundar, de maneira positiva e serena, aquilo que a Igreja Católica crê, celebra, vive e reza [...]; nos faz contemplar a beleza e a riqueza da mensagem de Cristo Jesus”.

Pe. Luiz Alves de Lima, sdb, é doutor em Teologia Pastoral, catequeta, professor de teologia,  conferencistas, redator e editor da Revista de Catequese.


[1] De agora em diante, a expressão Catecismo, se não houver outra referência, sempre significará o Catecismo da Igreja Católica.

Ser ecumênico porque o mundo precisa de paz


O objetivo das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2011-2015) começa  dizendo que temos que “evangelizar a partir de Jesus Cristo” e termina indicando para onde isso nos conduz: “para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo.”
           
 Vida, paz , justiça, harmonia são características do projeto de Deus. As cenas bíblicas que ilustram esse projeto falam de felicidade: o paraíso inicial era um lugar livre de dores; a profecia de Isaías 65 fala de um novo céu e nova terra com gosto de festa, sem choro, sem gemidos, com lobo e cordeiro pastando juntos; o final da história, em Apocalipse 21, mostra o projeto realizado na Nova Jerusalém, onde toda lágrima será enxugada, onde Deus vai morar no meio dos homens, numa cidade de portas sempre abertas para todos os povos, onde não há mais necessidade de templos porque o próprio Deus é o grande templo para todos.
            
A catequese precisa apresentar uma imagem de Deus compatível com esse magnífico projeto. Deus quer os seres humanos, sua obra mais amada, vivendo em paz num clima de felicidade. A grande vitória de Deus não é jogar gente no inferno, é a humanidade feliz, vivendo em paz. Não há paz sem justiça, fraternidade, mútua compreensão, solidariedade, valorização do outro, trabalho conjunto para o bem comum. 
            
Mas, tanto a história do mundo no passado como as notícias do jornal no presente nos apresentam cenários bem diferentes: são guerras, declaradas ou  disfarçadas, competições de mercado que desconsideram valores humanos,  preconceitos que geram separação e desprezo do outro, falsos pretextos para ataques de variados tipos.  Uma das grandes funções da catequese é motivar os catequizandos para a construção de um mundo diferente, como operários e colaboradores do grande projeto de Deus. Trata-se muito mais de ter um ideal de vida do que de saber simplesmente doutrinas.

Num mundo como o nosso, temos a possibilidade de construir um exército diferente, construtor de paz, voltado para o bem do outro (seja ele quem for) e capaz de agir na gratuidade, sem interesses escondidos. Isso requer um tipo muito especial de educação, onde se faz leitura da realidade, se apresentam testemunhos de caminhos que já estão sendo abertos e se cultiva uma espiritualidade marcada por respeito à alteridade, combinado com reconhecimento da unidade da família humana. Aliás, vivência de gratuidade, alteridade e unidade são também propostas presentes nas nossas atuais Diretrizes para a Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Diante disso, o ecumenismo e o diálogo inter religioso têm uma contribuição muito especial a oferecer. Seria até meio ridículo querer educar para a promoção da paz  se ao mesmo tempo se alimenta a divisão entre os próprios cristãos e não se respeitam outras religiões. Mas se superamos as divisões e caminhamos para o diálogo maduro e fraterno, estaremos mostrando na prática como é que se constrói paz. A partir de alguma reflexão ecumênica, a catequese pode mostrar como é importante saber ouvir sem preconceito e como é muito mais sábio transformar o diferente em parceiro em vez de excluí-lo simplesmente. Temos um mundo inteiro para transformar. Não seria um bom começo buscar entender o diferente e valorizar os dons que ele também pode oferecer no desempenho dessa tarefa tão imensa?

Therezinha Cruz

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Encontro dos Padres Assessores da AB-C do Regional Sul 1


Já há alguns anos o Regional Sul 1 promove o Encontro dos Padres Assessores da Animação Bíblico-Catequética (AB-C) das Dioceses do Estado de São Paulo. O Objetivo principal do Encontro é o de conhecer-se melhor, trocar experiências e clarear o significado dessa missão tão exigente. Para isso são sempre previstos momentos de oração, estudo e lazer.

Neste ano esse Encontro aconteceu entre os dias 16 e 18 de abril em Campos do Jordão, contando com uma razoável participação de padres de várias dioceses. Tudo foi muito bem preparado pela Equipe de AB-C do Regional Sul 1, que tem a coordenação do Pe. Paulo Gil. A presença de Dom Vilson Dias de Oliveira, Bispo referencial da mesma, abrilhantou ainda mais o evento.

