sábado, 12 de novembro de 2011

HOMILIA DO DOMINGO


33º. Domingo do Tempo Comum – A

Quando nos aproximamos do fim do ano litúrgico, os textos bíblicos proclamados na Liturgia da Palavra têm uma tônica escatológica, ou seja, trazem reflexões sobre o fim dos tempos e sobre a realidade última para a qual fomos chamados. Infelizmente, em nome da religião, muitos anunciam o fim iminente. Baseados de modo fundamentalista na Bíblia e em previsões, falam sobre o fim do mundo, geralmente, com o objetivo de causar o medo, como um caminho para a conversão ou para a adesão de alguma forma específica de linha religiosa. O Evangelho não é o anúncio da má notícia, da ruína, da destruição, do castigo. A religião de Jesus de Nazaré é portadora de vida, de esperança e de amor.

A segunda leitura fala sobre o retorno do Senhor. São Paulo considerava que isso não demoraria a acontecer. Mas, aos poucos, os cristãos tiveram que admitir que realmente “ninguém sabe o dia e nem a hora” e que o importante era estar preparado. Da previsão cronológica passou-se para a qualidade da vinda: a visão cristã, fiel a Escritura e a Tradição, acentua as consequências práticas de uma mística da espera do Senhor. Ou seja, meditar sobre a vinda do Senhor nos leva a considerar a seriedade da vida, pois o que fazemos aqui e agora tem consequências eternas.

A parábola dos talentos deve ser lida nesta ótica escatológica que considera a seriedade da existência humana e sua vinculação com eternidade. É interessante observar que Jesus não retrata o julgamento divino a partir de cobranças por faltas cometidas. O patrão não pergunta pelos defeitos, mas pela aplicação dos recursos dados antes da viagem, não pergunta sobre o mal praticado, mas reclama quanto ao bem não realizado. Há o perigo de focarmos tanto nos atos pecaminosos que acabamos por ofuscar os dons recebidos e que devem ser colocados a serviço do Reino. O medo de perder transforma-se na restrição do ganho.

No fim da vida, estaremos diante de Deus e o pior que poderemos apresentar é uma vida omissa. O cristão não é aquele que guarda só para si o tesouro da fé, que enterra o talento, pois o que é guardado estraga, apodrece, azeda, enferruja... Há para cada um de nós o grande risco de acomodar-se, deixar-se paralisar pela preguiça, pela rotina, ou pelo medo. O último empregado teve medo e, por isso, não correu riscos. A autoconservação tornou o último empregado improdutivo, triste e inventor de desculpas.

Somos chamados a semear, a transformar e a comprometer-se com a vida. É realmente importante a esperança nova que surge ao nosso redor, as tristezas consoladas, o irmão acolhido, a luta pela vida, justiça e verdade, o testemunho de amor misericordioso, o sorriso terno, o serviço eclesial, o testemunho no mundo. Tudo isso é talento multiplicado, é vida e amor que crescem em progressão geométrica.

Pode-se falar de uma “teologia da ausência”. O Senhor torna-se ausente para deixar uma forma nova de presença. Nesta ausência há uma oportunidade para nos comprometermos. É uma oportunidade para termos fé, pois não o vemos, mas esperamos nele. É uma forma de presença. A ausência nos faz ansiar pela presença, nos faz procurar motivos de presença – a presença do Senhor no mundo. O Senhor voltará “depois de muito tempo”: não é motivo para esquecer-nos dos talentos, mas para usá-los, de modo que sua aplicação seja sinal da presença divina.

“Tenha a coragem de ousar com Deus! Tente! Não tenha medo Dele! Tenha a coragem de arriscar a fé! Tenha a coragem de arriscar a bondade! Tenha a coragem de arriscar o coração puro! Comprometei-vos com Deus. Então verás que, precisamente, por isso a tua vida se tornará grande e iluminada, não mais entediada, mas plena de infinitas surpresas, porque a bondade infinita de Deus jamais se esgota” (Papa Bento XVI).

Pe. Roberto Nentwig

"Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força!"
(2Cor 12,9)

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