sábado, 29 de dezembro de 2012

Sagrada Família - C


“Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens” (Lc 2,52). O texto de Lucas deixa claro que a encarnação não é um faz de conta, como pregoaram algumas heresias dos primeiros séculos ou como ainda pensam alguns cristãos. Deixando mais claro: aos doze anos, Jesus era um pré-adolescente que precisava aprender muito sobre a vida. Ele deveria ser educado pelos seus pais até atingir a sua maturidade. É claro que sua maturidade humana era de filho de Deus, o que fazia toda a diferença. Mas como qualquer ser humano, ele precisava crescer.

Todos crescem em estatura, se bem alimentados e em bom estado de saúde. O que mais demanda energia é o crescimento em sabedoria e em graça. Aqui estava o principal papel da família de Nazaré, ou seja, possibilitar que o Deus-Humano pudesse crescer. A Festa da Sagrada Família está situada no Tempo do Natal, exatamente porque a encarnação não foi um pacote pronto vindo do Céu. A família de Jesus ajudou Deus a se encarnar no mundo, na cultura, nas relações, na história de seu povo judeu e, em última análise, na história de todos nós.

Hoje se fala muito do desafio da educação. As gerações são cada vez mais independentes e questionadoras. Valores estes que não podem jamais ofuscar o papel dos pais. Pais e mães tem uma missão: possibilitar que os filhos cresçam em sabedoria e em graça.

Os filhos crescerão em sabedoria na medida em que tenham referências de responsabilidade, que tenham diante de si pessoas que saibam tomar decisões pautadas por valores. Crescerão neste quesito na medida em que forem cobrados, que encontrem limites e exigências. Nenhuma pedagogia educativa poderia se contrapor a tais atitudes.

Os filhos crescerão em graça na medida em que houver abertura para a vida de fé. Esta não é uma escolha da vida adulta, mas uma semente que se planta. Não se trata daquela exigência chata dos pais para que todos frequentem a Igreja no domingo, mas aquele germe de fé plantado desde a infância, carimbada por uma verdadeira espiritualidade dos progenitores, quando estes não tem vergonha de manifestar a sua vida de fé.

Celebrar a Sagrada Família nos abre para uma profunda revisão sobre o modo como estamos educando esta geração. Rezemos para que os pais não sejam omissos e para que os filhos não sejam egoístas. Rezemos para que as famílias não se esqueçam de Deus.

“Tudo podia ser melhor, se o Natal não fosse um dia, se as mães fossem Maria e se os pais fossem José. E se os filhos parecessem com Jesus de Nazaré. Estou pensando em Deus...” (Pe. Zezinho).

Pe Roberto Nentwig

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

32. Estudando o que diz a Igreja


Ecumenismo  é um terreno delicado, sujeito a muitas interpretações equivocadas. Nessa área, em vez de dar opiniões pessoais, tudo fica mais seguro e mais convincente se aquele que comunica a mensagem estiver sólida e explicitamente apoiado na palavra oficial da Igreja. Insegurança nesse campo é um convite ao desastre.

      Acontece, porém, que o catequista nem sempre consegue acompanhar o que está dito nos documentos oficiais. Concorrem para isso vários fatores: a Igreja escreve textos demais (sem tempo para que todos sejam devidamente assimilados); a linguagem nem sempre é muito fluente, familiar; muitas comunidades não orientam suficientemente esse estudo; nosso povo não está acostumado com esse tipo de literatura; o catequista às vezes nem sabe que o documento existe.

       No entanto, esse estudo é indispensável, não só no que se relaciona ao ecumenismo, mas para todas as áreas de trabalho da Igreja. De que adiantaria nossos pastores falarem se a comunidade não os ouvir? 

        Diante disso, seria importante que cada comunidade, devidamente animada pelo padre e por outros que conheçam o caminho, ponha à disposição dos catequistas os textos mais importantes, com a possibilidade de esclarecimento de eventuais dúvidas. Para o próprio catequista, eu recomendaria um processo que eu mesma usei desde o começo da minha atividade pastoral para me familiarizar com o que diz a minha Igreja. É assim:

1º passo: descobrir com as lideranças (ou acompanhando as notícias da Igreja) que textos seriam mais importantes no momento.

2º passo: ler um documento inteiro com atenção, sublinhando os trechos que parecem mais importantes.

3º passo: voltar a cada um dos trechos sublinhados, tentando entender o que de fato ele quer dizer; para isso, seria bom tentar expressar as idéias ali contidas numa linguagem mais simples, como se a pessoa estivesse contando a uma vizinha que não está acostumada com a “língua da Igreja” o que ali está sendo comunicado. Se for difícil entender algum termo teológico ou alguma afirmação mais complexa, anotá-los para consultar depois o padre ou alguém que domine o assunto.

4º passo: Fazer, diante de cada trecho sublinhado, a pergunta: o que deveria ser feito na minha vida pessoal, no trabalho pastoral ou na vivência da comunidade para que o que está aqui escrito seja integralmente posto em prática?

        Talvez um catequista iniciante ache que estamos pedindo demais. Afinal, ele já se dedica bastante à Igreja, gasta com ela tanto de seu tempo e de seus recursos... Eu mesma não teria coragem de dar essa sugestão se, por experiência própria, não tivesse certeza de que o primeiro a ser beneficiado com esse tipo de trabalho será o próprio catequista. E não falo somente do benefício de se tornar um catequista mais eficiente. Esse hábito de estudo prepara a pessoa para muitos outros tipos de aprendizado, gera uma segurança que impulsiona aquela autoestima sem a qual ninguém vai realizar nada importante em qualquer área. Assim, ajudamos a construir a Igreja e ela, por sua vez, constrói em nós o que precisamos para crescer, em todos os aspectos. E, por acréscimo, ficamos mais preparados para transformar o mundo num lugar melhor. 

Therezinha Cruz

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Valor da Família


Terminamos mais um ano falando de família, porque ela é o valor maior que temos na vida. É aí que acontecem as relações fundamentais no amor, relações estas vindas de Deus. É na família que as pessoas precisam ser mais amadas e respeitadas. Só assim, na harmonia, podemos construir a verdadeira vida humana na terra e dar possibilidade de uma vida feliz, pautada pelos valores cristãos.

Começa um novo ano com a esperança da paz, do respeito para com os verdadeiros valores da vida, principalmente pela pessoa humana. Cada ser humano é criatura de Deus, é filho de Deus e, como tal, tem uma dignidade própria, que não pode ser “ferida” por ninguém. Ela tem a dimensão da vida familiar, de amor e carinho.

No Natal contemplamos a Família de Nazaré. Sobre ela estava contida a vontade de Deus-Pai, a realização de seu Reino, criando um clima de responsabilidade, de autoridade dos pais sobre os filhos e, destes, assentimento de obediência para com seus pais. Toda família, autenticamente constituída, existe por vontade divina.

Na família, Deus deve ser o grande referencial para todos, formando comunidade de amor e de estima, onde acontece o desenvolvimento humano e espiritual. A separação dos pais é sempre um sofrimento, um impacto que prejudica fortemente a unidade do lar. Há, com isto, fraturas profundas, e até difíceis de ser superadas.