Logo na tarde do primeiro dia dois assessores da CNBB estiveram presentes e refletiram com o grupo alguns assuntos de interesse atuais. Pe. Décio José Walker, da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética, apresentou os vários projetos e eventos previstos para serem realizados no atual quadriênio (2012-2015). Em seguida Pe. Antonio Luiz Catelan Ferreira, da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé lançou algumas luzes sobre o “Ano da Fé” (de 11/10/2012 a 24/11/2013) a partir da Carta Apostólica Porta Fidei.

Bastante tempo foi dedicado para o conhecimento do texto, que ainda está sendo elaborado pelo Nacional, sobre as Escolas de Formação Bíblico-Catequéticas. Após vários questionamentos e apresentação de sugestões, o texto serviu de base para a elaboração da Semana de Formação para Equipes Diocesanas de AB-C do Regional Sul 1 prevista para os dias 17 a 20 de julho próximos.

Houve tempo também para tomar ciência da Assembleia da AB-C do Regional Sul 1, que acontecerá de 21 a 23 de julho e dos objetivos do Simpósio de Animação Bíblica da Pastoral do Regional Sul 1, previsto para os próximos dias 28 a 30 de setembro.

Todos os dias foram marcados por uma simples e bem participada Celebração Eucarística, que refletia o bom entrosamento do grupo. Houve, também, tempo suficiente para se realizar alguns passeios pela belíssima cidade de Campos do Jordão. Mas como não deu tempo de ver muita coisa, o grupo propôs que se volte lá mais vezes...

A vitória do vencido


É quase inconcebível, nas dimensões da cultura dos dias atuais, entender e aceitar que uma pessoa falida, de baixo nível social e econômico, seja vencedora. Dizemos que isto pode ocorrer quando ela recebe uma grande herança, ou ganha na loteria, ou pratica ações injustas e desonestas. Nenhum trabalhador verdadeiramente honesto fica “rico” de um dia para o outro.

Acreditar em Jesus Cristo, como Deus e como homem, é ter um ato profundamente de fé, vendo Nele um vencido, mas que conseguir vitória através da paixão e morte na cruz. Isto é interpretado de diversas formas, mas o fato real é de que ali estava presente a sabedoria divina, uma força capaz de transformar o ser humano na sua própria identidade.

Entender que a vida nasce da morte é um desafio, exige mudança de mentalidade e de um novo modo de pensar e ver as coisas. Não podemos sentir nisto uma mera fantasia, como “coisa de cristãos”. Acontece que, queira ou não, a esperança da humanidade está em Jesus Cristo, Aquele que é capaz de tirar da morte a vida em plenitude.

Ao ser condenado, Jesus foi ignorado pelo povo e pelas autoridades de seu tempo. Será que isto não continua acontecendo ainda hoje, mesmo que Ele tenha comprovado sua divindade e força libertadora? Todos os ataques contra a vida não são contra o próprio Cristo? São ações de sofrimento, constituindo o que chamamos de pecado.

Jesus não é fantasma e nem sombração, como se fosse uma alma que veio de fora para impressionar seus seguidores. Ele é o ressuscitado, o mesmo que tinha sido crucificado e morto numa cruz. É justamente daí que nasce a ação missionária do cristão, cujo cumprimento passa pelos caminhos do sofrimento.

A vida é uma conquista. Não é busca imediata, com prazer momentâneo, como acontece muito hoje, porque isto não leva a nada, a não ser reforçar os dados do egoísmo. Tudo que realizamos sem referências, normas, disciplina, sem limites, sem entender a cruz, nada construímos e tudo destruímos.

D.Paulo Arcebispo de Uberaba/MG e Administrador Diocesano de São José do Rio Preto

3º. Domingo do Tempo Pascal

Os discípulos de Emaús voltaram para a comunidade e contaram à experiência que tiveram no caminho. Aqueles que tiveram o coração abrasado pela Palavra e que reconheceram o Senhor no partir do Pão estavam tão maravilhados, que não podiam deixar de contar aos seus amigos sua experiência. A Igreja faz isso há séculos: conta a história do passado, transmite o seu legado marcado pela experiência de fé de homens e mulheres. Mais do que isso: faz a memória do passado, atualiza a história da salvação, a presença do Cristo Ressuscitado.

Porém, o anúncio dos discípulos não foi suficiente. Mesmo a aparição do próprio Cristo não tirou todas as dúvidas do coração da comunidade reunida. O texto do Evangelho nos diz que estavam tão alegres que ainda não foram capazes de acreditar no que viam. No dizer popular: “era bom demais pra ser verdade!” Jesus deseja dissipar o medo, mas ainda encontra discípulos vacilantes, que tardam em acreditar. Mesmo diante dos sinais da vitória do Senhor, somos ainda tantas vezes tardos em crer.

A aparição de Jesus tem um aspecto pedagógico importante. O Senhor insiste sobre sua presença real: os discípulos podem o tocar e verificar que ele tem carne e osso, que pode comer peixe assado. Portanto, não é uma aparição fantasmagórica.

Esta insistência de Jesus mostra a continuidade entre o Ressuscitado e o Jesus humano. A ressurreição é uma nova realidade (Jesus não está condicionado ao tempo e ao espaço), mas o Ressuscitado é o mesmo Jesus que comia, bebia e conversava com sua comunidade de discípulos, o mesmo que morreu na cruz. Por isso, traz nas mãos e pés as marcas da crucifixão. Os pés surrados que calçavam rudes sandálias e que o levaram pelas estradas empoeiradas da Palestina. As mãos que tanto acolheram e mostraram o amor. Mãos e pés agora feridos por chagas estão presentes no corpo do Ressuscitado. Também nossas mãos deveriam ter as marcas do amor, e nossos pés os instrumentos dos passos de entrega.

A Páscoa é “junção” da vida, morte e ressurreição de Jesus. Este é o anúncio querigmático dos apóstolos: “Este Jesus que viveu entre nós, foi por nós condenado e morto, ressuscitou, está vivo!” A Igreja iria proclamar a totalidade do mistério. Seria um erro enfatizar apenas uma destas duas etapas da vida do Cristo. Por um lado, os discípulos poderiam ficar com saudade do Jesus que vivia com eles (em um dos relatos, Jesus pede que Maria Madalena não o detenha no seu retorno ao Pai). Por outro, poderiam ficar com a felicidade da ressurreição e esquecer-se de todas as ações e palavras de Jesus de Nazaré. Hoje se corre o risco de uma visão unilateral sobre Jesus. Muitos têm apenas o Cristo da Glória e vivem uma fé verticalista ou que se limita a uma experiência religiosa sem consequências na vida. Outros têm Jesus como um mestre, mas perderam a dimensão da fé naquele que venceu a morte e está conosco presente até o fim dos tempos.

Sem isolar alguma dimensão de Cristo, acreditamos que a vida de Deus encarnado se dá no cotidiano, na nossa inserção no mundo e no enfrentamento das cruzes do dia a dia. Por outro lado, temos a certeza de que a vida com suas contingências será superada pela vida nova oferecido pelo Senhor ressuscitado. Mas somente chegaremos à glória pela cruz. Assim, não existe vida e morte sem ressurreição, como não existe ressurreição sem a nossa história. A Palavra nos convida a viver a totalidade do mistério cristão, oferecendo nossa vida, enfrentando as lágrimas da existência, enquanto esperamos a vitória de toda dor e sofrimento.

Diante do mistério da cruz e ressurreição, não podemos ficar de braços cruzados. No final do discurso de Pedro, há um convite à conversão. A segunda leitura nos convida a romper com o pecado. Jesus, o Cristo, convida-nos a não termos medo. Que o Tempo da Páscoa nos traga vida nova de ressuscitados. Que vençamos as mortes diárias, que enchamos o mundo com a Ressurreição, com a vida de Deus.

Pe Roberto Nentwig

Fé que exige um Novo Nascimento (TEXTO 1- João 3,1-15)


Continuando nossa reflexão sobre a temática “encontros que despertam a fé” convido você, querido leitor, à leitura orante do texto do Evangelho de São João, capítulo 3, 1-21. O tema “fé, que exige um Novo Nascimento”, será dividido em dois textos: texto 1 e texto 2, dado ao espaço que este veículo de comunicação nos permite: textos breves e sintéticos. Tendo em vista a complexidade e riqueza da narrativa, decidimos desenvolvê-la em duas pequenas reflexões.  No primeiro texto, abordaremos as reflexões catequéticas que compreendem os versículos de 1-15, e no segundo, de 16-21.