A honra em relação aos pais é um princípio básico. Isto significa assentimento filial a Deus. É atitude que se expressa em algumas das manifestações, como: bondade, compaixão, humildade, mansidão, respeito etc. Tudo isto depende de esforço pessoal e capacidade de ver no irmão a dignidade que toca a todos nós.

O valor da família depende muito da forma de agir de seus membros, de se deixarem modelar profundamente pelos princípios do Evangelho. A Palavra de Deus modifica e edifica a vida das pessoas capacitando-as para superar todo tipo de diferença que impede a harmonia no lar. Seja assim a vida familiar no Brasil, no ano de 2013.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Missa do dia de Natal


Nós não podemos chegar sozinhos até Deus. Ele é distante, é infinitamente maior do que nós, é eterno, está no céu. Mas, Deus deseja comunhão conosco, deseja que sejamos filhos, que estejamos perto dele, na sua glória, no seu reino, no seu amor, no seu colo. Como Ele faz para chegar perto da gente?

Cristo existe desde o princípio. Ele existe antes de toda criação. O Evangelho fala do Verbo que se fez carne. O termo dabar, ao ser traduzido por logos (no grego: Jo 1,1.14) Comunicar a dabar de Deus, no contexto semita, significa comunicar a pessoa de Deus na totalidade do seu ser. Quem acolhe a dabar, portanto, acolhe em seu coração o próprio Deus, fica possuído por Ele, transformado pelo Senhor.

A Dabar (Verbo) existe desde o princípio (Jo 1,1). E este Verbo que é essencialmente comunicação de seu ser foi se comunicando aos seres humanos... Primeiro, pelos patriarcas, pelos profetas... De muitos modos Deus falou, mas o povo não entendeu direito... (Hb 1,1). Deus se comunica ao longo da história: Ele quer que conheçamos sua mensagem, sua Palavra, seu amor... Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus falou por sue filho (Hb 1,2). O Verbo se fez carne (Jo 1,14). Agora a voz de Deus é uma voz humana, Deus tem carne humana, rosto humano, jeito humano...

Por que Deus veio até nós? Deus se encarna para que nós possamos chegar até Ele. Quem é Deus? É Jesus de Nazaré, é Jesus - o Cristo. Ele tem uma palavra que se pode entender, um rosto humano para contemplar, uma vida humana que partilha da nossa vida. Deus tornou-se compreensível. Mais ainda! Deus se fez humano para que os seres humanos se tornem divinos. Deus deseja nos divinizar. Quando Deus assume a natureza humana, Ele pretende nos fazer como Ele. Se você quer ser perfeito, deve ser como Jesus de Nazaré.

Mas nós o desprezamos (Jo 1,10-11). Podemos mais uma vez recusar o Cristo. Podemos mais uma vez perder a oportunidade de deixar Ele se encarnar na nossa vida. Sua face deve transparecer na nossa face. Sua encarnação deve se prolongar em nós. Afinal, somos o Corpo de Cristo, somos o prolongamento de sua ação salvadora. Olhemos para nossa vida... Natal é sempre um tempo que desperta a sensibilidade, a solidariedade, o perdão, o amor, os sentimentos mais profundos e sinceros... Como está o nosso coração? Desejamos viver como Jesus de Nazaré?

Adoremos o Cristo, o homem-Deus. Sua carne e sangue, a mesma encarnada, é oferecida a cada um de nós nesta Eucaristia. Mais uma vez o Cristo se rebaixa e se oferece. Quem abrir o coração deixará mais uma vez Ele nascer cheio de luz e manifestar a sua graça a todos.

Pe Roberto Nentwig

domingo, 23 de dezembro de 2012

Missa da Noite de Natal


O Evangelho nos diz que Jesus nasceu em uma manjedoura. A tradição nos fala de uma gruta escavada na rocha, que nos remete rapidamente para a imagem do sepulcro. O termo katalyma (traduzido por manjedoura) não designa um albergue, como alguns podem supor, mas uma sala. Poderia até mesmo ser a residência de José em Belém. A presença dos animais se explicaria pela pobreza e pequenez do local: Jesus estaria recostado próximo aos animais em um canto da parede.

Apesar da imprecisão histórica, o importante é o significado do evento. O relato do nascimento de Jesus nos remete à singeleza, ao despojamento, à pobreza. Olhar para o presépio não é ocasião para alimentar um romantismo vazio, como se fosse uma historinha do passado que nos emociona. Olhar para o presépio é uma oportunidade para meditar o modo como Deus resolveu se encarnar: primeiro no seio de uma jovem, virgem e pobre; depois, nascendo na pobre manjedoura de Belém; e agora, onde mais pode Ele nascer?

No Natal nasce o pobre Jesus em meio aos pobres. O Rei do Universo nasce na manjedoura, não no palácio. Os primeiros que souberam do Salvador e as primeiras testemunhas foram pobres pastores (discriminados na época), não os Reis. O Rei do Universo não se utiliza de cores e holofotes dos shoppings, como hoje estaríamos afeitos a visualizar. Não, o marketing dele segue outra lógica: aquela que não condiz com o mundo da mídia e do sucesso.

Deus usa a fraqueza para manifestar a sua força. A salvação está na pobreza, no despojamento, na simplicidade, na singeleza, no comum da vida. Os pobres são prediletos de Deus, porque conseguem acolher a mensagem de salvação. Que a nossa pobreza seja o espaço para Deus nascer. Que nossa mente não fique ofuscada pelo amor às riquezas falsas. Que nossa solidariedade com os pobres seja a imitação da solidariedade de Deus que escolheu os pobres para anunciar a Boa Nova, que escolheu a pobreza para nascer. Que a lógica tão diferente de Deus nos ensine que a fraqueza e a simplicidade da vida trazem a força e as maravilhas do Reino.

Que hoje possamos acolher o verdadeiro Rei. Que Ele nos traga aos afetos os verdadeiros valores: o amor, o perdão, a solidariedade, a compreensão, a simplicidade... Hoje nosso coração é Belém. Mais uma vez podemos reviver aquele momento em que Cristo nasceu em nossa vida. Sim, um dia Ele já fez a sua morada em nosso coração, um dia já o deixamos entrar. É preciso que hoje seja como a primeira vez, um encontro de fé e amor.

“Natal é vida que nasce, Natal é Cristo que vem. Nós somos o seu presépio e a nossa casa é Belém”.

Pe Roberto Nentwig

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

31. A responsabilidade de quem é maior


Penso que uma espiritualidade profunda não se revela só dentro da Igreja ou nos chamados “momentos de oração” (que são certamente indispensáveis). Quem se encontra com Deus de verdade não o deixa de lado quando sai da Igreja, carrega-o consigo em todos os momentos da vida. A catequese precisa cultivar esse tipo de espiritualidade, ajudando as pessoas a analisar tudo em volta a partir de uma intimidade que faz de Deus o companheiro de todos os nossos momentos. É isso que está implícito quando usamos materiais que muitos classificam como “não religiosos”: histórias em quadrinho, cenas de filmes, notícias da TV... Quem conhece pedagogia sabe que o método faz parte do conteúdo, ou seja: comunicamos o que estamos ensinando também pelo modo de ensinar.

Imagine um adolescente vendo o filme do Homem Aranha. O jovem Peter Parker aparece angustiado porque, sendo um superherói, está com sua vida afetiva atrapalhada: não pode deixar que descubram quem ele é porque aí as pessoas que ele ama estariam correndo perigo. Seu tio diz uma frase que vai explicitar o fundamento da questão: “Com grande poder vem grande responsabilidade.”  Quem estiver vendo o filme com Deus e a mensagem bíblica no coração pode lembrar como Jesus disse algo que tem um significado bem semelhante: “A quem muito foi dado muito lhe será pedido.” (Lc 12, 48) Isso não é mistura indevida, é sinal de que a pessoa em questão tem a mensagem bíblica como uma espécie de lente que a ajuda a ver de modo especial tudo que lhe é apresentado.

Essa idéia que junta grandeza, poder, fartura de dons com a idéia de responsabilidade tem uma boa aplicação na questão ecumênica. Muitos católicos ficam decepcionados quando sua Igreja reconhece, por exemplo, a validade do batismo feito em alguma outra Igreja e esse ato não é retribuído (os cristãos dessa Igreja rebatizam os católicos que aderem ao seu grupo). Perguntam por que temos que ser acolhedores com quem nos combate. Afinal, nossa Igreja tem a tradição sólida, a sucessão apostólica, uma história que a qualifica para ser a Igreja universal.  Nossos documentos eclesiais, mesmo quando recomendam uma postura ecumênica de valorização de outras comunidades cristãs, não deixam de lado a situação especial da nossa igreja. É o que podemos ver, por exemplo, nesse trecho do decreto Unitatis Redintegratio que fala de Igrejas e comunidades separadas: “O Espírito Santo não recusa empregá-las como meios de salvação, embora a virtude desses derive da própria plenitude de graça e verdade confiada à Igreja católica” UR 3  

Se possuímos tal “plenitude” – dizem alguns – por que teríamos  que fazer tanta questão de valorizar outras Igrejas? Nossa Igreja é maior, tem mais história, mais sólida tradição, mais nítida sucessão apostólica – e é exatamente por isso que ela tem muito mais responsabilidade na busca da unidade na diversidade. Pode ser feito algum minúsculo progresso ecumênico a partir de uma pequena Igreja organizada há pouco tempo. Mas o mundo não terá um testemunho impactante e eficiente de solidariedade e diálogo sem a presença da nossa Igreja. Nossa catequese precisa preparar para isso porque nossa posição na história do cristianismo gera grande responsabilidade. É como disse Jesus: “A quem muito foi dado, muito será pedido.”  O ecumenismo não é um esquecimento da valorização da nossa Igreja, ela precisa ser ecumênica justamente porque tem uma herança mais importante e é o sinal maior da missão que Jesus nos deixou.

Therezinha Cruz

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O Príncipe da Paz


Os acontecimentos falam por si mesmos. Os casos de assassinatos vão se repetindo a cada dia, revelando uma cultura que gera loucos. O mundo não tem levado em conta Aquele que é o Príncipe da Paz. Uma sociedade sem Deus perde o equilíbrio e passa a agredir as pessoas. Realidade que estamos assistindo a todo momento.

O que vemos é um total abandono das práticas cristãs, deixando de lado os compromissos com o Príncipe da Paz, o único que é capaz de ocasionar paz verdadeira. Damos desculpas dizendo que estamos em tempo de cultura laica, não podendo evidenciar o aspecto religioso e natural que está contido nas pessoas.

A falta de Deus faz com que as pessoas sejam desumanas, inconsequentes e insensíveis aos verdadeiros valores de tudo. Isto perpassa por todos os momentos da celebração da fé. O Natal, por exemplo, deixou de ser uma realidade cristã para ser uma exploração comercial. O domingo perdeu sua identidade de “Dia do Senhor”.

Está faltando, na sociedade, uma maior entrega à Palavra de Deus. O esvaziamento e descompromisso com a fé tem feito com que as pessoas não acreditem na presença transformadora de Deus. Devemos ser moldados pela vida de Deus em nós, vendo nisto as condições essenciais para um mundo melhor, mais humano e divino.

Celebrar mais uma festa de Natal é deixar-se transformar, sempre mais, pelo Menino-Deus. Ser capaz de abandonar uma vida de vícios negativos para ser nova pessoa em Jesus Cristo. Seguir a vontade de Deus, como disse Jesus: “vim, ó Deus, fazer a tua vontade” (Hb 10,9). Só assim será capaz de surgir uma cultura de paz, tendo Cristo como centro.

Tenhamos em mente que o Senhor celebrado na noite do Natal, é Filho de Deus. Ele veio até nós com a finalidade de nos trazer a vida, e vida com dignidade. Entra no mundo, totalmente marcado pelas realidades do mal, e se oferece em sacrifício por todos. Veio restaurar a comunhão e recuperar a verdadeira paz, que só acontece Nele.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

4º. Domingo do Advento – C


O evangelho deste domingo nos traz uma visita. São muitas as visitas: dos parentes, dos vizinhos, dos amigos... A visita é a oportunidade do encontro: dos amigos e parentes na noite de natal, dos namorados, das pessoas que não vemos há muito tempo... A Santa Missa é uma oportunidade para nos encontramos como comunidade de fé. O advento nos prepara para o grande encontro e para a grande visita, porque Deus resolveu visitar o seu povo. Bateu na porta, uma mulher abriu e deixou entrar o Salvador, e agora Ele está entre nós.  Embora já esteja em nosso meio, Ele quer visitar o nosso coração e quer espaço para entrar. Podemos abrir também mais uma vez a porta para o Salvador.

A visita de Nossa Senhora a sua prima Isabel é a visita do próprio Deus. O acolhimento do Senhor neste tempo de graça se realiza quando acolhemos no coração os dons trazidos por Maria. A mesma graça do encontro entre Maria e Isabel deve acontecer neste natal em nossa vida. E o que Maria traz em sua visita?

Maria traz a paz. A saudação que chega aos ouvidos de Isabel é o Shalom, saudação própria dos judeus. Shalom é a abundância de vida e felicidade, a realização das promessas divinas, ou seja, a presença do Messias com todas as suas bênçãos. Precisamos ter a certeza de que as promessas já se realizaram, que não é preciso temer. Que neste advento o Cristo seja o nosso shalom e que sejamos portadores de sua paz.

Maria traz a alegria e a presença do Senhor. A presença de Jesus provoca a alegria, o estremecimento gozoso de todos aqueles que esperam a concretização das promessas de Deus. A verdadeira alegria é a presença de Deus, a realização de suas bênçãos em nossa vida. O estremecimento de alegria de João Batista no seio de Isabel é o sinal de que o mundo espera com ânsia uma proposta verdadeiramente libertadora do Evangelho. É também a alegria do Espírito provocada pelo encontro com o Senhor. Encontremos e acolhamos o Senhor que vem.

Maria traz o Espírito. Em Isabel o pentecostes é antecipado. Num êxtase do espírito ela estremece e profetiza: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?” Maria provocou a descida do Espírito e a primeira profecia do novo testamento; e esta profecia exaltou Maria como mãe de Deus e compôs a primeira parte da Ave- Maria. Sejamos moradas do Espírito de Deus.