O texto de João 3, 1-21, pertence na redação atual do quarto evangelho, ao grande complexo literário conhecido em geral, como o “diálogo de Jesus com Nicodemos”.  A cena se situa em Jerusalém, onde o interlocutor de Jesus é caracterizado como chefe dos fariseus (árchon ton Ioudaíon v. 3,1). Depois de uma introdução que situa a narrativa (Jo 2, 23-3,2), o diálogo se desenvolve num esquema bem claro: três questões são colocadas por Nicodemos (vv. 2.4.9), seguidas por três respostas de Jesus na fórmula “em verdade, em verdade, eu te digo” (amén, amén, lego soi vv. 3.5.11). O capítulo segundo João nos informa que Nicodemos, assim como outros em Jerusalém, ficaram admirados com os sinais que Jesus realizava (cf. 2, 23-25). Decide ir em busca de Jesus, quer conhecê-Lo melhor. Ou porque não arriscar dizer, deseja “fazer uma nova experiência da fé”.  Vejamos como tudo isso ocorre na narrativa.

1ª Nome: um homem chamado Nicodemos Jo3,1: Nicodemos aparece várias vezes no evangelho de João (cf. Jo 3,1-13; 7,50-52; 19,39). Ele era uma pessoa de muita influência junto ao povo. Fazia parte do Sinédrio (supremo tribunal). É um dois chefes dos judeus, mestre em Israel (cf. 3, 1.10). No evangelho de João, ele representa o grupo de judeus que eram piedosos e sinceros, mas que não chegavam a entender tudo que Jesus fazia e falava.  O primeiro passo para a descoberta da fé é o “querer”, “desejar”, e isso o texto nos revela. Nicodemos toma decisão de ir ao encontro de Jesus. Ele reconhece que Jesus é um “Mestre da parte de Deus”. Sabe que Jesus fala com autoridade. O diálogo com Jesus ajudou Nicodemos a perceber que não basta apenas conhecer e explicar a Torah aos outros, é preciso permitir que esta Palavra renove a pessoa de quem fala e de quem o escuta, por dentro. Faz-se necessário dar um passo a mais para poder aprofundar sua fé em Jesus e em Deus. E isto Jesus propõe a Nicodemos.

 Primeira pergunta de Nicodemos: Rabi, sabemos que vieste da parte de Deus, pois ninguém é capaz de fazer os sinais que tu fazes.!”. Vimos que Nicodemos era uma pessoa de destaque entre os judeus e com uma boa formação. Ele vai  ao encontro de Jesus e dirige  uma pergunta com o verbo no plural: “sabemos”. Faz a pergunta em nome do seu grupo: nós sabemos”. Ele reconhece que Jesus é um Rabi, Mestre que fala com sabedoria e autoridade. Reconhecer que Jesus é “Mestre da parte de Deus” é um passo importante, na vida de Nicodemos, mas só isto não basta.  Os sinais que Jesus realizam podem despertar interesse na pessoa e produzir efeito significativo, como podem também gerar curiosidade, mas não uma entrega de  fé.  Para a descoberta da fé e adesão a Jesus Cristo, é necessário ir mais além, dar um novo passo. 

3ª Resposta de Jesus: “Tem que nascer de novo!”(Jo 3, 3: “Em verdade, em verdade, eu te digo: se alguém não nascer do alto, não poderá ver o Reino de Deus”. Para perceber e compreender os sinais do Reino de Deus apresentados por Jesus “tem que nascer de novo!"Jesus leva Nicodemos a perceber e acolher o Reino de Deus, presente em Jesus, terá que nascer de novo, do alto. Tentar compreender Jesus só a partir dos seus próprios argumentos, não consegue entendê-lo. É preciso se despir do doutrinalismo e abrir-se à novidade trazida por Jesus.  Nicodemos é convidado a deixar de lado suas próprias certezas e seguranças e entregar-se totalmente a Jesus. Terá que fazer a escolha entre, manter a segurança que lhe vem de uma religião organizada com suas leis e tradições e, do outro lado, lançar-se na aventura do Espírito que Jesus lhe propõe. No primeiro momento da catequese de Jesus, Nicodemos parece não entender bem a proposta de Jesus e lança uma nova pergunta.

4ª Segunda pergunta de Nicodemos: “Como é possível alguém nascer, se já é velho? Ele poderá entrar uma segunda vez no ventre de sua mãe e nascer?" (Jo 3, 4-5).  Nicodemos parece não estar convencido, não dá o braço a torcer e torna a perguntar com certa ironia. Jesus, pedagogicamente, vai explicando, e neste processo dialógico,  leva-o a compreender o que significa ser iniciado na fé em Jesus Cristo. A compreensão que Nicodemos mostra em relação ao “nascer de novo”,  parece ambígua, ou seja, para os que estão fora, os que ainda não foram iniciados na fé , o processo da descoberta é longo e permanente. Ele necessita perceber que as palavras de Jesus tem um sentido simbólico e figurativo. 