A Carta aos Hebreus nos ensina o significado da Nova Aliança. A acolhida do Senhor em nossa vida não pode ser apenas um ritualismo vazio, pois não são os sacrifícios externos que nos redimem, mas sim a intenção que reside em nosso coração. O Senhor veio para realizar a vontade do Pai, do mesmo, modo no natal que se aproxima, devemos nos abrir para a obediência da vontade de Deus. Que este natal não seja apenas das luzes, dos presentes, das orações da boca pra fora, mas que realmente possamos fazer deste tempo a oportunidade para afirmar: “Eu vim para fazer a tua vontade”.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Alegria e Esperança


Está chegando mais um Natal de alegria e de esperança para o mundo, porque ele tem como objetivo a presença de Deus em nosso meio. É o divino que se torna humano, fazendo com que o humano seja mais divino. Esta é a real novidade própria deste momento natalino, porque daí nasce a “vida”, que traz vida para todas as pessoas de boa vontade no caminho do bem.

Deus, na sua infinita bondade, partilha conosco a sua própria vida, como alimento de nossa sobrevivência ou de subsistência. Ele é o Criador e preservador de tudo que criou. Essa tarefa é colocada em nossas mãos, mas, em muitos casos, agimos como destruidores e ameaçadores da vida com atitudes desonestas.

O Natal dos cristãos deve ser o anúncio da identidade do Messias, daquele que proclama a justiça e o amor como itinerário da vida em Deus. Na verdade, Jesus nasce para anunciar um mundo novo, um reino de amor e proclamar a felicidade, que está dentro de nós mesmos. Podemos dizer que isto é a essência do ser humano.

Pensar no Natal é entusiasmar e apaixonar-se por Jesus Cristo, fazendo as coisas corretas, superando todas as atitudes de maldade que impedem a realização da felicidade. Para isto é necessário “fazer ao outro aquilo que fazemos a nós mesmos” e entender que Deus está dentro e presente em cada pessoa humana.

A alegria interior deve se manifestar externamente pela nossa voz e por nossos sinais, revelando a chegada do tempo da salvação. Isto significa eliminar da sociedade, e de nós mesmos, os atos de corrupção e desmandos. Acontece um novo estado de coisas em virtude da intervenção de Deus, ocasionando esperança.

A hora é de recobrar o ânimo, de revigorar as forças, tendo como garantia de tudo, a presença forte e renovadora de Deus. Por isto é necessário alegrar-se sempre com gestos de bondade, sabendo do valor de eternidade presente em cada atitude responsável que realizamos. É a alegria e a esperança que causam verdadeira paz.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

30. Jeitos diversos de enxergar uma questão


A mesma história, contada por mais de uma pessoa, costuma apresentar ênfase em aspectos diversos. Muitas das divergências entre cristãos são  fruto de se ter uma perspectiva diferente ao ver a mesma coisa, destacando ângulos que acabaram se tornando básicos na tradição de cada grupo. Isso muitas vezes fica evidente nos acordos internacionais resultantes de diálogo entre as Igrejas. Foi o que aconteceu quando católicos e luteranos se uniram em 1999 para discutir a questão da justificação pela fé ou pelas obras, que estava no centro do protesto de Lutero. Aí  produziram uma “Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação”. O método usado pelas duas Igrejas foi o chamado “consenso diferenciado”, que funciona assim: primeiro os dois grupos afirmam em que estão de acordo sobre um determinado tópico; depois, cada grupo diz o que valoriza mais dentro daquele assunto – e aí aparecem as diferenças. Com isso, o texto ajuda a perceber que há uma crença básica de fundo, vivida com ênfases diferentes e, com isso, facilita o caminho para futuros diálogos.

Esse tipo de acordo acontece quando as duas partes de fato querem se ver como caminhantes na direção de um objetivo comum. O objetivo é  a grande motivação, algo que permite a caminhada em conjunto, mesmo se cada um vê a paisagem a seu jeito. Não há mistura, desvalorização da própria identidade, salada de idéias (isso seria um desastre!), o que há é um companheirismo respeitoso, que reconhece que há diferenças importantes mas que também é possível um certo tipo de cooperação em algumas áreas.  É desse jeito que queremos viver o ecumenismo. Se as diferentes Igrejas cristãs se entendessem fraternalmente poderiam colaborar umas com as outras e oferecer ao mundo um panorama mais amplo do cristianismo. 

O livro “Cruzando o limiar da esperança” traz uma bela coleção de respostas dadas pelo papa João Paulo II às perguntas feitas pelo organizador do texto. Uma dessas perguntas  era: Por que o Espírito Santo teria permitido as divisões entre os seguidores de Cristo?  O papa diz que haveria duas respostas possíveis. “Uma, mais negativa, vê nas divisões o fruto amargo dos pecados dos cristãos. A outra, pelo contrário, mais positiva, é gerada pela confiança Naquele que tira o bem até mesmo do mal, das fraquezas humanas: por isso não poderia ser que as divisões tenham sido também um caminho que levou e leva a Igreja a descobrir as múltiplas riquezas contidas no Evangelho e na redenção operada por Cristo? Talvez tais riquezas não pudessem vir à luz de maneira diferente...” Quando li isso fiquei imaginando que a unidade final seria como um encontro de caminhantes que, tendo começado no mesmo ponto, acabaram chegando ao mesmo destino tendo percorrido estradas um pouco diferentes: todos poderiam partilhar as descobertas e paisagens do caminho que cada um seguiu. João Paulo II diz também, referindo-se à sua missão de papa: “A tarefa de Pedro é procurar constantemente os caminhos que servem à manutenção da unidade. Por isso, ele não deve criar obstáculos, mas procurar caminhos.” No mesmo texto, ele já havia afirmado: “O respeito recíproco é uma condição preliminar para o ecumenismo autêntico.” 

Para que a esperança expressada na resposta do papa se concretize temos que viver e ensinar a viver uma espiritualidade de diálogo, com total preservação do essencial que vai garantir a unidade, e com respeito à diversidade que pode ser sinal de riqueza em vez de divisão, tudo isso cultivado com sólido conhecimento da doutrina, fidelidade ao que a Igreja nos pede e prática do evangelho.

Therezinha Cruz

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

3º. Domingo do Advento – C


“Alegrai-vos sempre no Senhor, eu repito alegrai-vos”. Estamos no domingo da alegria. Alegria porque o Senhor vem, alegria porque somos seguidores do Deus da paz e do amor. É a alegria que os anjos anunciam aos pastores: “Eis que vos anuncio uma grande alegria...”. Deste modo, precisamos entender que a alegria não é resultado das coisas que acontecem ao nosso redor, ela não pode ser achada fora de nós. A alegria é consequência da presença salvadora de Cristo. É surpreendente a Epístola aos Filipenses ser chamada carta da alegria, quando sabemos que ela foi escrita quando São Paulo estava na prisão. Como este homem pode falar com tanto ânimo em uma situação tão triste? Eis a lição para cada um de nós. Não importa o que nos oprime, o que nos deprime; muitas podem ser as nossas prisões, até o pecado. Poderíamos ser fatalistas, achando que não há solução. Mas São Paulo dá uma receita melhor: apresentar nossas necessidades em súplicas e orações. O cristão é aquele que ora com confiança a Deus, colocando a sua vida nas mãos do Pai. Segue em frente, porque tem a certeza de que Deus dá a fortaleza. Por fim, o apóstolo recomenda a ação de graças: agradecer por tudo o que recebemos, mesmo pelas coisas não tão boas. Filipenses nos faz um convite para parar de reclamar da vida, assumindo-a com a alegria de quem tem a certeza da vitória de Deus.

O Evangelho traz o conteúdo da pregação de João Batista. Sugere três aspectos de conversão.

a) “repartir as túnicas...”. É preciso sair do nosso egoísmo e aprender a partilhar. É tão bonito ver distribuição de alimentos, brinquedos, doces e roupas no fim de ano. Mas que não seja um desencargo de consciência. Que acima de tudo seja um gesto de partilha, de amor por aqueles que são pequenos, que sofrem as dores do próprio Cristo. Se solidário é ter um coração que se importa com o sofrimento alheio, seja qual for.

b) “Não cobreis mais do que foi estabelecido”. É preciso quebrar os esquemas de exploração e proceder com justiça. Vencer o lema de Gerson que clama ao desejo de levar vantagem em tudo. A honestidade começa nas pequenas coisas.

c) “Não tomeis a força o dinheiro de ninguém...”. É preciso renunciar à violência e à prepotência e respeitar os irmãos. Não adianta se emocionar com os sensacionalismos dos programas de auditório, e depois ser violento com as pessoas que residem conosco, intransigentes no trânsito, na fila do comércio... Não podemos nos utilizar de nenhum privilégio ou cargo para oprimir ou tratar mal alguém. É preciso que transpareçamos a ternura do Evangelho.

 Vivamos a alegria e a conversão, preparando-nos para o Jesus que vem. “Procuremos acender uma vela em vez de amaldiçoar a escuridão” (provérbio Chinês).

Pe Roberto Nentwig

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

REUNIÃO DA CATEQUESE JUNTO À PESSOA COM DEFICIÊNCIA

Regional Sul 1 – CNBB – Limeira
No dia primeiro de dezembro de 2012, Dom Vilson Dias de Oliveira, DC, recebe a equipe executiva da Catequese junto à pessoa com deficiência, na residência episcopal, estando presentes: Pe. Décio José Walker, Assessor da Comissão de Animação Bíblico-Catequética da CNBB, os representantes da Sub-Região de Campinas: membros da Pastoral dos Surdos da diocese de Limeira; os representantes da Sub-Região RPI: Vanilda; os representantes da Sub-Região SPI: Margarete, Maria Aguilar, Solange, Mario; os representantes da Sub-Região SPII: Sonia, Paulo, Ir. Daiane, Cícera; os representantes da Pastoral da Pessoa com deficiência da Arquidiocese de São Paulo: Valter e Neuza; os representantes do Movimento Fé e Luz: Walter e Marcia.

Pe. Décio coloca os projetos da catequese neste próximo período de 4 anos, e para catequese junto à pessoa com deficiência, a preparação de um subsídio inspirado no V Seminário Nacional da Catequese junto à pessoa com deficiência para o próximo ano; e foi sugerida uma proposta que no ano de 2014 seja realizado o Seminário de Iniciação Cristã junto com a Catequese junto à pessoa com deficiência.

Sr. Valter e Neuza apresentaram a trajetória da Pastoral da Pessoa com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo, o grupo que se formou para trabalhar no tema da Campanha da Fraternidade 2006, e continuou fazendo Fóruns após a Campanha da Fraternidade de 2006, e que faz 2 que foi constituída como Pastoral da Pessoa com Deficiência e procuram desenvolver um trabalho de evangelizando e a união junto com os catequistas é um meio de aprender e também ensinar dinâmicas que faça fomentar o trabalho catequético no Regional Sul 1, apresentaram também os textos Construindo a Teologia da Inclusão de Valter Ceccheti, e o texto Catequese Inclusiva do Pe. Antônio Marcos Depizzoli e o Projeto Igreja Acessível, que procura sensibilizar e envolver a comunidade para a inclusão das pessoas com deficiência na vida eclesial.

Dom Vilson, também apresentou o texto a Juventude e Iniciação à Fé, destacando no texto: “A perspectiva cristã de nossa catequese mistagógica tem muito a oferecer quando nos remete a fonte de nossa fé: a experiência a partir da fé no Ressuscitado. Essa experiência catecumenal que abre a todos a oportunidade de refletir os fundamentos de sua fé a partir da própria experiência e participação nos mistérios sacramentais em comunidade, gera a possibilidade de engajamento mais profundo de nossos jovens e adolescentes na Igreja. Estimulá-los a uma vivência mística e operante da fé, é aguçar neles a curiosidade na busca do entendimento do mistério pela prática do seguimento do evangelho, ao trabalhar neles o desenvolvimento de suas potencialidades, desde a mais tenra idade, encorajando-os ao descobrimento de dons e carismas em nossos núcleos catequéticos”.
 
Cícera Thadeu dos Santos
Diocese de Mogi das Cruzes

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

XXVI Assembleia do Regional Oeste 02 de Catequese

É com alegria que começamos no CENE em Cuiabá a XXVI  Assembleia do Regional Oeste 02 de Catequese,  entre os dias 23 a 25 de novembro de 2012 para juntos refletirmos o caminho da catequese, que deve estar em sintonia com o conhecimento da Palavra de Deus e o jeito em que celebramos a nossa fé. Sendo essa uma proposta de maturidade na caminhada da fé cristã. 
 
Fomos iluminados com o início do texto: "A PORTA DA FÉ, que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma", indica o Santo Padre.
 
A abertura da assembleia foi conduzida pela Ir. Sarvelina Maria Nicolodi. Estavam presentes os representantes das dioceses de Sinop, Diamantino, Rondonópolis, Cáceres, Guiratinga, Barra do Garças, Juína e as prelazias de Paranatinga e São Félix. Participaram também da assembleia 10 religiosas e 04 sacerdotes que contribuíram significativamente nas atividades catequéticas.  
 
Na assembleia foram observadas as temáticas: A geração Net, a Iniciação a vida cristão abordadas por Dom Juventino Kestering; A porta Fidei com a Ir. Sarvelina Maria Nicolodi; Educação Cristã com Osmindo Pereira Souza e Dinâmicas da fé com a Irmã Maria Helena Teixeira. Foram discussões interessantes, que aguçaram ainda mais nosso conhecimento e ampliaram nossa visão de catequese para esse mundo de mudança.

Para ano de 2013 ficou decido que teremos dois eventos no regional a cerca da catequese: primeiro nos dias 14 à 16 de junho com o tema: Família aprofundando – (Iniciação a Vida Cristã – Doc. 97/Juventude/missionaridade –Nova Evangelização); e a 27ª assembleia  nos dias 22 a 24 de novembro, a temática será discutida de acordo com o encontro de junho. 
 
Tivemos a eleição da nova equipe de catequese no regional Oeste 02, ficando assim  composta:  Coordenadora: Irmã Maria Helena Teixeira; Vice Coordenadora: Irmã Sarvelina; Secretaria: Rosely e Osmindo; Assessor:  Dom Juventino Kestering; além dessa equipe formamos uma equipe ampliada com representantes de cada diocese para auxiliar a equipe de coordenação, sendo de: Paranatinga: Pe. Giovane;  São Félix: Pe. Paulo; Juína: Ir. Francis; Barra Do Garças: Ir. Izoldi; Sinop: Sirlei; Cáceres: Pe. Jair; Diamantino: Osmarina; Guiratinga: Jânia; Rondonópolis: Osmindo. Ficamos sem representantes da arquidiocese de Cuiabá por não estarem presentes.