5ª Resposta de Jesus: Em verdade, em verdade, eu te digo: se alguém não nascer da água e do Espírito, não poderá entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne; o que nasceu do Espírito é espírito...É necessário para vós, nascer do alto (Jo 3, 5-8). Jesus, então, catequeticamente, começa a explicar o que significa este novo nascimento. Ele diz que nascer de novo é “nascer do alto, nascer da água e do Espírito".  É provável que o diálogo  entre Jesus e Nicodemos fazia parte da catequese batismal, uma vez que Jesus utiliza a expressão renascer da água e do espírito (Jo 3,6). Jesus vai conduzindo Nicodemos ao mistério da fé. É preciso passar do nível meramente humano para o nível da maturidade da fé. O que nasce e fica no nível da carne, no mundo das idéias, corre o risco de não amadurecer, de crescer na fé. O Espírito é como o vento. "O vento sopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim é também todo aquele que nasceu do Espírito". O evangelho de João usa muitas imagens e símbolos para significar a ação do Espírito. Como na criação (Gn 1,1), assim o Espírito desceu sobre Jesus "como uma pomba, vinda do céu" (Jo 1,32). É o começo da nova criação! Jesus fala as palavras de Deus e nos comunica o Espírito sem medida (Jo 3,34). Suas palavras são Espírito e vida (Jo 6,63). Quando Jesus se despediu, Ele disse que ia enviar um outro consolador, um outro defensor, para ficar conosco. É o Espírito Santo (Jo 14,16-17). Através da sua paixão, morte e ressurreição, Jesus conquistou o dom do Espírito para nós. Através do batismo todos nós recebemos este mesmo Espírito de Jesus (Jo 1,33). Quando apareceu aos apóstolos, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo!" (Jo 20,22). O Espírito é como água que jorra de dentro das pessoas que crêem em Jesus (Jo 7,37-39; 4,14). O primeiro efeito da ação do Espírito em nós é a reconciliação: "A quem perdoardes s pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, lhes serão retidos" (Jo 20,23). O Espírito nos é dado para que possamos lembrar e entender o significado pleno das palavras de Jesus (Jo 14,26; 16,12-13). Animados pelo Espírito de Jesus podemos adorar a Deus em qualquer lugar (Jo 4,23-24).

6ª Terceira Pergunta de Nicodemos: Como é que isto pode acontecer? (Jo 3, 9). Jesus, então, lhe surpreende fazendo-lhe perceber que és mestre em Israel, mas incapaz de perceber os sinais do Reino. Mais uma vez Jesus recorda que pertencer ao cristianismo é questão de opção e mudança de vida. Nicodemos é um dos chefes dos fariseus (cf. Jo 3, 1), é catequista na Sinagoga, porém, é chamado agora a um novo reaprendizado. Aqui está a sabedoria do autêntico catequista que fez a experiência da fé: resgatar que somos sempre “aprendizes e aprendentes”.  Catequizamos e somos catequizados. O segredo do processo iniciático da fé está no saber saborear as coisas que dão sentido e razão à nossa fé.

7ª   Resposta de Jesus: "Você é mestre em Israel e não sabe disso?”(Jo 3, 10-15). Pois para Jesus, se uma pessoa crê só quando as coisas estão de acordo com os seus próprios interesses e idéias, ainda não é perfeita a sua fé. Perfeita, sim, é a fé da pessoa que acredita por causa do testemunho. Ela deixa de lado seus próprios argumentos e se entrega, porque crê naquele que testemunhou. Jesus utiliza um exemplo do Antigo Testamento: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também será levantado o Filho do Homem, a fim de que todo o povo que nele crer tenha a vida eterna”. O termo tem um duplo sentido; alude ao enaltecimento de Jesus na cruz (cf. Jo 8, 28) e também à ressurreição e ascensão para junto do Pai. A alusão ao Antigo Testamento é muito significativa para perceber o sentido que o evangelista dá à paixão de Jesus como revelação. Aqui o evangelista ressalta o tema da fé, indicando  seu conteúdo central: não só crer em Jesus crucificado como dom, mas crer que a cruz é glória e vitória. Aqui está o ponto central de nossa fé.

Ir. Maria Aparecida Barboza, icm
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