Na avaliação foram colocado as riquezas de informações adquirida nessa assembleia, as trocas de experiências entre as dioceses, bem como toda a dedicação e trabalho dos grupos de serviços: acolhida calorosa, ambiente agradável, participantes sintonizados e receptivos aberto as considerações.

 Agradecemos a irmã Sarvelina e sua equipe pelo trabalho desenvolvido a frente da catequese no regional esses três anos, colaborando significativamente nas atividades e reflexões da catequese.

Rosely Gomes da Silva
Secretária da Catequese no Regional Oeste 2

29. Recursos de variados campos


Nosso Diretório Nacional de Catequese Geral lembra fontes importantes de material pedagógico, quando diz: “Na comunicação há muito a aprender com o que o mundo vem descobrindo. Um catequista que gosta de aprender, também fora do âmbito da Igreja, será mais criativo e terá mais recursos para dar conta da sua missão” DNC 151  Isso não significa, é claro, que vamos assimilar tudo que o mundo secular apresenta. Há muita mensagem negativa à nossa volta. Um bom discernimento é sempre indispensável para que haja fidelidade ao evangelho, à nossa identidade católica de fé. Mas o Diretório quer dizer, por exemplo, que um olhar atento ao tipo de comunicação que nos vem de certos poetas, de algumas cenas do cinema, de canções populares capazes de trazer boa reflexão pode tornar a catequese mais interessante e comunicativa.

Descubro muitos recursos desse tipo conversando com minha neta. Ela gosta de ficar deitada na cama comigo vendo filmes na televisão e vive fazendo perguntas e observações filosóficas a respeito de tudo que vê. Um de seus filmes prediletos é O Rei Leão II – o Reino de Simba. Ele mostra dois grupos opostos, divididos, inimigos: de um lado Simba e do outro lado os “exilados” que haviam sido expulsos depois de uma conspiração. Bem no meio dessa guerra, a jovem leoa Kiara, filha de Simba, se apaixona por Kovu, que é o herdeiro do outro lado. O romance dos dois vai acabar levando a uma grande reconciliação, na hora em que os dois grupos se preparam para uma batalha. Eles se olham e descobrem que são o mesmo povo e que não vale a pena brigar.  Ao destacar a importância da união do grupo para vencer as dificuldades da vida, uma canção proclama: Somos mais do que mil, somos UM!   

Minha neta quis conversar sobre o que significa ser UM e como isso poderia valer mais do que ser mil. Foi uma conversa interessante, com idéias que nós duas aplicamos a várias situações da vida: o que acontece quando todos são UM numa família, num local de trabalho, numa comunidade, na escola... e chegamos até a imaginar como ficaria o planeta se todos os povos fossem UM, bem dentro do espírito dessa mensagem. Minha neta percebeu logo que ser UM não era serem todos iguais, cópias uns dos outros, sempre de acordo. Haveria um grande prejuízo se cada um perdesse sua identidade. A soma virava UM não porque eram iguais mas porque trabalhavam juntos pelo mesmo objetivo, criando um conjunto invencível. 

A partir daí, uma boa catequese poderia trabalhar a espiritualidade da construção da unidade na diversidade, que iria abranger muitos campos, inclusive a família, a pastoral de conjunto da própria comunidade e a necessidade de cristãos de Igrejas diferentes se tratarem como parceiros na construção de um mundo voltado para os valores do Reino que Jesus anunciou.  Poderíamos usar também citações de poetas e cientistas, provérbios que explicitam a idéia de que a união faz a força e que a divisão enfraquece. Adolescentes podem lembrar como essa parceria acontece em filmes de tipo “Jornada nas Estrelas”, onde temos uma equipe formada até por seres de diferentes planetas, unidos por um ideal comum.

Para nós, é claro, há um testemunho bem mais importante, que é o do próprio Jesus pedindo que os seus discípulos sejam UM para que o mundo creia. Paulo também quer ver a Igreja como um corpo, com partes em harmonia. É por isso também que vários documentos da nossa Igreja alertam para o fato de que a divisão dos cristãos prejudica a causa da evangelização. 

A catequese precisa ensinar isso. Assim, por exemplo,  nas escolas, em vez do bullying que atormenta e cria infelicidade, teríamos o companheirismo que destaca e multiplica talentos. Cristãos seriam preparados para a valorização dos sinais de unidade que já existem entre as Igrejas e para a busca de uma unidade maior no futuro. Sendo UM, fica mais fácil multiplicar forças.

O filme que minha neta apreciou tanto pode ser um bom material catequético para crianças e adultos. Com ela eu também tenho descoberto como é bom nós duas sermos UMA, aprendendo e filosofando juntas.

Therezinha Cruz

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Círio da Fé é aceso na Arquidiocese de Maceió


A Comissão Arquidiocesana para a Animação Bíblico-Catequética divulgou o itinerário da passagem do Círio da Fé, que peregrinará por todas as paróquias da Arquidiocese.

O Círio da Fé criado pela Comissão Arquidiocesana foi aceso e abençoado por D. Antônio Muniz Fernandes no encerramento da XIV Assembleia de Pastoral, no último dia 15 de novembro. Seu objetivo é proporcionar momentos de oração e reflexões sobre os documentos do Concílio Vaticano II ou Catecismo da Igreja Católica, momentos missionários de evangelização nas comunidades, recordar os grandes evangelizadores da nossa Igreja local e reunir a comunidade paroquial em torno do Círio para professar a fé através do credo Niceno-Constatinopolitano pedido pelo papa Bento XVI no Ano da Fé.

A Comissão divulgou algumas orientações para a passagem do Círio da Fé nas paróquias. A equipe deve preparar com o pároco os momentos celebrativos, fazendo a recepção com velas para serem abençoadas e acesas no fogo do Círio em um momento de renovação das promessas batismais e recitação do credo. Cuidar para manter sempre acesa a chama do Círio símbolo da fé com o fluido próprio. Após as celebrações paroquiais, os catequistas da paróquia “A” entregarão o “Círio da Fé” na paróquia “B” e assim sucessivamente. As velas abençoadas podem ser acessas também nos lugares “santos” escolhidos por D. Antônio Muniz, para o Ano da Fé. Aqui na Arquidiocese de Maceió o lugar indicado para recebermos indulgência do Ano da Fé é o Morro do Cuscuz, nas ruínas da Igreja de São Bento, povoado de São Bento, em Maragogi.

Confira o Itinerário de dezembro 2012: Paróquia São João e Santa Isabel, Chã de Jaqueira, dias 1º, 02 e 03; Paróquia São José Operário, Fernão Velho, dias 03,04 e 05; Paróquia Santa Luzia, Tabuleiro, dias 05, 06 e 07; Paróquia São João Maria Vianey, Clima Bom, dias 07, 08 e 09; Quase Paróquia Mãe Rainha, Clima Bom, dias 09 e 10; Paróquia Nsa. Sra. da Guia, Satuba, dias 10, 11 e 12; Paróquia de Santa Luzia de Siracusa, Santa Luzia do Norte, dias 12, 13 e 14; Quase-Paróquia Nsa. Sra. das Graças, Pilar, dias 14, 15 e 16; Paróquia Nsa. Sra. do Pilar, Pilar, dias 13; Paróquia Nsa. Sra. das Brotas, Atalaia, dias 18, 19 e 20; Paróquia Nsa. Sra da Conceição, Atalaia, dias 20, 21 e 22; Paróquia São Sebastião, Pindoba, dias 22, 23 e 24.

2º. Domingo do Advento – C


O evangelho deste domingo começa nomeando os líderes políticos e religiosos daquele tempo, em uma data bem definida – o 15º. Ano do imperador Tibério: o poder central, com o imperador Tibério e o seu prefeito Pôncio Pilatos; o poder local, com Herodes, Filipe e Lisânias; o poder religioso, com os sumos sacerdotes Anás e Caifás. Estes personagens pertencem à história, e com eles podemos fazer a cronologia de Jesus, de forma aproximada. O 15º. Ano do Imperador Tibério César coincide com o ano 27/28 de nossa era. Lucas afirma que Jesus começou sua pregação com cerca de 30 anos. Herodes administrou a Galiléia até 39 d.C. Caifás ficou sumo sacerdote entre 18-36 d. C. Pôncio Pilatos foi procurador romano entre 14 e 37 d.C.  
Portanto, o evangelho nos evidencia que Jesus viveu em um contexto bem determinado, ou seja, Ele é parte de nossa história, ainda que muitos queiram reduzir a uma fábula. Situar a pregação de João (e depois a de Jesus) entre os grandes poderosos da época ainda tem outro significado: o profeta do deserto é mais importante do que os poderosos; mais importante do que todos eles é o Cristo, aquele que veio nos trazer a salvação. O que aconteceu com Tibério, Herodes, Pilatos, Caifás, Anás? Morreram todos eles e os seus reinos. Por outro lado, a mensagem suave de Jesus de Nazaré, sua pessoa, sua vida, a salvação por ele oferecida continua.
Neste quadro histórico se encontra João Batista. Trata-se de um profeta que surge depois de 300 anos sem profetismo em Israel. Ele rompe o silêncio para preparar o maior acontecimento da história. Asceta do deserto, ele prega um caminho de conversão. Seu estilo nos lembra personagens históricos como Antônio Conselheiro: de barbas longas e roupas pobres, que prega a conversão com severidade. Certamente, Jesus foi mais suave, mas não menos radical.
A voz de João Batista é a grande mensagem deste 2º. Domingo do advento: “Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Todo vale será aterrado, os montes e as colinas serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados!” (Lc 3,4-5). É como arrumar um armário. Por vezes, é preciso tirar toda a bagunça, para depois colocar tudo em seu lugar. Se alguma coisa está desarrumada na nossa vida, quando chega a um nível crítico, agente resolve colocar no lugar. João resgata a palavra de Isaías, um convite para se aplainar o caminho, para se nivelar as montanhas. O que está precisando ser arrumado na sua vida? O que precisa ser convertido? Será que existe um armário tão desarrumado, do qual caem todas as coisas? Se existe, que tal dar uma arrumada no armário? Que tal dar uma aparada nos montes da vida? O advento é uma oportunidade preciosa que não podemos desperdiçar.
O advento nos convida para um verdadeiro êxodo da terra da escravidão para a terra da liberdade. Deixar as cadeias que nos prendem e voltar para a bondade de Deus que nos ama, na alegria da certeza de que Deus se lembra de nós, de que não se esquece, como nos diz o profeta Baruc.
Na segunda leitura, depois de saudar a comunidade e render graças por tudo o que Deus fez em Filipos, Paulo faz uma prece: “que o vosso amor cresça sempre mais, em todo conhecimento e experiência, para discernirdes o que é melhor” (Fl 1,9-10). Para crescer é preciso saber discernir, ou seja, olhar para a vida com sabedoria, para fazer as melhores escolhas. Note-se que a exortação não é para discernir entre o bem e o mal, mas para escolher o que é tem mais valor (diria outra tradução). A melhor escolha certamente é amor. Para que haja conversão neste advento, o amor deve ser o critério. O que é melhor para a nossa vida? É preciso responder com sinceridade, sem mascarar a verdade. E onde não há amor? Lá certamente poderá haver o que realmente prepara os caminhos para se receber o Salvador. Preparai o caminho do Senhor!

Pe Roberto Nentwig 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Regional Sul 1: Diocese de Guarulhos realiza III Congresso Diocesano da Animação Bíblico-Catequética

Em atendimento ao plano pastoral de nossa Diocese, foi realizado o 3º Congresso Diocesano de Catequese, nos dias 24 e 25/11/12. Com o tema: Catequese: Caminho para o mistério "Quem me vê, vê o Pai" (Jo 14,9)  refletimos os rumos da Evangelização em nossa Diocese.

Este Congresso foi realizado em um ano muito propício, já que estamos celebrando o Ano da Fé. Nosso objetivo é despertar uma reflexão bíblico-catequética tendo em vista a iniciação à Vida Cristã, despertar o aspecto mistagógico como um caminho formativo de catequistas, abordando a mística como experiência do mistério da vida de Jesus e para o discipulado missionário. 

“O Catequista é aquele que encontra Cristo, descobre como “Caminho, Verdade e Vida”, faz com Ele uma experiência pessoal profunda e por isso é capaz de apresentá-lo, não como doutrina, mas, como pessoa que modifica, que transforma, que desestrutura toda maneira de ser, de pensar e agir”.[1]

A Catequese como caminho para o discipulado traz presente a necessidade do encontro pessoal com Jesus Cristo e conseqüentemente o seguimento e a missão: todo discípulo é missionário. São as duas faces de uma mesma realidade, conforme afirma o Documento de Aparecida. O discípulo missionário será atuante e desenvolverá a missão nos vários âmbitos da sociedade: família, comunidade, escola, trabalho. Portanto, o discipulado acontece no mundo e está aberto às necessidades e desafios da realidade, mas, este discipulado só ocorrerá se tiver tido uma verdadeira e autêntica Iniciação Cristã.

Pe. Pelegrino Rosa Neto -
Equipe Animação Bíblico Catequética diocesana

Fonte: Blog Catequese Sul 1


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

28. Anunciar e dialogar


Acho interessante perceber que, entre os documentos oficiais da nossa Igreja que não tratam especificamente de ecumenismo e diálogo inter-religioso, os que mais dedicam parágrafos a esse tema são exatamente os que se relacionam com o trabalho missionário.

Pensando bem, é natural que seja assim. Afinal, uma das primeiras perguntas que as pessoas fazem diante da proposta de diálogo inter-religioso diz respeito à necessidade do anúncio da nossa identidade de fé. As pessoas indagam: Vamos dialogar e respeitar a crença dos outros? Então como fica a Verdade em que acreditamos? Vamos ter que relativizar tudo? 

Nossa Igreja nunca deixou de afirmar que Jesus é a revelação plena de Deus, a máxima manifestação do Amor que o Criador tem por nós, a melhor notícia que se pode dar á humanidade. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. É o Salvador de todos, porque foi nele que se manifestou de maneira mais completa o amor desse Deus que não desiste de nós. Até por uma questão de amor ao próximo, não estamos dispensados de anunciar a todos o amor que Deus manifestou em Jesus.

Mas isso não significa menosprezar as experiências religiosas de outros porque elas podem ser também meios de realizar a vontade de Deus. No documento Diálogo e Anúncio, do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, nossa Igreja nos diz:

É através da prática daquilo que é bom nas suas próprias tradições religiosas, e segundo os ditames de sua consciência, que os membros das outras religiões respondem afirmativamente ao convite de Deus e recebem a salvação em Jesus Cristo, mesmo se não o reconhecem como o seu Salvador, DA 29  

Vamos perceber bem o que diz o texto acima. A salvação vem sempre de Jesus, não há outro salvador. Ele é o Salvador de todos, porque o que salva é o amor de Deus, do qual ele é plena manifestação. Mas esse Deus está presente na consciência das pessoas que querem fazer o bem e essa consciência voltada para o bem pode ser também alimentada pelo que há de melhor em outras tradições religiosas. A salvação dessas pessoas está incluída na salvação que Jesus veio trazer.

Isso leva a um respeito pelo melhor que membros de outras religiões já vivem, mas não dispensa os cristãos de dar testemunho do que descobriram e vivem em Cristo. Afinal, cremos que Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens, que nele está a plenitude da revelação. Temos que proclamar isso, principalmente com a nossa vida, o nosso testemunho. Mas isso deve ser feito em clima de respeito pelas outras tradições religiosas, como nos diz o mesmo documento Diálogo e Anúncio: “Os cristãos não devem esquecer que Deus também se manifestou de certo modo aos seguidores de outras tradições religiosas e, por conseguinte, são chamados a considerar as convicções e os valores dos outros com abertura.” DA 48

Evangelização se faz com testemunho, com disposição para servir ao Evangelho ,as também com amor e respeito às tradições religiosas de tantas pessoas e povos que Deus também criou e ama. É nossa obrigação sermos missionários, mas devemos reconhecer que o Espírito chega antes de nós, porque Deus é um Pai que não abandona nenhum de seus filhos.

Therezinha Cruz

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

1º. Domingo do Advento – C


Estamos iniciando o ano litúrgico. Mais uma vez acendemos uma vela da coroa do Advento, mais uma vez nosso coração se enche da esperança de um tempo novo, mais uma vez lembramos que Jesus nasce, que Cristo vem.

O advento trabalha com a expectativa das duas vindas do Senhor. A primeira vinda aconteceu na carne, sendo a concretização das esperanças de Israel, como vemos no texto do profeta Jeremias. Esta primeira vinda ficará mais evidente próximo do natal. A segunda vinda é na glória, quando acontece o que a teologia chama de parusia. Nesta ocasião o Senhor voltará vitorioso para julgar os vivos e os mortos e para implantar o Reino de um modo definitivo e pleno.

O começo do advento se apoia na expectativa da segunda vinda, baseando-se nas promessas de Deus. Não é uma espera medrosa, do Dia Terrível, apesar das imagens utilizadas no Evangelho de Lucas. Esperamos o dia em “que seremos reunidos à sua direita na comunidade dos justos.” (Oração do Dia). E isso deve ser motivo de alegria.

Onde está a esperança do mundo? Será que realmente somos animados pela esperança, que se funda na certeza do mundo novo? A nossa sociedade é marcada pela desesperança ou desespero. Não existem mais utopias, um por que lutar... Aí facilmente agente se acomoda ou se desespera. Jesus nos diz: “não fiquem insensíveis por causa da gula e da embriaguez, enquanto se espera o dia do Senhor” A pós-modernidade nos diz: “aproveite a vida”, mas oferece algumas falsas ilusões que destroem a vida e escravizam o ser humano. O advento é o tempo do resgate da vigilância. Vigiar não é deixar de viver, mas viver com toda a intensidade e dignidade humana. É viver a vida com a esperança do mundo novo que começa a aqui e agora.

Testemunhar a esperança significa não se acomodar. São Paulo nos diz que o amor deve crescer entre nós, que façamos progressos e progressos ainda maiores. Não somos santos, mas podemos crescer a cada dia. Seria errado imaginar pessoas prontas, acabadas, santas e imaculadas. Elas não existem, ou só aparecem excepcionalmente, quando surge uma Teresa de Calcutá (e mesmo ela não era perfeita e batalhou muito pelo próprio crescimento). Não desejemos a perfeição de ninguém (nem de nós mesmos), mas não toleremos a apatia de ninguém, a começar por nós mesmos. E o que nos faz crescer é a esperança do fim, porque não é uma espera passiva. Trata-se de querer que este mundo novo aconteça, por isso, esforçamo-nos para construí-lo. O que não colabora com o crescimento deve ser purificado. Por isso, é tempo de conversão. Não basta falar que Jesus deve nascer no nosso coração no Natal que se aproxima, se não encontramos gestos concretos que nos levam a viver de um modo mais humano e mais cristão.

Pe Roberto Nentwig

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Advento


A vida passa por transformações e se renova. Por isto, iniciamos mais um Ano Litúrgico, começando com o Ciclo do Natal, na certeza de vida renovada. O Natal é celebrado com muitas festas, contemplando o nascimento de um Rei, o Filho de Deus, cumprindo uma promessa feita pelo Senhor ao Rei Davi.

São quatro domingos chamados de “Advento”, que nos despertam, dentro de um itinerário, para a vinda de Jesus Cristo, Àquele que vem de Deus e assume as condições e realidades humanas. Seu objetivo foi de realizar a reta ordem do universo no cumprimento das Leis divinas marcadas no coração das pessoas.

No mundo dos conflitos, da violência e do caos na ordem social, caímos numa situação de temor e angústia. Nossa esperança fica fragilizada e somos incapazes para uma paz de sustentabilidade. Somente em Jesus Cristo podemos encontrar força e coragem para superar as limitações contidas em nossas fraquezas.

O Advento é tempo de preparação para o Natal. É colocar-se de prontidão para acolher Aquele que nasce transformando a história. Hoje isto acontece no coração das pessoas vigilantes e sensíveis às realidades do bem. Este deve ser o caminho do cristão, reconhecendo a presença de Deus em sua vida.

Todo clima natalino, que começa com o Advento, deve fazer aumentar o amor entre as pessoas. É uma realidade que deve acontecer no relacionamento, na convivência familiar, no trabalho, na escola, enfim, na vida real. É importante a consciência de que a fonte de tudo isto está em Deus. É por isto que Ele vem a nós e fica conosco. “O amor de Deus foi derramado em nossos corações” (I Ts 4,9).

Sabemos que a fonte do amor é Deus, mas isto não dispensa o esforço pessoal. Temos que viver o amor no meio dos conflitos e tensões a todo instante. Os afazeres da vida não podem obscurecer a ação de Deus em nossa prática de vida. É Ele quem nos dá sustentação para uma realidade de fraternidade e vida mais feliz.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.
Loading...

Cadastre seu email e receba nossas novidades:

Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética

MAPA DE VISITAS